Muita gente, hoje em dia, afirma que tem um bom relacionamento, mas parece que há uma constante crise entre os dois. E uma das grandes percepções destes casais é que há um descompasso entre o que um entende como seria o relacionamento ideal e o que o outro pensa do mesmo assunto. Para uns há a sensação de estar “mais apaixonado” que o outro; para outros estar juntos significa brigar, brigar e brigar e por fim alguns se acostumaram com o ficar com o outro, sem na verdade estar totalmente envolvido com a pessoa do outro.
Eu proponho aqui não uma solução, mas uma reflexão sobre como avaliar a situação respondendo quatro perguntas:
- Como eu me vejo hoje?
Num relacionamento, o bem mais precioso que eu tenho para entregar à pessoa amada, o que se iguala em dignidade ao outro, sou eu mesmo. O amor é um dom de si ao outro. Se eu tenho uma imagem negativa de mim mesmo, o que eu me proponho a dar ao outro, lixo?
As pessoas que não se valorizam, tem sempre uma enorme dificuldade nos seus relacionamentos, pois se sentem sempre “devedoras” do outro, desequilibrando a relação, que para dar certo tem que ser equilibrada. É preciso rever profundamente o que pensamos de nós mesmos, que valor nos damos e que talentos nós temos para dar.
Uma pequena auto-estima pode resultar em “suportar” qualquer coisas do outro sem expor seus sentimentos, suas necessidades e seus sonhos, havendo não uma renúncia por amor, mas uma anulação de si mesmo, tornando a relação viciada e não ajudando o outro a ser melhor.
Outra conseqüência de uma baixa auto-estima é um ciúme exagerado, onde qualquer um é uma ameaça, pois todos são melhores que a pessoa que não se valoriza e potencialmente pode lhe “roubar” a pessoa amada.
Vencer nossa auto-imagem negativa, nossas inseguranças e principalmente nossos traumas não é uma tarefa fácil, mas é muito necessária se queremos ter relacionamentos equilibrados e preparados para dar certo.
2. Quanto eu estou disposto a lutar contra meus defeitos por amor do outro?
“Eu sou assim e pronto!”
Esta é uma frase que serviria muito bem para ser o epitáfio (1 Inscrição num túmulo. 2 Breve elogio a um morto.) de um relacionamento, pois lutar com nossas imperfeições é um dever para toda a nossa vida se queremos ter um relacionamento duradouro.
Se engana quem pensa que durante toda a nossa vida não vamos magoar o outro, não vamos ferir seus sentimentos, não vamos irritá-lo com nossa maneira de ser. É impossível ser a pessoa ideal todos os dias. Nossa vida é dinâmica, nossos defeitos também e lutar contra eles é uma tarefa sem fim. O relacionamento nos coloca diante de nossos defeitos porque o outro reage diante deles e vemos o quanto precisamos “domá-los” para evitarmos ferir o outro, magoá-lo e fazê-lo sofrer.
Quais são os nossos defeitos de estimação?
Todos nós temos características de temperamento como ser mais extrovertido ou mais introvertido, ser mais organizado ou desorganizado, mais atento aos detalhes ou muito pouco atendo às coisas pequenas. Como eu luto com estas características para ser melhor para o outro?
Cuidado com a idéia de que não se pode se anular para atender às necessidades do outro, isso é parcialmente verdade como dissemos na primeira pergunta, mas vencer nossas imperfeições e trabalhar nossas virtudes é um dever individual que afeta todas as áreas de nossas vidas.
3. Quanto eu estou disposto a aceitar os defeitos do outro por amor ao outro?
Um padre me disse que nosso amor será perfeito quando começarmos a amar os defeitos da pessoa amada. Com certeza é um objetivo alto, mas em nossos relacionamentos, estamos dispostos a relevar os pequenos defeitos do outro?
A velha frase de que quando casar se muda a pessoa do jeito que quisermos é uma enorme bobagem em termos de relacionamento. Temos que querer estar com o outro como ele é, aceitando suas qualidades e seus defeitos.
Mas não podemos ajudá-lo a melhorar?
Sim, é claro, mas não podemos usar este argumento como arma de intolerância. É preciso discernir e muitas vezes renunciar.
Imagine um casal onde um é ultra organizado e gosta de tudo nos mínimos detalhes e o outro é absolutamente bagunceiro. Durante o namoro é uma maravilha, pois achamos até engraçado a diferença, mas quando temos que conviver com esta diferença 24 horas por dia isto pode se tornar uma bola de neve se não estivermos dispostos a entender e aceitar o outro como ele é e não só como desejaríamos que ele fosse.
Se estamos sempre reclamando das características do outro é um mau sinal. Ou somos intolerantes ou estamos com a pessoa errada. Qual é o seu caso?
4. Como eu imagino que o outro responderia às perguntas anteriores?
Esta não é uma pergunta para questionar o outro sobre suas respostas, mas para que cada um avalie se, com as diferenças que imaginamos nas respostas do outro, vale a pena lutar pelo relacionamento ou temos que fazer um bem para os dois partindo para outra (para namorados e noivos).
Como se pode ver, este é um texto de avaliação pessoal, não do outro, e assim deve ser o nosso amor, pensarmos em sermos melhores para o outro, a nossa parte é problema do outro. Se conseguirmos pensar assim, estamos no caminho certo do que é viver o amor.