Hoje faço 25 anos de casado. E estou muito feliz por isso.
É uma data memorável e vale à pena falar um pouco disso.
Início da década de 80. Eu entrei na faculdade e estava proibido, por meu pai, de namorar, pois era hora de me concentrar nos estudos – ele dizia (Não sei bem o por que ele me fez isso! ). É verdade que eu namorei bastante, mas eu queria descobrir minha princesa encantada e ,na época, não estava fácil.
Depois de conhecer a Helô tive que desobedecer meu pai, mas ela logo conquistou o sogro e tudo ficou tranqüilo com o velho (ele tinha minha idade de hoje!).
Nós procuramos nos preparar o máximo possível antes do casamento. (Eu fui muito chato com isso). Discutíamos como educaríamos os filhos, como agiríamos com familiares, como tocaríamos nossas carreiras e principalmente como alimentaríamos nossa fé. Nossa entrega total, só depois do casamento.
E tenho que confessar que nesses anos, nem tudo saiu como imaginamos. Deus sempre me mostrou que era Ele que estava na direção não eu.
Marcamos nosso casamento após uma oração juntos. E eu nem tinha emprego definitivo ainda. Mas logo após consegui o emprego e onde morarmos no início da nossa vida a dois.
Fiquei feliz, orgulhoso e ciente que, apesar dos meus esforços, Deus tinha dado uma mãozinha. Mas para que eu não ficasse convencido ou orgulhoso demais, meses depois ficamos sabendo que a Helô estava grávida e grávida de gêmeos! Tive que deixar nosso futuro nas mãos de Deus, pois nem imaginava o que isto acarretaria.
Tudo deu certo e em menos de 6 anos tínhamos 4 filhos (Que maravilha! – como diria o Dan).
E foi muito bom. Cada nova vida preenchia mais nossos corações e reforçava nosso amor.
Tive que trabalhar muito e a Helô, nem se fala, a minha parte foi moleza.
Jamais deixamos de tentar fazer as coisas para Deus, ajudando em trabalhos pastorais, irmãos, conhecidos e às vezes até esquecíamos de nós mesmos. Tivemos até que nos reorganizar, pois chegamos ao ponto de não ter muito tempo um para o outro.
Quando quase perdemos a Lili, ela tinha 9 anos, tivemos que apelar muito para Deus pela vida dela e Ele, mais uma vez, se fez presente com seus “anjos” que nos levavam conforto, carinho e principalmente a Eucaristia todos os dias.
Foi uma fase dura, mas de grande crescimento do nosso amor, de nossa unidade e de confirmação de nossa opção por permanecer ao lado de Deus, qualquer que fosse o desfecho. (Ufa, foi um grande desfecho!)
Depois disso tudo bem, eu adoro adolescentes. Eles me desafiavam em como ser um pai diferente para cada filho. Eles foram muito tranqüilos, mas tive minhas emoções como pai de adolescentes também.
E nós dois?
Bom todo mundo passa por suas crises. Tivemos desentendimentos, dificuldades de comunicação, às vezes parecia que seria muito difícil vencer certas barreiras, mas sempre nos lembrávamos que no dia 9 de fevereiro de 1985, naquela manhã de calor quase insuportável nós havíamos feito uma promessa um ao outro. Eu disse que receberia a Helô como esposa (ela também); eu disse que a respeitaria e a amaria (ela também); eu disse que seria fiel ( e ela também), eu disse que isso seria na alegria e na tristeza (ela também), na saúde e na doença (ela também) e que isto seria para sempre.
É impossível desistir se soubermos o que significa esta promessa.
Nós dois mudamos nesses anos. Eu mais radicalmente.
Amadurecemos, vemos as coisas de forma mais clara agora, mas eu não deixei de sonhar. De sonhar com um mundo diferente onde se possa viver o amor entre marido e mulher, entre pais e filhos entre amigos e amigas. Um amor verdadeiro, puro e que necessariamente leve o outro em direção a Deus, pois este é o nosso fim último, o nosso destino.
Que venham os próximos 25, pois tenho muitas estradas para percorrer com minha princesa!
(Para a Helô, minha princesa, Naná, Jó,Dan, Lili e Vevê)
Escrito por armandoporto