As vezes, dentro da Igreja, recebemos um banho de água fria, justamente quando nossa fé está aumentando e sentimos o Espírito Santo aquecer nossos corações. Não duvidem, o demônio fica insatisfeito com isso e usa quem menos esperamos para tentar nos desanimar.
Mas como ele não tem poder sobre nós, eu sugiro o texto abaixo que nos anima como Igreja e mostra qual caminho seguir.
O Sínodo dos Bispos, a pedido do Papa Bento XVI vai realizar em 2012 a XIII ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA sobre A NOVA EVANGELIZAÇÃOPARA A TRANSMISSÃO DA FÉ CRISTÃ.
Como nós temos muito pouco conhecimento do que nossa Igreja propõe e faz, resolvi colocar alguns trechos do documento preparatório distribuído aos bispos.
A íntegra do documento está em:
http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20110202_lineamenta-xiii-assembly_po.html
Vejamos alguns pontos importantes:
«Como acreditarão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão,
se não há quem o anuncie?» (Rm. 10, 14)
A palavra dos discípulos de Emaús (cf. Lc. 24, 13-35) é paradigmática da possibilidade de um anúncio falho de Cristo, porque incapaz de transmitir vida. Os dois discípulos de Emaús anunciam um morto (cf. Lc. 24, 21-24), narram a sua frustração e a sua perda de esperança. Dizem a possibilidade, para a Igreja de todos os tempos, de um anúncio que não dá vida, que mantém encerrado na morte o Cristo anunciado, os anunciadores e os destinatários do anúncio. A pergunta sobre a transmissão da fé, que não é uma ação individualista e solitária, mas um evento comunitário, eclesial, não deve dirigir as respostas no sentido da busca de estratégias eficazes de comunicação, e tão pouco centrar-se analiticamente sobre os destinatários, por exemplo os jovens, mas deve declinar-se como questão que diz respeito ao sujeito encarregado desta operação espiritual. Deve tornar-se uma pergunta da Igreja sobre si mesma. Isto consente de encarar o problema de maneira não extrínseca, mas correta, dado que põe em causa a Igreja toda no seu ser e no seu viver. E talvez assim se possa até compreender que o problema da falta de fecundidade da evangelização de hoje, da catequese nos tempos modernos, é um problema eclesiológico, que diz respeito à capacidade que a Igreja tem de se configurar, ou não, como uma comunidade real, como uma verdadeira fraternidade, como um corpo e não como uma máquina ou uma empresa.
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Nós, crentes, devemos levar a sério até mesmo as pessoas que se consideram agnósticos ou ateus. Esses talvez se assustem quando se fala de nova evangelização, como se tivessem de se tornar objeto de missão. Mas a questão de Deus, todavia, continua presente também para eles. A busca de Deus foi a razão fundamental pela qual nasceu o monaquismo ocidental e, com ele, a cultura ocidental. O primeiro passo da evangelização consiste no procurar manter viva essa procura. É preciso manter o diálogo não só com as religiões, mas também com quem considera a religião como algo de estranho.
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Os novos cenários, com os quais somos chamados a confrontarmo-nos, apelam para que se desenvolva uma crítica aos estilos de vida, às estruturas de pensamento e de valor, às linguagens construídas para comunicar. Ao mesmo tempo essa deverá funcionar como uma autocrítica do cristianismo moderno, que deve aprender sempre de novo a questionar-se, a partir das próprias raízes.
Aqui encontra o seu específico e a sua força o instrumento da nova evangelização: é preciso olhar para estas situações, para estes fenômenos, sabendo superar o nível emocional do juízo defensivo e do medo, para aproveitar objetivamente os sinais do novo, juntamente com os desafios e fragilidades. “Nova evangelização” significa, portanto, trabalhar nas nossas Igrejas locais para construir caminhos de leitura dos fenômenos acima indicados que permitam traduzir a esperança do Evangelho em termos práticos. Isto significa que a Igreja se edifica aceitando medir-se com esses desafios, tornando-se cada vez mais a artífice da civilização do amor.
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Este esforço por trazer a questão de Deus para dentro dos problemas do homem de hoje, intercepta o retorno da necessidade religiosa e a procura da espiritualidade que a partir das novas gerações emerge com renovado vigor. As mudanças de cenário que analisamos até este ponto não podiam não exercer influencia também sobre o modo como os homens deram voz e corpo ao seu sentido religioso. A própria Igreja Católica é afetada por este fenômeno, que oferece recursos e oportunidades de evangelização inesperadas há algumas décadas. Os grandes encontros mundiais da juventude, as peregrinações aos lugares de culto antigos e modernos, a primavera dos movimentos e dos grupos eclesiais são o sinal visível de um sentimento religioso que não se apagou. A “nova evangelização”, neste contexto, exorta a Igreja a saber discernir os sinais do Espírito na ação, dirigindo e educando as suas expressões, em vista de uma fé adulta e consciente «até chegar à medida da plenitude de Cristo» (Ef. 4, 13)[27]. Além dos grupos recentemente nascidos, fruto promissor do Espírito Santo, uma grande tarefa na nova evangelização diz respeito à vida consagrada nas suas antigas e novas formas. Recordemos que nos dois mil anos de cristianismo todos os grandes movimentos de evangelização estiveram ligados a formas de radicalismo evangélico.
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As comunidades cristãs devem ser capazes de assumir com responsabilidade e coragem esta demanda de renovação que a mudança do contexto cultural e social coloca à Igreja. Elas devem aprender a viver e a lidar com esta longa transição de figura, mantendo como ponto de referência, como estrela polar de orientação, o mandamento de evangelizar.
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Nova Evangelização é, então, sinônimo de missão; pede capacidade de recomeçar, de ir além, de ampliar os horizontes. A nova evangelização é o contrário da auto suficiência e de fechamento em si mesmo, da mentalidade do status quo e de uma visão pastoral que considera suficiente continuar a fazer como sempre se fez. Hoje, o “business as usual” já não basta. Como algumas Igrejas locais se empenharam em afirmar, é hora de a Igreja chamar as comunidades cristãs a uma conversão pastoral no sentido missionário da ação das suas estruturas[32].
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«Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16, 15)
O Evangelho é Evangelho de Jesus Cristo: não tem somente como conteúdo Jesus Cristo. Jesus é, através do Espírito Santo, muito mais, é o promotor e o tema principal da sua mensagem, da sua transmissão. O objetivo da transmissão da fé é, portanto, a realização deste encontro com Jesus Cristo, no Espírito, para chegar a fazer a experiência do Seu e do nosso Pai[35].
Transmitir a fé significa criar em cada lugar e em cada tempo as condições para que o encontro entre os homens e Jesus Cristo aconteça. A fé, como encontro com a pessoa de Cristo, tem a forma da relação com Ele, da memória d’Ele (na Eucaristia) e do formar em nós a mentalidade de Cristo, na graça do Espírito.
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Não se pode transmitir o Evangelho se na base não houver um “estar” com Jesus, um viver com Jesus, no Espírito, a experiência do Pai; e, do mesmo modo, a experiência do “estar” impele ao anúncio, à proclamação, à partilha do que foi vivido, experimentando-o como bom, positivo e belo.
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A transmissão da fé não se faz só com palavras mas, exige um relacionamento com Deus através da oração e da própria fé em ação. E nesta educação para a oração é crucial a liturgia, com o seu papel pedagógico, no qual o sujeito que educa é o próprio Deus e o verdadeiro mestre da oração é o Espírito Santo.
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O contexto no qual nos encontramos pede às Igrejas locais, assim, um novo impulso, um novo ato de fé no Espírito que a conduz, para que possam assumir novamente, com alegria e entusiasmo, a tarefa fundamental pela qual Jesus enviou os seus discípulos: o anúncio da Evangelho (cf. Mc. 16, 15), a pregação do Reino (cf. Mc. 3, 15). É importante que cada cristão se sinta interpelado por este mandamento de Jesus, se deixe guiar pelo Espírito a dar-lhe a resposta, segundo a sua própria vocação. Num momento em que a escolha da fé e do seguimento de Cristo é menos fácil e pouco compreensível, e até por vezes contrastada e combatida, aumenta a responsabilidade da comunidade e dos cristãos de serem testemunhas e arautos do Evangelho, como o fez Jesus Cristo.
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Os frutos que este processo contínuo de evangelização gera para a Igreja, como sinal da força vivificante do Evangelho, formam-se no confronto com os desafios do nosso tempo. Precisamos gerar famílias que sejam um sinal real e verdadeiro do amor e da partilha, capazes de se abrirem à esperança, porque abertas à vida; é preciso ter a força de construir comunidades dotadas de um verdadeiro espírito ecumênico e capazes de diálogo com outras religiões; urge a coragem de apoiar iniciativas de justiça social e de solidariedade, que coloquem no centro das atenções da Igreja os pobres; espera-se alegria no dar a própria vida num projeto vocacional ou de consagração. Uma Igreja que transmite a sua fé, uma Igreja da “nova evangelização” é capaz, em todos estes âmbitos, de mostrar o Espírito que a guia e que transfigura a história: a história da Igreja, dos cristãos, dos homens e das suas culturas.
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«Fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que vos tenho ordenado» (Mt. 28, 19-20)
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O contexto de emergência educativa no qual nos encontramos dá ainda mais força às palavras do Papa Paulo VI: «O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas. [...] Será pois, pelo seu comportamento, pela sua vida, que a Igreja há de, antes de mais nada, evangelizar este mundo; ou seja, pelo seu testemunho vivido com fidelidade ao Senhor Jesus, testemunho de pobreza, de desapego e de liberdade frente aos poderes deste mundo; numa palavra, testemunho de santidade»[82].
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«Recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós» (Act. 1, 8)
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Com sua vinda entre nós, Jesus Cristo, comunicou-nos a vida divina, que transfigura a face da terra, fazendo novas todas as coisas (cf. Ap. 21, 5). A sua Revelação envolveu-nos não apenas como destinatários da salvação que nos foi dada, mas também como seus arautos e testemunhas. O Espírito do Ressuscitado capacita-nos, assim, a difundir o Evangelho de forma eficaz em todo o mundo. É a experiência da primeira comunidade cristã que via a Palavra propagar-se através da pregação e do testemunho (cf. Act. 6, 7).
Cronologicamente, a primeira evangelização teve início no dia de Pentecostes quando os apóstolos, reunidos em oração no mesmo lugar, com a Mãe de Cristo, receberam o Espírito Santo. Aquela, que nas palavras do Arcanjo é a “cheia de graça”, encontra-se, assim, no caminho da evangelização apostólica e em todos os caminhos em que os sucessores dos Apóstolos se mobilizaram para anunciar o Evangelho.
Nova Evangelização não significa um “novo Evangelho”, porque «Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre» (Hb. 13,8). Nova evangelização significa: uma resposta adequada aos sinais dos tempos, às necessidades dos indivíduos e dos povos de hoje, aos novos cenários que desenham a cultura através da qual dizemos a nossa identidade e procuramos o sentido das nossas vidas. Nova evangelização, portanto, significa promover uma cultura profundamente enraizada no Evangelho; significa descobrir o novo homem em nós, graças ao Espírito que nos foi dado por Jesus Cristo e pelo Pai.
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Deixemos esta tarefa ao Papa João Paulo II, que tanto apoiou e difundiu esta terminologia. «Ao longo destes anos, muitas vezes repeti o apelo à nova evangelização; e faço-o agora uma vez mais para reforçar sobretudo que é preciso reacender em nós o zelo das origens, deixando-nos invadir pelo ardor da pregação apostólica que se seguiu ao Pentecostes. Devemos reviver em nós o sentimento ardente de Paulo que o levava a exclamar: «Ai de mim se não evangelizar!» (1 Cor. 9, 16).
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Fim.