Amizade

Assistindo uma palestra em um DVD eu ouvi uma frase que dizia: “Feliz é quem tem um amigo, mas é mais feliz ainda quem tem um amigo em Cristo, pois este é um grande tesouro.” E esta frase me fez pensar, primeiro no que é amizade e depois se eu mesmo já tive amigos de verdade.
Amizade é algo que se constrói, é algo que cresce conforme cresce o conhecimento do outro. O crescimento da amizade significa o crescimento da nossa disposição de nos doarmos ao outro, para escutá-lo, para adverti-lo, para dividir sorrisos ou lágrimas, ou só para estar ao lado num momento de silêncio e reflexão.
As amizades duradouras são aquelas em que há equilíbrio, reciprocidade, confiança, muita confiança. A confiança faz com que deixemos de lado os respeitos humanos e que nos arrisquemos a ir mais e mais fundo em nossa amizade. Amizade exige um compromisso com o outro, não obrigação. Já vi muita gente deixar de lado grandes amizades quando o outro apontou um erro seu, ou quando o outro falhou, pediu perdão e não houve a disposição de perdoar.

É fácil se ter uma amizade verdadeira?
Acho que não. É fácil para pessoas de temperamento mais extrovertido manifestarem apreço por alguém com grandes abraços, beijos e declarações de que tal amizade é a maior do mundo, mas estes mesmos costumam ter uma volatilidade muito grande. Os introvertidos são difíceis de encontrar amigos, ou porque são desconfiados, ou porque tem uma enorme dificuldade de se abrir e se expor e quando as tem tendem a ser muito fieis, apegados a estas pessoas. De qualquer forma, extrovertidos ou introvertidos, todos nós buscamos ter amigos, amigos em quem confiar, amigos com quem possamos nos abrir, amigos com quem ousamos dividir o peso de nossas dores, nossas preocupações, nossos medos.

Quando numa grande amizade Cristo está presente, esta amizade é inundada pelo amor, por um amor sem limites, por um amor exigente. Há toda uma identificação maior de que ambos são amados por Deus, que ambos tem um grande amigo em comum, que ambos tem um caminho de construção do Reino de Deus enquanto viverem e que ambos tem uma meta comum que é o céu. A amizade em Cristo estende, e muito, tudo o que a amizade puramente humana contempla.

Pensando em mim mesmo, nas minhas amizades, se é que já as tive, penso que pouquíssimas vezes tive amigos, ou melhor fui amigo de alguém. Já preguei, já dei receitas de como agir aqui ou ali, fui “professor”, mas quase nunca abri meu coração para o outro me conhecer. E se não há reciprocidade, como pode haver uma amizade que cresce?
Poucos já dividiram minhas fraquezas, meus momentos de deserto, meus momentos de crise, meus momentos de solidão. Eu nunca fui fácil de ser entendido. Sempre fui muito hermético e meus pensamentos sobre mim mesmo, ou meus sentimentos não são divididos com facilidade.

Eu agradeço a Deus pelos poucos amigos que tive e tenho hoje e gostaria muito de que esta amizade crescesse e se aprofundasse na presença de Jesus, esse amigo fiel e justo, paciente e misericordioso.

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