Olhar o mundo com os olhos de Cristo.

 

Este é um desafio que me “incomoda” todos os dias. Um incômodo de tentar ver a face de Jesus em cada um que passa pela minha vida; de me despojar de todos os meus preconceitos e julgamentos e de ultrapassar o visível das pessoas e perceber o filho amado de Deus em cada um.

 

Não é fácil!

 

Eu sou muito terreno e é muito fácil perder de vista a perspectiva do céu. Como é comum julgar e mais ainda, julgar definitivamente. “Este não tem mais jeito!”; “Aquela não presta mesmo.”; “Cuidado com fulano que ele é traiçoeiro”, e por aí vão meus diálogos internos quando vejo alguém.

 

Que esforço tenho que fazer para pensar em como Jesus olharia para alguém do meu convívio. Como abrir meus braços e meu coração após alguém me ferir? Como ver alguém que julgo tão pecador, um dia no céu, merecedor do céu? Como perceber aquela dignidade de criatura amadíssima do Pai naqueles em que só percebemos fraquezas e pecado? Como colocar dentro de mim a luz da misericórdia de Deus?

 

Eu me pergunto isso todos os dias  e de joelhos chego a desanimar diante de Jesus no sacrário, ou após receber a Eucaristia, vendo como sou míope desse olhar misericordioso de Deus.

 

Mas esse Deus que tem misericórdia de tantos pecadores tem misericórdia de mim, no meu pecado, na minha imperfeição. Esse Deus que me ama e revela-se perfeito em seu amor, não exige de mim a sua perfeição senão a vontade de atingi-la. Esse Deus que me acolhe todos os dias, se dá totalmente para mim na Eucaristia, me faz esperar com alegria o dia em que, me chamando, não precisarei mais me preocupar com isso. Nesse meio tempo, a esperança e a fé me sustentam e não deixam meu desânimo me paralisar, me empurram para frente, me animam , põe vida em minha alma.

 

Eu preciso dessa presença! Desse Deus que fala dentro de mim, que me sustenta e que me transforma. E aí eu sinto como, na minha fraqueza, Ele se faz forte em mim e assim me faz continuar.

 

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