Sentimento de pai

Já faz um tempo eu e minha esposa quase perdemos uma filha por uma doença grave. Foi a experiência mais dolorosa em nossas vidas e nada neste mundo pode se comparar a esta dor, mesmo que hoje, graças a Deus, ela esteja conosco e muito bem, mas a imagem de entregá-la num centro cirúrgico, mais que uma vez, sem saber se ela voltaria, está viva em mim como se fosse hoje.

 

Num outro episódio fomos visitar uma conhecida nossa que havia fugido de casa com o namorado, engravidara e estava internada pois tinha feito um aborto. Que cena dolorosa; a moça arrependida não levantava os olhos para encarar ninguém e até hoje, eu sei que isto tem um enorme peso em sua vida como um grande sentimento de culpa, mesmo que ela já tenha dois filhos.

 

Num grupo de jovens, falando-se de namoros entre eles, se falava dos relacionamentos intimos com os namorados e namoradas como se fosse a coisa mais natural possivel. E ao ouvir isto eu senti muita dor em meu coração, imaginando isso com meu filho e minhas filhas e como eu reagiria ao saber de algo assim com eles.

 

E então eu pensei na minha tristeza nos três relatos acima e imaginei o sentimento de Deus, que tanto nos ama, que mandou Jesus morrer por nossos pecados e que nos quer salvos, para podermos estar perto dele aqui e plenamente nele no céu. Cada um que pecando, nega o amor de Deus, causa uma dor no coração misericordioso de Nosso Senhor.

Como Jesus deve ter sentido muita tristeza ao ver o Jovem rico do evangelho ser mais apegado aos seus bens do que a vontade de segui-lo, recusando a proposta de Jesus . E como deve ter sido duro ouvir da multidão, durante a sua Paixão, a expressão: “Cricifica-o, Crucifica-o”.

Num aborto, não só a vida da criança se perde, mas a da mãe e do pai ficam comprometidas diante de Deus e deles mesmos, moralmente e muitas vezes fisicamente, pela mãe, pois, com certeza, esse não é o plano de Deus para a vida de um bebê, nem de um casal.

Já os jovens de hoje, que buscam no sexo livre com suas namoradas e namorados algo “seguro” com camisinhas e pilulas anticoncepcionais, se esquecem do plano de amor de Deus para o Matrimônio e como esta intimidade prematura e com tantos parceiros mina a possibilidade de um relacionamento fiel, responsável onde o dom de si, entrega total de um ao outro, esteja presente. Deus se entristece pois sabe quais as consequências que isto traz com inúmeros casais desfeitos e por tantos filhos sofrendo pelas separações dos pais e vivendo no desamor.

Eu fico imaginando, como pai, a dor no coração de Deus cada vez que um de nós peca. Cada vez que cada um de nós vira as costas para o seu plano de amor para nossa vida. Cada vez que, de braços abertos, Deus espera e não nos vê correr em sua direção.

E Ele deve pensar e ter vontade de “controlar” tudo e não permitir que nós pequemos, que nós nos enganemos, que nós morramos para seu amor. Mas Ele não nos “controla”. Ele espera de braços abertos até que nós voltemos para casa. E como na parábola do filho pródigo, ele anseia por dizer de cada um nós como disse ao filho mais novo que voltava após viver em pecado: “Este meu filho estava morto e agora vive.”. E o Pai não falou de pecado, nem deu muita atenção à confissão do filho mas Deus quis fazer uma festa para comemorar  a volta do filho para Ele. E assim fará com cada um de nós, ao voltarmos e encontrarmos este Deus nos esperando.

 

 

 

 

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