Saí da missa contigo

Novembro 12, 2009

 

Logo que me afasto perco a consciência de tua presença em mim.

Deixo que o mundo sufoque esta realidade que insisto em não lembrar.

Até penso:

Mas por que Deus se daria ao trabalho de estar em mim, divinizando o meu ser com sua presença?

Que Deus é esse que vem até mim, caminha comigo, escuta meus pensamentos e divide meus sofrimentos?

Por que?

Por que se sujeitar a estar em quem nem sempre se lembra de sua presença?

Como posso deixar de sentir esse amor apaixonado que reside em mim, se faz carne na minha carne?

Mas eu sigo, ignorando o milagre que está em mim. Preso à minha pequenez, fazendo pouco do privilégio de poder chamar a Deus de Pai, de paizinho.

Mas silenciosamente Deus vai agindo em mim.

Ele cura minhas feridas, me dá força para o dia a dia e sem eu perceber inspira meu coração para as coisas Dele.

Só peço a Deus que não deixe de agir, mesmo eu sendo tão esquecido Dele em mim.


Para sempre sem você

Novembro 8, 2009

 

Como seria um para sempre sem você?

Sem mais olhar, sem mais sorrir,

Sem poder deixar para depois o perdão não dado,

Sem poder dizer o sentimento não  falado,

Uma distância,

Ausência de vida de um nós extinto.

Saudades,

Desejo de presença,

Satisfação impossível,

Sem voltar, só lembranças,

Só imagens que com o tempo se confundem com os sonhos,

E se tornam vagarosamente imagens sem alma,

Fotografias inertes na memória,

Tristeza.

Vem fica perto de mim,

Ainda há tempo.


poder ser?

Novembro 6, 2009

Pode ser que um dia você acorde desanimado e diga: Não existem mais pessoas boas, que mereçam nossa confiança e que valham à pena!

Pode ser que você se feche e deixe que a vida corra, sem grandes aspirações, para sua vida e para este mundo perdido.

Pode ser que você acabe por ser mais um nesse oceano de pessoas sem rumo certo.

Mas também pode ser que você perceba que mudar este mundo depende de você.

Que se a mudança começar dentro de você ela pode irradiar para muita gente que passa por este mundo e que você condenou sem nem tentar conhecer a fundo.

Pode ser que você tome consciência que, quem te fez não faria algo ruim, pelo contrário, Ele só faz coisas boas. E para provar isso Ele, pela morte e ressurreição de Jesus, nos permitiu chamá-lo de Pai, deu-nos a herança do céu, nos fez FILHOS DO REI.

Pode ser que você comece a ver toda a criação de Deus como algo bom e cada pessoa, começando por você, como uma obra boa de Deus.

E o mundo perdido pode se transformar num mundo carente em busca do conhecimento da fonte verdadeira do amor.

Pode ser que você perceba que se você colocar este Deus em tudo que você fizer, você se transformará num sinal de esperança para os outros no trabalho, na escola e na família.

Você será o evangelho de Jesus, você será a boa nova para os outros.

Pode ser que aquela pessoa que antes você condenava, precisava que você apontasse o caminho certo, não com sermões, não com discursos, mas com sua vida, simples, mas entregue a Deus.

Pode ser que você precise muita coragem para transformar sua maneira de ver o mundo. Pode ser que você tenha medo de assumir essa realidade tão nova e tão exigente para sua vida.

Pode ser que você não assuma sua vocação se contentando em ser mais um. Pode ser.

Mas eu creio, que mesmo poucos, talvez 10 ou 12, são capazes de transformar este mundo se assumirem, com alegria, essa missão: “Ide e pregai o Evangelho a toda a criatura. “ (com sua vida).


Te esperei

Novembro 4, 2009

 

Sem saber onde encontrar,

Sem conhecer tua existência,

Sem sentir tua presença,

Te esperei,

Procurar, procurei,

Cheguei até a entristecer,

Pois não via o momento chegar,

Para enfim te conhecer.

Te esperei,

Nas buscas, nas renúncias,

Nos desapontamentos, na solidão,

Te esperei,

Fui fiel sem ter você,

Te amei sem te encontrar,

Fui só teu no meu sonhar,

Que um dia eu te teria,

Te esperei,

Te conheci, Me apaixonei,

Com teus encantos, te desejei,

Mas mesmo assim te esperei,

Te descobri, me encantei,

Me decidi, te convidei,

Todos os sonhos eu te contei,

Mas te esperei,

Crescemos juntos na decisão,

O nosso sim foi para sempre,

Agora então te encontrei,

Fomos tudo, um para o outro,

Vontade, presença, paixão,

Doação total, de um sim possível,

de um esperar que vale a pena.


Construtivismo no amor

Outubro 30, 2009

Para mim é claro que um relacionamento que estaciona perde a força.

É preciso crescer. Não adianta o nível que atingiu, tem que crescer, tem que avançar.

É como se a força de um relacionamento estivesse na quantidade do crescimento e não no nível atingido. Para os engenheiros e matemáticos eu diria que é a inclinação da curva, ou seja, sua derivada, que mede a força de um relacionamento. Se estabilizar a inclinação fica em zero.

Mas nossa vida não segue a matemática e dificilmente podemos traçar uma reta para nossos relacionamentos. Principalmente uma reta com ângulo positivo sempre.

Mas apelando para Piaget, posso dizer que os desequilíbrios nos ajudam a atingir novos patamares de acomodação no relacionamento, construindo assim, algo que não perde a força.

Por exemplo, uma dificuldade financeira, após ser vencida acaba por fortalecer o relacionamento de um casal que lutou para superá-la. Uma boa briga, bem resolvida, leva a um novo nível de entendimento. Uma mudança de fase na vida pode ser motivo para elevar ainda mais o nível de um relacionamento.

Os filhos são um bom exemplo disso. Quando descobrimos que “estamos grávidos” há uma grande alegria de um amor que se expande para além de nós. Ao vê-los sentimos um orgulho comum pela criação de uma vida. A responsabilidade nos força a crescer.

O dia a dia da educação, na infância, tende a nos absorver, mas na adolescência temos que nos unir para vencer juntos os desafios nos impostos por eles. Nosso relacionamento tem que crescer para que eles passem por esta “fase de certificação” com segurança.

Mas chega a hora em que eles começam a “bater asas” e mais um desequilíbrio afeta o casal. Todo o tempo que antes era dos filhos volta a ser de um para o outro. Toda a energia focada para os filhos tem que ser dirigida para o relacionamento, para o que queremos individualmente e o que queremos como casal. É uma nova oportunidade para crescer.

Nosso relacionamento com Deus também é assim. A busca da santidade pregada por Jesus, nada mais é do que querer sempre crescer, na fé, no relacionamento com os irmãos, no amor a Deus.

E mesmo que, de vez em quando, caiamos (inclinação negativa), o perdão e a misericórdia de Deus por nós nos ajuda a retomar o crescimento e a força de nosso relacionamento com Ele.

Você já percebeu que quando superamos aqueles momentos de deserto, onde parece que nossa fé estacionou, nos sentimos mais fortes? Ou quando, num grande questionamento com Deus, por fim “escutamos” suas respostas isso nos aproxima Dele?

Manter nosso relacionamento crescendo exige vontade, renúncia e desprendimento. Você quer isto para você?

Deixo então uma pergunta: Isto vale para  a amizade?


Liberdade

Outubro 19, 2009

 

Dom de amor,

Consequência difícil de um amor verdadeiro,

Deixar o outro livre,

Como é difícil!

Amar ao ponto de deixar o outro livre para não me amar.

Exigência maior de quem ama.

E quanto mais próximo está quem amamos mais difícil é esta exigência.

Liberdade,

Despojamento do querer, do gostar em favor do outro.

Liberdade,

Apontar caminhos sem forçar o trajeto,

Meta quase sobre humana,

O nosso eu exerce uma força gravitacional quase invencível por nossos esforços próprios,

Mas tem que ser vencida,

Ultrapassada,

Para que o outro experimente o universo do amor

E, se quiser, também nos ame.


Entendendo o perdão de Deus

Setembro 23, 2009

Como é difícil nos perdoarmos!  Como somos juízes rigorosos quando o réu somos nós. Mas Deus não age segundo nossos critérios e por isso supera infinitamente nossa pequenez de julgamentos.

 Primeiro devemos entender que santidade não é um estado final, mas a busca de uma meta. Ser santo é estar sempre lutando e ter a coragem de levantar quando caímos. Quantos de nós não desiste de lutar porque se julga condenado por seus erros?

Não!

Deus perdoa e zera a conta de nossos pecados.

É preciso reconhecer-nos pecadores, é preciso sentir dor pelo erro, confessá-los e não querer repeti-los, mas depois disso é preciso tocar a vida, pois Deus perdoa, Deus cura, Deus limpa nossa alma. Temos que parar de nos achar lixo humano! Deus não faz lixo!

Deus te criou um ser maravilhoso, Ele quis que você existisse, Ele te deu uma filiação e portanto como filhos amados de Deus não temos o direito de nos acharmos lixo. Esse Deus que te criou por amor e te ama apaixonadamente te quer olhando para cima, confiante e seguro de que nós sempre teremos o acolhimento Dele quando precisarmos de colo.

Este Deus que se fez homem, conheceu nossas limitações e deu a vida para nossa salvação sabe das nossas fraquezas, conhece nosso coração e nos quer, assim mesmo, ao seu lado. Não espere estar perfeito para olhar para Deus, pois isso não acontecerá! Olhe agora,

Ele quer você ao seu lado. Creia no amor e na misericórdia de Deus em sua vida e esqueça o que o mundo e o inimigo de Deus, o diabo, quer que você acredite.

Você é filho do Rei! Viva como herdeiro do céu, pois nós todos o somos.


Amor Líquido

Setembro 10, 2009

Zygmunt Bauman

Jorge Zahar Editora

 Este é mais um livro do sociólogo Polonês que é um severo crítico da nossa sociedade moderna. Seu livro mais famoso, “Modernidade Líquida” coloca para o leitor como, em nosso tempo, somos levados a viver por impulsos, comprar por impulsos e, por fim, nos relacionar por impulso e como essa cultura afeta toda a humanidade de forma que todas as nossas relações sejam tênues e fáceis de se desfazer, não importa se é nossa relação de trabalho, nossa relação familiar ou nossa forma de consumo. Tudo gira em tornar o mais rapidamente possível as coisas obsoletas para partirmos para uma “nova experiência de satisfação” (ou o seu dinheiro de volta).

 

É bom lembrar que o autor não é cristão e um leitor desprevenido pode achá-lo um tanto pessimista (o que o próprio autor comenta em Modernidade Líquida), mas para nós que cremos em Deus e nos ensinamentos da Igreja, percebemos que para cada constatação que o autor apresenta, há uma alternativa viável apresentada pelo próprio Jesus nos Evangelhos ou pela Igreja nos seus ensinamentos (Leia a Enciclica Papal – Caritas in Veritates).

 

O livro é introduzido da seguinte forma:

 

O principal herói deste livro é o relacionamento humano. Seus personagens centrais são homens e mulheres, nossos contemporâneos, desesperados por terem sido abandonados aos seus próprios sentidos e sentimentos facilmente descartáveis, ansiando pela segurança do convívio e pela mão amiga com que possam contar num momento de aflição, desesperados por “relacionar-se”. E, no entanto desconfiados da condição de “estar ligado”, em particular de estar ligado “permanentemente”, para não dizer eternamente, pois temem que tal condição possa trazer encargos e tensões que eles não se consideram aptos nem dispostos a suportar, e que podem limitar severamente a liberdade de que necessitam para—sim, seu palpite está certo— relacionar-se…

 

Mais adiante o autor aponta o que a nossa tão “moderna” liberdade sexual significa e quais são suas causas e conseqüências reais. É importante notar a constante ironia com que o autor faz suas afirmações.

 

    Afinal, a definição romântica do amor como “até que a morte nos separe” está decididamente fora de moda, tendo deixado para trás seu tempo de vida útil em função da radical alteração das estruturas de parentesco às quais costumava servir e de onde extraia seu vigor e sua valorização. Mas o desaparecimento dessa noção significa, inevitavelmente, a facilitação dos testes pelos quais uma experiência deve passar para ser chamada de “amor”. Em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padrões do amor, esses padrões foram baixados. Como resultado, o conjunto de experiências às quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito. Noites avulsas de sexo são referidas pelo codinome de “fazer amor”.

 

Quem ama sempre está buscando segurança, mas paradoxalmente o amor sempre envolve uma incerteza enorme que é a liberdade do outro, amar requer ter consciência desta aparente contradição.

 

No Banquete de Platão, a profetisa Diotima de Mantinéia ressaltou para Sócrates, com a sincera aprovação deste, que:  ”o amor não se dirige ao belo, como você pensa; dirige-se à geração e ao nascimento no belo”. Amar é querer “gerar e procriar”, e assim o amante “busca e se ocupa em encontrar a coisa bela na qual possa gerar”.

 

Em outras palavras, não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas. O amor é afim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo.

 

Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro. É isso que faz o amor parecer um capricho do destino—aquele futuro estranho e misterioso, impossível de ser descrito antecipadamente, que deve ser realizado ou protelado, acelerado ou interrompido. Amar significa abrir-se ao destino, a mais sublime de todas as condições humanas, em que o medo se funde ao regozijo num amálgama irreversível. Abrir-se ao destino significa, em última instância, admitir a liberdade no ser: aquela liberdade que se incorpora no Outro, o companheiro no amor. “A satisfação no amor individual não pode ser atingida … sem a humildade, a coragem, a fé e a disciplina verdadeiras” afirma Ulrich Fromm —apenas para acrescentar adiante, com tristeza, que em “uma cultura na qual são raras essas qualidades, atingir a capacidade de amar será sempre, necessariamente, uma rara conquista” I

 

Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.

 

 Quando se trata de amor, posse, poder, fusão e desencanto são os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.

 

 

Tal qual nosso conceito cristão de amor, dom de si, o autor coloca o desejo em oposição ao amor, pois o desejo, quando satisfeito é automaticamente destruído, ao contrário do amor que constrói.

 

Em sua essência, o desejo é um impulso de destruição. E, embora de forma oblíqua, de autodestruição: o desejo é contaminado, desde o seu nascimento, pela vontade de morrer. Esse é, porém, seu segredo mais bem guardado — sobretudo de si mesmo.

 

O amor, por outro lado, é a vontade de cuidar, e de preservar o objeto cuidado. Um impulso centrífugo, ao contrário do centrípeto desejo. Um impulso de expandir-se, ir além, alcançar o que “está lá fora” Ingerir, absorver e assimilar o sujeito no objeto, e não vice-versa, como no caso do desejo. Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo o traço vivo do eu que ama. No amor, o eu é, pedaço por pedaço, transplantado para o mundo. O eu que ama se expande doando-se ao objeto amado.

 

Se o desejo quer consumir, o amor quer possuir. Enquanto a realização do desejo coincide com a aniquilação de seu objeto, o amor cresce com a aquisição deste e se realiza na sua durabilidade. Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua.

 

Em sua versão ortodoxa, o desejo precisa ser cultivado e preparado, o que envolve cuidados demorados, a árdua barganha com conseqüências inevitáveis, algumas escolhas difíceis e concessões dolorosas. Mas, pior que tudo, impõe que se retarde a satisfação, sem dúvida o sacrifício mais detestado em nosso mundo de velocidade e aceleração. Em sua reencarnação radical, aguçada e sobretudo compacta como impulso, o desejo perdeu a maior parte de tais atributos protelatórios, enquanto focalizava mais de perto o seu alvo. Tal como nos comerciais que anunciavam o surgimento dos cartões de crédito, agora não precisamos esperar para satisfazer nossos desejos.

 

Citando a descrição de um artigo, o autor fala de um encontro casual e puramente sexual iniciado em uma sala de espera num consultório qualquer.

 

Guiada pelo impulso (“seus olhos se cruzam na sala lotada”), a parceria segue o padrão do shopping e não exige mais que as habilidades de um consumidor médio, moderadamente experiente. Tal como outros bens de consumo, ela deve ser consumida instantaneamente (não requer maiores treinamentos nem uma preparação prolongada) e usada uma só vez, “sem preconceito” É, antes de mais nada, eminentemente descartável.

 

 

Mais adiante o autor fala que no amor, a afinidade é algo que se escolhe, em contraposição com o parentesco em que não temos opção de escolha. Ninguém escolhe seu pai, mãe, irmãos, etc. mas a afinidade é algo eletivo que precisa ser cultivado, nunca é algo totalmente concluído.

 

 

A afinidade nasce da escolha, e nunca se corta esse cordão umbilical. A menos que a escolha seja reafirmada diariamente e novas ações continuem a ser empreendidas para confirmá-la, a afinidade vai definhando, murchando e se deteriorando até se desintegrar. A intenção de manter a afinidade viva e saudável prevê uma luta diária e não promete sossego à vigilância. Para nós, os habitantes deste líquido mundo moderno que detesta tudo o que e sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço, tal perspectiva pode ser mais do que aquilo que estamos dispostos a exigir numa barganha. Estabelecer um vínculo de afinidade proclama a intenção de tornar esse vínculo semelhante ao parentesco—mas também a presteza em pagar o preço pelo avatar na moeda corrente da labuta diária e enfadonha. Quando não há disposição (ou, dado o treinamento oferecido e recebido, solvência de ativos), fica-se inclinado a pensar duas vezes antes de agir para concretizar a intenção.

 

Assim, viver juntos (“e vamos esperar para ver como isso funciona e aonde vai nos levar”) ganha o atrativo de que carecem os laços de afinidade. Suas intenções são modestas, não se prestam juramentos, e as declarações, quando feitas, são destituídas de solenidade, sem fios que prendam nem mãos atadas. Com muita frequência, não há congregação diante da qual se deva apresentar um testemunho nem um todo-poderoso para, lá do alto, consagrar a união. Você pede menos, aceita menos, e assim a hipoteca a resgatar fica menor e o prazo de resgate, menos desestimulante. O futuro parentesco, quer desejado ou temido, não tarifa a sua longa sombra sobre o “viver juntos’: “Viver juntos” é por causa de, não a fim de. Todas as opções mantêm-se abertas, não se permite que sejam limitadas por atos passados.

 

 

Quando o autor discute sobre a família e filhos, este coloca como a nossa cultura liquida e instável tem influenciado seu entendimento, sua formação e por que não dizer sua instabilidade.

 

Com a nova fragilidade das estruturas familiares, com a expectativa de vida de muitas famílias sendo mais curta do que a de seus membros, com a participação em determinada linhagem familiar tornando-se rapidamente um dos elementos “indetermináveis” da líquida era moderna e com a adesão a uma das diversas redes de parentesco disponíveis transformando-se, para um crescente número de indivíduos, numa questão de escolha—e uma escolha, até segunda ordem, revogável—, um filho pode ser ainda “uma ponte” para algo mais duradouro. Mas a margem a que essa ponte conduz está coberta por uma neblina que ninguém espera que venha a se dissipar, e portanto é improvável que provoque muita emoção, menos ainda que alimente o desejo inspirador da ação. Se uma súbita rajada de vento viesse a afastar a neblina, ninguém sabe ao certo que tipo de margem iria se revelar, nem se da névoa emergeria uma terra suficientemente firme para sustentar um lar permanente. Pontes que levam a lugar nenhum, ou a nenhum lugar em particular: quem precisa delas? Para quê? Quem perderia seu tempo e seu bom dinheiro para planejá-las e construí-las?

 

“Formar uma família é como pular de cabeça em águas inexploradas e de profundidade insondável. Cancelar ou adiar outras sedutoras alegrias consumistas de uma atração ainda não experimentada, desconhecida e imprevisível” — em si mesmo um sacrifício assustador que se choca fortemente com os hábitos do consumidor prudente.

 

 

Voltando a falar da vida sexual atual há a total comparação com o mundo de consumo atual…

 

A vida consumista favorece a reveza e a velocidade. E também a novidade e a variedade que elas promovem e facilitam. E a rotatividade, não o volume de compras, que mede o sucesso na vida do homo consumens.

 

Em geral, a capacidade de utilização de um bem sobrevive à sua utilidade para o consumidor. Mas, usada repetidamente, a mercadoria adquirida impede a busca por variedade, e a cada uso a aparência de novidade vai se desvanecendo e se apagando. Pobres daqueles que, em razão da escassez de recursos, são condenados a continuar usando bens que não mais contêm a promessa de sensações novas e inéditas. Pobres daqueles que, pela mesma razão, permanecem presos a um único bem em vez de danar entre um sortimento amplo e aparentemente inesgotável. Tais pessoas são os excluídos na sociedade de consumo, os consumidores talhos, os inadequados e os incompetentes, os fracassados—famintos definhando em meio à opulência do banquete consumiste.

 

Aqueles que não precisam se agarrar aos bens por muito tempo, e decerto não por tempo suficiente para permitir que o tédio se instale, são os bem-sucedidos. Na sociedade dos consumidores, o prestidigitador é a figura de sucesso. Não fosse isto um anátema para os fornecedores de bens de consumo, os consumidores fiéis ao seu caráter e destino desenvolveriam o hábito de alugar coisas em vez de comprá-las. Diferentemente dos vendedores de mercadorias, as empresas de locação prometem, de modo tentador, substituir com regularidade os bens alugados por modelos de último tipo. Os vendedores, para não ficarem para trás, prometem devolver o dinheiro se o cliente não estiver plenamente satisfeito e se (na esperança de que a satisfação não se evapore tão rápido) os bens adquiridos forem devolvidos dentro de, digamos, dez dias.

 

A “purificação” do sexo permite que a prática sexual seja adaptada a esses avançados padrões de compra/locação. O “sexo puro” é construído tendo-se em vista uma espécie de garantia de reembolso—e os parceiros do “encontro puramente sexual” podem se sentir seguros, conscientes de que a inexistência de “restrições” compensa a perturbadora fragilidade de seu engajamento.

 

Graças a um inteligente estratagema publicitário, o significado vernáculo de “sexo seguro” foi recentemente reduzido ao uso de preservativos. O slogan não seria o sucesso comercial que é se não atingisse um ponto sensível de milhões de pessoas que desejam que suas explorações sexuais sejam garantidas contra consequências indesejáveis (já que incontroláveis). Afinal, é estratégia geral nas promoções apresentar o produto em oferta como a solução procurada para problemas que ou já vinham assombrando seus prováveis clientes ou acabaram de ser inventados para se adequarem ao potencial do produto.

 

Para nós que temos um caminho seguro e alternativo à forma que o mundo vive o amor, encontrar ressonância num pensador tão influente deve soar como um incentivo para que nós procuremos viver e propagar que só o amor que vem de Deus pode dar respostas completas a todas estas indagações e constatações. E pode ser sólido e durável.

 


Como saber se “bons” relacionamentos estão em crise?

Setembro 16, 2008

 

 

Muita gente, hoje em dia, afirma que tem um bom relacionamento, mas parece que há uma constante crise entre os dois. E uma das grandes percepções destes casais é que há um descompasso entre o que um entende como seria o relacionamento ideal e o que o outro pensa do mesmo assunto. Para uns há a sensação de estar “mais apaixonado” que o outro; para outros estar juntos significa brigar, brigar e brigar e por fim alguns se acostumaram com o ficar com o outro, sem na verdade estar totalmente envolvido com a pessoa do outro.

 

Eu proponho aqui não uma solução, mas uma reflexão sobre como avaliar a situação respondendo quatro perguntas:

 

  1. Como eu me vejo hoje?

 

Num relacionamento, o bem mais precioso que eu tenho para entregar à pessoa amada, o que se iguala em dignidade ao outro, sou eu mesmo. O amor é um dom de si ao outro. Se eu tenho uma imagem negativa de mim mesmo, o que eu me proponho a dar ao outro, lixo?

 

As pessoas que não se valorizam, tem sempre uma enorme dificuldade nos seus relacionamentos, pois se sentem sempre “devedoras” do outro, desequilibrando a relação, que para dar certo tem que ser equilibrada. É preciso rever profundamente o que pensamos de nós mesmos, que valor nos damos e que talentos nós temos para dar.

 

Uma pequena auto-estima pode resultar em “suportar” qualquer coisas do outro sem expor seus sentimentos, suas necessidades e seus sonhos, havendo não uma renúncia por amor, mas uma anulação de si mesmo, tornando a relação viciada e não ajudando o outro a ser melhor.

 

Outra conseqüência de uma baixa auto-estima é um ciúme exagerado, onde qualquer um é uma ameaça, pois todos são melhores que a pessoa que não se valoriza e potencialmente pode lhe  “roubar” a pessoa amada.

 

Vencer nossa auto-imagem negativa, nossas inseguranças e principalmente nossos traumas não é uma tarefa fácil, mas é muito necessária se queremos ter relacionamentos equilibrados e preparados para dar certo.

 

 2.    Quanto eu estou disposto a lutar contra meus defeitos por amor do outro?

 

“Eu sou assim e pronto!”

 

Esta é uma frase que serviria muito bem para ser o epitáfio (1 Inscrição num túmulo. 2 Breve elogio a um morto.) de um relacionamento, pois lutar com nossas imperfeições é um dever para toda a nossa vida se queremos ter um relacionamento duradouro.

 

Se engana quem pensa que durante toda a nossa vida não vamos magoar o outro, não vamos ferir seus sentimentos, não vamos irritá-lo com nossa maneira de ser. É impossível ser a pessoa ideal todos os dias. Nossa vida é dinâmica, nossos defeitos também e lutar contra eles é uma tarefa sem fim. O relacionamento nos coloca diante de nossos defeitos porque o outro reage diante deles e vemos o quanto precisamos  “domá-los” para evitarmos ferir o outro, magoá-lo e fazê-lo sofrer.

 

Quais são os nossos defeitos de estimação?

 

Todos nós temos características de temperamento como ser mais extrovertido ou mais introvertido, ser mais organizado ou desorganizado, mais atento aos detalhes ou muito pouco atendo às coisas pequenas. Como eu luto com estas características para ser melhor para o outro?

 

Cuidado com a idéia de que não se pode se anular para atender às necessidades do outro, isso é parcialmente verdade como dissemos na primeira pergunta, mas vencer nossas imperfeições e trabalhar nossas virtudes é um dever individual que afeta todas as áreas de nossas vidas.

 

3.     Quanto eu estou disposto a aceitar os defeitos do outro por amor ao outro?

 

Um padre me disse que nosso amor será perfeito quando começarmos a amar os defeitos da pessoa amada. Com certeza é um objetivo alto, mas em nossos relacionamentos, estamos dispostos a relevar os pequenos defeitos do outro?

A velha frase de que quando casar se muda a pessoa do jeito que quisermos é uma enorme bobagem em termos de relacionamento. Temos que querer estar com o outro como ele é, aceitando suas qualidades e seus defeitos.

 

Mas não podemos ajudá-lo a melhorar?

 

Sim, é claro, mas não podemos usar este argumento como arma de intolerância. É preciso discernir e muitas vezes renunciar.

 

Imagine um casal onde um é ultra organizado e gosta de tudo nos mínimos detalhes e o outro é absolutamente bagunceiro. Durante o namoro é uma maravilha, pois achamos até engraçado a diferença, mas quando temos que conviver com esta diferença 24 horas por dia isto pode se tornar uma bola de neve se não estivermos dispostos a entender e aceitar o outro como ele é e não só como desejaríamos que ele fosse.

 

Se estamos sempre reclamando das características do outro é um mau sinal. Ou somos intolerantes ou estamos com a pessoa errada. Qual é o seu caso?

 

4.  Como eu imagino que o outro responderia às perguntas anteriores?

 

Esta não é uma pergunta para questionar o outro sobre suas respostas, mas para que cada um avalie se, com as diferenças que imaginamos nas respostas do outro, vale a pena lutar pelo relacionamento ou temos que fazer um bem para os dois partindo para outra (para namorados e noivos).

 

Como se pode ver, este é um texto de avaliação pessoal, não do outro, e assim deve ser o nosso amor, pensarmos em sermos melhores para o outro, a nossa parte é problema do outro. Se conseguirmos pensar assim, estamos no caminho certo do que é viver o amor.


O sonho acabou?

Agosto 3, 2008

 

Eu gosto muito de pensar em sonhar como uma mola que nos impulsiona para frente. Sonhar como querer realizar coisas que ainda não realizamos, sonhar em atingir metas que ainda não atingimos, conquistar pessoas que ainda não conquistamos. Mesmo os sonhos impossíveis, para quem crê em Deus, valem a pena serem sonhados.

 

Talvez seja mais preciso falar em esperança em vez de sonho, pois quem tem esperança, sonha com alguma coisa e a esperança cristã nos aponta para Deus, fim último de toda a nossa existência. Fomos criados para sermos amados por Deus e esse amor nos acolhe, nos atrai, nos envolve e a eternidade é a realização plena desse amar de Deus em nós.

 

Mas minha esperança, meus sonhos nascem e crescem aqui na Terra, hoje. Enquanto passo por este tempo na Terra, Deus me chama a sonhar com Ele um mundo onde todos possam ser acolhidos igualmente por Seu amor. Sim, nós somos chamados, concretamente pelo Batismo, a sonhar com Deus uma eternidade repleta de sua criação.

 

Quem entende o sonho de Deus para si, para cada um de nós, entende o chamado a começar amar, aqui na Terra, cada um que está ao seu alcance, cada um que podemos chamar de próximo.

 

Também gosto de pensar em um estado dessa esperança nas pessoas como juventude ou velhice, estado não associado à idade cronológica da pessoa, mas sim a uma condição interior. Torna-se velho quem enterrou seus sonhos, ou por não tê-los atingido, ou por tê-los esgotado; velho é quem deixou de compartilhar a juventude eterna de Deus no Seu sonho para toda a humanidade. Velho é quem perde a perspectiva da eternidade e coloca suas esperanças unicamente aqui na sua passagem curta por esta vida. E essa velhice é uma característica de nossos tempos. Corremos como loucos porque toda nossa esperança se resume em nossa realização pessoal e nossa vida aqui na terra; nos apegamos à essa vida temporal como nunca, pois nossos sonhos estão limitados, passam rápido e temos sempre a sensação de termos perdido alguma coisa a cada dia que passa. Como estamos cheios de vellhos!

 

Eu prefiro amar! Sonhar todos os sonhos, mesmo os mais impossíveis. Eu prefiro entrar na onda de Deus, que ainda sonha em salvar a todos nós. Eu prefiro pensar que cada dia que passa na minha vida eu posso aprender um pouco mais para ser um operário melhor para a realização desse sonho de Deus. Eu prefiro imaginar uma eternidade ao lado de quem eu amei, do que alguns anos gozando desta vida num vazio sem esperança, numa velhice da alma.

 

Com certeza, dentro de mim, uma voz responde forte: O sonho não acabou.