Assim eram chamados os caras que não tinham dinheiro no meu tempo de menino. Hoje, chamados assim ou não, infelizmente cada vez mais temos “Durangos” por aí e com muitas conseqüências para as famílias. E este é o tema que vamos falar nesta breve conversa com você leitor.
Uma das áreas de conflito em muitos relacionamentos é a área financeira, tanto na fartura como na “dureza” o dinheiro tem colocado muitos casais à prova em sua vida em comum.
Na fartura: Quando o “mar está para peixes” não é difícil que os excessos de “necessidades” ,de ter , vão minando a vontade, vão fazendo com que os valores sejam substituídos por prazeres, vão endurecendo o coração ,vão cegando a visão para o outro, e mesmo sem nos dar conta, vamos tomando os “ídolos” por deuses e nossa vida passa ser governada por eles.
“Acabei de mudar, mas meu sonho dourado é um apartamento com uma piscina por andar como o da minha amiga Silvinha de Alcântara Bueno e Silva.”;
“Este Audi é ótimo, mas não é tudo o que eu pensei. Logo terei que trocá-lo.”;
“Nossa , você viu a geladeira que estão entregando na casa da Cida ! Eu tenho inveja dela, mas eu vou ter uma igualzinha, tão logo eu termine a prestação do forno de microondas que estou pagando.”
Eu preciso… Eu tenho que… Eu vou… Eu estou começando a destruir meu relacionamento, pois o nós ficou para trás. Muitas vezes mesmo na fartura os excessos de um começa a incomodar o outro por exemplo: “O Sérgio tem uma mania de gastar fortunas com aparelhos eletrônicos que nem tem onde guardar !” ;
“Minha mulher gasta muito com roupas, bolsas e jóias, dizendo que não dá para repetir o guarda-roupas todas as semanas nas reuniões com as amigas. “O que elas iriam pensar de mim!”; ela diz. Mas para evitar briga o marido deixa para lá como se estivesse jogando a sujeira para baixo do tapete. Só que estes incômodos vão pingando, pingando e acabam por minar o relacionamento do casal. Um dia, numa discussão qualquer, tudo é despejado de uma vez acabando por ser uma avalanche de incompreensões mútuas.
Outro perigo é a divisão do “meu dinheiro” e do “seu dinheiro”; “do meu salário” com o “seu salário”. É um caminho curto para o começo do fim de sonhos em comum que uniram um dia o casal. Eu tiro as minhas férias com o meu dinheiro, você tira as suas férias com o seu dinheiro. Eu vou ao teatro com minhas amigas, pois eu não dependo dele para sair. E ele vai “jantar” com a secretária com o seu dinheiro pois não depende dela para dormir ! E…
Na média: Quando eu falo na média, quero dizer que o dinheiro não falta mas não se têm para tudo isto que se quer. E se as aparências começam a dominar nossas vidas, viveremos como se sem nossa armadura de carros, roupas e aparências não seremos nada. Conheço um sujeito, em meu prédio, que passou cinco anos sem pagar o condomínio , mas não passou um ano sequer sem trocar os dois carros pelo menos uma vez. E só ele dirige em casa ! Sua esposa, quase se escondia para não encarar os vizinhos, já que a lista dos inadimplentes estava fixada no quadro de avisos do prédio. “Lá vai a mulher do caloteiro !” – todos diziam. Como será que é o relacionamento deles? Ou ela também é muito cara-de-pau ou ,como parecia pelo seu olhar furtivo, doía para ela a atitude do marido.
Ganhamos X. Gastamos 2X. Vivemos mal. Ganhamos X. Gastamos X-y. Apertamos mas somos felizes. Nós os “na média” , temos mais facilidades de sofrer os sobe e desce na conta bancária e se não estivermos juntos, dialogando sobre o que é ser feliz com o que se tem, muita coisa pode ir mal.
Na dureza: O pior momento da nossa vida é aquele em que perdemos parte ou todo o nosso conforto da vida farta ou média que tínhamos até então. Pelos padrões do mundo que nos rodeia, somos vítimas e somos ao mesmo tempo perdedores. A autoconfiança vai a zero, o entendimento fica difícil e se não houver uma base sólida, muitos lares vão por água a baixo. É na dureza que é difícil renunciar o eu, para que o você tenha, ou eles quando há os filhos. É na dureza que os caminhos mais curtos e fáceis aparecem a toda hora como soluções rápidas, mas desastrosas para a família. A separação é um destes caminhos mas não vale como solução. Agiotas são piores ainda . Mas o amor e a compreensão do outro são a chave para a sobrevivência dos dois.
Qual o marido ou pai que não sofre ao não poder dar o que mulher e filhos merecem? Qual o homem que não se sente derrotado por não conseguir prover o necessário em casa? Qual a mulher que não se sente impotente por não poder ajudar o marido? E é nesta hora que a coisa pesa.
No sempre: Primeiro, tenham sempre em mente que há um Deus que abençoa as famílias e não quer ver ninguém sofrer neste mundo. Orem juntos. Insistam com Ele. Peçam e peçam e peçam. Pai é para estas coisas. Confiem em Suas promessas . Entreguem suas dificuldades e peçam discernimento para encarar a dificuldade com sabedoria. Procurem como casal se planejar para os tempo difíceis. Não adianta um levar todo o peso e o outro manter a vida como se nada estivesse acontecendo. Sentem juntos. Arrisquem entrar neste assunto antes das crises. Coloquem seus sentimentos a respeito das finanças do casal. Proponham caminhos. Incentivem um ao outro. Não deixem que as dificuldades os afastem. Sejam carinhosos; pacientes; compassivos, mansos. Estejam sempre dispostos a se perdoar e tudo será melhor, mesmo na dificuldade.
Escrito por armandoporto
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