Viajar com namorado

Junho 27, 2009

 

O mundo

Queiramos ou não, a dignidade das mulheres anda em baixa  e se já foi maior alguma vez, nunca precisou muito para derrubá-la em nenhuma fase da história. E hoje em dia, uma viagem se uma moça sozinha com o namorado, para qualquer lugar que seja, tem um significado só para 99% das pessoas e você sabe qual é.

Preservar essa imagem também é um testemunho , mesmo que não façamos nada de errado. Pode ser injusto, idiotice, mas é este o mundo que vivemos e neste mundo é que somos convocados a dar  testemunho. Mesmo com sacrifícios.

Minhas filhas diriam: “Mas pai , todo mundo faz e ninguém mais é criancinha!” E eu digo, com certeza, que um dos fatores  que mais  atraiu os namorados de algumas de minhas filhas, foi eles terem a certeza da conduta delas.

Mas  eu já deixei a minha filha viajar sozinha para ficar noiva. E tive uma longa conversa com o noivo e com ela e ambos foram muito conscientes da responsabilidade do iriam fazer. Mesmo assim ouvi comentários maliciosos em nossa comunidade sobre esta ida deles a Paris  como sendo uma pré-lua de mel.

Amar de verdade

Quando a gente, realmente ama alguém , nada mais natural do que haver atração física pela outra pessoa. Se ambos pensarem da mesma forma, em termos de castidade, evitar situações que favoreçam o descontrole é muito prudente. Como li outro dia, numa  revista americana, se há paixão, há uma inundação química no organismo que ,muitas vezes, literalmente faz-nos parar de pensar, portanto “evitar acidentes é dever de todos”. E não vejo razão para justificar aqui o por que da castidade na construção de um relacionamento.

Você o ama?

Como você encara a castidade?

Como ele encara a castidade?

Os pais

Vários pontos de vista podem partir dos pais, o primeiro é dizer para filha que tome pílula e se proteja, para não pegar doenças ou engravidar. Isto é considerado ser um bom pai ou uma boa mãe, por muitos hoje em dia. E dane-se qualquer preocupação para os estragos emocionais decorrentes de tantas frustrações psicológicas posteriores e que pesam muitíssimo mais para a mulher do que para o homem.

A mulher se sente usada e o homem ainda conta para os amigos que já transou com esta e com aquela menina.  Não há consciência de que isso é uma das maiores alavancas de casais que nunca se ajustam, pois sempre vai haver uma paixão por quem se entregar, quer no matrimonio ou fora dele. É uma porta sempre aberta para a infidelidade.

Há os que não falam nada por ignorância e, neste caso, ”seja o que Deus quiser”. E tantas mães adolescentes estão por ai totalmente despreparadas para a maternidade. Fora HPV, HIV etc.

E deveria haver mais pais que tem coragem de dizer não! Não importam as razões para justificar um sim, mas o não tem por razão o amor. Preservar a dignidade de um filho, mesmo pela dor, é amor. Ser chato, estraga prazeres e quadrado é dizer ao filho, eu te amo. Há um por que para isso.

Quem sou eu?

Eu diria isso tudo para minhas filhas e meu filho. Não importa sua idade, enquanto eu estiver vivo eu os advertirei, pois Deus me deu esta responsabilidade quando me fez pai. E diria  a tanta gente que amo, pois o Batismo me fez irmão de todos e me tornou co-responsável pela construção de um mundo melhor.

Se amo falo. Jamais deixarei de falar para quem amo.

 


Depois do Encontro de Jovens…

Junho 13, 2009

Terminou mais um encontro!

 Estamos com o coração aquecido, tanto quanto  os encontristas, e  parece que acordamos de um sonho, de um sonho onde experimentamos o que é a civilização do amor, que  João Paulo II tanto pregou.

 Num encontro temos nossas necessidades básicas satisfeitas: de nos sentirmos amados, de nos sentirmos pertencidos e de termos autonomia.

 No encontro somos amados por todos que participam, mesmo antes do fim de semana. Na preparação,  as diferenças vão diminuindo e as coincidências vão aumentando, mesmo  durante os calorosos debates, as correrias de última hora ou o friozinho na barriga devido à expectativa de tudo dar certo. Nos sentimos amados, nos abraçamos, nos beijamos e sorrimos para todos.

 Temos a presença marcante de nossa fonte de amor que é Jesus Eucarístico  nas missas, especialmente na de entrega do encontro, e nas vigílias durante o encontro com o Santíssimo para nos inspirar e nos conduzir.

 Nos sentimos profundamente pertencidos a um movimento, movimento da graça, movimento que segue, pelo Espírito Santo, um caminho que faz com que tudo dê resultados para o Reino de Deus e não só para nós.

 Pertencemos a uma família e esse é um grande carisma de nosso movimento, ser família para tantos que a buscam entre nós. Desde os mais novinhos até os mais experientes todos queremos ser desta família. Queremos celebrar um matrimônio de um de nossos filhos, queremos vê-los falando de Deus, vivendo um ideal que um dia fez sentido para nós, queremos assinar no fim de nossos nomes Pax.

 Autonomia, esta necessidade parece meio estranha quando uma de nossas grandes orientações se chama Regra de São Bento! Mas tudo que vem de Deus, mesmo uma regra, serve para nos conduzir, da melhor forma possível, a Ele e como é bom viver segundo a regra do amor. Coordenamos equipes, demos palestras, limpamos banheiros, abraçamos alguém que chorava. Fizemos da nossa maneira, com nossos talentos, todos apontando para uma única direção que é Jesus. Às vezes tivemos que exercitar nossa humildade, outras vezes reprimimos nossa rebeldia, mas no fim das contas cada um fez seu melhor para o melhor de todos, para realizar um sonho possível de transformar este mundo.

 Temos que continuar assim, celebrando o amor que nos une. Cada um tem sua contribuição a dar. Cada vitória para Jesus tem que ser celebrada todos os dias e não só nos encontros.

 É possível transformar este mundo e isto está em nossas mãos, está na nossa contribuição, no nosso tempo oferecido, no nosso perdão, no nosso entusiasmo por este Reino que já está entre nós: Jesus!


Arquitetura

Junho 13, 2009

Na arquitetura um aspecto importante a ser considerado nos projetos é a estética. Fazer algo belo e agradável é uma meta justa. Na vida a estética são as realizações pessoais. Profissão, sucesso pessoal, viagens, felicidade, paz de espírito, etc. formam a estética da nossa vida, pois dão beleza à nossa existência. Não há nada de condenável em viver uma vida bela, pelo contrário.

 A funcionalidade também é outro quesito importante nos projetos, além da estética. Só ser bonito não basta, tem que fazer sentido e facilitar a vida dos que usarão o resultado de nosso projeto. Na vida a funcionalidade diz respeito ao quanto eu faço para as outras pessoas à minha volta. Como minha vida beneficia e facilita a vida dos outros. Se eu tenho que ter sucesso à custa de criar dificuldades para os outros, minha “funcionalidade” está muito ruim. Se eu complemento a estética da minha vida com funcionalidade verdadeira, certamente estou no caminho certo.

 Mas nenhum projeto vive só dos dois itens acima. A estrutura, o concreto de nossa vida são os valores. Temos que nos esforçar por tê-los, conhecê-los e exercitá-los. Exige esforço. Não saem de um desenho bonito. Dá trabalho alcançá-los. Uma vida com poucos valores é como um prédio onde há mais areia que cimento e, mais cedo ou mais tarde, acaba por ruir. E quantas experiências de prédios que ruíram nós temos, e se formos avaliar no detalhe, veremos que faltaram valores para sustentá-las. Cada um de nós deve ter uma ou mais experiências de casos assim e não precisa de um laudo de um perito para identificarmos “as causas do acidente”.

 E há ainda algo que nunca é visto nas construções, que dificilmente seria usado com alguma função estética ou funcional que é o aço estrutural. Ele fica lá dentro, mas quando o peso é grande ele ajuda a vergar, mas não deixa quebrar. Quando a distância entre os pilares é longa ele dá a sustentação necessária e na vida este aço estrutural é nossa fé. Não aparece, mas é a fé que nos faz firmes, mesmo quando a terra treme sob nós. A fé em Jesus, amigo, misericordioso e salvador.

 Como numa construção, a sequência de uma vida é de baixo para cima. A fé, os valores, o doar-se aos outros e a paz e realização.

 Como você está construindo sua vida? Como vão os alicerces de sua construção? Será que você está deixando de lado alguma fase buscando a seguinte e sempre sentindo que não dá certo? Estamos insistindo com areia demais e reclamando que a coisa anda ruindo antes da hora?

 As vezes é preciso parar e planejar nossa vida. Fazer uma tarefa por vez e na ordem certa. Pense nisto.


Amizade

Março 1, 2009

Assistindo uma palestra em um DVD eu ouvi uma frase que dizia: “Feliz é quem tem um amigo, mas é mais feliz ainda quem tem um amigo em Cristo, pois este é um grande tesouro.” E esta frase me fez pensar, primeiro no que é amizade e depois se eu mesmo já tive amigos de verdade.
Amizade é algo que se constrói, é algo que cresce conforme cresce o conhecimento do outro. O crescimento da amizade significa o crescimento da nossa disposição de nos doarmos ao outro, para escutá-lo, para adverti-lo, para dividir sorrisos ou lágrimas, ou só para estar ao lado num momento de silêncio e reflexão.
As amizades duradouras são aquelas em que há equilíbrio, reciprocidade, confiança, muita confiança. A confiança faz com que deixemos de lado os respeitos humanos e que nos arrisquemos a ir mais e mais fundo em nossa amizade. Amizade exige um compromisso com o outro, não obrigação. Já vi muita gente deixar de lado grandes amizades quando o outro apontou um erro seu, ou quando o outro falhou, pediu perdão e não houve a disposição de perdoar.

É fácil se ter uma amizade verdadeira?
Acho que não. É fácil para pessoas de temperamento mais extrovertido manifestarem apreço por alguém com grandes abraços, beijos e declarações de que tal amizade é a maior do mundo, mas estes mesmos costumam ter uma volatilidade muito grande. Os introvertidos são difíceis de encontrar amigos, ou porque são desconfiados, ou porque tem uma enorme dificuldade de se abrir e se expor e quando as tem tendem a ser muito fieis, apegados a estas pessoas. De qualquer forma, extrovertidos ou introvertidos, todos nós buscamos ter amigos, amigos em quem confiar, amigos com quem possamos nos abrir, amigos com quem ousamos dividir o peso de nossas dores, nossas preocupações, nossos medos.

Quando numa grande amizade Cristo está presente, esta amizade é inundada pelo amor, por um amor sem limites, por um amor exigente. Há toda uma identificação maior de que ambos são amados por Deus, que ambos tem um grande amigo em comum, que ambos tem um caminho de construção do Reino de Deus enquanto viverem e que ambos tem uma meta comum que é o céu. A amizade em Cristo estende, e muito, tudo o que a amizade puramente humana contempla.

Pensando em mim mesmo, nas minhas amizades, se é que já as tive, penso que pouquíssimas vezes tive amigos, ou melhor fui amigo de alguém. Já preguei, já dei receitas de como agir aqui ou ali, fui “professor”, mas quase nunca abri meu coração para o outro me conhecer. E se não há reciprocidade, como pode haver uma amizade que cresce?
Poucos já dividiram minhas fraquezas, meus momentos de deserto, meus momentos de crise, meus momentos de solidão. Eu nunca fui fácil de ser entendido. Sempre fui muito hermético e meus pensamentos sobre mim mesmo, ou meus sentimentos não são divididos com facilidade.

Eu agradeço a Deus pelos poucos amigos que tive e tenho hoje e gostaria muito de que esta amizade crescesse e se aprofundasse na presença de Jesus, esse amigo fiel e justo, paciente e misericordioso.


Advento

Dezembro 15, 2008

 

Como sempre, a Igreja usa o calendário para nos conduzir em direção a Jesus. Este tempo antes do Natal, que chamamos Advento, é na verdade uma grande oportunidade para pensarmos neste Jesus, cujo aniversário comemoramos dia 25, e qual o significado de sua vinda até nós, hoje.

 

Eu não quero que este texto fique com cara de aula de catecismo, mas eu tenho pensado muito na presença de Jesus em minha vida.

 

Ele tem que ser a razão para que eu faça minhas renúncias, mesmo de coisas que gosto e desejo, como forma de manter aceso em mim o significado da renúncia que Ele fez por mim na cruz.

 

Ele tem que ser o filtro em meus olhos para que eu não distorça a sua imagem na face das pessoas. Que eu não julgue pelo que vejo, mas deixe para Ele o julgamento do coração, pois nosso coração só Ele  conhece na totalidade.

 

Que eu saiba dar o maior presente a quem eu ame de verdade que é a notícia do amor de Jesus e a minha entrega por este amor.

 

Que meu coração e meus atos reflitam o coração e a vontade de Jesus por cada um que eu encontre, cada um que eu ame e cada um que eu me doe sem interesse.

 

Que na minha pequenez eu reconheça meu pecado, minhas fraquezas e recorra sempre ao perdão de Jesus, para que eu possa perdoar como deveria e tão poucas vezes o faço.

 

Que Ele me ajude a viver a alegria de cada vida que passa por mim e que Ele me deu a graça de conhecer e mais ainda de participar de sua história.

 

Como eu seria miserável se diante do amor infinito de Deus por mim, de tantos milagres realizados em minha vida, de tanto carinho em me corrigir, eu não soubesse, no mínimo, reconhecer esta presença, seus anjos aqui na terra, seus sinais de amor por mim.

 

Vem Jesus, reforça em mim sua presença, não só neste Natal, mas todos os dias de minha vida.


Olhar o mundo com os olhos de Cristo.

Outubro 10, 2008

 

Este é um desafio que me “incomoda” todos os dias. Um incômodo de tentar ver a face de Jesus em cada um que passa pela minha vida; de me despojar de todos os meus preconceitos e julgamentos e de ultrapassar o visível das pessoas e perceber o filho amado de Deus em cada um.

 

Não é fácil!

 

Eu sou muito terreno e é muito fácil perder de vista a perspectiva do céu. Como é comum julgar e mais ainda, julgar definitivamente. “Este não tem mais jeito!”; “Aquela não presta mesmo.”; “Cuidado com fulano que ele é traiçoeiro”, e por aí vão meus diálogos internos quando vejo alguém.

 

Que esforço tenho que fazer para pensar em como Jesus olharia para alguém do meu convívio. Como abrir meus braços e meu coração após alguém me ferir? Como ver alguém que julgo tão pecador, um dia no céu, merecedor do céu? Como perceber aquela dignidade de criatura amadíssima do Pai naqueles em que só percebemos fraquezas e pecado? Como colocar dentro de mim a luz da misericórdia de Deus?

 

Eu me pergunto isso todos os dias  e de joelhos chego a desanimar diante de Jesus no sacrário, ou após receber a Eucaristia, vendo como sou míope desse olhar misericordioso de Deus.

 

Mas esse Deus que tem misericórdia de tantos pecadores tem misericórdia de mim, no meu pecado, na minha imperfeição. Esse Deus que me ama e revela-se perfeito em seu amor, não exige de mim a sua perfeição senão a vontade de atingi-la. Esse Deus que me acolhe todos os dias, se dá totalmente para mim na Eucaristia, me faz esperar com alegria o dia em que, me chamando, não precisarei mais me preocupar com isso. Nesse meio tempo, a esperança e a fé me sustentam e não deixam meu desânimo me paralisar, me empurram para frente, me animam , põe vida em minha alma.

 

Eu preciso dessa presença! Desse Deus que fala dentro de mim, que me sustenta e que me transforma. E aí eu sinto como, na minha fraqueza, Ele se faz forte em mim e assim me faz continuar.

 


Departamentos

Setembro 24, 2008

 

Hoje nós somos levados a crer que nossa vida pode ser dividida em vários departamentos independentes e que, em cada um deles, temos que ter condutas e preocupações morais diferentes.

 

Quem não ouviu a frase que diz que não se leva problemas do trabalho para casa, ou problemas de casa para o trabalho?  Quem não ouviu a frase que diz: quem não cola não sai da escola? Ou ainda que burro amarrado também pasta? Em todas elas assumimos que somos como uma grande repartição pública onde os departamentos não se comunicam e se você vai ao balcão errado, você simplesmente é encaminhado ao outro departamento, sem nunca haver nenhum sinal de que tudo faz parte de um mesmo organismo.

 

Assim, muitos de nós crêem que trabalho é trabalho, estudo é estudo, relacionamentos amorosos são relacionamentos amorosos, relacionamento familiar é relacionamento familiar e assim por diante, como se as coisas não se comunicassem e como se cada um destes “departamentos” tivessem que ter sua moralidade própria e não se comunicar com os outros departamentos.

 

Um exemplo que ilustra bem isso é a publicidade anti-pirataria de DVDs em que um pai que trouxe um DVD pirata para casa questiona sobre a nota 10 da prova do filho que justifica que simplesmente fez uma cópia pirata da prova do amigo.

 

Este é um exemplo bem simples, mas é a pura realidade de nossos tempos, em que somos forçados a crer que é possível separar as coisas e dar avaliações morais diferentes para cada uma delas. O que é dramático nisso é que todos se lamentam pelo estado em que nossa sociedade se encontra, com egoísmos, desamor, infidelidade etc. mas, não vemos as causas reais de tudo isto nessa departamentalização da vida moderna.

 

Hoje converso com muitos jovens e casais e vejo como isso pode ser destrutivo e como estão cegos sobre o que os pode levar a essa infelicidade que tantos reclamam em suas vidas. Por isso temos tantos em depressão, a doença dos nossos tempos, sem esperança e fazendo roleta russa com suas vidas e seu futuro. É como se não houvesse saída para conseguirmos ser felizes.

 

A primeira coisa a pensar é que há um Deus que está presente em todos os momentos de nossas vidas. É preciso crer que há um Pai amoroso nos olhando e cuidando de nós em todos os “departamentos” de nossas vidas. E da mesma forma que Ele não descansa seu amor por nós em momento algum, se tivermos essa consciência firme dentro de nós, primeiro teremos a certeza que há o que esperar, que há uma meta a atingir e principalmente há um caminho, e só um caminho , para vivermos nossa felicidade e esse caminho é Deus.

 

Toda a mensagem do Evangelho é uma comunicação do amor de Deus por nós e qual é o caminho que devemos seguir, não “nisso” ou “aquilo” de nossas vidas, mas em tudo o que fizermos.

 

Ter esta presença de Deus durante todo o nosso dia é a chave para conseguirmos viver segundo o amor de Deus em tudo.

 

Em nosso acordar, a presença de Deus nos atenta a não enrolarmos mais um pouquinho perdendo a hora para o trabalho ou escola.

 

No trabalho, a determinação por fazê-lo da melhor maneira possível como se o fizéssemos para Deus e não para homens, termos horário para começar e terminar e sempre procurar se aperfeiçoar, também é auxiliado por esta presença de Deus em nosso dia.

 

No estudo, dar o máximo de nós para aprendermos, não relaxarmos na hora de estudar e deixarmos de colar como alternativa à nossa preguiça é ter esta presença de Deus na escola.

 

Em nossa família, mesmo com todas as nossas dificuldades e com as feridas que geralmente temos e que são causadas por nossos pais, irmãos ou parentes próximos, a presença misericordiosa de Deus em todo o nosso dia nos ajuda a superarmos a dor, a termos a disposição de perdoar, a termos força para superar as dores mais difíceis que sentimos e que são as causadas por quem está mais próximo de nós.

 

Em nossos relacionamentos amorosos, a presença de um Deus fiel nos dá a perspectiva de que é possível viver um relacionamento fiel, permeado pelo perdão e cheio de alegria. Deus não “fica” conosco como muitos “ficam” hoje em dia. Deus sabe o nosso nome, Deus nos quer para sempre, Deus cumpre suas promessas, Deus cuida de nós.

 

Se entendermos que nossa vida é única e 24 horas por dia Deus nos olha e derrama seu amor por nós, teremos dado o primeiro passo para transformar nossa vida e assim transformarmos este mundo.


Como saber se “bons” relacionamentos estão em crise?

Setembro 16, 2008

 

 

Muita gente, hoje em dia, afirma que tem um bom relacionamento, mas parece que há uma constante crise entre os dois. E uma das grandes percepções destes casais é que há um descompasso entre o que um entende como seria o relacionamento ideal e o que o outro pensa do mesmo assunto. Para uns há a sensação de estar “mais apaixonado” que o outro; para outros estar juntos significa brigar, brigar e brigar e por fim alguns se acostumaram com o ficar com o outro, sem na verdade estar totalmente envolvido com a pessoa do outro.

 

Eu proponho aqui não uma solução, mas uma reflexão sobre como avaliar a situação respondendo quatro perguntas:

 

  1. Como eu me vejo hoje?

 

Num relacionamento, o bem mais precioso que eu tenho para entregar à pessoa amada, o que se iguala em dignidade ao outro, sou eu mesmo. O amor é um dom de si ao outro. Se eu tenho uma imagem negativa de mim mesmo, o que eu me proponho a dar ao outro, lixo?

 

As pessoas que não se valorizam, tem sempre uma enorme dificuldade nos seus relacionamentos, pois se sentem sempre “devedoras” do outro, desequilibrando a relação, que para dar certo tem que ser equilibrada. É preciso rever profundamente o que pensamos de nós mesmos, que valor nos damos e que talentos nós temos para dar.

 

Uma pequena auto-estima pode resultar em “suportar” qualquer coisas do outro sem expor seus sentimentos, suas necessidades e seus sonhos, havendo não uma renúncia por amor, mas uma anulação de si mesmo, tornando a relação viciada e não ajudando o outro a ser melhor.

 

Outra conseqüência de uma baixa auto-estima é um ciúme exagerado, onde qualquer um é uma ameaça, pois todos são melhores que a pessoa que não se valoriza e potencialmente pode lhe  “roubar” a pessoa amada.

 

Vencer nossa auto-imagem negativa, nossas inseguranças e principalmente nossos traumas não é uma tarefa fácil, mas é muito necessária se queremos ter relacionamentos equilibrados e preparados para dar certo.

 

 2.    Quanto eu estou disposto a lutar contra meus defeitos por amor do outro?

 

“Eu sou assim e pronto!”

 

Esta é uma frase que serviria muito bem para ser o epitáfio (1 Inscrição num túmulo. 2 Breve elogio a um morto.) de um relacionamento, pois lutar com nossas imperfeições é um dever para toda a nossa vida se queremos ter um relacionamento duradouro.

 

Se engana quem pensa que durante toda a nossa vida não vamos magoar o outro, não vamos ferir seus sentimentos, não vamos irritá-lo com nossa maneira de ser. É impossível ser a pessoa ideal todos os dias. Nossa vida é dinâmica, nossos defeitos também e lutar contra eles é uma tarefa sem fim. O relacionamento nos coloca diante de nossos defeitos porque o outro reage diante deles e vemos o quanto precisamos  “domá-los” para evitarmos ferir o outro, magoá-lo e fazê-lo sofrer.

 

Quais são os nossos defeitos de estimação?

 

Todos nós temos características de temperamento como ser mais extrovertido ou mais introvertido, ser mais organizado ou desorganizado, mais atento aos detalhes ou muito pouco atendo às coisas pequenas. Como eu luto com estas características para ser melhor para o outro?

 

Cuidado com a idéia de que não se pode se anular para atender às necessidades do outro, isso é parcialmente verdade como dissemos na primeira pergunta, mas vencer nossas imperfeições e trabalhar nossas virtudes é um dever individual que afeta todas as áreas de nossas vidas.

 

3.     Quanto eu estou disposto a aceitar os defeitos do outro por amor ao outro?

 

Um padre me disse que nosso amor será perfeito quando começarmos a amar os defeitos da pessoa amada. Com certeza é um objetivo alto, mas em nossos relacionamentos, estamos dispostos a relevar os pequenos defeitos do outro?

A velha frase de que quando casar se muda a pessoa do jeito que quisermos é uma enorme bobagem em termos de relacionamento. Temos que querer estar com o outro como ele é, aceitando suas qualidades e seus defeitos.

 

Mas não podemos ajudá-lo a melhorar?

 

Sim, é claro, mas não podemos usar este argumento como arma de intolerância. É preciso discernir e muitas vezes renunciar.

 

Imagine um casal onde um é ultra organizado e gosta de tudo nos mínimos detalhes e o outro é absolutamente bagunceiro. Durante o namoro é uma maravilha, pois achamos até engraçado a diferença, mas quando temos que conviver com esta diferença 24 horas por dia isto pode se tornar uma bola de neve se não estivermos dispostos a entender e aceitar o outro como ele é e não só como desejaríamos que ele fosse.

 

Se estamos sempre reclamando das características do outro é um mau sinal. Ou somos intolerantes ou estamos com a pessoa errada. Qual é o seu caso?

 

4.  Como eu imagino que o outro responderia às perguntas anteriores?

 

Esta não é uma pergunta para questionar o outro sobre suas respostas, mas para que cada um avalie se, com as diferenças que imaginamos nas respostas do outro, vale a pena lutar pelo relacionamento ou temos que fazer um bem para os dois partindo para outra (para namorados e noivos).

 

Como se pode ver, este é um texto de avaliação pessoal, não do outro, e assim deve ser o nosso amor, pensarmos em sermos melhores para o outro, a nossa parte é problema do outro. Se conseguirmos pensar assim, estamos no caminho certo do que é viver o amor.


O sonho acabou?

Agosto 3, 2008

 

Eu gosto muito de pensar em sonhar como uma mola que nos impulsiona para frente. Sonhar como querer realizar coisas que ainda não realizamos, sonhar em atingir metas que ainda não atingimos, conquistar pessoas que ainda não conquistamos. Mesmo os sonhos impossíveis, para quem crê em Deus, valem a pena serem sonhados.

 

Talvez seja mais preciso falar em esperança em vez de sonho, pois quem tem esperança, sonha com alguma coisa e a esperança cristã nos aponta para Deus, fim último de toda a nossa existência. Fomos criados para sermos amados por Deus e esse amor nos acolhe, nos atrai, nos envolve e a eternidade é a realização plena desse amar de Deus em nós.

 

Mas minha esperança, meus sonhos nascem e crescem aqui na Terra, hoje. Enquanto passo por este tempo na Terra, Deus me chama a sonhar com Ele um mundo onde todos possam ser acolhidos igualmente por Seu amor. Sim, nós somos chamados, concretamente pelo Batismo, a sonhar com Deus uma eternidade repleta de sua criação.

 

Quem entende o sonho de Deus para si, para cada um de nós, entende o chamado a começar amar, aqui na Terra, cada um que está ao seu alcance, cada um que podemos chamar de próximo.

 

Também gosto de pensar em um estado dessa esperança nas pessoas como juventude ou velhice, estado não associado à idade cronológica da pessoa, mas sim a uma condição interior. Torna-se velho quem enterrou seus sonhos, ou por não tê-los atingido, ou por tê-los esgotado; velho é quem deixou de compartilhar a juventude eterna de Deus no Seu sonho para toda a humanidade. Velho é quem perde a perspectiva da eternidade e coloca suas esperanças unicamente aqui na sua passagem curta por esta vida. E essa velhice é uma característica de nossos tempos. Corremos como loucos porque toda nossa esperança se resume em nossa realização pessoal e nossa vida aqui na terra; nos apegamos à essa vida temporal como nunca, pois nossos sonhos estão limitados, passam rápido e temos sempre a sensação de termos perdido alguma coisa a cada dia que passa. Como estamos cheios de vellhos!

 

Eu prefiro amar! Sonhar todos os sonhos, mesmo os mais impossíveis. Eu prefiro entrar na onda de Deus, que ainda sonha em salvar a todos nós. Eu prefiro pensar que cada dia que passa na minha vida eu posso aprender um pouco mais para ser um operário melhor para a realização desse sonho de Deus. Eu prefiro imaginar uma eternidade ao lado de quem eu amei, do que alguns anos gozando desta vida num vazio sem esperança, numa velhice da alma.

 

Com certeza, dentro de mim, uma voz responde forte: O sonho não acabou.

 


Hipótese

Junho 20, 2008

Hipótese

 

As pessoas que normalmente tem dificuldades nos relacionamentos e são taxadas de não saberem amar, na maioria das vezes, são pessoas que não foram amadas ou tiveram traumas que as fizeram achar que não merecem ser amadas, daí se fecham para o amor dos outros não correspondendo às iniciativas amorosas, não sabendo como reagir a uma experiência da qual não se acham merecedoras.

 

Tenho conhecido muita gente com este perfil de comportamento e que são julgadas por não saberem amar, quando na realidade, seu maior problema é não saberem ser amadas.

 

É claro que há inúmeros fatores que colaboram para um perfil assim, tais como temperamento, experiências, educação, etc. Também acredito que há um fenômeno social de nossos tempos que reforça demais estes problemas que é o enfraquecimento do é ser homem na família, nos relacionamentos, na sociedade. Há uma crise da masculinidade, da função do homem como pai, como amigo, como companheiro e hoje convivem modelos de tabus enormes e  total “liberdade” e descaracterização das funções masculinas. Este é um assunto para outra discussão, mas que merece uma reflexão.

 

 

Uma boa observação para ajudar a identificar pessoas com estas características é como elas reagem a elogios, a mimos e a presentes. Normalmente são reações de negação, de frieza que acabam ferindo ou frustrando quem recebe o elogio, mas principalmente quem faz.

 

Conheço uma pessoa que é extremamente carinhosa com as pessoas, tem um enorme senso de justiça e dever,  a ponto de se sacrificar para cumprir suas obrigações profissionais, de filha, etc., mas devido à separação dos pais, a um enorme reforço da mãe para que ela nunca dependesse de homem nenhum, essa pessoa tem dificuldades de amar de verdade. Não se deixa conhecer totalmente, não se acha merecedora de um amor verdadeiro. Ultrapassadas as camadas externas de carinho, afabilidade, responsabilidade, justiça há uma barreira quase intransponível para chegar ao seu coração. Isto a frustra, frustra seus relacionamentos, pois há reclamações constantes de falta de correspondência, o que  a faz sentir-se um lixo.

 

Há pessoas que assumem para si a responsabilidade da separação dos pais, culpando-se e punindo-se por algo que não foram efetivamente responsáveis e com o correspondente fechamento para o amor, ou melhor, para ser amada.

 

Toda a sociedade está cheia de exemplos claros e outros mais velados destas pessoas.

 

Outra coisa interessante de se observar é que pessoas em que se destacam virtudes como justiça, temperança, fortaleza, mansidão parecem que são as que ficam mais presas na armadilha de não saberem ser amadas. Parece que quanto mais fortes forem as virtudes, mais estas acabam servindo de compensações a esta falta de amor e menos a pessoa consegue aceitar suas carências, suas mágoas com as pessoas e que, no fundo não foram amadas e não sabem ser amadas.

 

A consciência cristã também não é passaporte para se libertar dessas amarras e barreiras ao amor. Consciência cristã, não é ação da Graça, a ação da Graça tudo pode e faz coisas que eu nem imaginaria se eu não tivesse passado por experiências tão extraordinárias na minha própria vida. Consciência cristã é conhecer Jesus, é saber do seu amor, é conhecer seu sacrifício por nós, mas como citei acima, traumas que tem a ver com a figura masculina tentem a turvar até a imagem que temos de Deus e do próprio Jesus. Ouço sempre frases como: “Deus é perfeito e não faria isso!”. Isto O coloca num lugar distante e muito longe da realidade nossa do dia a dia.

 

Como transpor estas barreiras?

 

É obvio que “Freud explicaria” o caminho e há casos e casos, mas eu acredito que juntamente com um trabalho de conscientização das causas de tais comportamentos, só a experiência do amor verdadeiro pode curar os corações não amados. O difícil é que nos relacionamentos de jovens namorados, normalmente o outro não tem consciência deste processo e naturalmente repele tais reações ou falta delas, desanimando e abandonando o barco no meio do caminho.

 

Num ambiente de comunidade há um grande espaço para isto, pois a vida compartilhada e a ação de Deus criam o cenário “quase” perfeito para que as coisas se encaminhem para a cura. E eu digo quase, pois por mais que nos amemos em comunidade nem sempre deixamos que os outros cheguem às nossas camadas mais profundas. Tendemos a ter grande respeito humano, nos protegemos e às vezes falta justamente o elemento que mais carecemos, que é a esperança que há um caminho diferente, um agir diferente., que há um modelo (por exemplo) de homem que corresponda ao que Deus quer de nós homens, de nossos relacionamentos etc.

 

Em resumo, eu acredito que a Graça de Deus e o amor persistente, compreensivo, intenso podem ajudar os que não foram amados e ainda não sabem como é ser amado.