Autoestima

28 de fevereiro de 2012

 

Este texto não é sobre psicologia ou autoajuda mas sim sobre relacionamentos ou, mais precisamente, o que uma baixa autoestima pode afetar um relacionamento.

Pesquisando na Internet achei algumas definições de autoestima e escolhi uma que gostei:

Autoestima pode ser definida como a avaliação que o indivíduo faz de suas experiências interpessoais, atribuindo juízo de valor a si mesmo. As crianças formam sua auto-estima a partir da maneira como são tratadas por pessoas importantes para ela, tais como pais, amigos e professores.

A autoavaliação vai sendo construída pela criança de acordo com o valor que os outros lhe atribuem, expresso em afeto, elogios e atenção. São importantes também, suas experiências de sucessos e fracassos. Ainda contribui para a autoavaliação a forma como a criança reage a críticas e comentários. Desta maneira, a formação da personalidade é alimentada positiva ou negativamente pela autoestima.

Alguns atribuem a capacidade de realização pessoal ou não com a autoestima e eu penso que muitas pessoas muito bem sucedidas tem uma baixa autoestima e isso não é uma contradição pois, sempre procuramos compensações às nossas carências. Muitas vezes, por não acreditar em si mesma, a pessoa corre para as realizações profissionais sem nem saber ao certo por que. É um curso após o outro, um emprego melhor que o outro, mas a sensação de algo não realizado permanece sempre.

Mas como avaliar nossa autoestima e saber o quanto ela pode estar afetando nossa vida e principalmente nosso relacionamento?

Responda com sinceridade:

Como você reage aos elogios? Rejeita prontamente? Elogios te incomodam? Soa sempre como algo falso, bajulação e às vezes quase dão uma sensação de ofensa?

Quando você faz comentários sobre si mesmo, ou si mesma, eles sempre tem um humor negro sobre sua imagem? Sua pele é sempre mais feia? Seu peso é sempre maior? Sua inteligência é sempre questionável?

O que você sente quando é comparado ou comparada? Odeia esta possibilidade? É como iniciar uma corrida que você sabe que perderá? É melhor nem começar?

Qual a sensação ao receber uma crítica, no trabalho, na escola, no dia a dia? Fica bravo ou brava? Dá um valor demasiado grande para a crítica? Tem dificuldade de olhar aquilo como algo que te faça crescer?

É claro que todo mundo lida com o valor que atribui a si mesmo e algumas coisas nos afetam mais, outras menos, mas enquanto lidamos com isso sozinhos, podemos nos cobrar mais, internamente, podemos correr atrás de compensações como realizações profissionais, em ser a pessoa mais prestativa e solícita para todo mundo, em nos isolar da convivência e ficar em nossa zona de conforto reclamando que o mundo não nos compreende.

Só que quando nos defrontamos com a experiência do outro num relacionamento, ou mesmo quando temos filhos, vamos experimentar a maravilhosa e amedrontadora realidade de não termos controle do outro. Há até maneiras de tentarmos ter o controle do outro através do sexo, através de uma educação dos filhos ultra rigorosa, etc., mas isso é extremamente prejudicial a uma relação de amor.

Um relacionamento, necessariamente nos coloca diante da avaliação do outro todos os dias e isso é terrível para quem tem uma  baixa autoestima. Por exemplo, a mulher se arruma toda e o homem, distraído, nem faz um comentário, ou pior ainda, se ao ser questionado se gostou da roupa, ele disser que não.

Imaginem um pai com uma baixa autoestima sendo chamado na escola por indisciplina dos filhos?

Relacionamentos em que um dos dois tem pouca  autoestima normalmente são hierárquicos, ou seja, uma pessoa se coloca abaixo da outra e isto é tudo que um relacionamento não precisa, pois uma hora ou outra, a casa cai. E a reação natural quando isto acontece é procurar a liberdade do outro, mesmo que a prisão estivesse em nós mesmos.

E como lidar com isso? Como vencer esta dificuldade?

Primeiro é sempre importante ter a presença do amor de Deus em nossas vidas. Deus nos conhece como somos, com nossas qualidades e nossos defeitos. Ele nos ama exatamente como somos e Ele é o único capaz de saber exatamente quem somos. Ele jamais vai olhar para nós e achar que não temos mais jeito, como normalmente nós fazemos conosco mesmos. Ele não quer justiça quando olha para nós, mas misericórdia. Justiça nós fazemos quando nos avaliamos, justiça é aquela atitude de não esquecer os nossos erros e nossos insucessos, misericórdia, pelo contrário, é aceitar, perdoar e esquecer .

No dia a dia eu recomendo um diálogo entre a sensação recorrente que temos diante das situações que confrontam nossa autoestima, por exemplo um elogio, uma comparação, um não do outro e  quando vier o incômodo, lute com isso, olhe para si mesmo ou si mesma e diga: “Se Deus me aceita como sou, quem sou eu para não me aceitar?”


Amar um filho

20 de fevereiro de 2012

 

Este é um desafio maravilhoso na vida de cada um que percebe a dimensão de ser pai ou ser mãe,

Perceber a forma de um filho ser,

Entender seu idioma e sua maneira de se comunicar, mesmo que seja no silêncio,

Escutar seus sinais,

Estar perto quando um “não é nada” for um pedido de socorro,

Quando um erro for a única maneira de chamar nossa atenção,

Perdoá-lo sempre, mesmo quando nosso coração estiver ferido,

Ir buscá-lo quando se afasta de nós, mesmo que isto não seja fácil,

Contar histórias ao dormir, contá-las sempre.

Falar das coisas que você acredita, contar suas histórias,

Sentar ao seu lado para estudar, motivá-lo a acreditar em si,

Acalmá-lo nas vésperas de prova,

Estar lá nas suas formaturas,

Pedir perdão quando o decepcionamos,

Beijá-lo, abraçá-lo e dizer que o amamos mais que a nós mesmos,

Querer vê-lo crescer, assumir sua própria vida,

Apontar os caminhos, mesmo quando estes forem os mais difíceis,

Mesmo quando nós mesmos saímos dele uma vez ou outra,

Amar um filho é não querer vê-lo errar como nós erramos,

É saber dividi-lo com alguém,

É apoiá-lo quando resolver sair de casa,

É dar a certeza que ele jamais deixará de ser um filho, jamais deixará de ser amado.

É deixar esta porção de você continuar sua própria história.

E ter certeza de que assim, um pouco de você jamais morrerá.


Por que você tem medo de amar?

14 de fevereiro de 2012

 

Hoje eu vejo tanta gente que vive relacionamentos tão desajustados, tão fora da vontade de Deus que fico espantado a cada notícia que recebo ou casos que testemunho.

As pessoas se entregam numa vida de intimidade sexual sem ao menos saber quem é o outro, sem ter a mínima noção do que é paixão e do que é amor verdadeiro e pior, desagradam a Deus dia após dia. Um Deus generoso que ama e ensina a amar.

Moças engravidando para segurar os namorados, namorados praticamente vivendo na casa das namoradas, rapazes usando as meninas como se fossem prostitutas gratuitas, se vangloriando disso e elas ainda tentando se convencer que isto é bom!

Por que hoje se usa o termo “pegador”? Pega-se alguém ou alguma coisa?

Se esta alguma coisa é uma pessoa, certamente estamos reduzindo esta pessoa a um objeto e normalmente objeto de prazer, prazer descartável, prostituição.

Por outro lado, há quem queira construir um amor verdadeiro. Que queira buscar o conhecimento do outro, que queira fazer a casa sobre a rocha, como dizia Jesus. Que queira cada coisa na sua ordem. E isso é bom.

Fazer a vontade de Deus não é uma questão de medo, mas sim de felicidade. De realização plena no amor. De superação nas dificuldades e de paz.

Só que esta bagunça que vivemos e que o mundo propaga em termos de relacionamentos, acaba por amedrontar quem quer ficar fora disso tudo. Mas não se pode ter medo de amar.

Estamos tão contaminados com a confusão que se faz sobre amor, hoje em dia, que há quem tema amar com medo de fazer algo errado.

Besteira!

O amor é algo maravilhoso de se viver, principalmente quando a fonte última deste amor é Jesus.

O sexo é o coroamento de um amor bem construído. É algo divino deixado para nós como presente, como realização plena de pessoas que se entregam totalmente, como Jesus se entrega para nós na eucaristia.

Então por que temer?

Ter medo do amor ou vivê-lo de forma distorcida, como se faz hoje em dia, é a mesma coisa em termos de afastamento do fim verdadeiro do amor.

Deus criou o homem e a mulher. Deus quis que o homem tivesse uma companheira. Deus abençoou esta união com seu Espírito e tornou isto um sacramento de amor.

Viver um namoro santo é um desafio? Pode ser. Mas é maravilhoso este mergulhar no mistério do outro e dividir nossa vida passo a passo até a plenitude.

Veja o texto: 

 http://armandoporto.wordpress.com/2007/12/16/namoro-santo/

Se você ainda tem medo, deixe isto de lado. Siga com Jesus e ame, ame muito, pois vale a pena.


Mais uma gravidinha!

1 de fevereiro de 2012

 

Nossa, estamos vivendo um baby boom! As pessoas estão mais confiantes no futuro, está sobrando mais dinheiro no fim do mês, as avós estão ansiosas para terem seus netinhos (os mais lindos do mundo) e, afinal de contas, é a conseqüência natural dos casamentos.

Tudo isto é verdade, mas é preciso refletir um pouco mais sobre o assunto: ter filhos.

Vou partir de uma afirmação que sempre faço:

“O que os filhos mais precisam dos pais é que eles se amem.”

Como estão os casais? Se amando de verdade? Trabalhando a construção e manutenção do “nós”?

A casa é nossa.

Carreira é minha.

Parentes são nossos.

Filhos são nossos.

Mas o “nós” é aquilo que, tirado tudo o que é nosso, sustenta a relação. No “nós” está a amizade entre os dois, a cumplicidade do casal, a chama que não se apaga. No “nós” está a felicidade de um com o sucesso da carreira do outro. No “nós” está a vontade de dar as mãos, mesmo quando já se passaram longos anos juntos. No “nós” está a coragem de falar, mesmo os assuntos mais difíceis para cada um. No “nós” está o perdão e a compreensão que o outro é tão imperfeito como nós.

Veja o texto: http://armandoporto.wordpress.com/2010/07/25/o-eu-o-nos-e-o-nosso/

Fico feliz com uma notícia de que uma nova vida vem ao mundo em breve, mas me entristece acompanhar tantos casos de separações entre jovens e, pior ainda, com filhos pequenos.

Filhos jamais podem ser usados como recurso para salvar casamento. Filhos jamais podem ser um projeto de realização pessoal, pois tem que ser um projeto de realização deles e só deles. Filhos jamais podem ser encarados como uma propriedade nossa, pois não são, somente assumimos a responsabilidade de prepará-los para vida deles mesmos.

Filhos são sim um privilégio que Deus nos dá de participarmos de sua obra criadora, mas este privilégio vem com uma enorme responsabilidade de darmos a vida por eles. E dar a vida pelos filhos é dar a eles o que mais precisam: nosso amor de casal.

Alguém pode argumentar que não dá para ser um casal perfeito para então ter filhos, pois o tempo passa! Mas é preciso ser sincero e responder para si mesmo e para Deus:

Meu matrimônio está vivo?

Estou vivendo este sacramento todos os dias?

Mesmo nos desentendimentos, estamos lutando pelo “nós”?

Bom, se você consegue responder que sim a estas perguntas, sinceramente, então vamos lá, pois é um enorme prazer acompanhar a vida dos filhos, vê-los crescer e ter confiança que estamos fazendo a nossa parte e que Deus fará a dEle. Se você ficou em dúvida, trabalhe o “nós” e depois pense nos filhos. Será mellhor assim.


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