O sonho acabou?

 

Eu gosto muito de pensar em sonhar como uma mola que nos impulsiona para frente. Sonhar como querer realizar coisas que ainda não realizamos, sonhar em atingir metas que ainda não atingimos, conquistar pessoas que ainda não conquistamos. Mesmo os sonhos impossíveis, para quem crê em Deus, valem a pena serem sonhados.

 

Talvez seja mais preciso falar em esperança em vez de sonho, pois quem tem esperança, sonha com alguma coisa e a esperança cristã nos aponta para Deus, fim último de toda a nossa existência. Fomos criados para sermos amados por Deus e esse amor nos acolhe, nos atrai, nos envolve e a eternidade é a realização plena desse amar de Deus em nós.

 

Mas minha esperança, meus sonhos nascem e crescem aqui na Terra, hoje. Enquanto passo por este tempo na Terra, Deus me chama a sonhar com Ele um mundo onde todos possam ser acolhidos igualmente por Seu amor. Sim, nós somos chamados, concretamente pelo Batismo, a sonhar com Deus uma eternidade repleta de sua criação.

 

Quem entende o sonho de Deus para si, para cada um de nós, entende o chamado a começar amar, aqui na Terra, cada um que está ao seu alcance, cada um que podemos chamar de próximo.

 

Também gosto de pensar em um estado dessa esperança nas pessoas como juventude ou velhice, estado não associado à idade cronológica da pessoa, mas sim a uma condição interior. Torna-se velho quem enterrou seus sonhos, ou por não tê-los atingido, ou por tê-los esgotado; velho é quem deixou de compartilhar a juventude eterna de Deus no Seu sonho para toda a humanidade. Velho é quem perde a perspectiva da eternidade e coloca suas esperanças unicamente aqui na sua passagem curta por esta vida. E essa velhice é uma característica de nossos tempos. Corremos como loucos porque toda nossa esperança se resume em nossa realização pessoal e nossa vida aqui na terra; nos apegamos à essa vida temporal como nunca, pois nossos sonhos estão limitados, passam rápido e temos sempre a sensação de termos perdido alguma coisa a cada dia que passa. Como estamos cheios de vellhos!

 

Eu prefiro amar! Sonhar todos os sonhos, mesmo os mais impossíveis. Eu prefiro entrar na onda de Deus, que ainda sonha em salvar a todos nós. Eu prefiro pensar que cada dia que passa na minha vida eu posso aprender um pouco mais para ser um operário melhor para a realização desse sonho de Deus. Eu prefiro imaginar uma eternidade ao lado de quem eu amei, do que alguns anos gozando desta vida num vazio sem esperança, numa velhice da alma.

 

Com certeza, dentro de mim, uma voz responde forte: O sonho não acabou.

 

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