Este texto não é sobre psicologia ou autoajuda mas sim sobre relacionamentos ou, mais precisamente, o que uma baixa autoestima pode afetar um relacionamento.
Pesquisando na Internet achei algumas definições de autoestima e escolhi uma que gostei:
Autoestima pode ser definida como a avaliação que o indivíduo faz de suas experiências interpessoais, atribuindo juízo de valor a si mesmo. As crianças formam sua auto-estima a partir da maneira como são tratadas por pessoas importantes para ela, tais como pais, amigos e professores.
A autoavaliação vai sendo construída pela criança de acordo com o valor que os outros lhe atribuem, expresso em afeto, elogios e atenção. São importantes também, suas experiências de sucessos e fracassos. Ainda contribui para a autoavaliação a forma como a criança reage a críticas e comentários. Desta maneira, a formação da personalidade é alimentada positiva ou negativamente pela autoestima.
Alguns atribuem a capacidade de realização pessoal ou não com a autoestima e eu penso que muitas pessoas muito bem sucedidas tem uma baixa autoestima e isso não é uma contradição pois, sempre procuramos compensações às nossas carências. Muitas vezes, por não acreditar em si mesma, a pessoa corre para as realizações profissionais sem nem saber ao certo por que. É um curso após o outro, um emprego melhor que o outro, mas a sensação de algo não realizado permanece sempre.
Mas como avaliar nossa autoestima e saber o quanto ela pode estar afetando nossa vida e principalmente nosso relacionamento?
Responda com sinceridade:
Como você reage aos elogios? Rejeita prontamente? Elogios te incomodam? Soa sempre como algo falso, bajulação e às vezes quase dão uma sensação de ofensa?
Quando você faz comentários sobre si mesmo, ou si mesma, eles sempre tem um humor negro sobre sua imagem? Sua pele é sempre mais feia? Seu peso é sempre maior? Sua inteligência é sempre questionável?
O que você sente quando é comparado ou comparada? Odeia esta possibilidade? É como iniciar uma corrida que você sabe que perderá? É melhor nem começar?
Qual a sensação ao receber uma crítica, no trabalho, na escola, no dia a dia? Fica bravo ou brava? Dá um valor demasiado grande para a crítica? Tem dificuldade de olhar aquilo como algo que te faça crescer?
É claro que todo mundo lida com o valor que atribui a si mesmo e algumas coisas nos afetam mais, outras menos, mas enquanto lidamos com isso sozinhos, podemos nos cobrar mais, internamente, podemos correr atrás de compensações como realizações profissionais, em ser a pessoa mais prestativa e solícita para todo mundo, em nos isolar da convivência e ficar em nossa zona de conforto reclamando que o mundo não nos compreende.
Só que quando nos defrontamos com a experiência do outro num relacionamento, ou mesmo quando temos filhos, vamos experimentar a maravilhosa e amedrontadora realidade de não termos controle do outro. Há até maneiras de tentarmos ter o controle do outro através do sexo, através de uma educação dos filhos ultra rigorosa, etc., mas isso é extremamente prejudicial a uma relação de amor.
Um relacionamento, necessariamente nos coloca diante da avaliação do outro todos os dias e isso é terrível para quem tem uma baixa autoestima. Por exemplo, a mulher se arruma toda e o homem, distraído, nem faz um comentário, ou pior ainda, se ao ser questionado se gostou da roupa, ele disser que não.
Imaginem um pai com uma baixa autoestima sendo chamado na escola por indisciplina dos filhos?
Relacionamentos em que um dos dois tem pouca autoestima normalmente são hierárquicos, ou seja, uma pessoa se coloca abaixo da outra e isto é tudo que um relacionamento não precisa, pois uma hora ou outra, a casa cai. E a reação natural quando isto acontece é procurar a liberdade do outro, mesmo que a prisão estivesse em nós mesmos.
E como lidar com isso? Como vencer esta dificuldade?
Primeiro é sempre importante ter a presença do amor de Deus em nossas vidas. Deus nos conhece como somos, com nossas qualidades e nossos defeitos. Ele nos ama exatamente como somos e Ele é o único capaz de saber exatamente quem somos. Ele jamais vai olhar para nós e achar que não temos mais jeito, como normalmente nós fazemos conosco mesmos. Ele não quer justiça quando olha para nós, mas misericórdia. Justiça nós fazemos quando nos avaliamos, justiça é aquela atitude de não esquecer os nossos erros e nossos insucessos, misericórdia, pelo contrário, é aceitar, perdoar e esquecer .
No dia a dia eu recomendo um diálogo entre a sensação recorrente que temos diante das situações que confrontam nossa autoestima, por exemplo um elogio, uma comparação, um não do outro e quando vier o incômodo, lute com isso, olhe para si mesmo ou si mesma e diga: “Se Deus me aceita como sou, quem sou eu para não me aceitar?”
Escrito por armandoporto