Amadurecer como pessoa é um conceito que a gente ouve desde pequeno, mas poucos sabem exatamente o que seria ser maduro. Na teoria ser maduro passa por duas condições:
a) Estar biologicamente desenvolvido para tal; por exemplo, 99% das vezes é um erro dizer que uma pessoa na infância, pré-adolescência e adolescência é madura. O que normalmente ocorre é um comportamento aceito e esperado pelos que estão a nossa volta e essa maneira de se comportar acaba sendo entendida como maturidade e não é.
b) Liberdade. Tem que se ser livre para tomar as decisões, assumir um comportamento, uma forma de viver, e, às vezes, mesmo sofrendo por isso sentirmos confiança que é o certo. Como dá para ver, não é fácil ser maduro. No início de nossa vida tudo é mais fácil, pois nossos pais nos dizem tudo o que temos que fazer. Gostemos ou não (normalmente não gostamos) nós os temos como autoridade, como pessoas que “sabem mais do que nós” e vamos fazendo. Um exemplo bobo seria a mãe mandar comer beterraba, pois engrossa o sangue, e a vida toda nós comemos mesmo não gostando, pois a mãe deve saber que isto é verdade.
Amadurecer é um processo longo em que vamos analisando as regras que inicialmente nos são impostas, vamos discernindo se são ou não coerentes e decidimos ou não assumi-las como nossas. Por exemplo, a beterraba. Um dia no cursinho, ou num site da Internet descobrimos que a beterraba, fora um monte de açúcar, não tem muita contribuição nutricional e essa história de “engrossar o sangue” não tem muito fundamento. Então, se não gostamos de beterraba, não comemos mais, pois não ajuda muito a saúde. Este é um caso em que tendo capacidade mental de avaliar uma regra, decidimos ir contra o nosso modelo (mãe) e livremente não comemos mais beterraba.
Outras coisas no amadurecimento passam por assumir como nossas as regras que aprendemos de nossos pais, professores, parentes etc., pois avaliamos e elas fazem sentido para nós. Amadurecer também não é ter respostas para todas as situações que aparecem em nossa vida, mas é saber como analisá-las e até ir buscar respostas fora de nós, com auxílio de terceiros. Quantas e quantas vezes, por força das circunstâncias de nossas vidas somos forçados a “um amadurecimento precoce”.
Por exemplo, os pais morrem, se separam, ou mesmo juntos deixam de ser, muito cedo, a referência nossa do certo e errado. Exemplo: meus pais brigavam muito quando eu era pré-adolescente e adolescente e pela minha forma de ser eu lutava internamente para não ser juiz da situação, ou pelo menos ser um juiz justo. E como em briga de casal, dificilmente um só tem culpa, essa referência para mim teve que ser assumida de outra forma. Tive que começar a ter minhas regras, que eu entendia como justas para poder conviver com aqueles conflitos sem deixar de amar um ou outro.
Não foi fácil e isso trouxe longas e duras conseqüências na minha vida. Por não estar 100% pronto para isto, fui assumindo algumas coisas como comportamento certo, mesmo sem ser, fui me envolvendo cada vez menos com os sentimentos meus e dos outros e por fim fui me tornando uma pessoa muito só, pois sempre tinha que resolver tudo por mim mesmo.
Eu nunca chorava, principalmente diante dos outros e quando chorava sozinho em meu quarto sentia um imenso vazio em mim. E hoje eu percebo o quanto isso me causou sofrimento e quando doeu e dói até hoje quando vejo que ainda erro com as pessoas por causa destas seqüelas de amadurecimento precoce.
Por exemplo, graças a tudo isso eu assumi uma regra boba que namoro não se voltava após desmanchar. Acabou, acabou.
Com isso eu namorei muita gente e nada ia muito longe, pois esta regra tinha como conseqüência não perdoar, não ceder, não ir até o outro para entender como se sentia. Fiz muita gente sofrer e eu mesmo sofri por assumir uma regra boba, sem noção, mas que eu pensava ser boa.
Até que um dia eu me defrontei com o maior dilema ao perceber que tinha acabado o namoro com alguém que meu coração dizia que era a pessoa que mais me fazia feliz.
Voltar ou não voltar?
Que regra idiota era aquela, que me tirava a liberdade, ao invés de garanti-la? Mas como ir contra “tudo aquilo que eu acreditava!” Foi uma luta. Ir contra uma regra para mim era uma violência, mas acabei por ouvir meu coração e perceber que minha felicidade estava em jogo. Decidi voltar.
E jamais me arrependi e sou feliz por isso. Mas ainda tenho um monte destas regras bobas me atrapalhando até hoje.
Então a pessoa madura tem que decidir tudo sozinha? NÂO.
A pessoa madura tem que ter resposta para tudo? NÂO.
A pessoa madura nunca pode errar? NÂO.
Nós temos a quem recorrer. Primeiro a Deus, que nos ama apaixonadamente a ponto de esquecer de Suas regras para provar seu Amor por nós. Depois, tem as pessoas que Ele certamente põe em nossas vidas para não nos deixar a sós. E por fim tem uma paz interior que só sentimos quando estamos no caminho certo.