Corrupção

24 de outubro de 2011

Vivemos um tempo de crises

Crise na política, crise no governo, crise na polícia, crise nas empresas, crise nas escolas, crise nas famílias, crise de fé, etc., etc.

E na atual situação só se discute os efeitos, sem ter coragem para analisar a causa destas crises todas que é a crise moral em que a sociedade moderna entrou.

Esta crise moral tem uma profunda raiz no abandono de valores perenes, no abandono da fé, no crescimento do individualismo, do egoísmo, do relativismo. Não temos mais verdades absolutas, tudo pode ser questionável, tudo tem os dois lados, ou pior, tem um meio termo indefinido, tudo se justifica. Para fugir de um dogmatismo burro, justifica-se qualquer coisa.

Os pais não dizem não aos seus filhos, nem estão mais presentes na sua educação para dizer o que é certo ou o que é errado. Quando os filhos são jovens e fazem coisas erradas justificam dizendo que os jovens são assim mesmo e seus erros fazem parte da juventude. Só que os mesmos pais que dão esta justificativa para os filhos ficam espantados quando um jovem bêbado perde o controle do carro e mata várias pessoas num ponto de ônibus. Ou ainda culpam os traficantes quando seus filhos são presos consumindo ou traficando drogas.

Ficamos indignados com as mães que jogam os filhos recém nascidos numa lata de lixo, mas incentivamos o aborto em nossa sociedade. Damos pílulas anticoncepcionais às nossas filhas aos 14 anos de idade, ou antes, para fugir de uma “gravidez indesejada”. Em caso de “emergência” incentivamos a pílula do dia seguinte, claramente abortiva, ou mesmo um aborto.

Então eu pergunto: Por que matar crianças no ventre da mãe é menos mal que as já nascidas? Por que nos espantamos com o fato de alguém jogar uma criança no lixo já que uma criança “só é motivo para novas despesas e para perda do gozo de uma juventude de prazeres”? Por que a castidade pregada por Jesus e por sua Igreja nunca entra como solução para este problema?

Os banqueiros, a despeito de seus ganhos astronômicos em um sistema econômico que coloca o dinheiro como fim e não como meio, não tem limites para sua ganância, mesmo que isto coloque todo o mundo em uma recessão. Correr riscos desmedidos com dinheiro alheio, muitas vezes fruto de uma vida toda de trabalho e poupança, não importa, pois não se vêem os efeitos de uma quebra de um banco, mas somente a possibilidade de ganhos maiores.

Empresários não importam em fechar suas fábricas para aumentar seus ganhos com produtos importados, cujos preços baixos são resultado de trabalho escravo e de uma ditadura onde o trabalhador não tem vez nem tem voz. O que importa são os lucros que isso proporciona e se o trabalhador semi-escravizado ficar do outro lado do mundo, melhor ainda.

A população menos abonada, também mente aos governos assistencialistas para se beneficiar de programas sociais aos quais não se enquadram mais.  Mentem às empresas com licenças médicas obtidas com atestados médicos comprados. Fazem corpo mole nos empregos para conseguir as indenizações legais e salário desemprego, na certeza que a legislação protege somente os empregados. Compram cartas de motoristas para não correr o risco de não passar nos exames.

Médicos fazem cirurgias desnecessárias para obter mais ganhos de seus pacientes, etc. etc.

Todas as instituições de nossa sociedade, queiramos ou não, estão contaminadas porque as pessoas estão submersas nessa cultura do eu, nessa verdadeira adoração ao dinheiro.

Estamos numa sociedade em que, sistematicamente está se tentando tirar Deus de vista. Tiramos os crucifixos das salas de aula, não permitimos símbolos religiosos em locais públicos, dizemos que religião é algo acessório falando que até ela pode fazer bem em algumas terapias para o corpo ou para a mente, mas algo que um livro de auto ajuda pode fazer também.

Os conceitos morais, pregados pela Igreja, há séculos, são colocados como retrógrados e ultrapassados. O próprio clero, em muitos casos, se acovarda em dizer o evangelho como Jesus pregou, com medo de perder fieis deixando a verdade de lado.

Mas o evangelho de Jesus é uma palavra viva e não faltarão pessoas que, inspiradas pelo Espírito Santo, pregarão as verdades reveladas por Deus de maneira amorosa, mas clara e verdadeira, como fez João Paulo II e como faz Bento XVI.

Surgirão novos santos para chacoalhar a Igreja e o mundo pois a solução de todos os problemas de nossa sociedade está dentro do coração de cada um. É preciso uma conversão individual e verdadeira. É preciso que se pregue e, mais do que isto, se viva a fé sem medo. É preciso coragem para remar contra a maré, mesmo quando cairmos no caminho.

É preciso dizer que a palavra de Jesus não vai passar nem vai ser modificada  e que os valores por Ele anunciados permanecerão verdadeiros até os fins dos tempos, optemos por eles ou não.

Nós só teremos uma sociedade melhor se nós nos deixarmos converter verdadeiramente pelo amor de Jesus.


Renascer

6 de setembro de 2011

 

Em verdade, em verdade, vos digo: se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto. Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem não faz conta de sua vida neste mundo, há de guardá-la para a vida eterna. Jo 12,24 -25.

Nos últimos meses, culminando com o último fim de semana eu tive a oportunidade de entender e vivenciar esta palavra de Jesus como nunca.

A doença, o sofrimento e até a morte (do corpo) de alguém que compreendeu o significado profundo de se entregar nas mãos de Deus foi causa de vida e vida em abundância de uma quantidade enorme de pessoas que puderam acompanhar esse nosso amigo, muito amado, em sua páscoa para o céu.

E foram tantos momentos de fé, tanto derramamento de graças, que fica difícil pensar que foi um fim de semana ruim, pelo contrário, foi um fim de semana de uma intensidade fantástica, de uma manifestação do amor verdadeiro como poucas vezes eu vi, de uma irradiação do Espírito Santo iluminando o coração de todos nós, fazendo-nos compreender o significado cristão do sofrimento, sofrimento que se converte em graça, sofrimento que não tira a paz.

Cada lágrima derramada teve o efeito da água de novo batismo e todos nós saímos do fim de semana renovados em nossa esperança, em nossa fé e cheios de um amor fruto da presença de Deus em nosso meio.

E assim, o mistério da cruz fica um pouco menos mistério para mim, pois, se um de nós,  aceitando a vontade do Pai, foi fonte de tanta graça, quanto mais Jesus, na sua infinita grandeza, não é uma fonte eterna de graça para toda a humanidade.

Bom, o que posso dizer é que aguardo a oportunidade de me aproximar do céu e, ainda na fila, avistar o Renato acenando lá de dentro dizendo: Tio Armando! Que bom vê-lo por aqui. Isto aqui que é bom.


O que você está esperando?

29 de julho de 2011

 

A parábola dos talentos que Jesus conta em Mateus 25,14-30 coloca algo que quase nunca pensamos, que é a diferença de dons que Deus dá a seus filhos, a uns mais, a outros menos, mas Ele quer que prestemos conta destes  talentos que nos deu. Vejamos o início desta parábola:

“O Reino dos Céus é também como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens: a um, cinco talentos, a outro, dois e ao terceiro, um — a cada qual de acordo com sua capacidade. Em seguida viajou.”

Nós acabamos tendo uma idéia “socialista de Deus”, pensando que Ele ama a todos igualmente, distribui seus dons a todos igualmente, espera o retorno de todos igualmente e a Bíblia diz que não. E para que possamos “prestar contas” dos talentos que Deus nos deu, precisamos primeiramente reconhecer nossas qualidades, depois temos que entender qual a nossa missão, ou seja, o que fazer com “os bens” que Deus nos confiou e por fim colocar mãos a obra, pois mais cedo ou mais tarde “o patrão” vai voltar e pedir contas dos seus bens.

Reconhecendo nossas qualidades

Esta é uma tarefa difícil, principalmente nos dias de hoje, pois somos sufocados com a mensagem de que ter é mais importante do que ser e sempre nos faltará algo que é do último modelo ou da última moda e, portanto, sempre somos menos do que realmente deveríamos, criando em nós um complexo de inferioridade que nunca se desfaz.

Temos que olhar para o nosso valor como pessoas, entender o que somos, reconhecer nossas qualidades, que podem ser a capacidade de sorrir para as pessoas, de ter um senso de justiça aguçado, de conseguir cativar quem conhecemos, de sermos carinhosos com as pessoas, de sermos perseverantes nas nossas empreitadas, de sermos corajosos para enfrentar a vida, de sermos otimistas, etc.

Outro aspecto que não nos deixa reconhecer os talentos que temos é o peso do pecado, não a dor do arrependimento, que é saudável, mas aquela culpa que nos leva a não nos perdoarmos nunca, achando que o pecado arrancou definitivamente de nós o poder da graça, a vida para a qual Deus nos criou, a dignidade de nos sentirmos filhos amados de Deus. Esta culpa é obra do demônio que não quer que reconheçamos que a morte e a ressurreição de Jesus nos permitem recomeçar de cabeça erguida, que a misericórdia de Deus é perfeita e seu perdão nos purifica do pecado.

É esta culpa que faz com que não tenhamos coragem de largar o pecado, pois pensamos algo como : ”perdido por dez, perdido por mil”, e assim, vamos permanecendo no pecado sem realmente nos abrirmos para multiplicar os talentos que Deus nos deu.

Entendendo nossa missão

Nós fomos criados para sermos amados por Deus e nossa missão primordial é chegarmos ao céu para lá podermos ser plenos no amor; o que não é possível ainda aqui na terra. Mas este amor já está presente e atuante em nossas vidas desde que fomos concebidos. Deus cuida de nós, tem planos para nós, nos quer ver felizes e realizados, mesmo em nossa vida terrena.

E a melhor forma de caminharmos em direção ao céu é contarmos a todos quantos pudermos esta boa notícia do amor e da misericórdia de Deus e isto foi o próprio Jesus que disse em MC 16,15:

“E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura!”

Temos que  buscar o plano original de Deus para cada pessoa, não importa o quanto o pecado tenha feito em sua vida, é possível retomar o plano dEle para nós, pois todos fomos criados para sermos amados por Deus.

Temos que  ajudar a engrossar o exército dos que foram lavados pelo sangue de Jesus na cruz, dos que foram purificados da morte no pecado para a vida em Deus. É preciso ter coragem de falar que há um caminho, é preciso ter confiança no perdão e na misericórdia de Deus, é preciso dar um basta ao mal que reina em nosso mundo.

Colocando mãos a obra

Pare de pecar. Confesse seus pecados. Confie em Deus. Coloque seus talentos a serviço do Reino de Deus. Não deixe que os respeitos humanos o inibam de falar de Deus.

“Ah, no trabalho não dá para falar de Deus.” – Dá sim.

“Ah, minha família não vai crer se eu falar.” – Então aja. Seja coerente nas suas atitudes, demonstre o amor ao invés de falar dele.

“Ah, não tenho oportunidades para agir.” – Deus sempre coloca em nosso caminho oportunidades de nos aprofundarmos e de agirmos, é só estarmos atentos. Só quem não quer se acomodar, quem realmente entende que tem talentos e que Deus um dia vai querer saber dos seus “bens” confiados a ele, coloca mãos a obra, não importando as dificuldades nem os tropeços do caminho.

E para terminar, só um último comentário: na parábola, Jesus não fala como cada um multiplicou seus talentos, nem se houve horas de prejuízo e depois retomada, Ele só falou que quando pediu contas os talentos haviam sido multiplicados, portanto não enterre seus talentos com medo de uma hora ou outra cair. Crie coragem e vá em frente.


A cura do câncer

27 de junho de 2011

 

Já ouvi muita gente falar que esta é uma doença maldita, principalmente por quem, de uma forma ou de outra, tem que enfrentá-la durante sua caminhada na vida. E o que mais nos impressiona nessas situações é a perspectiva da morte. Lidar com algo sobre o qual não temos controle, nos amedronta e a doença e a morte fazem isso conosco.

Não preciso falar do sofrimento causado por quem já enfrentou esta doença, sofrimento que deixa marcas para toda uma vida para quem fica e alívio para quem vai.

Mas, é preciso prestar atenção a uma doença muito mais maligna que ataca muita gente à nossa volta e quase não nos incomoda, que é a indiferença às coisas de Deus, o afastamento de Deus, a acomodação ao que o mundo dita às nossas vidas, a vida no pecado.

Para quem tem fé na vida eterna, olhar para alguém longe de Deus deveria causar tanta comoção e  vontade de ajudar como de quem enfrenta uma doença física, terminal ou não. E isso vale para nós mesmos, para quem está próximo de nós e para toda a Igreja.

E eu estou testemunhando algo muito significativo nesse sentido, algo que está transformando a experiência da doença física em experiência de conversão para Deus e este é o grande sentido que Jesus trouxe para o sofrimento humano.

Um jovem de nossa comunidade, o Renato, está lutando contra um câncer e a partir de sua doença surgiu um sopro do Espírito Santo acendendo inúmeros corações de amigos e conhecidos para apoiá-lo. Apoiá-lo estando próximos, apoiá-lo orando por ele dia e noite sem cessar, apoiá-lo estando com seus pais nos momentos difíceis pelos quais estão passando, apoiá-lo estando ao seu lado nas derrotas e nas vitórias de sua luta.

E Deus tem estado presente, pois está curando muitos corações, provocando muitas conversões, fazendo muitos deixarem seus caminhos longe de Deus e voltando ao Seu convívio. E maligna é a indiferença de quem acha que esta união, esta solidariedade, este clamor a Deus, que surgiu a partir desta doença, é um fanatismo barato. Só o inimigo de Deus pode suscitar pensamentos assim, pois certamente o céu está feliz por ver, de maneira tão simples e eficaz o cumprimento do mandamento do Senhor: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.


Banho de água fria!

17 de junho de 2011

 

As vezes, dentro da Igreja, recebemos um banho de água fria, justamente quando nossa fé está aumentando e sentimos o Espírito Santo aquecer nossos corações. Não duvidem, o demônio fica insatisfeito com isso e usa quem menos esperamos para tentar nos desanimar.

Mas como ele não tem poder sobre nós, eu sugiro o texto abaixo que nos anima como Igreja e mostra qual caminho seguir.

 

O Sínodo dos Bispos, a pedido do Papa Bento XVI vai realizar em 2012  a XIII ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA sobre A NOVA EVANGELIZAÇÃOPARA A TRANSMISSÃO DA FÉ CRISTÃ.

Como nós temos muito pouco conhecimento do que nossa Igreja propõe e faz, resolvi colocar alguns trechos do documento preparatório distribuído aos bispos.

A íntegra do documento está em:

http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20110202_lineamenta-xiii-assembly_po.html

 

Vejamos alguns pontos importantes:

«Como acreditarão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão,
 se não há quem o anuncie?
» (Rm. 10, 14)

A palavra dos discípulos de Emaús (cf. Lc. 24, 13-35) é paradigmática da possibilidade de um anúncio falho de Cristo, porque incapaz de transmitir vida. Os dois discípulos de Emaús anunciam um morto (cf. Lc. 24, 21-24), narram a sua frustração e a sua perda de esperança. Dizem a possibilidade, para a Igreja de todos os tempos, de um anúncio que não dá vida, que mantém encerrado na morte o Cristo anunciado, os anunciadores e os destinatários do anúncio. A pergunta sobre a transmissão da fé, que não é uma ação individualista e solitária, mas um evento comunitário, eclesial, não deve dirigir as respostas no sentido da busca de estratégias eficazes de comunicação, e tão pouco centrar-se analiticamente sobre os destinatários, por exemplo os jovens, mas deve declinar-se como questão que diz respeito ao sujeito encarregado desta operação espiritual. Deve tornar-se uma pergunta da Igreja sobre si mesma. Isto consente de encarar o problema de maneira não extrínseca, mas correta, dado que põe em causa a Igreja toda no seu ser e no seu viver. E talvez assim se possa até compreender que o problema da falta de fecundidade da evangelização de hoje, da catequese nos tempos modernos, é um problema eclesiológico, que diz respeito à capacidade que a Igreja tem de se configurar, ou não, como uma comunidade real, como uma verdadeira fraternidade, como um corpo e não como uma máquina ou uma empresa.

Nós, crentes, devemos levar a sério até mesmo as pessoas que se consideram agnósticos ou ateus. Esses talvez se assustem quando se fala de nova evangelização, como se tivessem de se tornar objeto de missão. Mas a questão de Deus, todavia, continua presente também para eles. A busca de Deus foi a razão fundamental pela qual nasceu o monaquismo ocidental e, com ele, a cultura ocidental. O primeiro passo da evangelização consiste no procurar manter viva essa procura. É preciso manter o diálogo não só com as religiões, mas também com quem considera a religião como algo de estranho.

Os novos cenários, com os quais somos chamados a confrontarmo-nos, apelam para que se desenvolva uma crítica aos estilos de vida, às estruturas de pensamento e de valor, às linguagens construídas para comunicar. Ao mesmo tempo essa deverá funcionar como uma autocrítica do cristianismo moderno, que deve aprender sempre de novo a questionar-se, a partir das próprias raízes.

Aqui encontra o seu específico e a sua força o instrumento da nova evangelização: é preciso olhar para estas situações, para estes fenômenos, sabendo superar o nível emocional do juízo defensivo e do medo, para aproveitar objetivamente os sinais do novo, juntamente com os desafios e fragilidades. “Nova evangelização” significa, portanto, trabalhar nas nossas Igrejas locais para construir caminhos de leitura dos fenômenos acima indicados que permitam traduzir a esperança do Evangelho em termos práticos. Isto significa que a Igreja se edifica aceitando medir-se com esses desafios, tornando-se cada vez mais a artífice da civilização do amor.

Este esforço por trazer a questão de Deus para dentro dos problemas do homem de hoje, intercepta o retorno da necessidade religiosa e a procura da espiritualidade que a partir das novas gerações emerge com renovado vigor. As mudanças de cenário que analisamos até este ponto não podiam não exercer influencia também sobre o modo como os homens deram voz e corpo ao seu sentido religioso. A própria Igreja Católica é afetada por este fenômeno, que oferece recursos e oportunidades de evangelização inesperadas há algumas décadas. Os grandes encontros mundiais da juventude, as peregrinações aos lugares de culto antigos e modernos, a primavera dos movimentos e dos grupos eclesiais são o sinal visível de um sentimento religioso que não se apagou. A “nova evangelização”, neste contexto, exorta a Igreja a saber discernir os sinais do Espírito na ação, dirigindo e educando as suas expressões, em vista de uma fé adulta e consciente «até chegar à medida da plenitude de Cristo» (Ef. 4, 13)[27]. Além dos grupos recentemente nascidos, fruto promissor do Espírito Santo, uma grande tarefa na nova evangelização diz respeito à vida consagrada nas suas antigas e novas formas. Recordemos que nos dois mil anos de cristianismo todos os grandes movimentos de evangelização estiveram ligados a formas de radicalismo evangélico.

As comunidades cristãs devem ser capazes de assumir com responsabilidade e coragem esta demanda de renovação que a mudança do contexto cultural e social coloca à Igreja. Elas devem aprender a viver e a lidar com esta longa transição de figura, mantendo como ponto de referência, como estrela polar de orientação, o mandamento de evangelizar.

Nova Evangelização é, então, sinônimo de missão; pede capacidade de recomeçar, de ir além, de ampliar os horizontes. A nova evangelização é o contrário da auto suficiência e de fechamento em si mesmo, da mentalidade do status quo e de uma visão pastoral que considera suficiente continuar a fazer como sempre se fez. Hoje, o “business as usual” já não basta. Como algumas Igrejas locais se empenharam em afirmar, é hora de a Igreja chamar as comunidades cristãs a uma conversão pastoral no sentido missionário da ação das suas estruturas[32].

«Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16, 15)

O Evangelho é Evangelho de Jesus Cristo: não tem somente como conteúdo Jesus Cristo. Jesus é, através do Espírito Santo, muito mais, é o promotor e o tema principal da sua mensagem, da sua transmissão. O objetivo da transmissão da fé é, portanto, a realização deste encontro com Jesus Cristo, no Espírito, para chegar a fazer a experiência do Seu e do nosso Pai[35].

Transmitir a fé significa criar em cada lugar e em cada tempo as condições para que o encontro entre os homens e Jesus Cristo aconteça. A fé, como encontro com a pessoa de Cristo, tem a forma da relação com Ele, da memória d’Ele (na Eucaristia) e do formar em nós a mentalidade de Cristo, na graça do Espírito.

Não se pode transmitir o Evangelho se na base não houver um “estar” com Jesus, um viver com Jesus, no Espírito, a experiência do Pai; e, do mesmo modo, a experiência do “estar” impele ao anúncio, à proclamação, à partilha do que foi vivido, experimentando-o como bom, positivo e belo.

A transmissão da fé não se faz só com palavras mas, exige um relacionamento com Deus através da oração e da própria fé em ação. E nesta educação para a oração é crucial a liturgia, com o seu papel pedagógico, no qual o sujeito que educa é o próprio Deus e o verdadeiro mestre da oração é o Espírito Santo.

O contexto no qual nos encontramos pede às Igrejas locais, assim, um novo impulso, um novo ato de fé no Espírito que a conduz, para que possam assumir novamente, com alegria e entusiasmo, a tarefa fundamental pela qual Jesus enviou os seus discípulos: o anúncio da Evangelho (cf. Mc. 16, 15), a pregação do Reino (cf. Mc. 3, 15). É importante que cada cristão se sinta interpelado por este mandamento de Jesus, se deixe guiar pelo Espírito a dar-lhe a resposta, segundo a sua própria vocação. Num momento em que a escolha da fé e do seguimento de Cristo é menos fácil e pouco compreensível, e até por vezes contrastada e combatida, aumenta a responsabilidade da comunidade e dos cristãos de serem testemunhas e arautos do Evangelho, como o fez Jesus Cristo.

Os frutos que este processo contínuo de evangelização gera para a Igreja, como sinal da força vivificante do Evangelho, formam-se no confronto com os desafios do nosso tempo. Precisamos gerar famílias que sejam um sinal real e verdadeiro do amor e da partilha, capazes de se abrirem à esperança, porque abertas à vida; é preciso ter a força de construir comunidades dotadas de um verdadeiro espírito ecumênico e capazes de diálogo com outras religiões; urge a coragem de apoiar iniciativas de justiça social e de solidariedade, que coloquem no centro das atenções da Igreja os pobres; espera-se alegria no dar a própria vida num projeto vocacional ou de consagração. Uma Igreja que transmite a sua fé, uma Igreja da “nova evangelização” é capaz, em todos estes âmbitos, de mostrar o Espírito que a guia e que transfigura a história: a história da Igreja, dos cristãos, dos homens e das suas culturas.

«Fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que vos tenho ordenado» (Mt. 28, 19-20)

 

O contexto de emergência educativa no qual nos encontramos dá ainda mais força às palavras do Papa Paulo VI: «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas. [...] Será pois, pelo seu comportamento, pela sua vida, que a Igreja há de, antes de mais nada, evangelizar este mundo; ou seja, pelo seu testemunho vivido com fidelidade ao Senhor Jesus, testemunho de pobreza, de desapego e de liberdade frente aos poderes deste mundo; numa palavra, testemunho de santidade»[82].

«Recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós» (Act. 1, 8)

Com sua vinda entre nós, Jesus Cristo, comunicou-nos a vida divina, que transfigura a face da terra, fazendo novas todas as coisas (cf. Ap. 21, 5). A sua Revelação envolveu-nos não apenas como destinatários da salvação que nos foi dada, mas também como seus arautos e testemunhas. O Espírito do Ressuscitado capacita-nos, assim, a difundir o Evangelho de forma eficaz em todo o mundo. É a experiência da primeira comunidade cristã que via a Palavra propagar-se através da pregação e do testemunho (cf. Act. 6, 7).

Cronologicamente, a primeira evangelização teve início no dia de Pentecostes quando os apóstolos, reunidos em oração no mesmo lugar, com a Mãe de Cristo, receberam o Espírito Santo. Aquela, que nas palavras do Arcanjo é a “cheia de graça”, encontra-se, assim, no caminho da evangelização apostólica e em todos os caminhos em que os sucessores dos Apóstolos se mobilizaram para anunciar o Evangelho.

Nova Evangelização não significa um “novo Evangelho”, porque «Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre» (Hb. 13,8). Nova evangelização significa: uma resposta adequada aos sinais dos tempos, às necessidades dos indivíduos e dos povos de hoje, aos novos cenários que desenham a cultura através da qual dizemos a nossa identidade e procuramos o sentido das nossas vidas. Nova evangelização, portanto, significa promover uma cultura profundamente enraizada no Evangelho; significa descobrir o novo homem em nós, graças ao Espírito que nos foi dado por Jesus Cristo e pelo Pai.

Deixemos esta tarefa ao Papa João Paulo II, que tanto apoiou e difundiu esta terminologia. «Ao longo destes anos, muitas vezes repeti o apelo à nova evangelização; e faço-o agora uma vez mais para reforçar sobretudo que é preciso reacender em nós o zelo das origens, deixando-nos invadir pelo ardor da pregação apostólica que se seguiu ao Pentecostes. Devemos reviver em nós o sentimento ardente de Paulo que o levava a exclamar: «Ai de mim se não evangelizar!» (1 Cor. 9, 16).

Fim.

 


Tio, o que você acha da Santa Suzana?

28 de abril de 2011

 

Outro dia me fizeram esta pergunta e eu já explico o que ela significava, mas antes de dar uma resposta sobre o real sentido da pergunta, brinquei falando que não conhecia a vida desta santa para poder dar uma opinião sobre suas virtudes.

Santa Suzana é, na realidade, um grupo de oração carismático, de uma paróquia próxima à nossa, e que tem sido frenquentado pelos membros de nosso movimento beneditino, o Movimento Pax.

E voltando à pergunta, eu respondi que acho ótimo que os jovens procurem, dentro da igreja, algo que eles não estão encontrando na sua comunidade. O Espírito Santo distribui uma grande diversidade de dons e carismas na Igreja e Beneditinos, carismáticos, ou qualquer outro grupo, jamais devem excluir o outro como sendo o único e o melhor.

E uma característica que admiro do Movimento Pax é a de não tentar enquadrar a pessoa, ou seja, mudar a maneira que a pessoa é.  Se for tímida e mais contemplativa, pode permanecer assim, se gostar de manifestar seu amor com gestos, pulos e dança, também vale. Jesus jamais nos faria mudar, afinal Ele mesmo nos fez com tais diferenças.

Jesus só queria nos ver livres para sermos amados por Ele e isso tinha como conseqüência deixarmos de viver no pecado.

Por isso, não importa se na comunidade que eu freqüento, uns levantam os braços e cantam alegremente e outros nem se sentem confortáveis para levantar os braços quando rezam o Pai Nosso. O que importa é a atitude do coração, o quanto o coração está realmente convertido para Jesus.

E falando em conversão, temos que pensar que, ser luz neste mundo, não é fácil, mas cada um de nós, que fomos batizados, tem a obrigação de lutar para ser esta luzinha que pode iluminar a vida de alguém para descobrir Jesus.

É preciso amar, como Jesus nos amou, mas amar na verdade. 

Não posso louvar de braços estendidos e cantar alegremente se mantenho uma vida de pecado. Se em uma festa dou contra testemunho, quando encho a cara de bebida até cair, se quando namoro, não vivo a castidade com minha namorada,  ou não sou fiel à mesma, ou ainda fico com qualquer uma.  

Não podemos usar a desculpa que são outros tempos! As coisas de Deus não mudam.

O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. “ MC 13,31

Se, como pai ou como mãe sou omisso com os meus filhos incentivando-os ao pecado, fornecendo camisinhas e pílulas anticoncepcionais desde a sua adolescência. Se não ensino o que é um não amoroso, para ensiná-los a enfrentar a vida. Se não dou testemunho de vida cristã, querendo que eles vivam o que eu mesmo não vivo em minha vida.

Seus filhos os viram se confessar na última quaresma? Vocês freqüentaram as celebrações da Páscoa ou descansaram?

Não podemos ser mornos na fé. Temos que lutar sem parar. Não acertaremos sempre, mas jamais podemos nos acomodar no mais ou menos.

“Conheço a tua conduta. Não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!
Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te de minha boca.
Eu repreendo e educo os que eu amo. Esforça-te, pois, e converte-te. “ Ap 3, 15-16;19

Seja quem você é. Levante os braços e cante alegremente ou contemple calado este Deus amoroso, mas sempre lute contra o pecado.

Procure a conversão todos os dias, todos os momentos de sua vida, pois Jesus pagou caro para nos dar a salvação e o perdão de nossos pecados.


Semana Santa

14 de março de 2011

 

Participar das celebrações da Semana Santa é algo que vem perdendo importância para nós católicos. Isto porque as pessoas estão perdendo o sentido do gesto de Jesus, doando-se para a nossa salvação.

Gostamos de celebrar nosso aniversário, dia de nosso casamento, dia dos namorados e até dia das bruxas, mas o maior gesto de amor que a humanidade já viu, nós estamos deixando de lado. Afinal, a Semana Santa celebra a data da nossa salvação! O dia em que recebemos o nosso passaporte para o céu, o dia em que nos tornamos herdeiros de Deus Pai por intermédio da cruz de seu Filho.

Outro dia perguntei para alguém se iria viajar na Semana Santa e a resposta foi:

-Claro, eu também sou filho de Deus!

Não sei se esta pessoa vai participar das celebrações onde vai estar durante a Semana Santa, mas certamente ele pode dizer que é filho de Deus, justamente pelo que celebramos nessa semana.

Na quinta-feira santa lembramos o gesto maravilhoso de Jesus ao lavar os pés de seus discípulos, mostrando que devemos servir os irmãos, pois Ele, que era Deus, assim o fez por nós, não só neste gesto simbólico do lava pés, mas principalmente carregando todas as nossas culpas num sofrimento inigualável por homem nenhum na história.

Na sexta-feira santa, dia da morte de Jesus na cruz, é um dia de respeito, de introspecção, de jejum, pois na cruz Jesus derramou seu sangue para lavar nosso pecado. Ele assumiu a solidão da condenação injusta e do abandono de seus amigos para que pudéssemos chamar a Deus de Pai. Será que nós não estamos, mais uma vez, abandonando este Jesus na cruz para nos divertir?

Na vigília do sábado de aleluia, aguardamos a ressurreição de Jesus. É a abertura das portas do céu para nós, a razão de nossa esperança. Jesus está vivo e nos aguarda para nosso encontro definitivo! Não esperamos um coelho da Páscoa, um Papai Noel, nem muito menos uma bruxa ou um gnomo, esperamos Jesus, o nosso Salvador. Alguém que conhece o meu sofrimento, alguém que foi injustiçado, alguém que foi traído, alguém que sentiu solidão na hora do aperto. Um Deus que se rebaixou para nos dizer que tem um amor ilimitado por nós, num gesto digno de um louco apaixonado.

Você se comove com Romeu e Julieta? Pois Jesus fez muito mais por amor. Por amor de cada um de nós. Não importa nossas faltas, nossas fraquezas, nossas imperfeições, o gesto de amor de Jesus foi tão grande que é capaz de apagar em nós nosso pecado e transformar-nos em criaturas novas.

Domingo da Ressurreição é o dia maravilhoso para lembrar, reviver e receber este Jesus vivo e atuante em nossas vidas.

Vamos fazer uma forcinha para viver este espírito da Semana Santa, se possível em família e em comunidade, pois é o mínimo que podemos fazer por quem tanto nos ama e faz por nós!


Saída

10 de fevereiro de 2011

 

Todos nós temos dificuldades com inúmeras coisas. Algumas são pontuais, como enfrentar um vestibular ou trocar de emprego, outras são mais insistentes como um medo que não nos deixa em paz. Tem os que  vivem se vendo sob uma lente de diminuição, outros caem, caem e caem nos mesmos erros e não conseguem vencê-los, por mais consciência que tenham de todos eles.

Conheço pessoas que apesar de uma coragem enorme para muitas coisas, que deixam qualquer um de boca aberta, paradoxalmente tem um medo paralisante para outras aparentemente muito menores. Há alguns com inúmeras qualidades como pessoa, tanto na beleza física, inteligência e beleza interior e, mesmo assim, não conseguem um relacionamento duradouro.  

Até São Paulo lutava consigo mesmo dizendo que fazia o mal que não queria, mas não fazia o bem que desejava.

Psicólogos, psiquiatras, diretores espirituais, amigos de verdade podem ajudar, mas em geral, fica faltando algo. Algo que deixa uma sensação de que não há uma saída e uma grande tentação para nos acomodarmos em “sermos assim mesmo”.

Tem gente que fala: “Eu estou lutando muito para vencer essa dificuldade!” e está mesmo, mas chega num limite e empaca.

E eu creio firmemente que só há uma saída. E essa saída é uma verdadeira experiência de Deus. Um colocar Deus em nossa vida no “seu devido lugar”.

A experiência de Deus não é ir às missas aos domingos, participar de uma ação social ou um encontro de jovens uma vez por ano. Estas coisas tem que ser uma conseqüência da experiência de Deus, ou seja, a partir desse relacionamento íntimo com Deus eu saio de mim e quero mais.

A experiência de Deus se dá a partir de um contato freqüente com Deus na oração, na doação e na abertura para a ação do Espírito Santo.

Avalie bem se as coisas que você faz em Deus, geram algum bem só para você ou para os outros. Amar é sair de si em direção ao outro. Amar é querer o bem para o outro. É assim que Deus ama e é assim que devemos amar.

Mas em uma comunidade ou em um grupo de oração eu não estou só me alimentando de Deus? Não, pois orar em comunidade, além de garantir a presença de Deus, ajuda todos na comunidade a crescer e a ter esta verdadeira experiência de Deus. Compartilhar as dificuldades e as vitórias ajuda toda a comunidade a enfrentar problemas semelhantes. Deixar-se invadir pelo Espírito Santo é muito mais fácil quando estamos unidos em oração.

Sair de si para ver os irmãos é outro caminho seguro para esta experiência de Deus. Quando deixamos nossos problemas para ver os do irmão, sentimos o amor fluir, e o amor fluindo é Deus em nós. Quantos de nós não falam que sentiram uma profunda alegria numa ação social, coisa que não experimentou num encontro de jovens? Isto é a ação de sair de si mesmo.

Nossa mente, e não só ela, está sempre trabalhando para nos conduzir à situação de menor esforço, ou seja, nos colocar na nossa zona de conforto. Tentamos nos convencer que somos bonzinhos, que já fazemos nossa parte e o resto pode continuar como está. Ou então nos convencemos de que não vamos em tais lugares porque achamos que tem gente que não gosta de nós, que é difícil chegar lá, ou que nos discriminariam por cor, condição social, etc. etc.

Agora vou dizer uma coisa, há alguém, o inimigo de Deus, satanás, que quer que você continue do jeito que está. Que você se convença que está lutando o suficiente, que já faz mais que a obrigação.  Ele está sempre te dizendo baixinho: Você está no caminho certo. Isso já está bom,. Não esqueça das outras coisas como carreira, idiomas, viagens, ginástica, etc. etc. Oração não enche barriga.

Por isso São Paulo nos diz:

“Enfim, fortalecei-vos no Senhor, no poder de sua força; revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do diabo.  

Pois a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, os espíritos malignos espalhados pelo espaço.

Por isso, protegei-vos com a armadura de Deus, a fim de que possais resistir no dia mau, e assim, empregando todos os meios, continueis firmes.
Ficai, pois, de prontidão, tendo a verdade como cinturão, a justiça como couraça e os pés calçados com o zelo em anunciar a Boa-Nova da paz.

Em todas as circunstâncias, empunhai o escudo da fé, com o qual podereis apagar todas as flechas incendiadas do Maligno.
Enfim, ponde o capacete da salvação e empunhai a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.
Com toda sorte de preces e súplicas, orai constantemente no Espírito. Prestai vigilante atenção neste ponto, intercedendo por todos os santos.”
Ef 6, 10-18

Então eu pergunto: Você vai continuar nessa zona de conforto?


Movimento Pax e a Civilização do Amor

17 de janeiro de 2011

 

Durante todo o seu pontificado, João Paulo II insistia no tema da construção da civilização do amor. Em seus discursos, cartas e audiências ele tocava no assunto com incansável persistência.

Mas afinal o que seria esta civilização do amor? E o que o Movimento Pax tem a ver com isto?

Em uma de suas audiências João Paulo II começa citando uma encíclica:

“Lembrados da palavra do Senhor:  “nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35), os cristãos nada podem desejar mais ardentemente do que servir sempre com maior generosidade e eficácia os homens do mundo de hoje” (Gaudium et spes, 93).

“A Igreja no mundo atual” responde ao fascinante desafio de construir um mundo animado pela lei do amor, uma civilização do amor, “fundada sobre os valores universais de paz, solidariedade, justiça e liberdade, que encontram em Cristo a sua plena atuação”

A civilização do amor é a aplicação prática, na vida da sociedade, do amor que provém de Deus.  Se Deus é amor temos que colocá-lo como Senhor dessa civilização, mas infelizmente o que vemos é uma luta tremenda para que o contrário aconteça, por isso o Papa dizia:

 “Estamos perante uma realidade mais vasta, que se pode considerar como uma verdadeira e própria estrutura de pecado, caracterizada pela imposição de uma cultura anti-solidária, que se configura em muitos casos como verdadeira “cultura de morte”" (n. 12).

 Diante desta cultura necrófila, a nossa responsabilidade de cristãos exprime-se no empenho da “nova evangelização”, entre cujos frutos mais importantes deve-se incluir a civilização do amor.
 
 
 

 

Ou seja, viver o amor na prática é a única maneira de vencer esta cultura de morte, morte da vida aqui na Terra, morte que leva à condenação de almas.

A mensagem de amor que é própria do Evangelho liberta instâncias e valores humanos, como a solidariedade, o ardente desejo de liberdade e de igualdade, o respeito pelo pluralismo das formas expressivas. O fundamento da civilização do amor é o reconhecimento do valor da pessoa humana e, de maneira concreta, de todos os homens. O grande contributo do cristianismo reconhece-se mesmo neste terreno.

E aqui eu começo a refletir o quanto o Movimento Pax e consequentemente os ensinamentos de São Bento, que inspiram a ação do Movimento, está de acordo com a Civilização do Amor pregada por João Paulo II.

O Movimento tem uma profunda “cultura” de acolhimento, de solidariedade, tanto nas ações sociais como na amizade entre sues membros, no respeito às diferenças, coisa muito pouco comum nos movimentos católicos (infelizmente) e no respeito à liberdade de cada um. Poucos se dão conta da riqueza que se insere no Movimento neste sentido e o quanto se vive de forma integral esse amor.

Como toda a nossa Igreja, o Movimento é feito de pessoas imperfeitas e pecadoras, mas  “ser do Pax” não é somente ir a uma reunião semanal, não é fazer só uma ação social, ou freqüentar as missas aos domingos cumprindo uma obrigação. “Ser do Pax” compreende tudo isso, mas também compreende viver em família, dividir as alegrias e os sofrimentos, ajudar-se mutuamente e profissionalmente, a criar novas famílias dentro de um contexto de amor e fé, além de renovar as famílias, muitas vezes pelo chamado dos filhos para que seus pais se envolvam com o Movimento e se envolvam com a pessoa de Cristo.

E o Papa confirma isso no que se segue:

De fato, a visão cristã do ser humano como imagem de Deus implica que os direitos da pessoa se imponham pela própria natureza ao respeito da sociedade, que não os cria, mas simplesmente os reconhece (cf. Gaudium et spes, 26).

 A Igreja está consciente de que esta doutrina pode permanecer letra morta se a vida social não for animada pelo sopro de uma autêntica experiência religiosa e, em particular, pelo testemunho cristão continuamente alimentado pela ação criadora e reparadora do Espírito Santo. Com efeito, ela está consciente de que a crise da sociedade e do homem contemporâneo é motivada, em grande parte, pela redução da dimensão espiritual específica da pessoa humana.

O cristianismo oferece o seu contributo à construção de uma sociedade à medida do homem, precisamente assegurando-lhe uma alma e proclamando as exigências da lei de Deus, na qual toda a organização e legislação da sociedade se devem ancorar, se têm em vista garantir a promoção humana, a libertação de todo o tipo de escravidão, o progresso autêntico.

Este contributo da Igreja passa sobretudo através do testemunho oferecido pelos cristãos, e em particular pelos leigos, na sua vida quotidiana. Com efeito, o homem contemporâneo acolhe a mensagem do amor mais das testemunhas do que dos mestres, e destes últimos quando se apresentam como autênticas testemunhas (cf. EN, 41). É este o desafio a enfrentar, para que se abram novos cenários para o futuro do cristianismo e da própria humanidade.

Desta forma o Papa enfatiza que o mundo precisa de testemunhos, precisa de pessoas que possam ser reconhecidas como cristãs não só dentro das paredes do templo, mas na vida cotidiana e nisso o Movimento Pax tem sido rico. Entretanto como fala o Ato dos Apóstolos,:

Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Apossava-se de todos o temor, e pelos apóstolos realizavam-se numerosos prodígios e sinais. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum; AT 2,42-44

Precisamos continuar a trabalhar a unidade, deixar que todo o Movimento seja conduzido por um único espírito, o Espírito Santo, que dirige toda a Igreja, que cura os corações, que nos ajuda no combate à esta cultura de morte que nos rodeia. Precisamos entrar de cabeça na oração, na oração em comunidade, comunidade do Pax, comunidade de Jesus, comunidade que converte o mundo.


Um Deus apaixonado

16 de novembro de 2010

 

Se tem uma característica de Deus que nós insistimos que é só humana, é seu amor apaixonado. Insistimos em negar intimamente, que possa haver um Deus que ame apaixonadamente, que faça loucuras por esse amor, que não só ame, mas queira demonstrar para todos, de todas as formas, esse amor apaixonado.

E como um grande amor aguça nossa imaginação, Deus não poupou inspiração para nos falar de seu amor.

Acaso uma mulher esquece o seu neném, ou o amor ao filho de suas entranhas? Mesmo que alguma se esqueça, eu de ti jamais me esquecerei! Is 49,15

Eu vos amo, diz o SENHOR. E vós perguntais: ‘Tu nos amas? Como?  Mal 1,1

De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Jo 3,16

Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi e vos designei, para dardes fruto e para que o vosso fruto permaneça. Assim, tudo o que pedirdes ao Pai, em meu nome, ele vos dará. O que eu vos mando é que vos ameis uns aos outros. Jo 15,11-17

E nessa paixão Ele não hesita em agir em nós, quando permitimos isso, transformando nosso coração, fazendo-nos pessoas novas.

Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Ez 36,26

Jesus disse então: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. Jo 11,25

Estavam ali sentados alguns escribas, que no seu coração pensavam: “Como pode ele falar deste modo? Está blasfemando. Só Deus pode perdoar pecados”! Pelo seu espírito, Jesus logo percebeu que eles assim pensavam e disse-lhes: “Por que pensais essas coisas no vosso coração? Que é mais fácil, dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados são perdoados’, ou: ‘Levanta-te, pega a tua maca e anda’? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados — disse ao paralítico — eu te digo: levanta-te, pega a tua maca, e vai para casa!” O paralítico se levantou e, à vista de todos, saiu carregando a maca. Todos ficaram admirados e louvavam a Deus dizendo: “Nunca vimos coisa igual”! Mc 2,6-12

E temos que deixar esse Deus nos dizer como nos ama através do Espírito Santo, e também deixá-lo dizer como nós devemos amar e contar aos outros esta boa nova do amor apaixonado de nosso Deus. Assim continuaremos sua missão aqui na terra, através de nosso serviço ao reino de Deus.

Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. Há diferentes atividades, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito, em vista do bem de todos. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de conhecimento segundo o mesmo Espírito. A outro é dada a fé, pelo mesmo Espírito. A outro são dados dons de cura, pelo mesmo Espírito. A outro, o poder de fazer milagres. A outro, a profecia. A outro, o discernimento dos espíritos. A outro, a diversidade de línguas. A outro, o dom de as interpretar. Todas essas coisas as realiza um e o mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer. I Cor 12,3-11.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.