O que eles e elas deveriam saber

Novembro 18, 2009

Todo homem busca na mulher o encontro com sua própria feminilidade, e toda a mulher busca no homem um encontro com sua própria masculinidade, já dizia Jung. Isto não tem nada a ver com homossexualismo ou coisa parecida, mas sim que o homem tem um lado de sensibilidade, de carinho etc. e a mulher de decisão, de objetividade, etc..

Quando um homem busca sua parceira ele quer ver nela esta sensibilidade, carinho entre outros atributos femininos (que podem e devem existir também no homem em equilíbrio).

Quando a mulher busca seu parceiro ela quer ver nele esta decisão, objetividade entre outros atributos masculinos (que podem e devem existir também na mulher em equilíbrio).

Só que hoje, com toda a nossa cultura ocidental houve uma grande confusão no que é ser homem e o que é ser mulher. Os homens são indecisos, não conhecem seu papel e as mulheres assumiram o papel de decisão, objetividade, etc.

Por exemplo, uma mulher que toma a iniciativa no lugar do homem ao conhecê-lo, a mulher que fala de sexo de maneira maliciosa, tipicamente masculina,  a mulher que fala de encher a cara, como os homens fazem para mostrar sua masculinidade, obviamente vai causar uma grande rejeição em qualquer homem que porventura conheça, pois ele verá, inconscientemente, um concorrente para sua masculinidade. Isto sem falar em sucesso profissional e financeiro, que são bons, mas se usados como um troféu feminino assusta os homens.

O homem que não tem iniciativa de tentar um contato com a mulher,  por quem se interessa, que nas horas em que é preciso objetividade se perde em mil respeitos humanos e dúvidas,  que sempre compreende tudo, mesmo quando tem que se posicionar em contrário,  que não tem coragem de assumir sua vida, não será eco para a busca de masculinidade por uma mulher.

A sociologia e a psicologia podem nos ajudar a entender e até a reverter esta confusão,  mas a Bíblia  é sábia neste aspecto. E quando São Paulo pede aos homens que eles sejam a cabeça do lar, ou que a mulher se submeta ao marido como a Igreja se submete a Cristo, não há nada contra o homem, muito menos à mulher, pois na sequência São Paulo fala aos homens para amarem suas esposas como Cristo amou sua Igreja, ou seja, dando a vida por ela.

Eu acredito, e os homens não se chateiem, que as mulheres são muito mais fortes que o homem, mas em nossa natureza masculina e feminina há uma “farsa” do conquistador e da conquistada que tem que funcionar. Qualquer inversão de papeis causa desequilíbrio em ambos.

Pense bem e veja que tipo de impressão as pessoas tem de você ao conhecê-lo ou conhecê-la?


Durango Kid

Dezembro 16, 2007

Assim eram chamados os caras que não tinham dinheiro no meu tempo de menino. Hoje, chamados assim ou não, infelizmente cada vez mais temos “Durangos” por aí e com muitas conseqüências para as famílias. E este é o tema que vamos falar nesta breve conversa com você leitor.            

Uma das áreas de conflito em muitos relacionamentos é a área financeira, tanto na fartura como na “dureza” o dinheiro tem colocado muitos casais à prova em sua vida em comum. 

Na fartura: Quando o “mar está para peixes” não é difícil que os excessos de “necessidades” ,de ter , vão minando a vontade, vão fazendo com que os valores sejam substituídos por prazeres, vão endurecendo o coração ,vão cegando a visão para o outro, e mesmo sem nos dar conta, vamos tomando os “ídolos” por deuses e nossa vida passa ser governada por eles.

“Acabei de mudar, mas meu sonho dourado é um apartamento com uma piscina por andar como o da minha amiga Silvinha de Alcântara Bueno e Silva.”;

“Este Audi é ótimo, mas não é tudo o que eu pensei. Logo terei que trocá-lo.”;

“Nossa , você viu a geladeira que estão entregando na casa da Cida ! Eu tenho inveja dela, mas eu vou ter uma igualzinha, tão logo eu termine a prestação do forno de microondas que estou pagando.” 

Eu preciso… Eu tenho que… Eu vou… Eu estou começando a destruir meu relacionamento, pois o nós ficou para trás. Muitas vezes mesmo na fartura os excessos de um começa a incomodar o outro por exemplo: “O Sérgio tem uma mania de gastar fortunas com aparelhos eletrônicos que nem tem onde guardar !” ;

“Minha mulher gasta muito com roupas, bolsas e jóias, dizendo que não dá para repetir o guarda-roupas todas as semanas nas reuniões com as amigas. “O que elas iriam pensar de mim!”; ela diz. Mas para evitar briga o marido deixa para lá como se estivesse jogando a sujeira para baixo do tapete. Só que estes incômodos vão pingando, pingando e acabam por minar o relacionamento do casal. Um dia, numa discussão qualquer, tudo é despejado de uma vez acabando por ser uma avalanche de incompreensões mútuas. 

Outro perigo é a divisão do “meu dinheiro” e do “seu dinheiro”; “do meu salário” com o “seu salário”. É um caminho curto para o começo do fim de sonhos em comum que uniram um dia o casal. Eu tiro as minhas férias com o meu dinheiro, você tira as suas férias com o seu dinheiro. Eu vou ao teatro com minhas amigas, pois eu não dependo dele para sair. E ele vai “jantar” com a secretária com o seu dinheiro pois não depende dela para dormir ! E…    

Na média:             Quando eu falo na média, quero dizer que o dinheiro não falta mas não se têm para tudo isto que se quer. E se as aparências começam a dominar nossas vidas, viveremos como se sem nossa armadura de carros, roupas e aparências não seremos nada.  Conheço um sujeito, em meu prédio, que passou cinco anos sem pagar o condomínio , mas não passou um ano sequer sem trocar os dois carros pelo menos uma vez. E só ele dirige em casa ! Sua esposa, quase se escondia para não encarar os vizinhos, já que a lista dos inadimplentes estava fixada no quadro de avisos do prédio. “Lá vai a mulher do caloteiro !” – todos diziam. Como será que é o relacionamento deles? Ou ela também é muito cara-de-pau ou ,como parecia pelo seu olhar furtivo, doía para ela a atitude do marido. 

Ganhamos X. Gastamos 2X. Vivemos mal. Ganhamos X. Gastamos X-y. Apertamos mas somos felizes. Nós os “na média” , temos mais facilidades de sofrer os sobe e desce na conta bancária e se não estivermos juntos, dialogando sobre o que é ser feliz com o que se tem, muita coisa pode ir mal. 

Na dureza:             O pior momento da nossa vida é aquele em que perdemos parte ou todo o nosso conforto da vida farta ou média que tínhamos até então. Pelos padrões do mundo que nos rodeia, somos vítimas e somos ao mesmo tempo perdedores. A autoconfiança vai a zero, o entendimento fica difícil e se não houver uma base sólida, muitos lares vão por água a baixo. É na dureza que é difícil renunciar o eu, para que o você tenha, ou eles quando há os filhos. É na dureza que os caminhos mais curtos e fáceis aparecem a toda hora como soluções rápidas, mas desastrosas para a família. A separação é um destes caminhos mas  não vale como solução. Agiotas são piores ainda . Mas o amor e a compreensão do outro são a chave para a sobrevivência dos dois.            

Qual o marido ou pai que não sofre ao não poder dar o que mulher e filhos merecem? Qual o homem que não se sente derrotado por não conseguir prover o necessário em casa? Qual a mulher que não se sente impotente por não poder ajudar o marido? E é nesta hora que a coisa pesa. 

No sempre:             Primeiro, tenham sempre em mente que há um Deus que abençoa as famílias e não quer ver ninguém sofrer neste mundo. Orem juntos. Insistam com Ele. Peçam e peçam e peçam. Pai é para estas coisas. Confiem em Suas promessas . Entreguem suas dificuldades e peçam discernimento para encarar a dificuldade com sabedoria.             Procurem como casal se planejar para os tempo difíceis. Não adianta um levar todo o peso e o outro manter a vida como se nada estivesse acontecendo. Sentem juntos. Arrisquem entrar neste assunto antes das crises. Coloquem seus sentimentos a respeito das finanças do casal. Proponham caminhos. Incentivem um ao outro. Não deixem que as dificuldades os afastem. Sejam carinhosos; pacientes; compassivos, mansos. Estejam sempre dispostos a se perdoar e tudo será melhor, mesmo na dificuldade.


Harmonia do Casal

Dezembro 16, 2007

            Na música quando pensamos em harmonia isto significa juntar notas diferentes, tocá-las em seqüências e cadências tais que, como um todo, agradem aos ouvintes, tornem a música mais bela e dêem um colorido especial à sua execução. Na vida do casal harmonia é a mesma coisa, duas pessoas que se juntam para tornar melhor suas vidas e a de quem está a sua volta.

Inspiração

             Como ocorre na música, onde não basta juntar notas quaisquer para se formar um acorde, na vida conjugal não são duas pessoas quaisquer que podem formar um casal feliz. É preciso escolher certo, é preciso pensar que tom queremos dar à nossa vida, é preciso ter um só tema no coração dos dois, para então desenvolvermos toda a vida, senão seremos mais um casal desafinado neste mundo. Educação de filhos, trabalho, religião, prioridades na vida são assuntos que darão o tema após o casamento, não podemos deixar para improvisar depois, pois correremos o grande risco de não nos acertarmos e aí já será tarde. É bom lembrar que mesmo os maiores jazistas ensaiam suas músicas sobre um tema principal e nas apresentações fazem suas variações e improvisações. 

Composição

             Nenhum músico acorda com toda uma nova música pronta na cabeça. Normalmente existe um tema, a inspiração, e depois se desenvolvem todas as partes da música com trabalho, transpiração e como dissemos até com improvisações. Mas o músico jamais se esquece do tema principal, voltando a ele de tempos em tempos, harmonizando o momento atual com a inspiração inicial. Nós casais temos vários momentos em nossas vidas, alguns exigem grandes improvisações, mas jamais devemos esquecer da inspiração inicial, da paixão, do carinho, dos sonhos dos primeiros tempos, das razões para estarmos juntos até agora, do tempo de vida que compartilhamos tudo com o outro. Por isso é bom pararmos e olharmos para trás para vermos se não saímos do tom sem perceber e por isso não conseguimos mais voltar ao tema inicial. 

Aperfeiçoamento

             No começo de casados, normalmente somos como os acordes em tons maiores. Levamos a vida de forma simples e tudo nos soa de forma alegre. Conforme passam os anos nosso relacionamentos se aprofundam e passamos a conhecer melhor um ao outro, cada qual com suas virtudes e seus defeitos. E logo percebemos que se mantivermos a vida com os mesmos acordes ela pode ficar chata e perder a graça. Temos que nos aperfeiçoar e buscar um aprofundamento para dar mais cor à vida. Este aprofundamento passa pelo aprendizado de novos acordes, mais trabalhosos, as vezes difíceis de tocar, e quem sabe entremos em crise e pensemos até em desistir. Mas quando finalmente vencemos a dificuldade, descobrimos como vale a pena o esforço. O domínio do temperamento ( Leia Que temperamento ! ) ,o controle da língua, o perdão, o respeito, a disposição de fazer o outro feliz são acordes difíceis de tocar, mas como podemos dar vida a uma música a dois com eles ! 

Os acordes

             Só que os acordes não podem ser feitos só com duas notas. São precisas outras notas para dar o tom certo à música. E na vida do casal, quem são as outras notas senão os filhos? Aqui eu digo àqueles que não querem ter filhos: acordes só com duas notas cansam logo. É como o “Bife”, aquela música que tocamos no piano com dois dedos apenas; quando aprendemos nos orgulhamos muito por tocá-la, mas com o passar do tempo ninguém mais suporta ouvi-la.  Todo acorde tem umas notas principais que dão o tom e as outras notas dão a cor. Os filhos dão esta cor à vida do casal. As vezes, uma doença, um caminho errado, um mal passo podem dar um tom menor e triste às nossas vidas, mas como bons músicos devemos lembrar que há grandes obras, mesmo baseadas em tons menores. O que importa é o todo, é a forma como colocamos os tons menores sobre o tema principal.  

O solo

             Outro ponto importante a ser lembrado aos casais é que na vida a dois não há lugar para um solista. Sempre que um só é o solista o conjunto não funciona. Às vezes, por dificuldades da vida tomamos conta da música, assumimos a melodia, mas sempre devemos escutar o outro. Dar espaço para que isto aconteça. Trazê-lo à frente, quando for necessário, e modificar os solos para belos duetos. O que quero dizer, é que não há quem sempre esteja com a razão num casal. Sempre deve haver um diálogo entre os dois, e ambos devem contribuir para a sua harmonia. Escute o outro, procure encontrar a motivação que o levou àquelas notas tristes ou explosivas, veja se não foi você que as provocou, mesmo que tenham sido  sem querer. Todas as nossas ações afetam o outro de forma positiva ou negativa. Independente das nossas razões, é comum uma atitude boa, não gerar sentimentos bons no outro e daí para um desentendimento falta pouco. Mais uma vez, escutem o outro. Coloquem-se no lugar dele ou dela. Deixem o orgulho de estar com a razão de fora. Peça perdão mesmo se a intenção não foi ferir. Busque o outro com amor. Vocês sempre terão a ganhar com isto. 

 O Maestro

             Por fim, digo aos casais que seguem compondo sua músicas com suas vidas a dois: Nós temos total liberdade sobre elas; nós é que as compomos dia após dia , mas acima de nós há um Maestro, que nos quer bem, que conhece mais do que ninguém a nossa música e que sempre está disposto a nos ajudar nos momentos difíceis, basta pedirmos. Este Maestro é o nosso Deus, um arranjador perfeito, o músico dos músicos. Orem e peçam a Ele uma ajuda e suas vidas terão certamente um “gran filnale”.


Pedestal

Dezembro 16, 2007

Conversando com um casal conhecido, ouvi da esposa que ela havia colocado o esposo em um pedestal, o que vinha prejudicando o relacionamento de ambos, pois isto a fazia sentir-se constantemente abaixo dele e sem possibilidades de alcança-lo.

Isto me fez pensar na palavra desequilíbrio e como devemos enfrentar tais desequilíbrios para crescer e não para pararmos ou andarmos para trás em nosso relacionamento de casal.

             Acho que a imagem do pedestal é bastante comum em nossas experiências, sob duas formas distintas: Primeiro, aquele que se julga inferior coloca o outro num pedestal e não se permite alcançá-lo, este desequilíbrio para um casal é prejudicial pois a relação toma forma de hierarquia, um superior e outro inferior e o amor tem que ser prioritariamente nivelador, esposo e esposa tem que estar caminhando juntos, tem que estar de mãos dadas.

Este tipo de desequilíbrio num casal pode gerar sentimentos de culpa a cada pequeno desentendimento , por exemplo: Quando uma coisa não está em ordem em casa e o esposo comenta, isto imediatamente pode gerar insegurança na esposa que se sente incapaz de atender os requisitos mínimos para o seu “modelo de esposo” .

Outro exemplo, o esposo que não se sente a altura da esposa e não consegue a promoção no emprego ou mesmo perde o emprego. Para ele, mais do que isto possa significar para si mesmo, o significado de não ser capaz de prover o necessário para o seu “modelo de esposa” é o pior dos sentimentos, isto o retrai, o faz sentir-se culpado e mais longe ainda da esposa.

Uma segunda forma de uso do pedestal, e talvez a mais perversa, é quando o esposo ou a esposa se colocam no pedestal  afastando a possibilidade do outro alcança-lo. Egoísmo, soberba e egocentrismo são as bases de muitos destes pedestais. Vocês já viram o esposo que sabe de tudo? Aquele que diante dos outros gosta de diminuir a esposa mostrando suas habilidades em detrimento das habilidades da esposa?

“Eu cuido do orçamento familiar e ela cuida da cozinha e das crianças…” ,

“Em casa eu nem uso os termos que normalmente utilizo para não humilhar minha esposa caso ela não os entenda.”.

Também há o caso das esposas que se colocaram no seu pedestal e “se sujeitam” a ter um esposo abaixo delas.

“Ele é muito bom, mesmo não tendo tido a oportunidade de educação que eu tive.” ,

“Não ligue, ele é muito inseguro diante dos outros.” ,

“Eu sempre tenho que dar um empurrãozinho, senão ele não vai pra frente .” ,

“José Otávio, não é ‘seje’ e sim seja que se diz. Eu vivo corrigindo e ele nunca aprende.”.

E por aí vai.

Em ambos os casos acima o dia a dia tende a ser cada vez mais difícil, pois as pequenas coisas vão se acumulando até que um dia todo o relacionamento desaba e ambos ficam se perguntando: ” O que será que houve? “            

E como vencer isto ? Primeiro passo: Vou citar uma pequena história para ilustrar o que fazer no primeiro passo:

Um marido ao chegar em casa, ainda na porta de entrada grita “Oi amor, cheguei. Estou morrendo de fome. O que teremos para o jantar?”.

Como não ouviu resposta alguma pensou consigo mesmo: “Ela nem deve ter me ouvido da cozinha.” .

Ao chegar no meio do caminho, após deixar a sua pasta na sala, novamente gritou, “Oi amor, cheguei. Estou morrendo de fome. O que teremos para jantar? “.

Novamente, como não ouviu resposta pensou: “Ela já está ficando meio surda!” .

Finalmente ao entrar na cozinha e reforçando o volume da voz repetiu: “Oi amor, cheguei. Estou morrendo de fome. O que teremos para o jantar ?” .

E a esposa voltando-se para o marido responde: “Pela terceira vez, frango !” 

Este é o primeiro passo: olhar para si mesmo antes de pensar nos defeitos do outro. Tentar tirar o próprio pedestal é importantíssimo para um relacionamento. Por que os defeitos dele ou dela me incomodam tanto?

O que está errado em mim mesmo que não posso admitir ?

Por que me sinto tão inferior diante dos outros  que sinto compulsão por humilhá-lo ou humilha-la ?

O que aconteceria se eu me despisse de todos os falsos valores de “nome de família”, “diplomas” , “cultura” , “roupas caras” , “os melhores restaurantes”, “disponibilidade total para todos” , “perfeccionismo nos afazeres”  etc., etc. , etc. ?

 Sobraria algo em mim que dou valor ?

Ainda assim eu gostaria de mim mesmo(a) ?

Será que Deus ainda olharia para mim se eu estivesse totalmente despido de todos estes recursos que utilizo e estivesse diante dEle só com meu passado e meu presente?

Com certeza, Deus nos ama pelo que somos e não pelo que fazemos ou pelo que temos. Para Ele estamos sempre transparentes, com nossas qualidades e defeitos sem podermos esconder nem sequer um ‘A’ que falamos ou fazemos . E Ele nos ama infinitamente assim mesmo. Ele não se importa com nossas limitações, com nosso passado, com a quantidade de quedas que temos. Ele nos quer de pé, confiantes que Ele nos fez assim, nos conhece por inteiro e nos ama. E este amor, reconhecido e experimentado deve ser a fonte de qualquer amor aqui na terra, especialmente o amor conjugal. 

O segundo passo é buscar o outro. Traze-lo para cima com amor. Se for preciso descer até ele para o erguer como um novo homem ou uma nova mulher. Novamente falo do amor de Deus por nós. Ele, sabendo da nossa condição de pecadores, por amor , veio até nós, descendo à condição do pior dos homens, sendo humilhado, injustiçado e ferido de morte para nos salvar. Jesus, o único que mereceria um pedestal devido ao seu poder infinito, nos ensinou que devemos descer para que o outro cresça.

E isto é possível no relacionamento do casal. Como?

Incentive seu esposo ou sua esposa. Aprenda a elogiar as coisas boas que ele ou ela fazem. Deixe que ele ou ela tentem fazer aquilo que só você faz. Mesmo que errem, valorizem a tentativa e não o resultado.

Busquem dentro de si o que o fez se apaixonar por ele ou por ela e deixem que saibam disto. Revigorem o amor dos primeiros tempos e descubram juntos quantas riquezas existem em cada um de vocês e que não podem ficar escondidas dentro de um coração entristecido.

O terceiro passo é a luta. Não desistam, nem um dia sequer, de lutar por estarem sempre juntos, no mesmo nível. Dialoguem sempre, não deixem para amanhã os sentimentos ruins que passaram hoje. Limpem qualquer lixo do relacionamento o mais breve possível. Não o deixem acumular, porque depois é muito mais difícil eliminá-lo. As pequenas coisas do dia a dia é que estão por trás das separações e dos grandes erros. Não diminuam sua importância com respeitos humanos.

Por exemplo: “Hoje me senti humilhado quando ela corrigiu meu português diante de todos os meus amigos, mas deixa para lá.”,

“Ele bem que podia não ter falado que o peixe que sua mãe fazia era melhor que o meu, bem diante dos nossos compadres, mas ele é assim mesmo…” .

E um dia, quem sabe, uma colega de emprego que é tão compreensiva , tão carinhosa, tão estimulante  põe a perder a felicidade de toda uma família. Ou mesmo um colega de trabalho , ou de academia que só faz elogios e a valoriza como a muito tempo não acontecia, acaba por destruir o relacionamento dos dois. Lutem, para que isso não aconteça com vocês ! Briguem, discutam, coloquem para fora os seus sentimentos e se amem intensamente. No relacionamento do casal , cada dia é uma batalha a ser vencida e vencida juntos. Não se acomodem ! O amor jamais se acomoda, o amor tem que crescer.            

E por fim, sigam o modelo do amor verdadeiro, Jesus. Aprendam a perdoar sempre.


Santo remédio

Dezembro 16, 2007

Eram quatro e meia da tarde e João não via a hora de terminar o expediente.

O clima na empresa não andava nada bom e ele já não sentia vontade de permanecer nem um segundo a mais naquele ambiente. O salário era insuficiente, o chefe não o valorizava como deveria e o mercado não estava receptivo para alguém da sua idade.

 

Tinha que agüentar, pelo menos até o sinal do fim do expediente tocar, aí estaria livre até o próximo dia. Como era meio calado, João chegava em casa e pouco comentava sobre as tensões do emprego e procurava esquecer do seu dia assistindo TV, lendo uma revista, ou ouvindo uma música que só ele ouvia.

             Dona Solange, a esposa de João, sabia que algo não ia bem, mas por respeito deixava o barco correr da forma que ela pensava ser a melhor para todos. Cumpria suas obrigações na casa e respeitava as atitudes de João em silêncio. O café estava sempre pronto de manhã e o jantar sempre quente quando ele chegava. Ela também exigia o respeito dos filhos quando ele assumia o comando do controle remoto da TV, mesmo quando ele mudava de canal no meio do desenho dos Simpsons, o mais assistido pelos dois filhos, aliás uma filha de 14 e um filho de 16 anos.  

-“Seu pai está cansado, deixem ele assistir o que quiser.” – dizia ela aos filhos que invariavelmente reclamavam do monopólio do poder na casa.

Por falar em filhos, eles até que eram muito bons, nada de extraordinário, mas pelo menos não davam trabalho. Bem, o rapaz andava saindo muito a noite e voltava meio tarde, o que preocupava Solange ,principalmente durante a semana, pois acordá-lo no dia seguinte era uma tortura.

Ela desconfiava que o monopólio do marido na TV que tinha o sinal da TV a cabo acabava incentivando as saídas do filho, mas parecia um mal necessário.

A menina, ou melhor, a mocinha de uns tempos para cá andava isolada em casa. O iPod funcionava dia e noite e a sua distração com tudo: lição, arrumação do quarto, ajuda na casa, vinha chegando a níveis insuportáveis para Solange.

-“Um dia ,quando o João melhorar um pouco, eu vou falar com ele sobre esta menina, pois do jeito que vai, ela vai me deixar louca, ainda por cima anda meio desbocada usando uns termos com o irmão que nem os meninos da minha época usavam!” – Pensava Solange consigo mesma.

Um dia a noite, justo quando foi reprisado o primeiro episódio do desenho que os meninos mais gostavam, o pai queria ver o jornal. Todos estavam à mesa do jantar e a TV ligada quando o pai pediu o controle remoto. O menino gritou quase que instintivamente:

-“Não, não muda hoje, é um capítulo especial ! Este foi o primeiro, feito a dez anos!” – O que não adiantou nada, pois antes do apelo terminar o jornal já estava diante deles imperativo e solene. 

-“Eu não vou mais jantar !” – Gritou o rapaz ameaçando levantar, enquanto a sua irmã ia colocando o fone nos ouvidos e ligando o seu iPod.  

-“Parem com isso os dois já! Eu já não agüento mais esse jeito de vocês. Um, não para mais em casa. Eu nem sei onde anda todas as noites e a outra, com essa droga ligada dia e noite no ouvido que não adianta falar nada que você não ouve.” – Gritou Solange. 

-“Fiquem calados que eu quero ouvir o jornal.” Falou João sem tirar os olhos da TV.  

CORTA ! PAREM A CENA ! 

Você já viu cena parecida com esta? Não com você, lógico, mas conhece gente que é assim mesmo. Certo?

Bom, então como João e Solange poderiam sair desta? Eu tenho a impressão que se tudo continuar como está, melhor não fica, ao contrário parece que tudo vai piorar.

Vamos falar com a Solange. Ah, se as mulheres soubessem  que poder elas tem sobre a saúde da vida familiar… 

-“Solange, Solange, vem cá um pouquinho.”

-“Quem é você?”

-“Não importa. Eu só quero ajudar você e sua família. Aceita?”

-“Bom, se for para ajudar tudo bem, mas como eu não te conheço, o senhor fica aí na entrada da casa sem entrar. Tá bom?”

-“Está ótimo.”

-“Eu sei que as coisas não andam bem nesta casa. Não é verdade?”

-“Nem vem com este papo que eu amo muito o João, meu marido.”

-“Não pense mal de mim, eu sei disso e por isso acho que está na hora de você arriscar um diálogo com ele.”

-“Que diálogo? Eu faço tudo direitinho, cuido das crianças, arrumo a casa e, de vez em quando, cumpro meu papel de mulher. O senhor sabe né?”

-“Sei sim.”

-“Mas o João é que anda meio esquisito. Anda meio desligado do mundo e até de nós. Mas coitado, o clima no emprego dele anda muito tenso e eu procuro proteger o João das preocupações da casa.”

-“Você acha que ficando calada ajuda o João a suportar o que ele vem passando?”

-“Acho que sim. Bem, não sei não, parece que não tá fazendo efeito.”

-“Isto mesmo, não está fazendo efeito e pode até piorar tudo.”

-“Como assim?”

-“Bom a isto chamamos respeito humano. Você deixa de falar algo que deveria e ao invés de ajudar acaba piorando as coisas.”

-“Mas como é que eu vou começar a falar de um assunto desses?“

-“É preciso achar um momento propício para puxar o assunto. Vocês tem muitos momentos a sós?”

-“Muito poucos. A não ser quando eu estou no banho e ele faz a barba. Lá até que nós trocamos algumas palavras antes de começar o dia.”

-“Ótimo. É um bom lugar para começar.”

-“Mas se formos conversar no banheiro vamos nos atrasar!”

-“Que tal a noite, após o jornal na TV , um banho de fim de dia?”

-“Boa idéia , as vezes nós até tomamos banho juntos.”

-“E por falar neste assunto, a quanto tempo não fazem isso?”

-“O senhor não acha que já está indo longe demais? 

-“Desculpe.”

-“Tá bom, faz muito tempo, sei lá quanto.”

-“O homem precisa ser fisgado, para depois se abrir. Use esta tática. Seja carinhosa. Até ousada. Faça-o sentir-se desejado. Demonstre que ele tem valor para você.”

-“Boa idéia. E aí o que é que eu faço? “

-“Bom, depende até onde for o banho. Espere o depois para iniciar um diálogo franco com ele. Diga o quanto você anda preocupada. Diga que confia nele e mesmo que a situação não melhore logo, você o apoiará no que ele decidir.

Demonstre que ele tem valor. Os homens tendem a se sentir muito desvalorizados quando sua capacidade profissional não é vista pelos outros. Eles são criados para serem provedores e reprodutores , quando isto não vai bem eles são derrubados.”

-“Ai credo! Que história é esta de reprodutores? “

-“Isto é forma de falar, mas a profissão e a masculinidade são duas coisas que afetam terrivelmente o autovalor do homem. Não esqueça disto! Se você, por “respeito” ao seu marido que anda meio desligado, acaba por deixar que a vida sexual do casal esfrie, você estará contribuindo para que as coisas piorem muito, ao contrário se você utilizar isto como estímulo para ele, poderá ajudá-lo e muito.”

-“É mesmo? Eu nem pensei nisto, mas faz sentido. E depois?”

-“Bom o diálogo deve ir desde a sua compreensão do problema dele até o modo como você se sente com os problemas da casa, que não são só seus e que você tem levado sozinha.”

-“Isto o senhor tem razão. Eu tenho dois filhos que andam me dando trabalho. Coisa que nunca me deram antes.”

-“Eu sei como é, mas não se preocupe, pois se vocês dois se acertarem eles voltam ao normal. “

-“Sabe que eles vem piorando junto com o João. Parece que eles é que estão mal no emprego.”

-“Não é isto. É que o relacionamento dos pais afeta em muito os filhos, e em qualquer idade que eles estiverem.”

-“Tá bom. Vamos supor que tudo dê certo nós conversamos, eu falo da casa das crianças, ele fala do emprego, das dificuldades, da falta de grana , e daí?”

-“Daí que vem o principal.”

-“E o que é? A sua conta pelo conselho? “

-“Não é nada disso. Orem juntos. Somente uma vida de oração, como casal pode sustentar um lar em dificuldades, seja com o emprego, seja com os filhos ou mesmo no relacionamento dos dois. Orem sempre, nunca parem. Não tampem o canal de graças que Deus abriu no céu no dia do seu matrimônio.”

-  “Aí complicou. Eu até concordo com o senhor, mas isso faz mais tempo ainda que eu não faço.”

- “Pois bem, como eu não vou cobrar pelo conselho, termino por aqui o que tenho a dizer para a senhora. Experimente e verá os frutos nas suas vidas. Até logo.”

- “Puxa moço, obrigado. Eu vou tentar, afinal não tenho muita coisa a perder mesmo.”

-          “Tchau.”

-“Tchau, foi um prazer. Como é o nome do senhor mesmo? Já foi.”