Amar quem ainda não se conhece

Dezembro 29, 2007

 Conversando com uma jovem ouvi um relato de seus sonhos de ser mãe, que me emocionaram.

Primeiro ouvi sobre o desejo que ela tinha de ter um filho, no caso, a preferência inicial era uma filha que ela própria cuidasse, pois não fazia sentido ter um filho para outros cuidarem. Depois veio a descrição de todos os detalhes no arrumar, no carinho, no ensinar, etc. detalhes que se pode dizer bem femininos e até comuns, mas nos dias de hoje um tanto esquecidos ou eternamente adiados nas moças, principalmente as universitárias. 

Mas a descrição não parou por aí. Já havia até um nome sonhado para esta filha. Já havia a expectativa de ser uma criança alegre, segura, tranqüila.  

Que bom! Eu pensei. 

É bom ver este tipo de projeção, pois o amor necessariamente gera vida e um filho é o maior sinal de amor entre homem e mulher. 

E nessa hora eu comecei a alimentar mais a conversa dizendo que se havia o sonho de ter um filho feliz ou uma filha feliz era importante primeiro saber que o que os filhos mais precisam dos pais, para serem felizes, é que os pais se amem.

Isso mesmo. Os filhos precisam, antes de tudo, que os pais se amem. Do amor dos pais que resulta a estabilidade emocional dos filhos e esta estabilidade é o alicerce da felicidade dos filhos. 

Filhos Felizes ß Pais que se amam. 

E pais que se amam, são pais que vivem o compromisso de respeito, de acolhimento, de fidelidade, de renúncia de si mesmos para fazer o outro feliz. E isso parece mais difícil do que ver uma jovem sonhar em ser mãe.

Mas é possível.  

Como?  

Um casal que se ama verdadeiramente vive o seu amor na presença constante de Deus e, portanto sua união estará sustentada pelo sacramento do Matrimônio. A presença de Deus dá força para superar as dificuldades do dia a dia do casal, transformando-as em crescimento e não em separações.  

Filhos Felizes ß Pais que se amam ß Presença de Deus no Matrimônio. 

E a presença de Deus no Matrimônio se mantém alimentando cada um com o próprio Deus, na oração, na leitura da Bíblia e na Eucaristia.

A oração é o nosso diálogo com Deus. Diálogo que nos deve dar coragem para estendê-lo à nossa esposa, ao nosso esposo. Na Bíblia encontramos a palavra viva de Deus nos orientando sobre nossos passos e na eucaristia é Deus mesmo que vem a nós e realiza este magnífico encontro de amor com cada um. 

Filhos Felizes ß Pais que se amam ß Presença de Deus no Matrimônio ß. Oração, Bíblia, Eucaristia. 

E então eu afirmei que toda a felicidade desejada àquela filha estava sendo decidida desde aquele dia, mesmo que não se conhecesse ainda quem seria o pai. Mesmo que faltasse muito tempo para aquela gravidez, desejada. Cada passo tomado hoje afetaria e deveria ser a preparação para a realização do amor do casal e como conseqüência o amor à filha. 

É difícil que os jovens entendam que um namoro mal encaminhado. Um relacionamento mal orientado, pode afetar a felicidade com alguém que ainda nem se conhece, mas é assim mesmo.  

Para pensar mais nisso e não me alongar muito sugiro a leitura do texto “Namoro Santo” neste Blog.  

Filhos Felizes ß Pais que se amam ß Presença de Deus no Matrimônio ß. Oração, Bíblia, Eucaristia ß Namoro Santo. 


Amor de Deus

Dezembro 22, 2007

Como falamos antes, o amor verdadeiro parece que anda meio esquecido, ou mesmo confundido entre muitas idéias que nos afastam deste amor.  

Então vejamos como seria este amor de Deus por nós: 

A Santíssima Trindade 

Falar de Deus com simplicidade quando se pensa na Santíssima Trindade não é fácil, mas vamos tentar colocar algumas idéias para vermos se nos ajudam: 

Deus é Pai. 

Deus é amor.  

E o amor gera vida:  

E do amor perfeito e infinito do Pai foi gerado o Filho de Deus, que é Deus, ou seja, o Filho é da mesma substância do Pai, que é pessoa de um só Deus, de um só amor. Desde sempre porque para Deus não há tempo, e o Filho é Deus como o Pai. 

E o amor irradia: 

Mas o amor do Pai por seu Filho é tão grande que este amor irradia de uma forma sublime para todo o universo. E este amor que procede do Pai para o Filho e do Filho para o Pai é o Espírito Santo de Deus, um só Deus, um só amor, três pessoas.  O amor em estado de perfeição. 

E lá estava Deus: Pai, Filho e Espírito Santo puro amor. De repente Deus deve ter pensado: “Vamos criar o homem e a mulher para podermos amá-los. Vamos arquitetar toda uma criação para que o homem e a mulher sejam objeto do nosso amor. Que eles possam estar perto de nós, que possamos dar uma grande dignidade a este homem e a esta mulher e que este nosso amor, um bem sublime, alimente todos os seus dias”.  

E assim foi feito. Tudo saiu direitinho. O mundo era um paraíso. Não havia nada que estragasse aquela felicidade. Deus mesmo caminhava pelo paraíso conversando com o homem e com a mulher. Já imaginaram que intimidade Deus e o homem conversando lado a lado? 

Deus, como é um eterno apaixonado por nós, nos criou com um dom precioso, que deve estar sempre presente quando o amor é verdadeiro, a liberdade. Como não poderia deixar de ser, o amor de Deus por nós é 0% para Ele e 100% para nós e Ele correu o risco de nos dar a liberdade de até não o aceitarmos, de rejeitarmos Seu amor.  

Sinceramente eu acho que Ele não acreditou que faríamos isto. Mas foi o que realmente fizemos. Rejeitamos o amor de Deus. Achamos que poderíamos levar a vida por nossa conta. Que estarmos tão perto dEle não era nada de mais. Pensamos que “haveria vida após o portão do paraíso”. E nos afastamos de Deus e este foi o tão falado pecado original. Isto deixou marcas em nós até hoje, e certamente muita tristeza em Deus. 

Depois de recuperar-se do baque de ver o homem se afastando de Si, Deus, como um Pai sempre faz, chamou o homem de volta. Falou com o homem por Abraão, por Moises e pelos profetas. Deus chamou o homem várias vezes e em termos atuais, disse: 

“Como Eu vos amo muito, vamos fazer um trato, vocês voltam a mim e eu esqueço o que vocês fizeram e vocês voltarão à felicidade eterna”. 

Como podemos ver, no antigo testamento o homem até aceitou o trato, ou aliança, mas não cumpriu muito bem a sua parte e voltou a rejeitar a Deus muitas e muitas vezes. Às vezes adorando ídolos e outros deuses, outras vezes matando os profetas que Deus usava para se comunicar com o povo; e na maior parte do tempo  descumprindo sua Lei. 

Isto deve ter chateado muito a Deus que nos criou para sermos amados por Ele e nós o rejeitávamos e insistíamos nisto. Como então nos convencer deste Amor de uma vez por todas? O que um Ser, incomparavelmente superior a nós, poderia fazer de tão magnífico que nos convenceria de seu amor? 

Vir ao mundo como um de nós! 

É difícil aceitar que Deus, infinito amor, infinito poder e infinita glória, se rebaixasse tanto por nós. E se rebaixou, e mesmo com nossas medidas humanas Ele se fez pequeno, simples, humilde, um homem, Jesus. Que nasceu de uma mulher, ficou indefeso, dependente dos cuidados de dois de nós: Maria e José. Foi amamentado, foi limpo, aprendeu a falar, a andar, a ler. Trabalhou com José, estudou a Lei. Viveu uma vida comum por 30 anos.  

O Criador sujeito à sua própria criação. Que milagre magnífico. Que inversão de dignidade, do máximo ao ínfimo. Isto que é uma loucura de amor! 

E Jesus então saiu pregando e cumprindo sua missão na terra, que era obedecer à vontade do Pai, e esta vontade era que todos nós, até o fim dos tempos, ouvíssemos o seu chamado e voltássemos ao seu Amor. Portanto é um chamado pessoal. A areia que Jesus pisou nas estradas por onde andou, pisou por mim, pelo meu pecado. As injustiças que Jesus sofreu, pois nele não havia pecado nem culpa alguma, foram sofridas pela minha rejeição ao seu Amor. O sangue que Ele derramou na cruz como um criminoso foi para que eu voltasse a ter um lugar no paraíso ao seu lado.  

Já pensou nisto?  

Dá para imaginar o preço desse nosso terreninho no paraíso?  

0% para o homem e Deus, Jesus, 100% para cada um de nós. 

E não precisamos chegar ao céu para termos um aperitivo deste amor. Ele começa aqui mesmo, nasce em nossos corações no Batismo. É o Batismo que nos abre as portas do amor de Deus. É no Batismo que o pecado original perde o seu poder em nós. É no Batismo que corremos para o colo de um Deus que nos quer como um pai louco de amor por seus filhos. 

E não para por aí.  

Jesus voltou para a sua glória, após tão humilhante sofrimento, mas está vivo e presente em cada Eucaristia. Todos os dias, todos os anos, Jesus repetindo sua entrega por nós. Sempre nos dizendo: 

“Estou me entregando para você voltar para o Pai. Nós amamos você”.  

Isto é a missa, a celebração e entrega de Jesus por nós. 

Portanto cada Eucaristia é um encontro de amor. Um Deus apaixonado que vem ao nosso encontro. Quem não gosta de um encontro de amor? Por que não tê-los todos os dias? Em cada missa, em cada comunhão damos um passeio com Deus no paraíso, sentindo um gostinho do que nos espera de forma definitiva. Por isso o Papa João Paulo II nos relembra que a Eucaristia tem que ser o centro da vida do cristão. Uma vida que deve estar impregnada do amor de Deus por nós e por que não do próprio Deus na Eucaristia.  

Mas como retribuir este amor de Deus? 

Este é o motivo de muita confusão, então vamos pensar um pouco: 

Se o amor deve fazer o outro melhor, como eu farei Deus melhor?

O que eu posso dar para Deus em troca desse seu amor por mim?

Há algo nesse mundo que tenha o valor do sangue que Jesus derramou por mim? 

Não, não e não.

Não dá para melhorar a Deus; não posso dar nada a Deus e o seu sangue tem valor infinito. Então o que fazer? 

O próprio Jesus nos ensinou a vê-lo nos irmãos, pequenos como nós, famintos, abandonados, doentes, encarcerados, carentes de amor verdadeiro. E aí está a chave do nosso amor a Deus. Tem que transitar pelo irmão para chegar a Deus. Não há oferta nem sacrifício mais agradável a Deus. E é simples de entender, pois como Deus ama seus filhos, qualquer coisa que nós fizermos por amor a um deles estaremos fazendo um pouco do que Ele mesmo quer fazer e portando nesta hora somos “a mão de Deus” aqui na terra. 

Não adiantam promessas, votos e desejos se não vivermos com os irmãos o amor que dá a vida e este é o amor de Deus.


Namoro Santo

Dezembro 16, 2007

Por que Namoro Santo ?  

Porque o próprio Jesus falou: Sede santos como meu Pai que está nos céus é Santo.” Isto inclui todos nós e todos nossos atos.

Não é uma meta que se deva desprezar por ser bastante alta, mas perseguir mesmo que nunca a alcancemos em toda sua plenitude.  

Há namoro que não é santo? Nem é preciso falar que hoje a maioria dos namoros estão longe de serem santos. 

Mas para que serve o namoro, um namoro santo? Um namoro santo é o primeiro passo para um matrimônio santo. É nele que os namorados se preparam para viver um matrimônio santo.  

Pensar em matrimônio entre eles , já? Não necessariamente. Pode ser que um  namoro não termine em matrimônio, mas é sempre uma preparação para o seu matrimônio. 

Se você começa um namoro e sinceramente não consegue imaginar, nem que seja de forma muito superficial aquela pessoa como sua esposa, seu esposo, nem comece, você já está no caminho errado. 

Outro dia alguém perguntou que mal havia em “estar” com alguém descompromissadamente, sem pensar num futuro dos dois. E a resposta é a seguinte: amor é uma opção por  fazer alguém feliz, é doação, é querer o bem do outro e somente do outro. Este “estar” com alguém soa quase como aproveitar de alguém por um tempo para satisfazer minhas necessidades, minhas carências mas, sem o mínimo compromisso com essa pessoa.

É algo parecido com o “ficar” só que mais longo, um pouco. Não há compromisso com a pessoa do outro. Eu não me envolvo como deveria, o outro também não se envolve. Satisfazemos nossas necessidades afetivas, sexuais, temos alguém para nos divertir e só isso.  

Exatamente, só isso. E por isso não é amor. Não é construção de nada. Não há renúncia de nada em favor do outro, não pode ser, desde o princípio, algo para sempre. 

Na celebração do matrimônio o casal promete um para o outro: receber o outro, ser fiel ao outro, amar e respeitar o outro, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da vida.

É bem exigente essa promessa. E como chegar a fazer esta promessa sem se preparar? Como cumprir esta promessa sem saber o que se está fazendo?   

Eu te recebo… 

No meu prédio, se alguém vem me visitar, a portaria me liga, antes de deixar o visitante entrar, para ver se eu conheço a pessoa, só então liberam a entrada para que a pessoa chegue  e eu possa recebê-la em casa. 

A promessa do matrimônio começa com: “Eu te recebo….” , ou seja, pressupõe que eu conheça com quem estou casando.

E como conhecer se não for no namoro?  É no namoro que vemos como esta pessoa reage em todas as situações da vida. Mesmo num namoro de adolescentes podemos aprender muito sobre o outro e ir imaginando como será no futuro. Os jovens com mais idade também devem prestar atenção ao seu namorado, sua namorada.  

Alguns podem argumentar: “Comigo ele ou ela é uma pessoa maravilhosa.” E eu pergunto: e na escola, no trabalho, na família?   

“No futebol o Carlinhos perde a cabeça toda a vez, mas comigo é um doce. “ Será que vai ser sempre assim? Ou na primeira contrariedade a agressividade vem para você?  

“A Marcinha é ótima. Sempre que não está a fim de trabalhar consegue um atestado e falta. É muito espertinha.” Será que com você não será assim? Uma mentirinha aqui, uma mentirinha ali. 

“O Marcelinho tirou carta sem fazer uma aula, ele pagou por fora e tirou a carta!” Será que essa desonestidade não se estenderá no seu relacionamento?

“Mas todo mundo faz!” Também nos relacionamentos todo mundo faz o outro sofrer, todo mundo trai, todo mundo começa pensando em se não der certo parto para outra, etc. 

Minha mãe sempre dizia que um bom filho será um bom pai, uma boa filha será uma boa mãe. E tem sua razão. Partindo da idéia que ele poderá ser seu esposo, um dia, e ela poderá ser sua esposa, um dia, que modelo ele ou  ela tem de família? Há um bom modelo de mãe a seguir? Há um bom modelo de pai a seguir? Ele ou ela aprenderam a lutar pelo relacionamento em casa?  Ou relacionamento é uma loteria na sua vida? Joga-se uns números e o resto é sorte? 

É claro que não somos responsáveis pelo relacionamento de nossos pais. E que se o deles não deu certo, não quer dizer que o seu  também não dará.Mas este conhecimento sobre a família é um tópico importante para o conhecimento do outro. 

É preciso conhecer o outro para poder recebê-lo no sentido da promessa do matrimônio. Não só a parte boa. Quando ele ou ela está com você, apaixonado, todo carinhoso, ou carinhosa. É preciso ver como reage quando não está com você ou em situações difíceis. Isto é conhecer. Não se pode pensar que conhecer é só um pouquinho da pessoa, conhecer é o todo da pessoa.

E como tem gente cega para isso.

“Ele era um pouco mulherengo quando solteiro, mas era tão bonzinho comigo e agora me traiu sem mais nem menos!”

“Ele bebia com os amigos, mas eu pensei que após casarmos isso mudaria!”

“Eu via como ele tratava a mãe quando ela o pressionava, mas comigo era diferente. Só que agora isso virou contra mim.” 

E não tem nada que cega mais nossa avaliação de uma pessoa que o sexo. O sexo é algo maravilhoso e bom. Só que na hora certa, dentro do matrimônio. Porque de tão bom e forte que é o sexo, ele nos cega para vermos todas as dimensões do outro.

Um jovem veio várias vezes nos procurar, a mim e a minha esposa, para comentar das dificuldades em seu namoro. A menina era possessiva, ciumenta e não dava folga para o rapaz. Na terceira vez em que ele comentou isto nós perguntamos a ele  por que não tinha terminado ainda o namoro, já que sempre havia tantas reclamações. E perguntamos se a menina era boa de cama. Ele baixou a cabeça e respondeu que sim.

Pois é, dissemos, na horizontal vocês se resolvem, mas na vertical não conseguem nada, estão cegos pelo prazer. Uns dias depois ele finalmente terminou o namoro, pouco depois ele encontrou a moça certa e hoje estão casados.  

O namoro é o tempo de seleção. É preciso se conhecer bem e conhecer o outro, no seu comportamento, na sua fé, na sua visão de futuro, nas suas prioridades de vida, nos seus valores. 

“Ser fiel…” 

É tão comum ouvir que jovens namorados se traem mutuamente, “ficando” com outros sem o menor receio. Como estes jovens, um dia, prometerão ao outro serem fieis? Que garantia terão dessa promessa ser verdadeira se desde o princípio já não há fidelidade?

E como descobrir isso antes? Desde o namoro? 

A fidelidade é uma coisa construída. Treinada. Às vezes com muito esforço para ser mantida, mas é possível. Mesmo que o mundo diga que não. 

 E fidelidade é compromisso com o outro. Se eu simplesmente “estou” com o outro, sem compromisso não é possível construir a fidelidade e quem sabe no futuro, ao sermos traídos nós pensemos que isso foi injusto. Talvez até seja uma injustiça. Mas foi trabalhada a fidelidade, em nós, desde o princípio dos nossos relacionamentos? 

Com essa liberalidade sexual entre namorados se está treinando para a traição e não para a fidelidade. É sim, se você se sente atraído por ele ou por ela. E vão para um motel, toda vez que sentem este desejo, quem garante que quando você estiver grávida, no fim de uma gravidez, ou ele estiver com problemas no emprego e isso tirar seu interesse sexual por um tempo no casamento, não haverá uma atração por outra pessoa? E se houver outra pessoa, como você sempre se acostumou a satisfazer essa vontade, por que não trair com uma aventurazinha de nada? 

Ser fiel exige renúncia. Renúncia exige treino. 

“Na alegria ou na tristeza…”

Não faz muito tempo percebi minha filha em casa todo o fim de semana e perguntei sobre o namorado, se ela não iria vê-lo e ouvi a seguinte resposta: “O fulano está um chato, pelos problemas na casa dele, e não quero vê-lo. Vou ficar em casa e ele sairá com os amigos.” Na mesma hora argumentei com ela, se ele seria então, um cara para se namorar, ou se ela estaria preparada para namorar alguém.  

Na alegria e na tristeza. Esta frase significa que não vamos agradar o outro todos os dias de nossas vidas. Significa que haverá dias em que não gostaremos do outro. Mas isso não quer dizer que nestes dias o deixemos de amar. É preciso uma decisão em favor do outro.

Gostar, alegria, tristeza, são sentimentos e amor é mais que sentimentos. Esta frase na promessa do matrimônio é sábia e pena que poucos a compreendem em sua total dimensão.

Amor é uma decisão pelo outro. Decisão que deve existir mesmo quando não é gostoso estar com o outro. O gostar fala de mim. Fala de como eu me satisfaço nesta ou naquela situação. Amor tem que dizer respeito ao outro.  

Amar com bons sentimentos é o ideal, mas nem sempre é possível o tempo todo.  

“Na saúde ou na doença…” 

Esta parte da promessa do matrimônio é bem parecida com a promessa de cima, mas ao invés de falar de sentimentos, fala do físico. Será que nossos corpos serão os mesmos durante toda a nossa vida? Será que se hoje eu baseio o meu relacionamento na qualidade física do outro, o relacionamento vai acabar se após uma gravidez a mulher tiver estrias na barriga? Se ele engordar e cultivar uma bela barriga?

Será que aos 50 anos ele a trocará por duas de 25? Será que após uma doença, um AVC, o amor acabará? Será que se eu não tiver o corpo de uma modelo, de um artista da Globo meu relacionamento subsiste? 

“por todos os dias de minha vida” 

Esta é a parte mais profunda da promessa do matrimônio. E como todos nós estamos contaminados com o conceito de descartável, em nossas vidas “modernas”, este é o ponto mais frágil dos matrimônios ou uniões atuais.

Desde o namoro a idéia de que é fácil trocar é muito mais presente que a vontade de lutar por um relacionamento.  É preciso cultivar sonhos de amor e ir tentando realizá-los durante toda a vida. Casais que param de sonhar, perdem o sentido de estarem juntos. E é no namoro que esse “para sempre” começa. Sonhar juntos é preciso sempre. Desde o sonho de irem um dia a um show ou a um restaurante. De poderem um dia comprar um carro juntos, de terem os filhos e amá-los, de terem um lugar só deles para morar, de ver o crescimento dos filhos, sem nunca deixar de lembrar do amor que os une. De estarem preparados para ajudar um ao outro nas dificuldades, nas suas lutas do dia a dia. 

Sonhar, mesmo que sonhos “impossíveis”, como a certeza que estarão juntos mesmo daqui a 50 anos. A união do casal depende desses sonhos que vão se realizando ao longo da vida. Mesmo que sejam sonhos profissionais de um que se tornam dos dois. De maternidade ou paternidade, mas que ambos sonham juntos. 

Como vemos o namoro tem uma influência enorme para o sucesso ou fracasso dos matrimônios. E só há mais um detalhe que já mencionei de leve, mas que é a chave de tudo na vida, nos namoros e nos futuros matrimônios.  

Não falei matrimônio em todo este texto por acaso. Matrimônio é um sacramento em que duas pessoas se unem com a benção de Deus. Aí está a chave do sucesso. Relacionamento a dois não dá certo. Desde o namoro. relacionamento tem que ser a três. Deus quer estar com vocês. Deus quer mostrar seu amor para nós para ser modelo de nosso amor. E com Ele no relacionamento, desde o namoro, a vida do casal tem muito mais chance de terem cumpridas todas as promessas feitas no dia de seu matrimônio. 

Namorem, mas um namoro santo.   


Amor e paixão 2

Dezembro 16, 2007

Toda relação tem uma ordem… 

Início Meio Fim

Gostar (Paixão)

Gostar (Paixão)

Gostar (Paixão)

 

Conhecimento (intimidade)

Conhecimento (intimidade)

   

Amor

 Hoje em dia muita gente não passa da primeira linha da tabela acima. Confunde-se o gostar, a paixão, com o amor. Só que o gostar é variável, volúvel, não depende de nossa vontade.

Às vezes, mesmo sem querer, somos feridos e nessa hora não gostamos ou não somos gostados. Por isso muitas relações acabam, mesmo se já houver o casamento. 

O conhecimento, que é necessário para se chegar ao verdadeiro amor, muitas vezes é negligenciado, ou seja, não se dá muita importância, ou é ofuscado pela sensação de prazer que estar com o outro gera.  Conhecer é abrir-se ao outro, dar-se a conhecer, não só o que eu gosto que me vejam, mas todo o meu eu. Minhas qualidades, meus defeitos, meus sonhos e meus medos.

E por mais que nos esforcemos, e devemos nos esforçar muito, sempre há coisas para se conhecer do outro mesmo depois de muito tempo juntos.  

O que é importante nesse processo é pensar o que é essencial para mim que pode determinar o sucesso ou fracasso na relação no futuro. 

Que importância tem a religião para mim?

Será que na ordem de minhas prioridades Deus está acima de tudo?

E o outro?  

Diferença na ordem de valores é responsável por muitos desentendimentos entre casais. Que importância terão os  filhos na relação?

Serei só mãe?

Só pai?

Seremos pais?

Desejamos filhos?

Quantos? 

Como eu penso na minha carreira profissional?

Está acima da nossa relação?

Da do outro? 

Como ficaria o dinheiro do casal após a união?

Será deles?

Será o de cada um?

Um é mais gastão? 

Para mim uma união é para sempre?

E para o outro? 

Quando se chega ao FIM da tabela e decide-se amar o outro, não pode haver meio amor, um quarto de amor, ou é 100% ou não é, pois o tempo ou o dia a dia vai testar o gostar (paixão) e deve haver um trabalho contínuo para sustentá-lo (o gostar), mas tomada a decisão de amar, esta não desaparece, nunca. 

Não pode existir o “estar com alguém” pelo estar. Sem futuro, sem compromisso, sem amor. Este enganar-se agora tem grande chance de existir depois quando o abandono de um esposa com filhos for considerado uma “sacanagem”. Ou a traição de uma esposa insatisfeita com a ausência do marido em casa pelo excesso de trabalho causar muita dor. 

As grandes “tragédias” são construídas em nossas mentes nas pequenas coisas. Não há tanto, no mundo, um acaso em que as coisas acontecem e pronto. As coisas vão acontecendo, devagar, pequenas negligências atrás de pequenas negligências e um dia dizemos: “NÃO É JUSTO” isto acontecer comigo.


Amor e Paixão

Dezembro 16, 2007

Como é difícil entender, identificar e viver de forma madura um amor, uma paixão e de preferência ambos. Amar é tomar uma decisão, sem  voltar atrás, em favor do outro.

Tanto faz se é um amor fraterno entre pessoas, de sexos diferentes ou não, que se conhecem e por razões de amizade, por motivos cristãos ou de parentesco decide-se amar; ou então um amor entre homem e mulher que se tornam um casal. 

A paixão é aquele combustível, aquela cor ou aquele perfume que nos leva a querer amar. Que nos dá força para enfrentar sonhos “impossíveis”, que às vezes nos faz parecer loucos diante dos outros. A paixão mexe com sentimentos, a paixão é gostar, a paixão diz respeito a nós mesmos e não ao outro. Por isso, uma paixão descontrolada tende a ser egoísta e escravizante do outro e não libertadora. 

O amor é sempre uma decisão em favor do outro e não de mim mesmo. (repetindo). Desta forma, é possível imaginar que até há amor sem paixão. Há muitas vezes em que há a renúncia total do eu (admite-se até o sofrimento) em favor do outro. 

Um exemplo é o amor de mãe, na doença de um filho a  mãe sacrifica tudo o que tem em favor do filho, sem titubear. A mãe não come, não descansa e trocaria tudo em sua vida para ver o filho bem. Parece natural este tipo de coisa entre mãe e filho, mas deveria ter esta dimensão sempre, em qualquer situação em que se ame. Sempre que for amor.  

Esta é a verdadeira dimensão do amor de Deus por nós. O sacrifício Dele foi um sacrifício de mãe, ao se doar a tal ponto de morrer para dizer que nos ama e que há um caminho para sermos felizes junto dele. 

Normalmente um grande amor começa por uma paixão. Um homem e uma mulher se conhecem e algumas características despertam uma paixão de um pelo outro. Isto é gostar. Uma forma de olhar, o trejeito ao arrumar o cabelo, a beleza que só a gente vê, são sinais que despertam uma paixão, que nos fazem gostar do outro, querer estar com o outro e logo começa o um processo fundamental para chegar a se amar de verdade: o querer conhecer mais o outro. 

Aqui vale a pena dois comentários:  

1 – pode parecer estranho, mas o processo é válido para amizades também. As vezes, uma grande amizade surge de gostos comuns e de ideais comuns, por exemplo, torcer pelo mesmo time, buscar a mesma profissão etc. etc. depois também, para a amizade crescer, é preciso conhecer o outro e mais tarde  chegamos verdadeiramente a amá-lo. Quantos amigos verdadeiros não se sacrificam um pelo outro? 

2 – E o sexo ? Onde entra nisto tudo? Bom, no amor entre homem e mulher o sexo é um tempero maravilhoso que Deus colocou para colorir ainda mais um amor com paixão. Mas é uma força muito grande dentro de nós e como a paixão, diz muito respeito a nós mesmos e por isso deve-se ter alguns cuidados especiais para poder gozá-lo plenamente. Mais para frente espero deixar mais claro. 

Voltando ao conhecer um ao outro… 

Conhecer o outro é caminhar para além do gostar, da paixão. É conhecendo o outro que vamos embasando um futuro amor verdadeiro. Quanto mais dimensões do outro vamos conhecendo mais profunda torna-se a relação entre pessoas e como se diz na linguagem popular, mais íntimos nos tornamos.  

É isto mesmo, uma paixão desperta a vontade de conhecer e o conhecer cria intimidade. Vamos compartilhando cada vez mais do que realmente somos e não o que parecemos à primeira vista, ou ainda o que deixamos que os outros vejam de nós.  Só na verdadeira intimidade que nos expomos ao outro, que não temos vergonha de compartilhar nossos medos, nossas inseguranças, nossas manias, nossas decepções, nossos sonhos mais profundos. Se a paixão continua, bom sinal. Mas ainda não é amor. Mas está quase lá. 

Recapitulando: paixão é gostar, é algo que diz respeito a mim.

Conhecimento é compartilhar é algo que diz respeito aos dois, a intimidade vinda do conhecimento, para durar, tem que ser equilibrada, ou seja, conhecemos o outro tanto quanto nos conhece. E por fim chega um dia em que em nosso coração sentimos um impulso para decidirmos amar a outra pessoa.

E nessa hora o meu eu tem que sair de cena e o outro tem que ser o único foco da jogada. Aí é difícil. Depende de vontade e de força. E nós somos tão apegados a nós mesmos que poucas vezes amamos verdadeiramente, desinteressadamente dando até a liberdade do outro não nos amar. (isto é pesado, eu sei) 

Mas não é difícil pensar agora no exemplo do amor de filhos que realmente amam seus pais. Quando os pais se separam, filho nenhum no mundo gosta disso. Todos sonham ter um lar com pai, mãe e os filhotinhos em volta, mas a realidade não é assim e quantos e quantos filhos acabam por apoiar os pais respeitando sua decisão mesmo sofrendo? Isso é amor. É 100% do interesse  para  o outro.

E este deve ser só amor de filho? NÂO.

Todo e qualquer amor. 

Mas quando efetivamente decidimos?

Isto depende de cada um. É um processo que exige maturidade, um bom nível de intimidade e no caso do amor entre homem e mulher isto tem que ser para sempre. 

Por que para sempre? Bom, se amar é uma decisão que depende só de mim. Que tem um caráter libertador, pois o amor jamais escraviza, então se eu decidir só pode ser para sempre, não depende do outro mudar, ou não, de idéia. Daí o “até que a morte nos separe”. 

Isso é forçar a barra? Não, é amor, amor de verdade.

 Imagine a esposa que o marido viajou. Ele decidiu por ela, ela sabe disto, e mesmo que um ciumezinho brote, ela tem confiança que o amor dele será mais forte e ele permanecerá fiel. 

A força do sexo na relação homem mulher pode ter um caráter escravizante ou libertador. Como o sexo diz muito respeito a mim mesmo, se feito só com paixão tem uma enorme chance de ser escravizante. Quanta gente ao namorar se entrega totalmente ao outro e após uma decepção, normal quando falta conhecimento profundo do outro, se sente frustrado, usado e com uma culpa que não sabe de onde vem?  

E quando o sexo é libertador? Quando, ao se conhecerem profundamente decide-se pelo amor, pois a intimidade que deve sempre crescer no amor, torna-se total na entrega de todo o ser de um para o outro, tornando os dois como um só ser no amor, uma só carne.

É maravilhoso um homem entregar todo o seu ser, o que tem de mais precioso, coração e alma, vontade e paixão ao outro para se tornarem um. Aí não há culpa, não há temor e há o verdadeiro gozo do amor. 

Se sexo e paixão fossem suficientes para garantir amor, os homens de 50 anos não andavam trocando suas mulheres por uma ou duas de 25! E quantos não fazem isto! Isto porque não é amor. 

E a nossa relação com Deus tem um paralelo nisto tudo? (Sexo com Deus!!!!!!!!!!!!!!) Amor com Deus. 

Um dia alguém nos conta uma “boa nova”: “Olha tem um Deus que te ama, apaixonadamente, loucamente, que faz tudo por você e te chama pelo nome. Que está sempre esperando por você mesmo que você não o queira!” Esse Deus apaixonado, no mínimo desperta um interesse nosso.

Às vezes vemos um Padre Marcelo falando de Deus e nos entusiasmamos! Mas passa o tempo e parece que vamos esfriando. Não, se buscamos conhecê-lo, e o fazemos na leitura da Bíblia, na oração, assistindo as missas, ouvindo palestras, etc.  Quando realmente entendemos com que amor Ele nos ama e conhecemos esta dimensão “maluca” do amor de Deus por nós, só um louco não decide amá-lo também, mesmo que seja com nosso amorzinho microscópico perto do Dele.

E Deus, na sua maravilhosa sabedoria nos deixou a eucaristia, comunhão íntima e total entre homem e Deus. Na comunhão eu e Deus nos tornamos um. Ele se entrega sob a forma de pão para percorrer o meu corpo se fazendo comigo minha carne e meu sangue numa demonstração de amor maravilhosa e difícil de acreditar de tão sublime que é. 

Isto eu penso ser amor. Difícil mas possível, invisível mas crível, raro mas precioso, é só decidir. 


Amor

Dezembro 16, 2007

“Enganar-se a respeito do amor é a perda mais espantosa, é uma perda eterna, para a qual não existe compensação nem no tempo atual nem na eternidade.” S. Kierkegaard 

Um dos maiores males de nosso tempo é a perda do sentido verdadeiro do amor e, portanto muitas e muitas pessoas estão se enganado a respeito do amor e conseqüentemente pagando um preço alto por isso.

Vivemos num mundo de incompreensões, de infidelidades, de interesses egoístas destruindo amizades, de separações entre casais, entre amigos, entre filhos, entre irmãos, entre vizinhos e entre nações. E se não soubermos o que significa amar, como saberemos  construir um relacionamento conjugal estável? Ou como poderemos dizer que conhecemos um Deus que é amor, se não sabemos nem o que realmente é amor? Não podemos nos deixar enganar por manipulações da mídia que cria termos, os neologismos, ou distorce os termos que já existiam, os eufemismos,  dando um sentido novo e quase incontestável para estas palavras, nos privando de pensar no seu verdadeiro significado, ou seja, manipulando as pessoas conforme sua conveniência; e este é o sentido de manipular, é usar o outro para seu benefício próprio.

Por exemplo, se eu disser que uma determinada roupa, por mais ridícula que pareça, é a “última moda”, muitas mulheres e homens aceitarão usá-las sem contestar porque é a “última moda”. Outro exemplo, bem atual, é o termo “digital”, quase ninguém na população conhece o sentido de ser digital ou ser analógico, mas se é digital é bom e pronto; o meu celular eu troco por um digital porque é melhor, a minha linha telefônica é digital, meu relógio é digital, meu aparelho de som é digital, minha máquina de lavar é digital e se lançarem um macarrão digital todos iriam comê-lo por ser digital (se isto fosse possível). Infelizmente em nossa sociedade fizeram isso com a palavra “amor”.

Hoje, amor está associado a prazer, a satisfação pessoal, a realização dos meus desejos, deixando os outros simplesmente como meio para esta realização. 

Aristóteles em sua Retórica descreve amar como:  “Amar é querer o bem para o outro enquanto outro” 

Vamos analisar alguns elementos desta frase:

a) querer;

b) o bem;

c) para o outro ; e procurar tirar algumas conclusões: 

a)      Querer Aristóteles tenta deixar claro em sua definição que a coluna vertebral da atividade amorosa está na vontade. Mesmo que o amor tendo outros elementos, pois se ama com todo o nosso ser, mas o principal elemento do amor é a vontade, é a decisão de amar. Podemos dizer que nós somos constituídos de três esferas: a biológica, a afetiva e a racional.

Biológica

Afetiva

Racional

     A esfera biológica é formada pelo nosso corpo, nossos órgãos e nossos instintos, na esfera biológica nascem a fome, o calor, o frio, a dor e a atração física por outra pessoa. É a nossa parte biológica que dispara os hormônios que nos farão crescer, desenvolvermos nossas funções sexuais e estarmos fisicamente prontos para procriar. 

Na esfera afetiva estão os sentimentos tais como felicidade, tristeza, medo, angústia, júbilo, tranqüilidade. Os sentimentos são reações naturais que temos a estímulos externos. Como não podemos impedi-los de acontecer; pode-se afirmar que os sentimentos são amorais, ou seja, não tem moralidade, se eu vejo um filho ganhar um jogo em algum esporte, eu fico naturalmente alegre; se minha sogra dá um palpite em algo que eu e minha esposa já havíamos discutido antes, eu fico com raiva; se na empresa que trabalho há constantes cortes de pessoal eu fico inseguro. Não há problema em ter os sentimentos, e repito, não há como impedi-los.

A moralidade tem que aparecer nas minhas reações a estes sentimentos. Se eu fico alegre com a vitória do meu filho no futebol e fico esnobando os pais dos meninos derrotados aí há erro. Se eu ouvir o palpite de minha sogra e imediatamente mandá-la se meter nas coisas da casa dela, aí há erro, ou se pelo temor de ser mandado embora eu esqueço da família e começo a beber com os colegas num boteco aí sim há erro.  

E por fim temos a esfera racional, que justamente é a que nos distingue de todos os outros animais da terra. É a capacidade de tomarmos decisões que até podem ir contra os impulsos das esferas biológica e afetiva. Se eu estou acima do meu peso por qualquer razão, quando a minha parte biológica sinalizar com uma fome enquanto assisto TV, e minha esfera afetiva reforça este impulso com a lembrança de quanto “eu gosto” de sorvete, a minha parte racional toma a decisão de não comer agora porque já passei do peso e contraria a minha parte biológica eafetiva.  

É preciso uma decisão firme para amar. 

b)      Querer o bem 

A princípio parece obvio que todos querem o melhor para a pessoa amada. Mas nem sempre todo o bem é para a pessoa que amamos e sim através de um auto-engano consciente ou não, mais do que favorecer o outro, procuramos o benefício próprio.

Por exemplo, ao educarmos um filho colocamos um horário para as refeições e um dia, não estando ainda na hora do almoço, a criança começa a pedir um biscoito, insiste um milhão de vezes e de tanta insistência a mãe ou o pai acaba cedendo. Os pais podem até se justificar que deram o melhor para o filho, mas no fundo apenas se livraram do difícil, mas necessário, “dizer não” a um filho.

O marido que trabalha 14 horas por dia não estando com a esposa na educação dos filhos, ou mesmo compartilhando seus momentos difíceis e numa briga de casal acaba alegando que trabalha como um condenado para dar “tudo” para a família. Será que este “tudo” é o que a família precisa?

O namorado que pede insistentemente uma prova do amor da moça e ela acaba deixando que ele “prove”. Depois de um tempo, grávida, ela não entende porque ele não quer assumir o filho já que afirmava tanto que a amava. Em segundo lugar o bem que se deseja a alguém tem que resultar em um benefício real e objetivo tem que tornar esta pessoa melhor, uma pessoa mais plena e que a aproxime de uma forma ou de outra de nosso fim maior que é o amor aos outros e a Deus. Quanto melhor for meu amor pela minha esposa,  mais realizada ela tem que se sentir como pessoa, como mulher, como mãe e como esposa.

Eu posso até ajudá-la a vencer algum defeito, mas jamais querer mudá-la. A pessoa só se realiza, só se aperfeiçoa se for ela mesma.  

c)      Querer o bem para o outro enquanto outro

 Amar é perseguir o bem do outro não por mim, mas exclusivamente pelo outro. É pela dignidade da pessoa, pelo que significa sermos chamados filhos de Deus, por estarmos muito acima de qualquer outra obra da criação neste mundo que devemos amar o outro. Esquecermos de nós, renunciarmos a tudo para fazê-lo feliz.  E se, reconhecermos nossa dignidade, presente de Deus, saberemos que para darmos o maior presente a quem amamos, o bem mais próximo da dignidade dessa pessoa, temos que nos dar por inteiro para a pessoa amada e assim realizaremos um diálogo profundo de um amor verdadeiro, um amor doação. 

Engana-se quem pensa que amar é uma conta de 50% para mim e 50% para o outro. Um ganha-ganha. O amor verdadeiro é 0% para mim e 100% para o outro. Eu esqueço de mim para o outro ser feliz. Dois outros aspectos devemos ressaltar sobre o verdadeiro amor: Geração e Irradiação.            

A geração é a característica que o amor tem de criar novas pessoas para viver o amor. No amor conjugal esta geração se dá de forma mais completa nos filhos, frutos deste amor. Os filhos são o ápice do amor de um casal transformado em vida, numa nova vida em que os dois poderão juntos dedicar o melhor para fazer este filho feliz. O ato sexual envolve todas as dimensões do ser, biológica, afetiva e racional num momento cheio de vida e expressão de amor e é por isso que sempre deve haver a abertura do casal para a geração de uma nova vida.            

A irradiação é aquela característica  das pessoas que vivem o amor e não passam desapercebidas porque o amor irradia algo novo. Não é a alegria exuberante de uma simples paixão, mas a serenidade de alguém que vive algo novo. Na Igreja primitiva temos, no Novo Testamento, a expressão: “Vejam como se amam!” Havia uma irradiação de amor para os outros. Casais de velhinhos que estão há muito tempo juntos e ainda andam de mãos dadas e são delicados um com o outro irradiam este amor a todos que os conhecem. Casais novos que apreciam um filho recém nascido também irradiam este amor a quem está a sua volta. Só para concluir vejamos as promessas que fazemos um ao outro na celebração do Matrimônio e como elas se encaixam no que acabamos de dizer acima: “Eu Armando te recebo Heloisa e te prometo ser fiel , amando-te e respeitando-te…”  Até aqui há a confirmação que o meu amor é um ato da vontade. E a fidelidade é uma demonstração de entrega total de um para o outro. “na alegria e na tristeza ..” Independente dos meus sentimentos da minha componente afetiva! “na saúde e na doença…” Independente da minha parte biológica. “por todos os dias da nossa vida.” Para sempre. Pois o amor é uma decisão e não podemos voltar atrás. 

Perguntas: 

1. O que sustenta nossa relação é só a atração física que um gera no outro? 

2. Estamos juntos principalmente porque nos gostamos, porque agora estamos bem? 

3. Estamos juntos porque eu decidi fazer o outro feliz? 

4. Ainda procuro em nosso relacionamento primeiro a minha felicidade, meio a meio ou estou disposto a esquecer de mim pelo outro? 

5. Tenho certeza que ele ou ela pensa como eu com relação ao que é o amor? 


Amadurecer

Dezembro 16, 2007

Amadurecer como pessoa é um conceito que a gente ouve desde pequeno, mas poucos sabem exatamente o que seria ser maduro. Na teoria ser maduro passa por duas condições: 

a)     Estar biologicamente desenvolvido para tal; por exemplo, 99% das vezes é um erro dizer que uma pessoa na infância, pré-adolescência e adolescência é madura. O que normalmente ocorre é um comportamento aceito e esperado pelos que estão a nossa volta e essa maneira de se comportar acaba sendo entendida como maturidade e não é.

b)     Liberdade. Tem que se ser livre para tomar as decisões, assumir um comportamento, uma forma de viver, e, às vezes, mesmo sofrendo por isso sentirmos confiança que é o certo. Como dá para ver, não é fácil ser maduro. No início de nossa vida tudo é mais fácil, pois nossos pais nos dizem tudo o que temos que fazer. Gostemos ou não (normalmente não gostamos) nós os temos como autoridade, como pessoas que “sabem mais do que nós” e vamos fazendo. Um exemplo bobo seria a mãe mandar comer beterraba, pois engrossa o sangue, e a vida toda nós comemos mesmo não gostando, pois a mãe deve saber que isto é verdade. 

Amadurecer é um processo longo em que vamos analisando as regras que inicialmente nos são impostas, vamos discernindo se são ou não coerentes e decidimos ou não assumi-las como nossas. Por exemplo, a beterraba. Um dia no cursinho, ou num site da Internet descobrimos que a beterraba, fora um monte de açúcar, não tem muita contribuição nutricional  e essa história de “engrossar o sangue” não tem muito fundamento. Então, se não gostamos de beterraba, não comemos mais, pois não ajuda muito a saúde. Este é um caso em que tendo capacidade mental de avaliar uma regra, decidimos ir contra o nosso modelo (mãe) e livremente não comemos mais beterraba. 

Outras coisas no amadurecimento passam por assumir como nossas as regras que aprendemos de nossos pais, professores, parentes etc., pois avaliamos e elas fazem sentido para nós.  Amadurecer também não é ter respostas para todas as situações que aparecem em nossa vida, mas é saber como analisá-las e até ir buscar respostas fora de nós, com auxílio de terceiros. Quantas e quantas vezes, por força das circunstâncias de nossas vidas somos forçados a “um amadurecimento precoce”.

Por exemplo, os pais morrem, se separam, ou mesmo juntos deixam de ser, muito cedo, a referência nossa do certo e errado. Exemplo: meus pais brigavam muito quando eu era pré-adolescente e adolescente e pela minha forma de ser eu lutava internamente para não ser juiz da situação, ou pelo menos ser um juiz justo. E como em briga de casal, dificilmente um só tem culpa, essa referência para mim teve que ser assumida de outra forma. Tive que começar a ter minhas regras, que eu entendia como justas para poder conviver com aqueles conflitos sem deixar de amar um ou outro.  

Não foi fácil e isso trouxe longas e duras conseqüências na minha vida. Por não estar 100% pronto para isto, fui assumindo algumas coisas como comportamento certo, mesmo sem ser, fui me envolvendo cada vez menos com os sentimentos meus e dos outros e por fim fui me tornando uma pessoa muito só, pois sempre tinha que resolver tudo por mim mesmo.

Eu nunca chorava, principalmente  diante dos outros e quando chorava sozinho em meu quarto sentia um imenso vazio em mim. E hoje eu percebo o quanto isso me causou sofrimento e quando doeu e dói até hoje quando vejo que ainda erro com as pessoas por causa destas seqüelas de amadurecimento precoce. 

Por exemplo, graças a tudo isso eu assumi uma regra boba que namoro não se voltava após desmanchar. Acabou, acabou. 

Com isso eu namorei muita gente e nada ia muito longe, pois esta regra tinha como conseqüência não perdoar, não ceder, não ir até o outro para entender como se sentia. Fiz muita gente sofrer e eu mesmo sofri por assumir uma regra boba, sem noção, mas que eu pensava ser boa.

Até que um dia eu me defrontei com o maior dilema ao perceber que tinha acabado o namoro com alguém que meu coração dizia que era a pessoa que mais me fazia feliz.  

 Voltar ou não voltar?

Que regra idiota era aquela, que me tirava a liberdade, ao invés de garanti-la? Mas como ir contra “tudo aquilo que eu acreditava!” Foi uma luta. Ir contra uma regra para mim era uma violência, mas acabei por ouvir meu coração e perceber que minha felicidade estava em jogo. Decidi voltar.

E jamais me arrependi e sou feliz por isso. Mas ainda tenho um monte destas regras bobas me atrapalhando até hoje. 

Então a pessoa madura tem que decidir tudo sozinha? NÂO.

A pessoa madura tem que ter resposta para tudo? NÂO.

A pessoa madura nunca pode errar? NÂO. 

Nós temos a quem recorrer. Primeiro a Deus, que nos ama apaixonadamente a ponto de esquecer de Suas regras para provar seu Amor por nós. Depois, tem as pessoas que Ele certamente põe em nossas vidas para não nos deixar a sós. E por fim tem uma paz interior que só sentimos quando estamos no caminho certo.


Durango Kid

Dezembro 16, 2007

Assim eram chamados os caras que não tinham dinheiro no meu tempo de menino. Hoje, chamados assim ou não, infelizmente cada vez mais temos “Durangos” por aí e com muitas conseqüências para as famílias. E este é o tema que vamos falar nesta breve conversa com você leitor.            

Uma das áreas de conflito em muitos relacionamentos é a área financeira, tanto na fartura como na “dureza” o dinheiro tem colocado muitos casais à prova em sua vida em comum. 

Na fartura: Quando o “mar está para peixes” não é difícil que os excessos de “necessidades” ,de ter , vão minando a vontade, vão fazendo com que os valores sejam substituídos por prazeres, vão endurecendo o coração ,vão cegando a visão para o outro, e mesmo sem nos dar conta, vamos tomando os “ídolos” por deuses e nossa vida passa ser governada por eles.

“Acabei de mudar, mas meu sonho dourado é um apartamento com uma piscina por andar como o da minha amiga Silvinha de Alcântara Bueno e Silva.”;

“Este Audi é ótimo, mas não é tudo o que eu pensei. Logo terei que trocá-lo.”;

“Nossa , você viu a geladeira que estão entregando na casa da Cida ! Eu tenho inveja dela, mas eu vou ter uma igualzinha, tão logo eu termine a prestação do forno de microondas que estou pagando.” 

Eu preciso… Eu tenho que… Eu vou… Eu estou começando a destruir meu relacionamento, pois o nós ficou para trás. Muitas vezes mesmo na fartura os excessos de um começa a incomodar o outro por exemplo: “O Sérgio tem uma mania de gastar fortunas com aparelhos eletrônicos que nem tem onde guardar !” ;

“Minha mulher gasta muito com roupas, bolsas e jóias, dizendo que não dá para repetir o guarda-roupas todas as semanas nas reuniões com as amigas. “O que elas iriam pensar de mim!”; ela diz. Mas para evitar briga o marido deixa para lá como se estivesse jogando a sujeira para baixo do tapete. Só que estes incômodos vão pingando, pingando e acabam por minar o relacionamento do casal. Um dia, numa discussão qualquer, tudo é despejado de uma vez acabando por ser uma avalanche de incompreensões mútuas. 

Outro perigo é a divisão do “meu dinheiro” e do “seu dinheiro”; “do meu salário” com o “seu salário”. É um caminho curto para o começo do fim de sonhos em comum que uniram um dia o casal. Eu tiro as minhas férias com o meu dinheiro, você tira as suas férias com o seu dinheiro. Eu vou ao teatro com minhas amigas, pois eu não dependo dele para sair. E ele vai “jantar” com a secretária com o seu dinheiro pois não depende dela para dormir ! E…    

Na média:             Quando eu falo na média, quero dizer que o dinheiro não falta mas não se têm para tudo isto que se quer. E se as aparências começam a dominar nossas vidas, viveremos como se sem nossa armadura de carros, roupas e aparências não seremos nada.  Conheço um sujeito, em meu prédio, que passou cinco anos sem pagar o condomínio , mas não passou um ano sequer sem trocar os dois carros pelo menos uma vez. E só ele dirige em casa ! Sua esposa, quase se escondia para não encarar os vizinhos, já que a lista dos inadimplentes estava fixada no quadro de avisos do prédio. “Lá vai a mulher do caloteiro !” – todos diziam. Como será que é o relacionamento deles? Ou ela também é muito cara-de-pau ou ,como parecia pelo seu olhar furtivo, doía para ela a atitude do marido. 

Ganhamos X. Gastamos 2X. Vivemos mal. Ganhamos X. Gastamos X-y. Apertamos mas somos felizes. Nós os “na média” , temos mais facilidades de sofrer os sobe e desce na conta bancária e se não estivermos juntos, dialogando sobre o que é ser feliz com o que se tem, muita coisa pode ir mal. 

Na dureza:             O pior momento da nossa vida é aquele em que perdemos parte ou todo o nosso conforto da vida farta ou média que tínhamos até então. Pelos padrões do mundo que nos rodeia, somos vítimas e somos ao mesmo tempo perdedores. A autoconfiança vai a zero, o entendimento fica difícil e se não houver uma base sólida, muitos lares vão por água a baixo. É na dureza que é difícil renunciar o eu, para que o você tenha, ou eles quando há os filhos. É na dureza que os caminhos mais curtos e fáceis aparecem a toda hora como soluções rápidas, mas desastrosas para a família. A separação é um destes caminhos mas  não vale como solução. Agiotas são piores ainda . Mas o amor e a compreensão do outro são a chave para a sobrevivência dos dois.            

Qual o marido ou pai que não sofre ao não poder dar o que mulher e filhos merecem? Qual o homem que não se sente derrotado por não conseguir prover o necessário em casa? Qual a mulher que não se sente impotente por não poder ajudar o marido? E é nesta hora que a coisa pesa. 

No sempre:             Primeiro, tenham sempre em mente que há um Deus que abençoa as famílias e não quer ver ninguém sofrer neste mundo. Orem juntos. Insistam com Ele. Peçam e peçam e peçam. Pai é para estas coisas. Confiem em Suas promessas . Entreguem suas dificuldades e peçam discernimento para encarar a dificuldade com sabedoria.             Procurem como casal se planejar para os tempo difíceis. Não adianta um levar todo o peso e o outro manter a vida como se nada estivesse acontecendo. Sentem juntos. Arrisquem entrar neste assunto antes das crises. Coloquem seus sentimentos a respeito das finanças do casal. Proponham caminhos. Incentivem um ao outro. Não deixem que as dificuldades os afastem. Sejam carinhosos; pacientes; compassivos, mansos. Estejam sempre dispostos a se perdoar e tudo será melhor, mesmo na dificuldade.


Harmonia do Casal

Dezembro 16, 2007

            Na música quando pensamos em harmonia isto significa juntar notas diferentes, tocá-las em seqüências e cadências tais que, como um todo, agradem aos ouvintes, tornem a música mais bela e dêem um colorido especial à sua execução. Na vida do casal harmonia é a mesma coisa, duas pessoas que se juntam para tornar melhor suas vidas e a de quem está a sua volta.

Inspiração

             Como ocorre na música, onde não basta juntar notas quaisquer para se formar um acorde, na vida conjugal não são duas pessoas quaisquer que podem formar um casal feliz. É preciso escolher certo, é preciso pensar que tom queremos dar à nossa vida, é preciso ter um só tema no coração dos dois, para então desenvolvermos toda a vida, senão seremos mais um casal desafinado neste mundo. Educação de filhos, trabalho, religião, prioridades na vida são assuntos que darão o tema após o casamento, não podemos deixar para improvisar depois, pois correremos o grande risco de não nos acertarmos e aí já será tarde. É bom lembrar que mesmo os maiores jazistas ensaiam suas músicas sobre um tema principal e nas apresentações fazem suas variações e improvisações. 

Composição

             Nenhum músico acorda com toda uma nova música pronta na cabeça. Normalmente existe um tema, a inspiração, e depois se desenvolvem todas as partes da música com trabalho, transpiração e como dissemos até com improvisações. Mas o músico jamais se esquece do tema principal, voltando a ele de tempos em tempos, harmonizando o momento atual com a inspiração inicial. Nós casais temos vários momentos em nossas vidas, alguns exigem grandes improvisações, mas jamais devemos esquecer da inspiração inicial, da paixão, do carinho, dos sonhos dos primeiros tempos, das razões para estarmos juntos até agora, do tempo de vida que compartilhamos tudo com o outro. Por isso é bom pararmos e olharmos para trás para vermos se não saímos do tom sem perceber e por isso não conseguimos mais voltar ao tema inicial. 

Aperfeiçoamento

             No começo de casados, normalmente somos como os acordes em tons maiores. Levamos a vida de forma simples e tudo nos soa de forma alegre. Conforme passam os anos nosso relacionamentos se aprofundam e passamos a conhecer melhor um ao outro, cada qual com suas virtudes e seus defeitos. E logo percebemos que se mantivermos a vida com os mesmos acordes ela pode ficar chata e perder a graça. Temos que nos aperfeiçoar e buscar um aprofundamento para dar mais cor à vida. Este aprofundamento passa pelo aprendizado de novos acordes, mais trabalhosos, as vezes difíceis de tocar, e quem sabe entremos em crise e pensemos até em desistir. Mas quando finalmente vencemos a dificuldade, descobrimos como vale a pena o esforço. O domínio do temperamento ( Leia Que temperamento ! ) ,o controle da língua, o perdão, o respeito, a disposição de fazer o outro feliz são acordes difíceis de tocar, mas como podemos dar vida a uma música a dois com eles ! 

Os acordes

             Só que os acordes não podem ser feitos só com duas notas. São precisas outras notas para dar o tom certo à música. E na vida do casal, quem são as outras notas senão os filhos? Aqui eu digo àqueles que não querem ter filhos: acordes só com duas notas cansam logo. É como o “Bife”, aquela música que tocamos no piano com dois dedos apenas; quando aprendemos nos orgulhamos muito por tocá-la, mas com o passar do tempo ninguém mais suporta ouvi-la.  Todo acorde tem umas notas principais que dão o tom e as outras notas dão a cor. Os filhos dão esta cor à vida do casal. As vezes, uma doença, um caminho errado, um mal passo podem dar um tom menor e triste às nossas vidas, mas como bons músicos devemos lembrar que há grandes obras, mesmo baseadas em tons menores. O que importa é o todo, é a forma como colocamos os tons menores sobre o tema principal.  

O solo

             Outro ponto importante a ser lembrado aos casais é que na vida a dois não há lugar para um solista. Sempre que um só é o solista o conjunto não funciona. Às vezes, por dificuldades da vida tomamos conta da música, assumimos a melodia, mas sempre devemos escutar o outro. Dar espaço para que isto aconteça. Trazê-lo à frente, quando for necessário, e modificar os solos para belos duetos. O que quero dizer, é que não há quem sempre esteja com a razão num casal. Sempre deve haver um diálogo entre os dois, e ambos devem contribuir para a sua harmonia. Escute o outro, procure encontrar a motivação que o levou àquelas notas tristes ou explosivas, veja se não foi você que as provocou, mesmo que tenham sido  sem querer. Todas as nossas ações afetam o outro de forma positiva ou negativa. Independente das nossas razões, é comum uma atitude boa, não gerar sentimentos bons no outro e daí para um desentendimento falta pouco. Mais uma vez, escutem o outro. Coloquem-se no lugar dele ou dela. Deixem o orgulho de estar com a razão de fora. Peça perdão mesmo se a intenção não foi ferir. Busque o outro com amor. Vocês sempre terão a ganhar com isto. 

 O Maestro

             Por fim, digo aos casais que seguem compondo sua músicas com suas vidas a dois: Nós temos total liberdade sobre elas; nós é que as compomos dia após dia , mas acima de nós há um Maestro, que nos quer bem, que conhece mais do que ninguém a nossa música e que sempre está disposto a nos ajudar nos momentos difíceis, basta pedirmos. Este Maestro é o nosso Deus, um arranjador perfeito, o músico dos músicos. Orem e peçam a Ele uma ajuda e suas vidas terão certamente um “gran filnale”.


Pedestal

Dezembro 16, 2007

Conversando com um casal conhecido, ouvi da esposa que ela havia colocado o esposo em um pedestal, o que vinha prejudicando o relacionamento de ambos, pois isto a fazia sentir-se constantemente abaixo dele e sem possibilidades de alcança-lo.

Isto me fez pensar na palavra desequilíbrio e como devemos enfrentar tais desequilíbrios para crescer e não para pararmos ou andarmos para trás em nosso relacionamento de casal.

             Acho que a imagem do pedestal é bastante comum em nossas experiências, sob duas formas distintas: Primeiro, aquele que se julga inferior coloca o outro num pedestal e não se permite alcançá-lo, este desequilíbrio para um casal é prejudicial pois a relação toma forma de hierarquia, um superior e outro inferior e o amor tem que ser prioritariamente nivelador, esposo e esposa tem que estar caminhando juntos, tem que estar de mãos dadas.

Este tipo de desequilíbrio num casal pode gerar sentimentos de culpa a cada pequeno desentendimento , por exemplo: Quando uma coisa não está em ordem em casa e o esposo comenta, isto imediatamente pode gerar insegurança na esposa que se sente incapaz de atender os requisitos mínimos para o seu “modelo de esposo” .

Outro exemplo, o esposo que não se sente a altura da esposa e não consegue a promoção no emprego ou mesmo perde o emprego. Para ele, mais do que isto possa significar para si mesmo, o significado de não ser capaz de prover o necessário para o seu “modelo de esposa” é o pior dos sentimentos, isto o retrai, o faz sentir-se culpado e mais longe ainda da esposa.

Uma segunda forma de uso do pedestal, e talvez a mais perversa, é quando o esposo ou a esposa se colocam no pedestal  afastando a possibilidade do outro alcança-lo. Egoísmo, soberba e egocentrismo são as bases de muitos destes pedestais. Vocês já viram o esposo que sabe de tudo? Aquele que diante dos outros gosta de diminuir a esposa mostrando suas habilidades em detrimento das habilidades da esposa?

“Eu cuido do orçamento familiar e ela cuida da cozinha e das crianças…” ,

“Em casa eu nem uso os termos que normalmente utilizo para não humilhar minha esposa caso ela não os entenda.”.

Também há o caso das esposas que se colocaram no seu pedestal e “se sujeitam” a ter um esposo abaixo delas.

“Ele é muito bom, mesmo não tendo tido a oportunidade de educação que eu tive.” ,

“Não ligue, ele é muito inseguro diante dos outros.” ,

“Eu sempre tenho que dar um empurrãozinho, senão ele não vai pra frente .” ,

“José Otávio, não é ‘seje’ e sim seja que se diz. Eu vivo corrigindo e ele nunca aprende.”.

E por aí vai.

Em ambos os casos acima o dia a dia tende a ser cada vez mais difícil, pois as pequenas coisas vão se acumulando até que um dia todo o relacionamento desaba e ambos ficam se perguntando: ” O que será que houve? “            

E como vencer isto ? Primeiro passo: Vou citar uma pequena história para ilustrar o que fazer no primeiro passo:

Um marido ao chegar em casa, ainda na porta de entrada grita “Oi amor, cheguei. Estou morrendo de fome. O que teremos para o jantar?”.

Como não ouviu resposta alguma pensou consigo mesmo: “Ela nem deve ter me ouvido da cozinha.” .

Ao chegar no meio do caminho, após deixar a sua pasta na sala, novamente gritou, “Oi amor, cheguei. Estou morrendo de fome. O que teremos para jantar? “.

Novamente, como não ouviu resposta pensou: “Ela já está ficando meio surda!” .

Finalmente ao entrar na cozinha e reforçando o volume da voz repetiu: “Oi amor, cheguei. Estou morrendo de fome. O que teremos para o jantar ?” .

E a esposa voltando-se para o marido responde: “Pela terceira vez, frango !” 

Este é o primeiro passo: olhar para si mesmo antes de pensar nos defeitos do outro. Tentar tirar o próprio pedestal é importantíssimo para um relacionamento. Por que os defeitos dele ou dela me incomodam tanto?

O que está errado em mim mesmo que não posso admitir ?

Por que me sinto tão inferior diante dos outros  que sinto compulsão por humilhá-lo ou humilha-la ?

O que aconteceria se eu me despisse de todos os falsos valores de “nome de família”, “diplomas” , “cultura” , “roupas caras” , “os melhores restaurantes”, “disponibilidade total para todos” , “perfeccionismo nos afazeres”  etc., etc. , etc. ?

 Sobraria algo em mim que dou valor ?

Ainda assim eu gostaria de mim mesmo(a) ?

Será que Deus ainda olharia para mim se eu estivesse totalmente despido de todos estes recursos que utilizo e estivesse diante dEle só com meu passado e meu presente?

Com certeza, Deus nos ama pelo que somos e não pelo que fazemos ou pelo que temos. Para Ele estamos sempre transparentes, com nossas qualidades e defeitos sem podermos esconder nem sequer um ‘A’ que falamos ou fazemos . E Ele nos ama infinitamente assim mesmo. Ele não se importa com nossas limitações, com nosso passado, com a quantidade de quedas que temos. Ele nos quer de pé, confiantes que Ele nos fez assim, nos conhece por inteiro e nos ama. E este amor, reconhecido e experimentado deve ser a fonte de qualquer amor aqui na terra, especialmente o amor conjugal. 

O segundo passo é buscar o outro. Traze-lo para cima com amor. Se for preciso descer até ele para o erguer como um novo homem ou uma nova mulher. Novamente falo do amor de Deus por nós. Ele, sabendo da nossa condição de pecadores, por amor , veio até nós, descendo à condição do pior dos homens, sendo humilhado, injustiçado e ferido de morte para nos salvar. Jesus, o único que mereceria um pedestal devido ao seu poder infinito, nos ensinou que devemos descer para que o outro cresça.

E isto é possível no relacionamento do casal. Como?

Incentive seu esposo ou sua esposa. Aprenda a elogiar as coisas boas que ele ou ela fazem. Deixe que ele ou ela tentem fazer aquilo que só você faz. Mesmo que errem, valorizem a tentativa e não o resultado.

Busquem dentro de si o que o fez se apaixonar por ele ou por ela e deixem que saibam disto. Revigorem o amor dos primeiros tempos e descubram juntos quantas riquezas existem em cada um de vocês e que não podem ficar escondidas dentro de um coração entristecido.

O terceiro passo é a luta. Não desistam, nem um dia sequer, de lutar por estarem sempre juntos, no mesmo nível. Dialoguem sempre, não deixem para amanhã os sentimentos ruins que passaram hoje. Limpem qualquer lixo do relacionamento o mais breve possível. Não o deixem acumular, porque depois é muito mais difícil eliminá-lo. As pequenas coisas do dia a dia é que estão por trás das separações e dos grandes erros. Não diminuam sua importância com respeitos humanos.

Por exemplo: “Hoje me senti humilhado quando ela corrigiu meu português diante de todos os meus amigos, mas deixa para lá.”,

“Ele bem que podia não ter falado que o peixe que sua mãe fazia era melhor que o meu, bem diante dos nossos compadres, mas ele é assim mesmo…” .

E um dia, quem sabe, uma colega de emprego que é tão compreensiva , tão carinhosa, tão estimulante  põe a perder a felicidade de toda uma família. Ou mesmo um colega de trabalho , ou de academia que só faz elogios e a valoriza como a muito tempo não acontecia, acaba por destruir o relacionamento dos dois. Lutem, para que isso não aconteça com vocês ! Briguem, discutam, coloquem para fora os seus sentimentos e se amem intensamente. No relacionamento do casal , cada dia é uma batalha a ser vencida e vencida juntos. Não se acomodem ! O amor jamais se acomoda, o amor tem que crescer.            

E por fim, sigam o modelo do amor verdadeiro, Jesus. Aprendam a perdoar sempre.