Entendendo o perdão de Deus

Setembro 23, 2009

Como é difícil nos perdoarmos!  Como somos juízes rigorosos quando o réu somos nós. Mas Deus não age segundo nossos critérios e por isso supera infinitamente nossa pequenez de julgamentos.

 Primeiro devemos entender que santidade não é um estado final, mas a busca de uma meta. Ser santo é estar sempre lutando e ter a coragem de levantar quando caímos. Quantos de nós não desiste de lutar porque se julga condenado por seus erros?

Não!

Deus perdoa e zera a conta de nossos pecados.

É preciso reconhecer-nos pecadores, é preciso sentir dor pelo erro, confessá-los e não querer repeti-los, mas depois disso é preciso tocar a vida, pois Deus perdoa, Deus cura, Deus limpa nossa alma. Temos que parar de nos achar lixo humano! Deus não faz lixo!

Deus te criou um ser maravilhoso, Ele quis que você existisse, Ele te deu uma filiação e portanto como filhos amados de Deus não temos o direito de nos acharmos lixo. Esse Deus que te criou por amor e te ama apaixonadamente te quer olhando para cima, confiante e seguro de que nós sempre teremos o acolhimento Dele quando precisarmos de colo.

Este Deus que se fez homem, conheceu nossas limitações e deu a vida para nossa salvação sabe das nossas fraquezas, conhece nosso coração e nos quer, assim mesmo, ao seu lado. Não espere estar perfeito para olhar para Deus, pois isso não acontecerá! Olhe agora,

Ele quer você ao seu lado. Creia no amor e na misericórdia de Deus em sua vida e esqueça o que o mundo e o inimigo de Deus, o diabo, quer que você acredite.

Você é filho do Rei! Viva como herdeiro do céu, pois nós todos o somos.


Amor Líquido

Setembro 10, 2009

Zygmunt Bauman

Jorge Zahar Editora

 Este é mais um livro do sociólogo Polonês que é um severo crítico da nossa sociedade moderna. Seu livro mais famoso, “Modernidade Líquida” coloca para o leitor como, em nosso tempo, somos levados a viver por impulsos, comprar por impulsos e, por fim, nos relacionar por impulso e como essa cultura afeta toda a humanidade de forma que todas as nossas relações sejam tênues e fáceis de se desfazer, não importa se é nossa relação de trabalho, nossa relação familiar ou nossa forma de consumo. Tudo gira em tornar o mais rapidamente possível as coisas obsoletas para partirmos para uma “nova experiência de satisfação” (ou o seu dinheiro de volta).

 

É bom lembrar que o autor não é cristão e um leitor desprevenido pode achá-lo um tanto pessimista (o que o próprio autor comenta em Modernidade Líquida), mas para nós que cremos em Deus e nos ensinamentos da Igreja, percebemos que para cada constatação que o autor apresenta, há uma alternativa viável apresentada pelo próprio Jesus nos Evangelhos ou pela Igreja nos seus ensinamentos (Leia a Enciclica Papal – Caritas in Veritates).

 

O livro é introduzido da seguinte forma:

 

O principal herói deste livro é o relacionamento humano. Seus personagens centrais são homens e mulheres, nossos contemporâneos, desesperados por terem sido abandonados aos seus próprios sentidos e sentimentos facilmente descartáveis, ansiando pela segurança do convívio e pela mão amiga com que possam contar num momento de aflição, desesperados por “relacionar-se”. E, no entanto desconfiados da condição de “estar ligado”, em particular de estar ligado “permanentemente”, para não dizer eternamente, pois temem que tal condição possa trazer encargos e tensões que eles não se consideram aptos nem dispostos a suportar, e que podem limitar severamente a liberdade de que necessitam para—sim, seu palpite está certo— relacionar-se…

 

Mais adiante o autor aponta o que a nossa tão “moderna” liberdade sexual significa e quais são suas causas e conseqüências reais. É importante notar a constante ironia com que o autor faz suas afirmações.

 

    Afinal, a definição romântica do amor como “até que a morte nos separe” está decididamente fora de moda, tendo deixado para trás seu tempo de vida útil em função da radical alteração das estruturas de parentesco às quais costumava servir e de onde extraia seu vigor e sua valorização. Mas o desaparecimento dessa noção significa, inevitavelmente, a facilitação dos testes pelos quais uma experiência deve passar para ser chamada de “amor”. Em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padrões do amor, esses padrões foram baixados. Como resultado, o conjunto de experiências às quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito. Noites avulsas de sexo são referidas pelo codinome de “fazer amor”.

 

Quem ama sempre está buscando segurança, mas paradoxalmente o amor sempre envolve uma incerteza enorme que é a liberdade do outro, amar requer ter consciência desta aparente contradição.

 

No Banquete de Platão, a profetisa Diotima de Mantinéia ressaltou para Sócrates, com a sincera aprovação deste, que:  ”o amor não se dirige ao belo, como você pensa; dirige-se à geração e ao nascimento no belo”. Amar é querer “gerar e procriar”, e assim o amante “busca e se ocupa em encontrar a coisa bela na qual possa gerar”.

 

Em outras palavras, não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas. O amor é afim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo.

 

Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino—aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irreversível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade no ser: aquela liberdade que se incorpora no Outro, o companheiro no amor. “A satisfação no amor individual não pode ser atingida … sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras” afirma Ulrich Fromm —apenas para acrescentar adiante, com tristeza, que em “uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista” I

 

Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.

 

 Quando se trata de amor, posse, poder, fusão e desencanto são os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.

 

 

Tal qual nosso conceito cristão de amor, dom de si, o autor coloca o desejo em oposição ao amor, pois o desejo, quando satisfeito é automaticamente destruído, ao contrário do amor que constrói.

 

Em sua essência, o desejo é um impulso de destruição. E, embora de forma oblíqua, de autodestruição: o desejo é contaminado, desde o seu nascimento, pela vontade de morrer. Esse é, porém, seu segredo mais bem guardado — sobretudo de si mesmo.

 

O amor, por outro lado, é a vontade de cuidar, e de preservar o objeto cuidado. Um impulso centrífugo, ao contrário do centrípeto desejo. Um impulso de expandir-se, ir além, alcançar o que “está lá fora” Ingerir, absorver e assimilar o sujeito no objeto, e não vice-versa, como no caso do desejo. Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo o traço vivo do eu que ama. No amor, o eu é, pedaço por pedaço, transplantado para o mundo. O eu que ama se expande doando-se ao objeto amado.

 

Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com a aquisição deste e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua.

 

Em sua versão ortodoxa, o desejo precisa ser cultivado e preparado, o que envolve cuidados demorados, a árdua barganha com conseqüências inevitáveis, algumas escolhas difíceis e concessões dolorosas. Mas, pior que tudo, impõe que se retarde a satisfação, sem dúvida o sacrifício mais detestado em nosso mundo de velocidade e aceleração. Em sua reencarnação radical, aguçada e sobretudo compacta como impulso, o desejo perdeu a maior parte de tais atributos protelatórios, enquanto focalizava mais de perto o seu alvo. Tal como nos comerciais que anunciavam o surgimento dos cartões de crédito, agora não precisamos esperar para satisfazer nossos desejos.

 

Citando a descrição de um artigo, o autor fala de um encontro casual e puramente sexual iniciado em uma sala de espera num consultório qualquer.

 

Guiada pelo impulso (“seus olhos se cruzam na sala lotada”), a parceria segue o padrão do shopping e não exige mais que as habilidades de um consumidor médio, moderadamente experiente. Tal como outros bens de consumo, ela deve ser consumida instantaneamente (não requer maiores treinamentos nem uma preparação prolongada) e usada uma só vez, “sem preconceito” É, antes de mais nada, eminentemente descartável.

 

 

Mais adiante o autor fala que no amor, a afinidade é algo que se escolhe, em contraposição com o parentesco em que não temos opção de escolha. Ninguém escolhe seu pai, mãe, irmãos, etc. mas a afinidade é algo eletivo que precisa ser cultivado, nunca é algo totalmente concluído.

 

 

A afinidade nasce da escolha, e nunca se corta esse cordão umbilical. A menos que a escolha seja reafirmada diariamente e novas ações continuem a ser empreendidas para confirmá-la, a afinidade vai definhando, murchando e se deteriorando até se desintegrar. A intenção de manter a afinidade viva e saudável prevê uma luta diária e não promete sossego à vigilância. Para nós, os habitantes deste líquido mundo moderno que detesta tudo o que e sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço, tal perspectiva pode ser mais do que aquilo que estamos dispostos a exigir numa barganha. Estabelecer um vínculo de afinidade proclama a intenção de tornar esse vínculo semelhante ao parentesco—mas também a presteza em pagar o preço pelo avatar na moeda corrente da labuta diária e enfadonha. Quando não há disposição (ou, dado o treinamento oferecido e recebido, solvência de ativos), fica-se inclinado a pensar duas vezes antes de agir para concretizar a intenção.

 

Assim, viver juntos (“e vamos esperar para ver como isso funciona e aonde vai nos levar”) ganha o atrativo de que carecem os laços de afinidade. Suas intenções são modestas, não se prestam juramentos, e as declarações, quando feitas, são destituídas de solenidade, sem fios que prendam nem mãos atadas. Com muita frequência, não há congregação diante da qual se deva apresentar um testemunho nem um todo-poderoso para, lá do alto, consagrar a união. Você pede menos, aceita menos, e assim a hipoteca a resgatar fica menor e o prazo de resgate, menos desestimulante. O futuro parentesco, quer desejado ou temido, não tarifa a sua longa sombra sobre o “viver juntos’: “Viver juntos” é por causa de, não a fim de. Todas as opções mantêm-se abertas, não se permite que sejam limitadas por atos passados.

 

 

Quando o autor discute sobre a família e filhos, este coloca como a nossa cultura liquida e instável tem influenciado seu entendimento, sua formação e por que não dizer sua instabilidade.

 

Com a nova fragilidade das estruturas familiares, com a expectativa de vida de muitas famílias sendo mais curta do que a de seus membros, com a participação em determinada linhagem familiar tornando-se rapidamente um dos elementos “indetermináveis” da líquida era moderna e com a adesão a uma das diversas redes de parentesco disponíveis transformando-se, para um crescente número de indivíduos, numa questão de escolha—e uma escolha, até segunda ordem, revogável—, um filho pode ser ainda “uma ponte” para algo mais duradouro. Mas a margem a que essa ponte conduz está coberta por uma neblina que ninguém espera que venha a se dissipar, e portanto é improvável que provoque muita emoção, menos ainda que alimente o desejo inspirador da ação. Se uma súbita rajada de vento viesse a afastar a neblina, ninguém sabe ao certo que tipo de margem iria se revelar, nem se da névoa emergeria uma terra suficientemente firme para sustentar um lar permanente. Pontes que levam a lugar nenhum, ou a nenhum lugar em particular: quem precisa delas? Para quê? Quem perderia seu tempo e seu bom dinheiro para planejá-las e construí-las?

 

“Formar uma família é como pular de cabeça em águas inexploradas e de profundidade insondável. Cancelar ou adiar outras sedutoras alegrias consumistas de uma atração ainda não experimentada, desconhecida e imprevisível” — em si mesmo um sacrifício assustador que se choca fortemente com os hábitos do consumidor prudente.

 

 

Voltando a falar da vida sexual atual há a total comparação com o mundo de consumo atual…

 

A vida consumista favorece a reveza e a velocidade. E também a novidade e a variedade que elas promovem e facilitam. E a rotatividade, não o volume de compras, que mede o sucesso na vida do homo consumens.

 

Em geral, a capacidade de utilização de um bem sobrevive à sua utilidade para o consumidor. Mas, usada repetidamente, a mercadoria adquirida impede a busca por variedade, e a cada uso a aparência de novidade vai se desvanecendo e se apagando. Pobres daqueles que, em razão da escassez de recursos, são condenados a continuar usando bens que não mais contêm a promessa de sensações novas e inéditas. Pobres daqueles que, pela mesma razão, permanecem presos a um único bem em vez de danar entre um sortimento amplo e aparentemente inesgotável. Tais pessoas são os excluídos na sociedade de consumo, os consumidores talhos, os inadequados e os incompetentes, os fracassados—famintos definhando em meio à opulência do banquete consumiste.

 

Aqueles que não precisam se agarrar aos bens por muito tempo, e decerto não por tempo suficiente para permitir que o tédio se instale, são os bem-sucedidos. Na sociedade dos consumidores, o prestidigitador é a figura de sucesso. Não fosse isto um anátema para os fornecedores de bens de consumo, os consumidores fiéis ao seu caráter e destino desenvolveriam o hábito de alugar coisas em vez de comprá-las. Diferentemente dos vendedores de mercadorias, as empresas de locação prometem, de modo tentador, substituir com regularidade os bens alugados por modelos de último tipo. Os vendedores, para não ficarem para trás, prometem devolver o dinheiro se o cliente não estiver plenamente satisfeito e se (na esperança de que a satisfação não se evapore tão rápido) os bens adquiridos forem devolvidos dentro de, digamos, dez dias.

 

A “purificação” do sexo permite que a prática sexual seja adaptada a esses avançados padrões de compra/locação. O “sexo puro” é construído tendo-se em vista uma espécie de garantia de reembolso—e os parceiros do “encontro puramente sexual” podem se sentir seguros, conscientes de que a inexistência de “restrições” compensa a perturbadora fragilidade de seu engajamento.

 

Graças a um inteligente estratagema publicitário, o significado vernáculo de “sexo seguro” foi recentemente reduzido ao uso de preservativos. O slogan não seria o sucesso comercial que é se não atingisse um ponto sensível de milhões de pessoas que desejam que suas explorações sexuais sejam garantidas contra consequências indesejáveis (já que incontroláveis). Afinal, é estratégia geral nas promoções apresentar o produto em oferta como a solução procurada para problemas que ou já vinham assombrando seus prováveis clientes ou acabaram de ser inventados para se adequarem ao potencial do produto.

 

Para nós que temos um caminho seguro e alternativo à forma que o mundo vive o amor, encontrar ressonância num pensador tão influente deve soar como um incentivo para que nós procuremos viver e propagar que só o amor que vem de Deus pode dar respostas completas a todas estas indagações e constatações. E pode ser sólido e durável.

 


Tempo

Setembro 2, 2009

O que são as palavras se não posso chegar em seu coração?

O que são os sonhos se não  posso torná-los realidade?

O que são os momentos se não é possível eternizá-los?

O que é o tempo se não posso impedi-lo de correr?

 Há horas em que tudo deveria parar,

O tempo descansaria em sua corrida incessante,

O mal não atingiria mais seus objetivos,

O medo não mais nos paralisaria,

A incerteza não mais nos consumiria.

Um abraço tocaria todo o ser sem cessar em seu calor.

Um sorriso penetraria nosso olhar e transformaria nossa alma .

Seria o céu,

Sim o Céu seria assim

E Deus nos envolveria a todos  

e descobriríamos o que é mergulhar na imensidão do seu amor.