Caritas in Veritates

Agosto 18, 2009

Em sua nova encíclica “Caritas in Veritates” o Papa Bento XVI orienta toda a humanidade quanto a uma nova e possível ordem social, política e econômica à luz do Amor na Verdade provenientes da boa nova do Evangelho.

Em sua introdução o Papa diz:

“A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. O amor — « caritas » — é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz. É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta.”

E é na família que devemos cultivar primeiro esta noção de Amor na Verdade. Na família que o desenvolvimento de cada pessoa se inicia, onde os valores devem ser ensinados e vividos e onde deve iniciar a transformação de nosso mundo de forma real e duradoura.

Mais adiante na encíclica o Papa comenta:

“Depois, é preciso ter em grande consideração o bem comum. Amar alguém é querer o seu bem e trabalhar eficazmente pelo mesmo. Ao lado do bem individual, existe um bem ligado à vida social das pessoas: o bem comum. É o bem daquele « nós-todos », formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social… Ama-se tanto mais eficazmente o próximo, quanto mais se trabalha em prol de um bem comum que dê resposta também às suas necessidades reais.”

A humanidade toda depende de como buscamos este bem-comum em nossas famílias e fora delas, de como vivemos a abertura à vida, de como vivemos o perdão, de quanto resistimos ao egoísmo e ao hedonismo tão difundidos em nossa sociedade atual.

Na busca egoísta de prazer, muitos casais não sustentam suas relações matrimoniais destruindo assim esse bem comum, criando uma geração de pessoas que não são amadas nem aprendem a amar, vitimando principalmente os filhos.

A família tem um papel fundamental e insubstituível em qualquer transformação de nossa sociedade atual. Ensinar a respeitar as diferenças, a perdoar as ofensas recebidas, a ceder quando for preciso e a doar-se pelo outro é função da família e o alimento inesgotável do amor, do perdão, da liberdade é Deus.

abraços
Armando e Heloisa
(Publcado no Informativo São Bento 08/2009 Mês da Familia)


Arrisque-se

Janeiro 1, 2008

 Fim de ano e após o Natal eu e a Helô não pudemos viajar e acabamos por ficar em casa só com nosso filho, já que as três meninas foram para a praia.  

Se São Paulo fica uma maravilha com tanta gente fora, minha casa ficou melhor ainda, já que três a menos dá a impressão de estarmos em um mosteiro além de nosso filho sair bastante com a namorada vestibulanda, razão pela qual ele não viajou. Isto inspirou-nos a assistir a missa, a caminhar, rezar o terço, ler a Bíblia, escutar umas palestras que compramos em CD, além de alguns passeios que fizemos sempre juntos (eu e a Helô).

Foram momentos de grande encontro como casal e com Deus. 

Passamos a virada do ano com uns amigos, numa missa do movimento da Aliança da Misericórdia, por sinal uma grande missa, na profundidade e alegria e com certeza na duração, já que chegamos às 23:00 hs e saímos quase às 3:00 hs.

E como não ceiamos na virada, convidamos meu filho e a namorada para almoçarem conosco no dia seguinte. 

No dia primeiro, já na hora do almoço lembramos de perguntar ao meu filho, que ainda dormia, se ia buscar a namorada em casa e ele respondeu que sim, o que significava mais uma hora e pouco de espera para quem nem tinha jantado no dia anterior! 

Finalmente comemos e após o almoço assistimos uns filmes até que e eu e a Helô resolvemos rezar o terço. Já ia me levantando para irmos ao nosso quarto quando a Helô resolveu arriscar-se e convidá-los a rezar o terço conosco e qual não foi minha surpresa ao aceitarem imediatamente o convite.  

Rezamos os quatro juntos e eu senti uma grande alegria por aquele momento. E não parei de pensar no respeito humano que me impediu de arriscar o convite de rezar o terço com meu filho e sua namorada. 

Será que não temos muito respeito humano, como eu tive, que nos impede de avançar na vivência de nossa fé em família e com nossos amigos, namoradas etc. ? 

Pais, vocês rezam com seus filhos? Dão graças a Deus nas refeições?

Filhos, vocês rezam com suas namoradas, namorados? Entregam a Deus seu relacionamento? Seus problemas? Suas dúvidas?

Colegas e amigos vocês já falaram de Deus com quem convive com você a tanto tempo? 

Não tenhamos este respeito humano que nos impede tantas vezes de fazer a diferença na vida das pessoas, ou elas fazerem nas nossas, como ocorreu comigo naquele dia.       


A melhor sogra do mundo

Dezembro 16, 2007

Se você pensou que este texto é para você pensar na sua sogra , em parte você se enganou . Este texto é para você mãe e pai , sogra e sogro que querem o melhor para seus filhos , noras e genros.

 Meu pai era Procurador do Estado e muitas vezes eu o acompanhei em plantões na área de família , nos quais as pessoas que não tinham recursos financeiros procuravam o Estado para resolver os problemas de separação. A maior parte das entrevistas preliminares eram feitas com a presença da esposa e sua mãe , mas sem a presença do marido. Após alguns minutos de conversa , principalmente se a narrativa dos fatos fosse feita pela mãe e não pela esposa, meu pai intervinha perguntando se a mãe morava com o casal. Em caso de resposta afirmativa ele encerrava a entrevista com um conselho simples: – “Primeiro a senhora se separe de sua mãe , viva um tempo só com seu marido , e se precisar volte aqui.” 

Esta pequena história parece simplista mas em muitos casos o conselho foi eficaz . O senhor e a senhora que estão lendo este texto agora devem estar pensando : “O que mais vem por aí ? ”  

 Iniciarei a resposta com uma pergunta: Quando nós devemos deixar de ser pais ou mães de nossos filhos?  

E a resposta é obvia: Nunca!

Mas a relação pais e filhos se altera de acordo com a fase da vida de cada um . Os filhos pequenos , logo que nascem , tem uma relação de absoluta dependência dos pais , principalmente da mãe. Até os sete anos , mais ou menos , a mão direciona os filhos para fazerem isto e não fazerem aquilo , ilustrando que esta atitude é boa e a outra é ruim.

A partir dos sete anos a criança começa a ter maturidade para compreender nossas justificativas para a forma como queremos que elas se comportem. Começa a haver uma possibilidade de diálogo que vai crescendo até a adolescência .

Na adolescência o jovem testa aquilo que foi passado pelos pais durante sua vida , primeiro confrontando a teoria com a própria vida dos pais , depois querendo mais argumentos para justificar a conduta e até as vezes procurando o caminho contrario para ver se este caminho é tão mal assim ou para ver se os pais ainda o controla. Mal sabem eles que a esta altura , os seus destinos dependem muito mais deles mesmos do que dos pais; que só podem sinalizar o quão perto ou quão longe seus filhos estão do caminho certo. 

Bom, chegando a vida adulta nossos filhos já terão suas personalidades formadas , seus valores testados e comprovados suas vidas totalmente em suas mãos.

É aí que nós pais , as vezes , nos perdemos . Não nos preparamos para a entrega de nossos filhos a eles mesmos , para cuidarem de suas vidas , menos ainda para a entrega a outros ; genros e noras. Precisamos nos preparar para isto. É a nossa vez de crescermos e não a dos nossos filhos. E se não o fizermos prejudicaremos a vida deles. 

A Palavra de Deus diz:  “ Por isso o homem deixe seu pai e sua mãe para se unir a sua mulher, e já não são mais que uma só carne.” Gen 2,24 

Será que nós pensamos que Deus exagerou ao inspirar estas palavras? Ou que ele falou isto só porque seu filho Jesus não casou? Amar é dar liberdade ao outro . É correr o risco de não ser correspondido .É a entrega total. Este é o amor que Jesus  quer de nós. Criar um filho e entregá-lo para a felicidade dos outros. Este foi o exemplo que a mãe Maria nos deixou ao entregar o seu filho para a nossa felicidade. 

Por isso mães e pais , dêem um presente de amor a seus filhos: entreguem a vida deles cada dia em oração e o próprio Deus cuidará de suas necessidades muito melhor que nós podemos fazer.


A responsabilidade do piloto

Dezembro 16, 2007

Era um sábado a noite e eu e minha família estávamos em uma missa quando o sacerdote iniciou uma de suas costumeiras historinhas durante a homilia (sermão) :

 “Era um vôo comum, destes que vão de São Paulo a Curitiba, os passageiros se acomodaram na aeronave e a decolagem foi autorizada. Tão logo o avião estava no ar uma leve turbulência teve início, tanto que o sinal de apertar o cintos nem se apagou após a decolagem. Com uns 15 minutos de vôo a turbulência aumentou e definitivamente jogava o avião para cima e para baixo como se fosse um aviãozinho de papel.  As pessoas estavam nervosas, uns rezavam , outros sentiam enjôos, uns se calavam e transpiravam bastante. Passageiros vizinhos de poltronas davam-se as mãos, os comissários de bordo permaneciam sentados em suas poltronas enquanto uma criança brincava despreocupadamente em seu lugar.  

Incomodado com a tranquilidade do menino um senhor vira para ele e pergunta

– Você não fica nervoso com tanto pulo que o avião está dando?

E o menino, interrompendo sua brincadeira por um instante olhou para aquele senhor e respondeu

– Não, pois meu pai é o piloto!” 

Terminada esta história o sacerdote interrogou a nós pais: Quem de vocês pais aqui presentes acham que seus filhos tem esta confiança com você na condução de sua família? E após um silêncio e uma breve explicação continuou a missa. 

E aquilo ficou martelando minha cabeça e eu fiquei pensando na resposta que eu daria à indagação do sacerdote. 

Será que eu estou conduzindo minha família com uma boa pilotagem?  

Será que eu me esforço só por botar dinheiro em casa me excluindo de outras rotinas da família? 

Será que eu tenho sido modelo de virtudes para meus filhos?

Tenho me doado à minha esposa e aos filhos quando estou em casa?

Zelo pela educação dos filhos, ajudando-os nas dificuldades e cobrando seu empenho?

Estou preocupado em mostrar minha fé aos meus filhos?

Rezo antes das refeições dando graças pelo alimento em minha mesa?

 Abençôo meus filhos antes de dormir?

Sei perdoar e pedir perdão à minha esposa e aos meus filhos quando erro?

 Mostro para eles que confio no perdão de Deus me confessando regularmente?

 Transmito para eles meu respeito pela santa missa e pela Eucaristia?

 Tenho me esforçado por dar aos meus filhos o que eles mais precisam de mim que é o amor pela minha esposa, sua mãe?

 Tenho deixado o trabalho na hora certa para estar disponível à família o mais rápido possível?

 Cada uma destas questões dão margem à uma longa reflexão. Eu e todos os pais temos que estar cientes dessa nossa missão de pilotos e mais do que a nossa própria família toda a Igreja depende destes bons pilotos para a sua caminhada neste mundo. Nada mais urgente, hoje em dia do que santas famílias.

Jesus disse – “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai o agricultor. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós.” Jo 15 Nossas famílias tem que estar ligadas à Jesus, tem que estar unidas para frutificar, tem que crescer em santidade para transformar este mundo em um mundo melhor.Matrimônios duradouros, verdadeiro amor entre os esposos e os filhos, unidade de coração são os sinais de que o mundo precisa.


Carinho sinal de amor

Dezembro 16, 2007

O contato físico sempre teve um significado de demonstração de amor , veneração ou respeito . Qualquer um que observa a natureza percebe como o contato físico entre os animais tem vital importância na comunicação entre o grupo , no aprendizado dos filhotes e também na corte para o acasalamento.

 Muitas vezes não nos damos conta de como isto também é importante para nós e como o carinho pode nos ajudar em todos os momentos de nossas vidas.  Uma de nossas necessidades básicas é a de sermos amados , ou seja , precisamos nos sentir queridos pelos outros e o carinho manifestado pelo contato físico é uma forma eficaz de comunicação desse  amor que necessitamos. 

O Carinho na Infância

 Durante a gestação a mulher tem com a criança um contato único e poderoso para transmissão de amor e aceitação. Mas só o fato da criança estar no ventre materno não significa que a comunicação entre mãe e filho já esteja completa . São muito importantes os momentos de comunicação entre a mãe e a criança ou entre o pai e a criança com  palavras de carinho dirigidas para o filho no ventre materno .

Frases do tipo “Você é muito amado ,meu filho , e estamos muito felizes por sua vinda. “ ,vão deixando na criança as lembranças da aceitação durante a gravidez e estas lembranças que ficam no inconsciente da criança contribuem para o seu desenvolvimento  equilibrado.  

Após o nascimento , ter a criança nos braços , dizer o seu nome e mesmo beijá-la no rosto são contatos essenciais para a identificação da criança com a mãe e com o pai . Isto me faz lembrar o medo que muitos pais tem de carregar seus filhos recém nascidos por receio de não saber a maneira correta de segurar a criança ou mesmo pela falsa impressão que se pode “quebrar” um recém nascido ao carregá-lo. Vencer este medo é importante para não desperdiçar uma importante oportunidade de demonstrar carinho pelo seu filho desde seus primeiros momentos de vida.  Você já teve vontade de beijar o pezinho do seu filho , ou aperta-lo como um ursinho de pelúcia sentindo sua face encostada na dele ? Pois faça . Seu filho certamente reagirá positivamente a este carinho.

Não há nada ridículo em demonstrar amor , não importa qual a fase de nossas vidas. Com o desenvolvimento da criança dois momentos são muito especiais para que ela perceba que é amada, o primeiro é o beijo e o abraço ao se despedir e ao ser recebido pelo pai ou pela mãe antes e após a escola. Esta recepção demonstra que a escola não significa um afastamento nem uma perda de espaço em casa mas sim uma fase natural no desenvolvimento de toda criança. 

O segundo momento é a benção que o pai e a mãe devem dar para a criança antes de ir dormir. Este costume vem sendo esquecido e encarado como algo ultrapassado, mas além de ser uma prescrição bíblica vai ensinando a criança que nós pais somos o canal de Deus para ela e que existe um Deus acima do pai e da mãe e que Ele é que nos abençoa a todos. Como é bonito ouvir : “A benção pai.” “Deus te abençoe, meu filho.” 

O carinho na adolescência

 Durante o início da puberdade e na adolescência propriamente dita é muito comum que os jovens se afastem um pouco do carinho dos pais , ou por vergonha de parecerem crianças ou por que há muita malícia no mundo de hoje e isto acaba por confundir e inibir o jovem sobre o carinho saudável. Sobre a vergonha de perecerem infantis , basta que nós pais insistamos no contato com os filhos e filhas que mesmo já mocinhos merecem um beijo de encontro ou despedida e uma benção ao ir deitar. O jovem que não é acostumado a receber carinho terá dificuldades de transmiti-lo quando for necessário, aos seus filhos , ao seus esposo ou esposa e até mesmo a namorados e noivos. 

Sobre a malícia devemos nos deter um pouco mais… Quando a criança começa a entrar na puberdade o seu corpo começa a se transformar em um corpo de homem para os meninos e um corpo de mulher para as meninas . Devido a ação dos hormônios e do próprio desenvolvimento psicológico do jovem ,a sua interação com o mundo exterior muda. O jovem que via as meninas como inimigas até pouco tempo atrás, começa a despertar interesse por elas , as jovens da mesma forma começam a se questionar se só as amiguinhas da escola merecem sua atenção. Infelizmente nesta fase onde há um despertar para o sexo , o jovem se depara com uma infinidade de malícias e desvios que  acabam por confundi-lo . Por exemplo , a necessidade de só prestar atenção no corpo do outro jovem , ler revistas masculinas e atualmente até as revistas gay onde os homens aparecem nus ; demonstrando desejo sexual até de forma grosseira ; ou “ficando” que é um costume dos jovens de hoje que em nada os ajuda a crescer ( Leia COMO FALAR DE SEXO COM NOSSOS FILHOS ). No namoro e mais tarde no noivado é normal que haja uma demonstração de carinho saudável , mesmo com beijos apaixonados bastante normais para esta fase. O que não deve haver é um desvio para as carícias , ou seja o estímulo sexual do parceiro pois é muito difícil o controle após um certo nível de excitação.

E como um jovem cristão deve manter a castidade , evitar as carícias é uma demonstração de amor e respeito para si e para o outro. 

O Carinho no Casamento

 Você está casado a bastante tempo ? Não ? Bom então eu perguntaria : Como vai o seu relacionamento ? Você tem demonstrado carinho ao seu cônjuge ? Quase todos nós vamos relaxando em nossas demonstrações de carinho com nossas esposas ou esposos conforme os anos de casado vão passando . As vezes pensamos que o simples fato de cumprirmos nossos deveres de pais que colocam o dinheiro dentro de casa ou de mães que educam os filhos e cuidam da casa são mais que suficientes para o outro se sentir amado. Afinal estamos cumprindo nossas obrigações !  Errado.

A necessidade de receber um carinho não termina nunca. Um beijo apaixonado após anos de casado , um passear de mãos dadas , um presente fora de hora , um pedir perdão após uma briga, uma recepção do marido estando bem arrumada mesmo em um dia de semana são algumas formas de demonstrar este carinho e de revitalizar uma união que tem que durar por toda a vida. 

O Carinho na Velhice

 Quando envelhecemos , muitas vezes , nossa razão de viver são as lembranças , os exemplos de vida a passar para os filhos e netos e a certeza de ser importante para alguém. Por isso não devemos abandonar nunca nossos velhos , e mais ainda devemos cultivar em nossos filhos respeito e amor por seus avós. O escutar uma história repetida inúmeras vezes ; um carinho a um avô dedicado , ou pedir uma especialidade culinária da avó também são formas de demonstrar amor.  “Este é o meu mandamento : amai-vos uns aos outros como eu amo.” – Jo 15,12 


o Lava pés

Dezembro 16, 2007

Em seguida, deitou água em uma bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido.” Jo 13,5

            Eu estava jantando com minha família e resolvi perguntar para os meus filhos o que cada um entendia do gesto de Jesus ao lavar os pés dos discípulos.

A primeira respondeu prontamente: -          Sei lá cara… E permaneceu calada esperando os outros falarem. E logo os outros começaram a falar o que percebiam do gesto de Jesus: -          Ele quis mostrar que era amigo dos apóstolos. Disse uma.-          Ele queria mostrar que estava aqui na terra como homem. Sacou o outro. E mais algumas tentativas de exprimir algo complicado para crianças e jovens, ainda mais de surpresa no meio de uma refeição e sem tempo para pensar. Mas logo um deles, que não me lembro qual, começou a acertar o caminho: -          Ele queria mostrar humildade apesar de ser Deus.  

Então eu emendei uma pequena explicação do significado de servir aos outros com espírito de humildade e sem interesses de recompensa. E como tinha sido grande a atitude de Jesus, que é Deus e se humilhou para servir os seus discípulos, mostrando mais uma vez com que espírito os discípulos deveriam agir dali para frente para dar continuidade à missão de Jesus.

 

Exemplifiquei que seria, mais ou menos, como se um dia eles arrumassem a mesa para a empregada de casa, lhe servissem o jantar e lavassem os pratos como gesto de amor e humilhação. Houve um minuto de silêncio… Este exemplo parece que fez com que todos entendessem melhor o que Jesus havia feito. Mas como a explicação já estava se tornando um pequeno sermão resolvi fazer mais uma pergunta para as crianças:

 -          Me falem de alguma atitude que vocês tem, ou seja, alguma coisa que vocês fazem que está de acordo com o que Jesus fez, que é uma repetição da atitude de Jesus nas suas vidas ? -          Quando eu faço minha lição bonita ?  Respondeu meio sem confiança uma das filhas menores. -          Quando eu arrumo meu armário! Falou a outra com uma determinação que parecia que sua resposta tinha esgotado o assunto. -          Quando eu não provoco as meninas; quando eu ajudo alguém; quando … 

E novamente eu tomei a palavra pois as explicações não estavam de todo erradas mas não tinham chegado onde eu queria chegar. Então eu falei que o gesto de Jesus deveria ser repetido todos os dias na vida deles principalmente nas coisas em que eles não fossem vistos por ninguém e que não fossem responsabilidade deles.

 -          Como assim, pai ? A pequena me indagou. -          Imagine que você entrasse no banheiro e alguém que tivesse entrado lá antes do que você tivesse largado o papel higiênico todo desenrolado caindo pelo chão. Ao invés de gritar para descobrir quem havia sido, você simplesmente o enrolaria sem que ninguém te visse fazendo isto, só Jesus. Neste momento uma das meninas falou: -          Eu levantei outro dia e arrumei a cama da Vevê sem ninguém pedir !-          Exatamente isto que Jesus quer. Eu disse para ela enquanto percebia um sorriso de satisfação pelo acerto no alvo.  

E continuei:

-          Quantas vezes vocês não entram no quarto e as portas dos armários estão abertas e vocês passam direto porque sabem que a empregada vai fechar ?

-          Ou largam os copos sobre a pia da cozinha sem passar sequer uma água porque tem alguém para lavar depois ?

-          E os irmãos com quem vocês estão brigados? Quem toma a iniciativa para “ficar de bem” mesmo que a culpa não tenha sido de vocês?

-          E quando tem alguém meio chato na escola e que ninguém quer ser seu amiguinho? Vocês se aproximam dele ou dela para que não fique sem Ter com quem brincar ?

  

Neste momento choveram outros exemplos , teóricos ou práticos e eu fiquei satisfeito com a conversa e logo mudamos de assunto para algo mais interessante para eles naquele momento que era a sobremesa.

Passados alguns dias , minha esposa veio me comunicar o efeito da conversa na atitude deles. Os quartos andavam bem arrumados, todos procuravam tomar iniciativas para ajudar a mãe, a empregada ou o outro irmão; na lição de casa ou em seus afazeres de todos os dias. Fiquei feliz, e mesmo sabendo que certas atitudes não vão durar muito , sei que a repetição destes princípios tão simples vão acabar por influenciar positivamente toda a vida deles.

 

E sugiro aos pais e mães que estão lendo este texto que não deixem de falar das coisas de Deus com os seus filhos, usando o próprio Evangelho, ou mesmo criando historinhas com uma moral no final, para que com o nosso esforço possamos contrapor a tantas e tantas mensagens de anti-valor que nossos filhos recebem todos os dias em todos os lugares por onde andam e por tudo o que vêem.


O pai como primeiro evangelizador

Dezembro 16, 2007

Seis horas da manhã, hora de levantar e se preparar para o trabalho e para a escola. Após o corre-corre para achar os brincos, pegar o material e o lanche todos estão no carro a caminho da escola. Ao invés de ligar o rádio do carro o pai inicia uma breve oração de entrega do dia a Deus e é seguido por cada um dos filhos; todos então rezam uma Ave-Maria e um Pai-Nosso e o dia está oficialmente começado.

 Sete horas da noite e ao retornar para casa o pai beija a mãe e começa a ouvir com atenção o relato do dia da mãe e de cada filho. Logo o jantar está pronto e todos estão à mesa  aguardando que o pai inicie a oração de ação de graças pelo dia e pelo alimento. Fala-se de tudo , da escola , do trabalho, das provocações de um filho com o outro, um trabalho da escola por fazer e quando há espaço comenta-se alguma leitura da missa do dia no contexto da vida dos pais e dos filhos. Chegada a hora o pai carinhosamente dá a benção a cada filho que se recolhe em seu quarto para dormir. Vivendo o evangelho do dia-a-dia o pai vai permeando a vida dos filhos e da esposa com a  presença de Deus, construindo assim, de forma concreta, o reino de Deus aqui na terra.