Para mim é claro que um relacionamento que estaciona perde a força.
É preciso crescer. Não adianta o nível que atingiu, tem que crescer, tem que avançar.
É como se a força de um relacionamento estivesse na quantidade do crescimento e não no nível atingido. Para os engenheiros e matemáticos eu diria que é a inclinação da curva, ou seja, sua derivada, que mede a força de um relacionamento. Se estabilizar a inclinação fica em zero.
Mas nossa vida não segue a matemática e dificilmente podemos traçar uma reta para nossos relacionamentos. Principalmente uma reta com ângulo positivo sempre.
Mas apelando para Piaget, posso dizer que os desequilíbrios nos ajudam a atingir novos patamares de acomodação no relacionamento, construindo assim, algo que não perde a força.
Por exemplo, uma dificuldade financeira, após ser vencida acaba por fortalecer o relacionamento de um casal que lutou para superá-la. Uma boa briga, bem resolvida, leva a um novo nível de entendimento. Uma mudança de fase na vida pode ser motivo para elevar ainda mais o nível de um relacionamento.
Os filhos são um bom exemplo disso. Quando descobrimos que “estamos grávidos” há uma grande alegria de um amor que se expande para além de nós. Ao vê-los sentimos um orgulho comum pela criação de uma vida. A responsabilidade nos força a crescer.
O dia a dia da educação, na infância, tende a nos absorver, mas na adolescência temos que nos unir para vencer juntos os desafios nos impostos por eles. Nosso relacionamento tem que crescer para que eles passem por esta “fase de certificação” com segurança.
Mas chega a hora em que eles começam a “bater asas” e mais um desequilíbrio afeta o casal. Todo o tempo que antes era dos filhos volta a ser de um para o outro. Toda a energia focada para os filhos tem que ser dirigida para o relacionamento, para o que queremos individualmente e o que queremos como casal. É uma nova oportunidade para crescer.
Nosso relacionamento com Deus também é assim. A busca da santidade pregada por Jesus, nada mais é do que querer sempre crescer, na fé, no relacionamento com os irmãos, no amor a Deus.
E mesmo que, de vez em quando, caiamos (inclinação negativa), o perdão e a misericórdia de Deus por nós nos ajuda a retomar o crescimento e a força de nosso relacionamento com Ele.
Você já percebeu que quando superamos aqueles momentos de deserto, onde parece que nossa fé estacionou, nos sentimos mais fortes? Ou quando, num grande questionamento com Deus, por fim “escutamos” suas respostas isso nos aproxima Dele?
Manter nosso relacionamento crescendo exige vontade, renúncia e desprendimento. Você quer isto para você?
Deixo então uma pergunta: Isto vale para a amizade?