O dia que me senti amado

24 de janeiro de 2012

 

Como é boa a sensação de se sentir amado. É algo que nos dá confiança, que nos impulsiona a continuar  seja lá qual for nossa empreitada, diminui nossos temores, faz que esqueçamos nossas dificuldades,  que respiremos fundo, sintamos um gostinho muito especial em nosso coração e, por que não dizer, nos faz sorrir.

Mesmo quando nos sentimos atraídos por muito tempo, quando temos certeza de que somos amados nosso mundo se transforma. Esta é uma necessidade, a de ser amados, que não temos como negar, nem viver sem satisfazê-la.

Acho que é por isso que, às vezes , relutamos tanto para crescer, pois crescendo perdemos o colinho e o carinho dos nossos pais, uma certeza que somos amados, acolhidos, aceitos como nós somos.

Ainda bem que há forças maiores que nos levam a crescer e a buscar este ser amado além dos pais e a experimentar a enorme satisfação de nos sentirmos amados, completamente amados.

Eu cresci católico e desde pequeno senti  uma atração pelas coisas de Deus, mas foi no dia que alguém olhou nos meus olhos e disse que, este Deus que eu já admirava estava acessível, vivo, perto, que me conhecia, que me chamava pelo nome (“Armandinho”) e me amava infinitamente, neste dia que eu realmente me senti amado.

Amado por alguém vivo, que eu tocava na Eucaristia, apesar dos meus sentidos não me revelarem sua forma, mas meu coração sentia sua presença em mim.

Eu fui finalmente apresentado a alguém que foi como eu; que chorou, que sorriu, que sofreu, que desejou cumprir a vontade de seu pai até as últimas conseqüências, que foi bom, ou melhor ,que é bom. Fui apresentado a  Jesus.

Eu comecei a compreender que seu amor estava muito além da minha pobre racionalidade e que ultrapassava minha compreensão, mas era real. Aquecia meu coração, me consolava nas minhas dores  e compreendia minhas fraquezas. O Deus do infinito estava ao alcance dos meus braços. Sua palavra era viva, a Bíblia começou a fazer sentido para minha vida, não como uma historinha do passado, mas como meio de eu escrever a minha história, envolto no amor de Deus.

É tão bom sentir este amor, um amor real, um amor declarado em palavras, atos e na promessa de uma herança da qual eu nem fazia idéia da dimensão.

E foi alguém, humano como eu, imperfeito como eu, que respondendo ao amor que já sentia, Deus usou para me revelar todo este seu amor.

Será que não chegou a sua vez de revelar este amor a alguém?


Carro alugado

13 de janeiro de 2012

Não sei por que as pessoas ficam bravas comigo quando, ao ser cumprimentado por um aniversário, eu digo que estou mais perto do céu.

“Ai, não fala assim!”

“Vira essa boca pra lá”

“Lá vem você de novo com essa bobagem!”

Mas é verdade, e brincadeira ou não a cada dia estamos mais próximos de nos defrontarmos com Deus.

É certo que enfrentar a morte não é algo muito natural, nem prazeroso para ninguém, mas esquecer que ela existe é mentir para si mesmo.

Nossa existência aqui é finita e curta e por isso é que há uma urgência nas coisas que fazemos ou deixamos de fazer para que nossa existência tenha sentido. Como diria o Pe. Léo: “Será que deixamos uma marca de céu ou de inferno por onde nós passamos?”

Tem gente que acha que o necessário é fazer algo, cumprir uma obrigação, tranqüilizar a consciência, mas o importante é o rastro que este nosso fazer deixa. Um rastro de céu ou um rastro de inferno.

Temos que estar atentos em cada atitude que temos nessa vida, pois todas elas trazem conseqüências e essas conseqüências podem ter uma assinatura do céu ou do inferno.

Somos frutos do amor de Deus e só esse amor pode sustentar nossa vida. Fomos salvos pela misericórdia de Deus e só por essa misericórdia que podemos entender como a imperfeição humana pode tocar a perfeição divina. Somos inspirados pelo Espírito de Deus e só por Ele podemos dirigir nosso viver.

Nossa vida é como um carro alugado, que podemos levar para onde quisermos, mas um dia teremos que devolvê-la ao “Locador”. Arranhões podem acontecer, acidentes também e, mesmo que seguremos “o carro” levando uma vida cristã, vamos prestar contas de tudo, principalmente dos danos a terceiros que causarmos.

Você já ouviu pessoas dizerem que fazem coisas com os carros alugados que não fariam se ele fosse seu?  Esticar as marchas ao máximo, passar com tudo por buracos e poças d’água, colocar mais peso do que o carro está preparado para suportar com segurança?   Pois tem muita gente fazendo isso com suas próprias vidas, esquecendo que um dia vai prestar contas dela ao “Locador”.

Relacionamentos, trabalho, educação de filhos, amizades e laser, tudo está envolvido neste nosso conduzir este carro alugado.  Não podemos nos lembrar da nossa responsabilidade somente quando vemos acidentes graves na vida dos outros, ou quando percebermos que chegou a nossa vez e aí poderá ser  tarde demais.

Dê uma paradinha para pensar em como você está conduzindo sua vida hoje. Não desperdice um momento sequer para deixar uma marca de céu no seu caminho.


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