Naná

Outubro 8, 2009

Você foi a primeira obra de nosso amor que vi,

Gozo infinito foi olhar aqueles olhinhos pequenos num rosto tão delicado,

Que bom voltar para casa, deitá-la sobre mim e fazê-la dormir,

Logo aprendi a conversar silenciosamente com aquela princesinha oriental,

Entender seu falar silencioso,

Quanta alegria vê-los brincar entretidos, um com o outro, por horas,

Quanta surpresa naqueles berços todas as manhãs e todas as tardes,

Que encanto que fazia todos admirar sua beleza,

Que mistério seus pedidos de Natal,

Que fidelidade ao seu time e seu goleiro!

Mas nada substitui  nossos papos cabeça.

Quanta falta eu sinto!

Mas vai, segue sua vida, pois você sempre estará aqui, ou melhor, estarão aqui,

Pois o amor frutificou e tem muito que se espalhar,

Afinal de contas, que herança melhor poderíamos deixar senão o amor?

Viva ame, gere vida, pois assim nós estaremos vivos em sua vida, no amor.


Esses moços, pobres moços

Agosto 14, 2009

Várias vezes, ao saber notícias de alguns jovens que convivo, ou mesmo de jovens em geral que aparecem nas revistas, nos noticiários ou no ambiente profissional eu me lembro daquela música de Lupicínio Rodrigues que diz:

“Esses moços pobres moços. Ah! Se soubessem o que eu sei.”

Na verdade não é que eu saiba muito, mas é tão claro que muitos jovens estão buscando a felicidade em caminhos que não os levarão a serem felizes, que dá vontade de intervir para abrir-lhes os olhos.

Por exemplo: Ouço jovens que contam que fulano bebeu até não poder mais e ainda saiu dirigindo de uma festa.

Que tipo de felicidade busca alguém que age como um suicida, ainda que não explícito?

Beber até não saber o que se faz é buscar perder a consciência de sua vida. Sair dirigindo em uma condição destas é uma roleta russa.

Em outro caso, uma menina que além de beber, tirou fotos neste estado, quase despida e ainda as publicou na Internet para que todos a vissem assim.

Outros ainda, meninos e meninas se vangloriam de prostituir seus corpos tendo uma vida sexual desregrada, sem ao menos saber o nome de quem levam para a cama.

Estes casos parecem extremos, mas são muito comuns na juventude de hoje e com jovens que convivo.

Neste grau ou em “mais leves”. Vemos claro que há uma busca sim, de felicidade, mas que há algo muito errado que os leva a não dar o mínimo valor para suas próprias vidas. A deixar “a vida os levar”, pois qualquer coisa que aconteça, não há muito o que perder.

Alguns até se justificam falando que tem uma grande auto estima se enganado sobre suas angústias e solidão. Eu me entristeço e quero dizer-lhes que este Deus que nos criou a sua imagem e semelhança não os criou para a solidão, para o sofrimento, nem para o desprezo de suas vidas, mas para vivermos na glória de Deus, junto dEle.

Cada um de nós mereceu a atenção de Deus ao ser criado. Não importa em que família nós nascemos, não importa a história deles, ou a nossa até aqui, Deus nos dá uma dignidade de filhos amados. A vida é um dom maravilhoso que nos foi dado para sermos felizes, mas a felicidade verdadeira e completa, só é encontrada em Deus.

 Quanto mais íntimos deste Deus nós estivermos, mais paz e felicidade poderemos sentir. Só poderemos ter este gozo completo de Deus quando Ele nos chamar para junto de si, mas agora, aqui na terra, teremos uma amostra dessa felicidade quando aprendermos nosso valor de filhos de Deus, quando entendermos que o nosso amor aos irmãos pode significar a face de Deus a essas pessoas, quando assumirmos a co-responsabilidade de irradiarmos a verdadeira felicidade ao mundo através do amor e do perdão aos irmãos.

Portanto, há um outro caminho. Certamente exigente, estreito e podemos dizer que pouco trilhado, mas esse é o caminho a verdade e a vida: Jesus.


DEZ MANEIRAS PRÁTICAS PARA ENSINAR OS VALORES CORRETOS AOS SEUS FILHOS

Maio 28, 2008
  1. Seja um bom modelo

 

            Uma das coisas mais importantes que você pode fazer para seus filhos é ser um bom exemplo. Eles aprendem vendo como você os trata, olhando como você interage com os outros e observando o que você faz em situações diversas durante o dia. Se você quer que seus filhos tenham valores como honestidade, respeito e compaixão, precisa mostra-los em si mesmo.

 

            Todo ensinamento do mundo pode “ir por água abaixo” se seus filhos perceberem que você está se comportando de forma que contradiga o que disse. Seus filhos não pensarão que a perseverança é importante, se você está constantemente desistindo de dietas e programas de exercícios físicos ou cabulando aulas da faculdade quando estas são desinteressantes. Eles não acharão importante cumprir compromissos assumidos se você não cumprir os seus com eles. Eles não acharão errado mentir se sempre ouvem você dizer ao chefe que está doente quando não quer ir trabalhar.

 

            Se houver discrepância entre o que você diz e o que você faz, seus filhos ignorarão suas palavras.

 

2. Peça desculpas a seus filhos quando você cometer erros

 

            Quando você erra com seus filhos, não é só preciso reconhecer o erro, você precisa também dizer a eles que lamenta ter errado e pedir perdão. Isto mostra que você valoriza e respeita os seus pensamentos, sentimentos e perspectivas. Você está modelando também  uma forma importante de demonstrar respeito aos outros e como assumir a responsabilidade por seus erros.

 

            Quando você pede perdão aos seus filhos por seus erros, você os estimula a fazer o mesmo quando errarem.

 

3. Use situações e experiências do cotidiano como ponto de partida para diálogos

 

            Quase todos os dias acontecem fatos que podem dar oportunidade para ensinar algo sobre valores para seus filhos. Use esses momentos para iniciar conversas com eles. Pode ser algo que você ouviu no noticiário, alguma coisa que vocês ou seus filhos fizeram ou observaram alguém fazer. Isto pode ser uma oportunidade de ouro para um ensinamento.

 

            Quantas vezes não presenciamos crianças fazendo malcriações, adultos furando filas num banco ou motoristas avançando pela contra-mão. Dialogue com seus filhos questionando-os sobre o fato ocorrido. Quanto mais você fizer isso mais natural se tornará.

 

4.Leia a Bíblia com seus filhos

 

            Planeje algum estudo da Palavra de Deus com seus filhos, cada um explorando uma virtude moral. Uma semana pode ser sobre honestidade, na outra gratidão, compaixão, carinho, generosidade etc.

 

            Ajude seus filhos a verem que, o que você os está ensinando sobre o certo e o errado  não é o que você acha, mas que vem de Deus e sua Palavra.

 

            Você pode ensiná-los sobre uma figura bíblica específica. Foque em como ela exibiu sua força de personalidade e sua fé quando se defrontou com circunstâncias e testes diferentes. Nos evangelhos as parábolas ensinadas por Jesus são fonte de enorme riqueza e simplicidade para passar valores aos seus filhos. A parábola do filho pródigo fala do amor e do perdão, a parábola do bom samaritano fala da compaixão, a parábola do trigo e do joio falam sobre o bem e o mal no mundo etc.

 

5. Compartilhe suas experiências pessoais

 

            A maioria de nós pode olhar para trás e pensar em muitas experiências que nos ensinaram lições valiosas. Compartilhe algumas dessas histórias com seus filhos, especialmente aquelas que ilustrem como você tomou decisões e foram consistentes com bons valores. Você pode contar quando você permaneceu com seus valores ao invés de seguir o grupo, sendo amigo de um colega que todos gozavam na escola ou quando devolveu uma carteira perdida ao invés de se apropriar do dinheiro, ou quando se esforçou bastante para atingir uma meta.

 

            Quando você contar cada história, descreva porque foi um dilema moral e como você decidiu o que fazer e como fazer.

 

            Você pode compartilhar histórias em que você fez más escolhas e como você aprendeu da pior maneira. Isto é mais eficiente com filhos mais velhos. Ensine-os a aprender com seus erros para não terem que passar pelas mesmas experiências que você.

 

6. Faça seus filhos arcarem com seus erros

 

            Seus filhos podem enfrentar problemas ou dificuldades de vez em quando. Eles podem quebrar a janela de um vizinho, podem fazer um trabalho mal feito ou desobedecer as regras na escola. Você pode ficar tentado a correr e imediatamente “arranjar as coisas”, indo ao diretor da escola para pedir que retire a suspensão ou pagando os prejuízos pela janela quebrada, mas não! Se você “salvar a pele” dos seus filhos todas as vezes que eles cometerem um erro, eles não aprenderão a ter responsabilidade por suas ações. Eles precisam saber que escolhas más resultam em consequências desagradáveis. Faça-os cumprir as punições, pagar os prejuízos com seu trabalho ou sua mesada.

 

7.Não deixe seus filhos tomarem o caminho fácil diante de seus desafios

 

            Você deve exigir que seus filhos terminem os projetos que começaram, mesmo que os estes se tornem chatos e cansativos.

 

            Suponha que seu filho peça para praticar futebol e desista após duas semanas de treino ou que sua filha tenha se inscrito num curso de inglês, mas uma semana depois desiste quando descobre que o curso é puxado e terá muito trabalho.

 

            Na maioria das vezes você não deve deixar seus filhos desistirem desse tipo de compromisso. Se eles se comprometeram a fazer algo, eles precisam ir até o fim. Você não quer que eles se tornem pessoas fracas e inconstantes. Encoraje-os a terminar os projetos que começaram, pois nesse processo desenvolverão perseverança e responsabilidade.

 

8.Envolva seus filhos na ajuda e encorajamento aos outros

 

            Encoraje seus seus filhos a ajudar os outros sempre que puderem. É impressionante como eles podem ser uteis aos outros só com simples atos de gentileza , como por exemplo mandar um cartão a uma pessoa doente, recepcionando ou acolhendo alunos tímidos ou novos na escola, abrindo a porta do elevador para ajudar uma mãe com criança no colo ou tendo uma breve conversa com um idoso. Motive seus filhos a fazerem este tipo de coisa. Ajude a estarem atentos às necessidades dos outros.

 

            Você pode também querer que seus filhos se envolvam com alguma atividade mais formal nesse sentido. Procure as obras sociais de sua paróquia ou comunidade que frequenta e apresente seus filhos.

 

9.Monitore o que eles assistem na TV e o uso na Internet

 

            Se seu objetivo é ensinar valores aos seus filhos, você evitará maiores estragos se você limitar sua exposição à idéias erradas, mesmo sabendo que você não poderá blindá-los de tudo, você pode e deve limitar sua exposição à televisão e Internet.

 

            Coloque o computador em locais da casa onde toda a família esteja normalmente junta. Não deixe que seu filho navegue livremente pela WEB onde você não pode acompanhar o que eles estão vendo. A televisão também deve ser colocada somente em áreas da casa onde toda a família esteja junta e não no quarto das crianças.

 

Veja os programas com seus filhos e discuta os bons e maus valores apresentados.

 

10. Aplauda boas atitudes

 

            Quando você observar sues filhos fazendo algo bom, deixe-os saber que você aprova suas ações. Agradeça seus filhos quando arrumarem seu quarto sem serem mandados, quando fizerem suas lições sem reclamações nem atrasos. Congratule-os pelo trabalho feito. Demonstre alegria ao vê-los brincando ordeiramente sem brigas. Reforce positivamente suas boas ações.

 


como é bom ter filhos adolescentes

Dezembro 16, 2007

Mais uma vez olhei para os meus filhos sentados à mesa para jantar e me apaixonei por aqueles olhares. Olhares não para mim, mas para a mãe que os servia um delicioso franguinho.

Então pensei que benção era a vida de cada um ali e como seria difícil viver sem esses olhares.

Vocês pensaram em crianças pequeninas? Não é bem isto que eu tenho. São 4 adolescentes . Pensaram naquela cena da Santa Ceia com todos em volta da mesa com aquela cara de piedade? Também erraram.

É difícil Termos momentos com menos que três falando ao mesmo tempo, e algumas discussões “as vezes” acontecem.

E na sua casa, é assim?  Onde não é?  E é isto que me apaixona. Como a vida não pode ser programada ! Como cada filho reserva suas surpresas para nós pais, todos os dias. E principalmente com os mais velhos como o amor exige entrega, amadurecimento e liberdade (não abandono).

Por exemplo, ultimamente ando tendo certa dificuldade de diálogo com meu filho (os pais mais velhos devem pensar: Que novidade!). Mas esta dificuldade vem exigindo de mim um amadurecimento no que se refere a respeitar o espaço dele como pessoa, e como pessoa amada.

Não é fácil quando um filho entra dentro de si mesmo, se isolando no quarto e não conseguimos arrancar o que o incomoda ou o que ele pensa naquele momento. Queremos ajudar a romper aquele silêncio e nada. Nos sentimos preteridos, impotentes ou mesmo desrespeitados.

Eu, pelo menos, me sinto até com raiva por não poder escancarar os seus pensamentos. E  é aí que tenho que me policiar para saber amar, correr o risco, respeitar, esperar sem me afastar, e não considerar como derrota pessoal um fato corriqueiro de qualquer adolescente normal.  

            Isto é muito bom  pois, como eles nunca foram adolescentes, eu também nunca fui pai de um adolescente e portanto temos que aprender juntos. E eu sei que não basta pensar que fomos adolescentes a 20 ou 25 anos atrás ; hoje agimos e pensamos diferente e temos que nos esforçar muito para compreendê-los.

O que posso fazer é usar uma característica muito boa da adolescência que é a teimosia. Não no mal sentido, mas sim a teimosia que não se entrega com qualquer argumento e que não desiste de suas posições com qualquer ameaça, ao contrário o estimula a continuar.

Eu vou insistir, na espera, na busca de diálogo e principalmente nas demonstrações de amor; no beijo na face ou na benção antes de dormir . E o resto, Deus cuida.             Também me entusiasmo quando eu e minha esposa estamos com um grupo de preparação para o Crisma e vejo mais que 100 adolescentes diante de mim . Sinto um grande amor por eles e mesmo não tendo o mesmo raio de ação que tenho com os meus filhos penso neles como novos homens e mulheres que poderão mudar este mundo por meio do amor verdadeiro.  Semelhante ao que acontece em minha casa, de 100 jovens, uns 40 falam ao mesmo tempo, mas como é bom ver seus olhos brilharem quando dizemos que é bom ser adolescente porque Deus nos fez assim; e que o próprio Jesus, como homem que era também sentiu o que eles sentem nessa idade. E quando vão se envolvendo com uma música que fala de Deus e lentamente até os mais reticentes se entregam e acabam por cantá-la entrando no clima do momento. 

            Por isso eu insisto aos pais , catequistas e todos que trabalham com jovens em suas comunidades, demonstrem amor aos nossos jovens. Digam a eles como são amados, ajude-os a se sentirem bem consigo mesmo. Apresentem estes jovens à fonte do amor e da vida que é Jesus. Um Jesus que os compreende mesmo quando eles mesmos estão confusos, um Jesus que passou pelo que eles estão passando nesta fase de transformação tão brusca entre ser criança e se transformar num adulto, um Jesus que pode ouvi-los a qualquer momento, mesmo nos piores momentos.

E aqui eu pergunto: Como você age quando chega no seu prédio, na sua rua ou até na Igreja e lá está o “mais seleto grupo de adolescentes” , conversando alto, uns dando uns tapas nos outros ou mesmo com casais num beijo apaixonado ? Fingimos que não os vemos? Fazemos cara de desaprovação ? Ou os cumprimentamos com um sorriso ? A adolescência é a fase da contestação. O jovem coloca diante de si mesmo tudo o que ouviu dos pais , professores, padres , avós e começa a avaliar se aquilo realmente é bom ou é simplesmente palavrório.

 

Primeiro eles nos testam se somos coerentes entre o que falamos e o que fazemos; depois eles contestam todos os nossos princípios para ver se realmente aquilo é bom ou ruim ou é só mais uma regra fútil, e finalmente vão se decidindo pelo que ficará como valor para suas vidas, ou será descartado do seu comportamento de adultos. Se nós os desprezamos, os rejeitamos e os colocamos à margem, que tipo de reação poderemos esperar destes jovens ?


Como falar de sexo com os filhos

Dezembro 16, 2007

Apesar de termos terminado o século XX e com ele teoricamente deixarmos para trás muitos tabus , principalmente sobre sexo , ainda temos uma enorme dificuldade em saber qual a maneira correta de abordar o tema sexo com nossos filhos.

 Certa vez conversando com meu diretor espiritual entrei neste assunto e o padre me respondeu que uma boa regra seria falar com sinceridade exatamente o que a criança perguntasse , nem mais , nem menos.

Tenho tentado aplicar esta regra com meus filhos e tenho tido bons resultados , o que não quer dizer que eu e minha esposa não tenhamos tido algumas surpresas e momentos em que nos vimos “nocauteados” pela contundência das indagações de nossos filhos principalmente da nossa filha caçula. 

Para falar sobre o assunto sexo para nossos filhos é necessário que tenhamos claro qual o sentido verdadeiro do sexo na vida de um cristão e como o mundo distorce o plano de Deus para nossa vida sexual.

O sexo em nossa vida tem a função da continuidade da vida pelos filhos e da estabilidade do casal por meio de um relacionamento íntimo e completo onde corpos e mentes que se complementam num momento único de entrega,  entendimento e prazer.  

A primeira lição que devemos transmitir para nossos filhos é que sexo é bom , foi criado por Deus e tem o seu momento e local certos para acontecer de forma sadia e sem culpas. 

Nossas crianças são diariamente bombardeadas por erotismo e má informação sobre sexo , na televisão , dos programas infantis até as novelas , no rádio com propagandas e programas maliciosos e na rua com a proliferação de outdoors com tudo o que se possa imaginar sobre malícia e incentivo ao erro.

Se não fizermos a contra-propaganda , mostrar a beleza e a maneira correta de se encarar o sexo, nossos filhos crescerão indefesos num mundo de doutrinação impiedosa sobre o que não é certo.  

Nunca coloque malícia quando falar de sexo com seus filhos, nem tente mostrar para as crianças um aspecto para o qual ainda não estão desenvolvidos o suficiente para entender. 

Quem não passou pela experiência da pergunta de como o neném  entra na barriga da mãe? E como ocorreu em nossa casa, após a explicação de como o neném vai parar na barriga da mãe, nossa filha pergunta com certa indignação se nós fazíamos isso! E ainda quantas vezes nós já tínhamos feito:  3 ( para as três gestações ) ou mais?  Respondemos que fazíamos sim, e muitas vezes, e que só num momento de muito amor poderíamos gerar alguém tão lindo e amado como ela.   

Hoje em casa este é um tema livre, as vezes eu penso até que é livre demais , a tal ponto de nossos filhos incentivarem nossos momentos a sós com saídas para brincar enquanto ficamos em casa ou solicitações para que viajemos sozinhos para aproveitar ! 

E como falar de sexo para os adolescentes? Nesta fase já não é fácil falar com nossos filhos sobre qualquer assunto ainda mais sobre sexo!  Primeiro devemos tentar diminuir a distância entre nós e nossos filhos adolescentes mostrando para eles que apesar de todas as transformações que estão ocorrendo em seus corpos e suas mentes ( muitas vezes poderíamos dizer “transtornações” ! ) isto também é bom e se não fosse , Deus não nos faria assim.  

A adolescência é uma fase de preparação de nossos corpos e mentes, como já dissemos, para a vida adulta. É a fase de passagem de uma vida de meninos e meninas para uma vida de homens e mulheres e nada mais natural do que o despertar para o amor e para o sexo. E é errado pensar em sexo na adolescência? Falar de sexo? Fazer sexo? Claro que não é errado pensar em sexo na adolescência como não é errado pensar na profissão que se vai Ter no futuro ou na realização de um sonho qualquer. Tudo isto faz parte do nosso desenvolvimento e de certa forma nos prepara para chegarmos lá.

O que não é saudável é viver de sonhos sem estar envolvido com a realidade, se imaginar sendo um médico sem se preparar para enfrentar um vestibular ou pensar em sexo sem estar preparado para enfrentar as possíveis consequencias que ele pode trazer. 

Outro dia minha filha nos pediu para ir ao matiné de uma dessas danceterias com suas amigas. Eu e minha esposa deixamos, confesso que sem muita convicção da minha parte. Ao retornar fizemos as perguntas comuns de como tinha sido, se tudo correra bem e como tinham se comportado suas amigas.

Naturalmente o ambiente impressionou a nossa filha que achou “muito legal”, ela só não gostou da insistência dos meninos em “ficar” o que fez com que ela tivesse que “dar vários foras” durante o tempo em que lá estivera.  E o que significa “ficar” ? É se aproximar de alguém que nem se conhece , beijar , abraçar e acariciar e se afastar sem o mínimo envolvimento ou constrangimento.

O  prazer pelo prazer. E muitas vezes com vários parceiros diferentes no mesmo dia e no mesmo local.O que seria isto? Uma preparação para uma vida fiel e casta? Com certeza não. O namoro tem sua função na preparação de um jovem ou uma jovem para um relacionamento completo no casamento , é a fase de conhecimento e de seleção , é a fase onde se começa a lidar com a paixão , conflitos de interesse , vontade e autocontrole. E uma das reclamações da minha filha após voltar da danceteria é que os meninos não tinham o que falar , simplesmente se ela queria ficar ou não. 

E por falar em namoro é bom entrarmos no assunto virgindade. A castidade é uma prescrição bíblica para toda a nossa vida e antes do casamento a virgindade faz parte deste preceito de amor.  Preceito de amor porque guardar o seu corpo para a sua esposa ou guardar o seu corpo para o seu marido , dando um presente preparado durante toda a sua vida para o dia de suas núpcias tem um significado maravilhoso e é um excelente passaporte para uma vida de fidelidade e felicidade.  

Nesta hora alguém pode argumentar que os tempos são outros e que cada vez mais a vida sexual se inicia em idade mais baixa e que isto é natural. Infelizmente este é um senso comum mesmo dentro das comunidades da Igreja . Grande engano ! A vida sexual fora do casamento é errada e para a nossa fé isto não muda nem hoje nem daqui a 2000 anos. A palavra de Jesus não mudará como o próprio Jesus colocou em Mateus 24,35 e nossa conduta não deve seguir os modismos ou “costumes” mas os ensinamentos de um Deus que nos ama e mostra o caminho para sermos felizes . 

Só para terminar vamos falar em camisinha. Por que se fala que a Igreja é contra a camisinha ? Simplesmente porque o que Jesus quer de nós e a Igreja nos transmite isto é uma vida casta e casamentos fieis . Quem precisa de camisinha se vivermos como Jesus quer? E a Igreja tem que se manter firme e não cair na hipocrisia de muitos , que se dizem bons pais pois nos fins de semana sempre lembram os filhos jovens de levar consigo camisinhas para não correrem riscos.

É mais ou menos a mesma coisa que ver o seu filho sair de casa com uma arma carregada na mão e o pai pergunta ao filho: 

- “Onde você vai filhão ?” 

e o filho responde:  –“Não sei mas talvez role um assalto.”  

E o pai num gesto amoroso lembra o filho: -“ Não esqueça do seu colete a prova de bala. Se acontecer um tiroteio você estará protegido .”  

-          “Puxa ! Eu quase ia me esquecendo . Obrigado pai.”  

-          “Qué isso filho , pai é para estas coisas.”  

Para você parece absurdo um dialogo destes ? Então lembre que tanto não matar como não pecar contra a castidade são mandamentos de Deus e até agora não foram revogados.


domingão

Dezembro 16, 2007

Fui o primeiro a acordar naquele domingo. A manhã estava linda, o céu todo azul, a temperatura era bastante agradável e estava quase na hora da corrida de Fórmula 1. Fui chamar meu filho, fiel parceiro de corridas, mesmo sabendo que acordar um adolescente é um risco.

             Conforme a corrida ia se desenrolando os outros filhos iam acordando até que a minha esposa levantou e nos preparou o café. Às onze horas iríamos a uma missa em comemoração de 40 anos de casados de uns amigos e não podíamos faltar.

No meio da corrida de Fórmula 1 começou o tum ti , tum ti , tum ti, tum  vindo de dois andares acima e eu pensei na coitada da vizinha de cima que afirmou que sua mesa quase anda pela sala quando o adolescente do décimo andar põe suas músicas “tecno”.

Mal a corrida terminou saímos para a missa. E foi uma benção poder comemorar 40 anos de uma união, ainda mais com a celebração conduzida por um sacerdote especialmente iluminado. Iluminado porque a sua maior pregação não é feita com palavras mas sim com sua inesgotável alegria e paciência.

Terminada a missa e os cumprimentos fomos comprar algo para o almoço, uns franguinhos típicos dos domingos paulistanos. Eu poderia comê-los 7 dias por semana.

Chegamos em casa e logo ouvimos novamente o tum ti, tum ti, tum ti, tum do décimo andar. Minha esposa já estava irritada já que o moleque põe estas músicas todos os dias! Todos os filhos à mesa, oramos e iniciamos o almoço, momento que eu acho sublime na minha vida.

Quatro adolescentes ruído suficiente para eu esquecer o vizinho do décimo andar. Esta é uma boa técnica, use um adolescente, ou dois para esquecer de outro.

Logo após o almoço as duas menores desapareceram  após eu falar que fossem brincar e que voltassem bem sujinhas. Não precisei repetir para que elas obedecessem imediatamente.     

Ia me esquecendo, neste dia haveria um jogo e o time de minha esposa e duas filhas jogaria, portanto as três estavam uniformizadas.

Meu time , sem chances só era motivo de chacotas e o do meu filho já estava de férias fazia tempo. Mas um adolescente não pode ficar sossegado um minuto e o dia foi uma eterna disputa de opiniões sobre futebol. Opiniões, uns gritos e uns tapas afinal dois adolescentes de times diferentes em dia de jogo não podem passar sem sair uma faísca ou outra.

Eu sentei no computador para escrever um texto e novamente percebi o tum ti, tum ti, tum ti, tum. Minha esposa entrou no quarto e perguntou se não havia quem fizesse o infeliz abaixar a música. Então eu perguntei se o rapaz não tinha pai. Ela me respondeu que achava que os pais do garoto tinham se separado recentemente, já que fazia tempo que ele não era visto no prédio e a mãe era uma “banana” com aqueles filhos.

O  tum ti, tum ti, tum ti, tum continuava e eu comecei a pensar no moleque que tinha o dom de irritar com aquela música. Mas voltando a me concentrar no texto que escrevia esqueci novamente dele.

             Chegou a hora do jogo. Minha esposa e minha filha, uniformizadas não desgrudavam o olho da TV, meu filho se concentrava em perturbar a todos, como é quase obrigação de um moleque. Eu, vez por outra, punha lenha na fogueira dizendo que o juiz estava comprado. Isto provocava a fúria de minha esposa e filha que logo vinham com respostas prontas para me lembrar do fracasso do meu time. Santa guerra!  E mais uma vez começou o tum ti, tum ti, tum ti, tum.

Meu Deus do céu ! Pensei eu. Dá vontade de ir lá e metralhar o aparelho de som do desgraçado ! Só que olhando novamente o ambiente a minha volta percebi que o tum ti, tum ti, tum ti, tum era tudo o que os meus filhos estavam fazendo ali na sala com brincadeiras, as vezes uns tapas, outras vezes provocações, tudo para chamar a nossa atenção e testar sua “independência” de fazer o contrário do que desejaríamos que fizessem.

Enquanto meu filho insistia em jogar uma bolinha de borracha em minha cabeça e minha filha continuava com as gozações sobre o meu pobre time de futebol, o vizinho de cima não tinha a quem fazê-lo, a não ser a todos nós, vítimas , incluindo ele, de um relacionamento que acabou. Vítimas, quem sabe, de um “eu” maior do que os “vocês” ou os “nós” que uma família tem que ter. Vítimas de um último perdão que não foi dado. Vítimas de um eu te amo que foi esquecido de se dizer. 

Meu coração se acalmou naquele momento, abracei meu filhotinho, que apesar de estar maior e mais forte que eu, estava ali, bem quietinho como ficava quando pequeno , só por uns três ou quatro minutos, mas sempre ao meu alcance.

Quem sabe o rapaz do décimo andar ainda não terá esta chance novamente. Vou rezar por ele.


Droga !

Dezembro 16, 2007

A um tempo atrás eu e minha esposa recebemos uma solicitação de uma mãe para que conversássemos com seu filho , pois este era um “menino problemático”.

 Aceitamos a solicitação e no dia marcado lá estavam os dois, o rapaz e a mãe. Enquanto nos apresentávamos e sentávamos para iniciar a conversa eu me perguntei:

O que um jovem saudável , de uma boa família e de bela aparência poderia estar fazendo de errado? E logo que ele falou me surpreendi. O jovem havia sido expulso de casa pelo seu pai após ter sido pego pela polícia com drogas, tendo sido classificado como traficante.

E tinha só 14 anos !  Com certeza não precisaria nem falar qual era o problema pois o vocabulário típico do rapaz o denunciaria .

Mas quais seriam as razões para aquele jovem chegar naquele ponto ? Será que ele tinha consciência do mal que estava fazendo para si mesmo? Continuamos a conversa e o próprio rapaz colocou-nos com uma clareza surpreendente quais eram suas razões:

“Meu pai nunca me deu atenção.” Disse ele.

“Sempre preocupado com seus negócios, mal estava em casa para saber o que fazíamos ou deixávamos de fazer. Eu queria que ele me visse e por isso comecei a chamar a sua atenção pelas coisas erradas que fazia. Minha vida não tem muita importância mesmo; eu não ligo para o que possa vir a acontecer.” 

O relato acima é verídico e é só mais um de tantos e tantos jovens que passam de uma forma ou de outra pelo mesmo problema: A perda da esperança de ser feliz. Uma vez eu ouvi de um psicólogo que os jovens que se drogam, bebem, dirigem como loucos são suicidas disfarçados e que não tinham uma atitude diferente daqueles que com uma arma na cabeça davam fim a suas vidas.  

E por que eles não dão valor às suas vidas? Porque não acreditam mais que podem ser felizes. Ao contrário do que muitos pensam, o instinto de sobrevivência que temos não é mais forte que a necessidade de sermos felizes. E por isso, quando a esperança se vai a vida perde o valor para estes jovens e para muitos de nós adultos. 

Vamos então falar em como prevenir tais fatos fazendo um alerta para os pais: revejam as suas prioridades na vida. Não poupem as demonstrações de amor a seus filhos, mesmo que sejam os nãos que temos que falar com amor, para que eles não saiam do caminho.

Os filhos exigem de nós dedicação, coerência e principalmente amor. Os pais não se iludam com a idéia que só a mãe já é suficiente para cumprir esse papel.

A família, com pai e mãe dá o equilíbrio que os filhos necessitam para crescer e se desenvolver. Nós pais não podemos ser só os doadores de uma herança genética mas co-construtores de vidas felizes.

Desde a troca de uma fralda, passando pelas broncas e sempre terminando com o amor e carinho. Por mais difícil que seja compreendê-los insista no amor.   

E por fim, vamos falar do verdadeiro remédio que pode ajudar a prevenir e a curar a falta de esperança que inunda o coração de muita gente e que sempre está disponível para qualquer um que queira – o amor de Deus.  

Enquanto nós pais somos imperfeitos e imperfeito é também o nosso amor, Deus tem , na sua perfeição um amor que nos dá uma esperança firme de felicidade e de um caminho seguro pois Ele nunca nos faltará.

E este Deus deve estar presente em nossos lares para que, se um de nós pai ou mãe “pisarmos no tomate”, Ele será o único que poderá curar os corações e manter acesa a esperança de felicidade nos corações feridos pelos homens.  Quando digo prevenir e curar é porque acredito que o tratamento para uma pessoa se livrar das drogas tem que estar baseado em princípios médicos e na apresentação do amor infalível de Jesus.

Tive a oportunidade de acompanhar o tratamento de drogados em clínicas psiquiátricas que aplicavam puramente a ciência humana e também clínicas que além do acompanhamento médico se falava de Deus constantemente, e neste segundo caso eu testemunhei grandes curas e mais do que isto, grandes conversões.  

Só Jesus pode nos ajudar, primeiro a nos perdoarmos a nós mesmos, um dos primeiros passos para uma cura. Segundo para perdoarmos quem eventualmente foi a causa de nossa desesperança e terceiro, só Ele pode dar o amor verdadeiro que muitas vezes não será possível obtermos de um pai ou de uma mãe. Só Jesus age “desintoxicando” nosso espírito, só a apresentação da cruz de Cristo pode dar sentido ao sofrimento de quem não recebe amor e perdeu a esperança de viver. Só quem sobe na cruz com Jesus pode compartilhar realmente da alegria da ressurreição com Ele.


Duas pequenas

Dezembro 16, 2007

Nossos dois primeiros filhos formam um casal de gêmeos e sempre são chamados de “os gêmeos” tanto por nós, os pais, como pelas irmãs mais novas e parentes. Quando as mais novas nasceram  “os gêmeos”, já com 4 anos, começaram a chamá-las de “as duas pequenas” ou somente de “duas pequenas” .

Outro dia ao ouvir meu filho mais velho chamar as mais novas para jantar chamando: “Duas pequenas, venham comer ! “, eu fiquei pensando em como não é fácil ser pai ou mãe, não dos gêmeos ou das duas pequenas, mas sim ser pai e mãe de cada um deles; um pai e uma mãe diferentes para cada um e de acordo com a individualidade e idade de cada um .

Cada filho tem o seu temperamento e devemos procurar conhecer as características naturais do comportamento das crianças desde cedo. Um é mais introvertido e calado, outro é agitado e está sempre alegre, um terceiro é decidido e briguento etc. Neste texto não entraremos em detalhes das características de cada temperamento, mas daremos algumas dicas de problemas comuns para todos nós pais e que eu mesmo enfrento com meus filhos.

O filho que mais parece comigo:

Quase sempre temos um filho que parece mais conosco e com estes é muito fácil termos maior afinidade, maior entendimento, maior tendência de comparação com os outros e de tê-los como nossos prediletos, mesmo quando não admitimos isto.

É natural que, por termos reações parecidas com as de alguns de nossos filhos, tudo fique mais fácil de tratar com eles. Há uma maior identificação de ambos os lados e esta identificação não tem que significar mais amor por um filho ou exclusão dos outros.

A comparação ou exclusão dos outros filhos podem vir a ser causas de um grande problema quando:

-          Não aceitamos o filho calado por que somos falantes e gostamos de falar tudo na hora, “doa a quem doer “.

-          Temos gostos tão diferentes que os outros filhos “nem parecem meus filhos” . “Imagine só, todos na família são advogados e meu filho meteu na cabeça que vai ser arquiteto! Para fazer o que?” Você já ouviu algo assim?

-          Comparamos os outros filhos com o “nosso predileto”, o que causa, além da rejeição dos outros pelo pai ou pela mãe, uma indisposição entre os irmãos, que acabam por se isolar do queridinho.

-          Quando exageramos nas qualidades ou defeitos de nossos filhos de forma irreal tipo : “O Joãozinho nunca me deu trabalho, eu sempre me entendo com ele.” ; “O que foi desta vez Silvinha?  Você nunca muda mesmo !”. O sempre ou o nunca sentenciam em nossos filhos a incapacidade de entendê-los ou a possibilidade de correção.

O que devemos Ter em mente quando pensamos na educação de nossos filhos no que diz respeito aos temperamentos e suas diferenças é que cada temperamento tem suas qualidades e fraquezas, nós pais devemos reforçar as qualidades e corrigir as fraquezas, por exemplo: Minha filha introvertida senta para fazer lição e só levanta da cadeira quando termina tudo, para ela isto é fácil; já a outra que é totalmente extrovertida não fica mais que cinco minutos sentada e cada vez que levanta tem que interromper o trabalho dos outros. Esta última tem que ser disciplinada para aprender a começar e terminar um trabalho sem interrupções. Em compensação quando se trata de relacionamentos com outras crianças, enquanto a introvertida gruda em nós e é difícil largar, a extrovertida faz várias amizades sempre com novas crianças. Para esta situação a introvertida tem que ser incentivada a se expor mais e a procurar novas amizades.

  

Cada idade, um tratamento:

Com relação a idade de nossos filhos temos a tendência de generalizarmos o tratamento e principalmente quando parte deles entra na adolescência e os outros ainda não entraram ,uma diferenciação é bem importante.

O primeiro filho , ou como no meu caso , os primeiros ,tem como modelos principais para seu comportamento os pais , tanto pelo que dizem como no que fazem. A partir do segundo filho os irmãos entram também como modelos a serem imitados e são necessários certos cuidados:

-          Apesar de ,muitas vezes exageramos um pouco com os primeiros filhos nos temores e rigores da educação pela própria inexperiência de sermos pais , temos a tendência de relaxar demais quando vêm os próximos ,pois achamos que eles aprendem tudo dos irmãos e não é difícil ouvirmos o comentário , “O mais velho é tão bonzinho mas o mais novo é uma peste!”.

-          Filhos pequenos exigem uma atenção maior, uma presença próxima e um interminável número de pequenas correções para que sejam moldadas as suas personalidades nas virtudes. Este trabalho  cansativo não será feito nem pelos irmãos mais velhos nem pela empregada ou babá.

-          Como dissemos acima cada idade exige um certo espaço com os pais, o diálogo com os filhos adolescentes não deve ser feito junto com os menores, tanto pelos assuntos abordados como pelo respeito à individualidade de cada um. Também temos que colocar para nossos filhos que a partir de uns 13 anos a educação tem que ser uma via de duas mãos, um aprendizado mútuo e que terá mais chance de sucesso à medida que os dois lados colaborarem com o diálogo.

-          Os direitos adquiridos pelos que vão crescendo servem de incentivo e apoio ao seu crescimento , reforçando assim a auto imagem , que é tão importante na adolescência. Horários diferentes para dormir ou voltar de uma festa , mesadas, usar o perfume da mãe, ir à manicure pintar as unhas, sair sozinhos com os pais são alguns dos direitos que os adolescentes devem Ter.

Concluindo, os filhos são sempre um desafio para nós pais preocupados com a felicidade de cada um. Este desafio deve motivar-nos cada vez mais a sermos melhores como educadores , amigos e principalmente como anunciadores do verdadeiro e único educador que jamais falhou com um filho , o Pai Celeste.


Filhos, muitos filhos (por Helô)

Dezembro 16, 2007

Desde pequena, quando brincava de “mamãe” eu invariavelmente tinha quatro filhos. E essa imagem ainda é muito forte na minha memória. O tempo passou , eu cresci, casei e tive quatro filhos, o número de filhos que sonhava e que pude ter, uma vez que por problemas de saúde não posso mais engravidar. 

Ter quatro filhos para mim e para meu marido é muito natural, porque os vemos como um dom precioso do nosso matrimônio, uma contribuição enorme em nosso amor conjugal, uma graça especial de Deus. Para nós.

Ter uma família numerosa é um ato de amor e obediência ao nosso Deus . No mínimo nos aproxima ainda mais dEle, uma vez que Deus em seu poder Criador leva à perfeição a obra da criação do homem e da mulher nos chamando , esposo e esposa ,a uma especial participação em seu amor, mediante a cooperação livre e responsável na transmissão do dom da vida humana (Gên. 1,28). 

Os nossos filhos são frutos do amor que nos une, são a confirmação e extensão desse amor. Um dia, perante  Deus e de uma comunidade nós dissemos um sim, confirmando a decisão de nos amarmos e amarmos os filhos que viessem. Quando olhamos para os nossos filhos o nosso amor é alimentado e a nossa decisão fortalecida .  

É muito comum sermos alvo de brincadeiras e comentários negativos quando estamos os 6 juntos. Quantas vezes ouvimos pessoas perguntarem  se não temos aparelho de televisão em casa; se não conhecemos pílula , se a gente “só pensa naquilo” etc. etc. .

As vezes dá a impressão que as pessoas ficam incomodadas com a nossa presença. O que elas não entendem é que nós fizemos uma opção por Ter uma família numerosa. Essa opção é madura, é consciente, é maternidade e paternidade responsáveis. É uma opção que não se esgota nunca. Muitas vezes abrimos mão de “certos luxos”, que alimentariam vaidades pessoais, em prol da “nossa comunidade”.

Não temos excessos, mas Deus nunca deixou faltar nada em nosso lar. Os quatro filhos sempre estudaram em excelentes colégios, praticaram esportes num bom clube, se  vestiram bem  , saem com os amigos , tem saúde ; enfim ,têm uma vida com qualidade sem entretanto Ter luxo ou frivolidades.  

Numa família numerosa não há espaço para depressão, egoísmo ou solidão. Uma refeição com 6 pessoas à mesa é no mínimo uma pequena festa.  Não pensem que não temos brigas pelo lugar na janela do carro, para decidir quem vai tomar banho primeiro, quem vai ficar com o controle remoto do aparelho de televisão. Ou que os adolescentes não tenham suas crises diárias, que os menores não briguem e fiquem “de mal” dez vezes ao dia.

Também não escapamos de nossos momentos difíceis , como quando uma das crianças teve um problema de saúde sério e teve que passar por duas cirurgias delicadíssimas mas pela vontade de Deus , tudo está bem . Hoje após alguns anos a nossa menina está linda, mais feliz do que nunca, crescendo e saudável. Foram os piores meses de nossas vidas, pois acompanhamos o sofrimento de um pedacinho muito amado de nós dois, e que daríamos tudo para não vê-la passar pelo que passou. Tivemos medo de perdê-la, tivemos medo que acontecesse o pior . Mas também foi o período de maior fé, de maior união, de maior amor entre nós seis. Nós nos unimos mais ainda a Deus e fomos amorosamente carregados por Ele. 

Hoje quando estamos juntos, damos ainda mais valor à vida dos nossos filhos porque pudemos compreender mais intensamente o quanto são importantes para nós. Ter muitos filhos é um grande exercício de fé, principalmente no mundo de hoje. Estamos cercados de perigos por todos os lados. E justamente por Ter muitos filhos que nos faz ficarmos mais atentos, mais vigilantes, mais “espertos”. Nos obriga a estarmos presentes de forma visível , eficaz , ao mesmo tempo que pela quantidade maior de filhos eles acabem tendo que lutar mais pelo seu espaço , lutar mais pelo  que querem , proporcionando maturidade , sagacidade e perseverança. Também  é um grande exercício de renovação interior e até exterior.

Aprendemos muito com cada filho, pois cada um é uma pessoa única e portanto diferente dos outros. Temos que estar atentos às diferenças de temperamentos e às necessidades de cada um.  Ter muitos filhos dá mais tempo para o casal, por mais contraditório que possa parecer. Eles fazem companhia um para o outro, brincam mais, os mais velhos saem mais porque estão juntos. Com isso podemos dar mais atenção um ao outro.  

Enfim, não é utopia, é a minha realidade, é a realidade de muitos casais que fizeram a mesma opção que nós e que acreditam na presença de Deus em nossas vidas manifestada na vida de cada filho. 

Heloisa Porto


Nocaute

Dezembro 16, 2007

Senhoras e senhores , no canto direito apresentamos os pais, finalmente diante de um adversário do seu tamanho ; e do lado esquerdo os filhos adolescentes , mais jovens , com bastante fôlego e preparados para tudo. Vai iniciar o primeiro ROUND , pais e filhos vão dialogar !

             Pode parecer exagerada a imagem acima , e confesso que eu mesmo entrei para uma conversa com meus filhos com a confiança de que seria tudo tranquilo e sob controle. Sob o meu controle . Mas acabei saindo com o queixo doído e meio sem saber para que lado ir…            

 Tudo começou quando eu e minha esposa decidimos abrir de vez um canal de diálogo com os filhos mais velhos, trazendo-os para participar mais intensamente de um diálogo sobre a nossa conduta como pais e os destinos de sua educação dali por diante. Começamos explicando o motivo da conversa, e colocamos perguntas genéricas como : 

“Vocês tem algum assunto que têm dúvidas ,sobre a nossa forma de viver , sobre a educação que vocês recebem , sobre namoro ou qualquer outra coisa ? “ Silêncio. 

“Vocês gostariam que mudássemos nossa forma de tratá-los   ? “ “Hummmm…” 

Aí eu cutuquei a onça com vara curta. “Será que vocês não são adolescentes normais, que contestam tudo e todos ?” “Não é isso pai.” 

“Então o que é ?” “É que , as vezes vocês são muito bravos e protegem as menores mesmo quando a culpa é delas. “ 

“O que mais ?” “Quando o senhor começou a fazer judô comigo eu senti o senhor muito mais próximo de mim ,antes não.” – Disse o menino. 

“A mãe precisa aliviar um pouco. Relaxar um pouco de suas obrigações e ser mais nossa amiga.” – ele mesmo completou. A filha confirmava as palavras do irmão, calada, mas com lágrimas nos olhos. 

“Mas … , mas… como assim ? ” – Minha esposa perguntou.  “É que muitas vezes vocês pedem isso, aquilo, horário, lição, nota, comportamento e faltam momentos de proximidade…” 

Nesta hora o juiz da luta já havia aberto contagem contra nós. Estávamos no chão.  Agradeci muito os dois pela abertura e risco de falar o que estava em seus corações e reafirmei que só assim poderíamos ser pais melhores. A menina preferiu que a conversa terminasse individualmente com a mãe e o menino ficou comigo num clima de certo alívio de ambas as partes. 

Mais tarde eu e minha esposa conversamos sobre o diálogo e ficamos pensando no por quê tinha sido difícil para eles falarem e para nós ouvirmos. Aí chegamos a algumas conclusões que acreditamos podem ser úteis para outros pais: 

-          Aquela conversa tinha sido uma benção, pois só arrisca quem ama, nossos filhos arriscaram, nós arriscamos.

-          Para nós que queremos fazer o melhor para nossos filhos não podemos nunca Ter medo de errar, nem orgulho para não nos corrigir.

-          Nunca imaginem que um adolescente vai se abrir para tecer elogios. Abertura é uma oportunidade para reclamar, elogios são para o dia-a-dia. Eu até perguntei para a minha esposa se ela sentasse com seus pais hoje, no clima que sentamos com nossos filhos, ela iria elogiar ou colocar aquelas coisas que estão entaladas a tempos e não houve oportunidade para se falar ?

-          Nunca devemos nos esquecer que para pais que amam os filhos tem um amortecedor de besteira. O próprio amor se encarrega de aliviar certos exageros no rigor ou esquecimentos de carinho.

-          Nunca podemos deixar que no meio de uma infinidade de regras, horários, metas, trabalhos escolares, participação nas missas, aula disso e aula daquilo, seja sufocada a única razão para querermos tudo isso deles – a sua felicidade . Felicidade que queremos porque os amamos. 

Pode parecer que tudo isto não tenha nada de extraordinário. E não tem mesmo. Meus filhos são tranquilos e só tenho que agradecer a Deus por tê-los. Mas eu já tive em contato com vários jovens, de várias condições sociais que só queriam dos pais um pouco de atenção, de abertura. Um deles era um morador do Morumbí em São Paulo, pais ricos e com boa posição social. Ele tinha uns 17 anos e era drogado, tinha já sido preso como traficante de drogas e tinha sido expulso de casa por envergonhar os pais. Conversando com o jovem vimos que sua única reivindicação era Ter a atenção de seus pais.

Outro ofendia os pais com um sem número de palavrões,  que nem mãe de juiz de futebol costuma ouvir e com certeza não eram para ofender mas sim um pedido de socorro. “Olhem para mim !” , “Esqueçam de si mesmos !” e tantos outros. Finalmente , pais , eu os encorajo a buscar este combate. E estejam preparados, pois cair faz parte da luta !