O que você está esperando?

29 de julho de 2011

 

A parábola dos talentos que Jesus conta em Mateus 25,14-30 coloca algo que quase nunca pensamos, que é a diferença de dons que Deus dá a seus filhos, a uns mais, a outros menos, mas Ele quer que prestemos conta destes  talentos que nos deu. Vejamos o início desta parábola:

“O Reino dos Céus é também como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens: a um, cinco talentos, a outro, dois e ao terceiro, um — a cada qual de acordo com sua capacidade. Em seguida viajou.”

Nós acabamos tendo uma idéia “socialista de Deus”, pensando que Ele ama a todos igualmente, distribui seus dons a todos igualmente, espera o retorno de todos igualmente e a Bíblia diz que não. E para que possamos “prestar contas” dos talentos que Deus nos deu, precisamos primeiramente reconhecer nossas qualidades, depois temos que entender qual a nossa missão, ou seja, o que fazer com “os bens” que Deus nos confiou e por fim colocar mãos a obra, pois mais cedo ou mais tarde “o patrão” vai voltar e pedir contas dos seus bens.

Reconhecendo nossas qualidades

Esta é uma tarefa difícil, principalmente nos dias de hoje, pois somos sufocados com a mensagem de que ter é mais importante do que ser e sempre nos faltará algo que é do último modelo ou da última moda e, portanto, sempre somos menos do que realmente deveríamos, criando em nós um complexo de inferioridade que nunca se desfaz.

Temos que olhar para o nosso valor como pessoas, entender o que somos, reconhecer nossas qualidades, que podem ser a capacidade de sorrir para as pessoas, de ter um senso de justiça aguçado, de conseguir cativar quem conhecemos, de sermos carinhosos com as pessoas, de sermos perseverantes nas nossas empreitadas, de sermos corajosos para enfrentar a vida, de sermos otimistas, etc.

Outro aspecto que não nos deixa reconhecer os talentos que temos é o peso do pecado, não a dor do arrependimento, que é saudável, mas aquela culpa que nos leva a não nos perdoarmos nunca, achando que o pecado arrancou definitivamente de nós o poder da graça, a vida para a qual Deus nos criou, a dignidade de nos sentirmos filhos amados de Deus. Esta culpa é obra do demônio que não quer que reconheçamos que a morte e a ressurreição de Jesus nos permitem recomeçar de cabeça erguida, que a misericórdia de Deus é perfeita e seu perdão nos purifica do pecado.

É esta culpa que faz com que não tenhamos coragem de largar o pecado, pois pensamos algo como : ”perdido por dez, perdido por mil”, e assim, vamos permanecendo no pecado sem realmente nos abrirmos para multiplicar os talentos que Deus nos deu.

Entendendo nossa missão

Nós fomos criados para sermos amados por Deus e nossa missão primordial é chegarmos ao céu para lá podermos ser plenos no amor; o que não é possível ainda aqui na terra. Mas este amor já está presente e atuante em nossas vidas desde que fomos concebidos. Deus cuida de nós, tem planos para nós, nos quer ver felizes e realizados, mesmo em nossa vida terrena.

E a melhor forma de caminharmos em direção ao céu é contarmos a todos quantos pudermos esta boa notícia do amor e da misericórdia de Deus e isto foi o próprio Jesus que disse em MC 16,15:

“E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura!”

Temos que  buscar o plano original de Deus para cada pessoa, não importa o quanto o pecado tenha feito em sua vida, é possível retomar o plano dEle para nós, pois todos fomos criados para sermos amados por Deus.

Temos que  ajudar a engrossar o exército dos que foram lavados pelo sangue de Jesus na cruz, dos que foram purificados da morte no pecado para a vida em Deus. É preciso ter coragem de falar que há um caminho, é preciso ter confiança no perdão e na misericórdia de Deus, é preciso dar um basta ao mal que reina em nosso mundo.

Colocando mãos a obra

Pare de pecar. Confesse seus pecados. Confie em Deus. Coloque seus talentos a serviço do Reino de Deus. Não deixe que os respeitos humanos o inibam de falar de Deus.

“Ah, no trabalho não dá para falar de Deus.” – Dá sim.

“Ah, minha família não vai crer se eu falar.” – Então aja. Seja coerente nas suas atitudes, demonstre o amor ao invés de falar dele.

“Ah, não tenho oportunidades para agir.” – Deus sempre coloca em nosso caminho oportunidades de nos aprofundarmos e de agirmos, é só estarmos atentos. Só quem não quer se acomodar, quem realmente entende que tem talentos e que Deus um dia vai querer saber dos seus “bens” confiados a ele, coloca mãos a obra, não importando as dificuldades nem os tropeços do caminho.

E para terminar, só um último comentário: na parábola, Jesus não fala como cada um multiplicou seus talentos, nem se houve horas de prejuízo e depois retomada, Ele só falou que quando pediu contas os talentos haviam sido multiplicados, portanto não enterre seus talentos com medo de uma hora ou outra cair. Crie coragem e vá em frente.


“Pois, o salário do pecado é a morte”

5 de julho de 2011

 

Assim São Paulo termina o capítulo 6º da carta aos Romanos, após uma longa reflexão sobre o pecado, a escravidão que este nos traz, nossas fraquezas e a ação da graça de Deus.

Eu não gosto muito de falar do pecado e prefiro sempre falar do amor de Deus, da sua  misericórdia, da sua predileção por nós, mas se não formos explícitos quanto ao mal que o pecado nos faz como lutaremos contra ele?

O que eu vejo de mais perigoso, hoje em dia, é a indiferença ao pecado e às suas conseqüências. A morte que São Paulo nos fala, não é a morte física, mas sim a morte para Deus e esta é a pior conseqüência do nosso pecado. Nós perdemos a perspectiva do céu, como se ele não existisse e perdê-lo parece que não é nada grave.

Tememos a morte física, temos ótimos planos de saúde, nos protegemos em condomínios cheios de segurança, nossos carros são blindados, nossos vidros são escuros, nossos trajetos são constantemente mudados, mas ficamos totalmente desprotegidos do pecado, assumimos o que “todo mundo faz” com naturalidade, viramos as costas para o sacrifício de Jesus na cruz, deixamo-nos escravizar pelo mal.

Viver longe do pecado é uma luta diária, é dizer um sim a Jesus em cada ato que fazemos, em cada não que dizemos às coisas do mundo e isto não é fácil. É preciso estar sempre em sintonia com Deus, atentos à sua voz na oração, à sua palavra na Bíblia, às recomendações que Ele faz através de sua Igreja.

E se não fosse tão grave assim, esse nosso desleixo com o pecado, Jesus não teria dito:

Se teu olho te leva à queda, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus tendo um olho só do que, tendo os dois, ir para o inferno, onde o verme deles não morre e o fogo nunca se apaga.  (Mc 9,47-48)

É preciso muita coragem e disposição para lutar diariamente contra o pecado, qualquer pecado. É preciso não perder a noção que Deus sabe das nossas limitações e nos acolhe sempre, não se importando com o que fizermos, mas sim a com a disposição de não fazermos mais.

Se somos fracos, é preciso deixar Jesus ser a nossa força; se caímos, vamos nos levantar, pois se Jesus suportou o sofrimento por esses nossos pecados na cruz, Ele também nos fará renascer para vida, pela sua ressurreição.

Por fim, não pense no pecado como grandes atos de desamor, pense nos seus pequenos deslizes, nas suas indiferenças, nas suas seleções à palavra de Deus, escolhendo somente o que lhe convém. Tenha certeza que as grandes falhas nascem de pequenos descuidos que vão se acumulando.

Volte para este Deus que te ama e quer te conduzir ao céu. É lá a nossa casa, é para lá que fomos criados, é para desfrutar da alegria completa que Deus nos criou e isto só será possível no céu.


Semana Santa

14 de março de 2011

 

Participar das celebrações da Semana Santa é algo que vem perdendo importância para nós católicos. Isto porque as pessoas estão perdendo o sentido do gesto de Jesus, doando-se para a nossa salvação.

Gostamos de celebrar nosso aniversário, dia de nosso casamento, dia dos namorados e até dia das bruxas, mas o maior gesto de amor que a humanidade já viu, nós estamos deixando de lado. Afinal, a Semana Santa celebra a data da nossa salvação! O dia em que recebemos o nosso passaporte para o céu, o dia em que nos tornamos herdeiros de Deus Pai por intermédio da cruz de seu Filho.

Outro dia perguntei para alguém se iria viajar na Semana Santa e a resposta foi:

-Claro, eu também sou filho de Deus!

Não sei se esta pessoa vai participar das celebrações onde vai estar durante a Semana Santa, mas certamente ele pode dizer que é filho de Deus, justamente pelo que celebramos nessa semana.

Na quinta-feira santa lembramos o gesto maravilhoso de Jesus ao lavar os pés de seus discípulos, mostrando que devemos servir os irmãos, pois Ele, que era Deus, assim o fez por nós, não só neste gesto simbólico do lava pés, mas principalmente carregando todas as nossas culpas num sofrimento inigualável por homem nenhum na história.

Na sexta-feira santa, dia da morte de Jesus na cruz, é um dia de respeito, de introspecção, de jejum, pois na cruz Jesus derramou seu sangue para lavar nosso pecado. Ele assumiu a solidão da condenação injusta e do abandono de seus amigos para que pudéssemos chamar a Deus de Pai. Será que nós não estamos, mais uma vez, abandonando este Jesus na cruz para nos divertir?

Na vigília do sábado de aleluia, aguardamos a ressurreição de Jesus. É a abertura das portas do céu para nós, a razão de nossa esperança. Jesus está vivo e nos aguarda para nosso encontro definitivo! Não esperamos um coelho da Páscoa, um Papai Noel, nem muito menos uma bruxa ou um gnomo, esperamos Jesus, o nosso Salvador. Alguém que conhece o meu sofrimento, alguém que foi injustiçado, alguém que foi traído, alguém que sentiu solidão na hora do aperto. Um Deus que se rebaixou para nos dizer que tem um amor ilimitado por nós, num gesto digno de um louco apaixonado.

Você se comove com Romeu e Julieta? Pois Jesus fez muito mais por amor. Por amor de cada um de nós. Não importa nossas faltas, nossas fraquezas, nossas imperfeições, o gesto de amor de Jesus foi tão grande que é capaz de apagar em nós nosso pecado e transformar-nos em criaturas novas.

Domingo da Ressurreição é o dia maravilhoso para lembrar, reviver e receber este Jesus vivo e atuante em nossas vidas.

Vamos fazer uma forcinha para viver este espírito da Semana Santa, se possível em família e em comunidade, pois é o mínimo que podemos fazer por quem tanto nos ama e faz por nós!


Olhar o mundo com os olhos de Cristo.

10 de outubro de 2008

 

Este é um desafio que me “incomoda” todos os dias. Um incômodo de tentar ver a face de Jesus em cada um que passa pela minha vida; de me despojar de todos os meus preconceitos e julgamentos e de ultrapassar o visível das pessoas e perceber o filho amado de Deus em cada um.

 

Não é fácil!

 

Eu sou muito terreno e é muito fácil perder de vista a perspectiva do céu. Como é comum julgar e mais ainda, julgar definitivamente. “Este não tem mais jeito!”; “Aquela não presta mesmo.”; “Cuidado com fulano que ele é traiçoeiro”, e por aí vão meus diálogos internos quando vejo alguém.

 

Que esforço tenho que fazer para pensar em como Jesus olharia para alguém do meu convívio. Como abrir meus braços e meu coração após alguém me ferir? Como ver alguém que julgo tão pecador, um dia no céu, merecedor do céu? Como perceber aquela dignidade de criatura amadíssima do Pai naqueles em que só percebemos fraquezas e pecado? Como colocar dentro de mim a luz da misericórdia de Deus?

 

Eu me pergunto isso todos os dias  e de joelhos chego a desanimar diante de Jesus no sacrário, ou após receber a Eucaristia, vendo como sou míope desse olhar misericordioso de Deus.

 

Mas esse Deus que tem misericórdia de tantos pecadores tem misericórdia de mim, no meu pecado, na minha imperfeição. Esse Deus que me ama e revela-se perfeito em seu amor, não exige de mim a sua perfeição senão a vontade de atingi-la. Esse Deus que me acolhe todos os dias, se dá totalmente para mim na Eucaristia, me faz esperar com alegria o dia em que, me chamando, não precisarei mais me preocupar com isso. Nesse meio tempo, a esperança e a fé me sustentam e não deixam meu desânimo me paralisar, me empurram para frente, me animam , põe vida em minha alma.

 

Eu preciso dessa presença! Desse Deus que fala dentro de mim, que me sustenta e que me transforma. E aí eu sinto como, na minha fraqueza, Ele se faz forte em mim e assim me faz continuar.

 


EU NÃO SOU NENHUM SANTO !

16 de dezembro de 2007

Eis aí uma boa desculpa para deixarmos de progredir na vida cristã . Quantas e quantas vezes ouvimos esta frase para justificar um pequeno deslize de cristãos como nós ? Precisamos reformar o conceito de santidade para que nossos filhos cresçam com uma nova mentalidade sobre o que é ser santo.

 Os santos elevados aos altares pela nossa Igreja são modelos que devem ser conhecidos e seguidos e não mitificados como metas que nunca chegaremos a alcançar. O Papa João Paulo II beatificou e canonizou tantos cristãos como nunca se fez na Igreja, justamente para enfatizar que ainda há muitos santos no mundo e principalmente para lembrar que os santos são pessoas comuns que , como nós , tentam viver as verdades da fé numa vida comum, como a de qualquer um.  

Procure reparar no seu dia a dia se não há vários possíveis santos convivendo com você no trabalho, na comunidade ou na família. Talvez não saibamos exatamente, mas sempre há aquela pessoa que nos transmite uma alegria de viver mesmo na adversidade; nos admiramos e nos questionamos de onde vem aquela força e qual seria a fonte de tal alegria. Ou então daquele simples operário que trabalha com uma dedicação e esmero por fazer o seu trabalho da melhor forma possível , não se importando se o seu cargo não é o mais importante da empresa ou se a sua não é a mais nobre tarefa a ser feita , ele a faz e faz bem. E o idoso que conseguiu tirar da experiência de longos anos de lutas, com vitórias e derrotas, uma lição a ser ensinada e não o amargor de uma vida inglória. Estes e outros tantos santos anônimos ainda estão caminhando conosco neste mundo e com eles devemos formar o único exército que pode realmente mudar a face desta Terra. 

Mas o que um santo tem que Ter de especial para viver como tal?  Há dois componentes que juntos nos colocam neste caminho de santidade: Os dons do Espírito Santo e as Virtudes.  

Os dons do Espírito Santo dão o sustento a vida moral dos cristãos. São os componentes divinos agindo em nós para que possamos estar dóceis aos impulsos do mesmo Espírito Santo . Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. E não é difícil identificá-los em santos como Santa Teresa do Menino Jesus , Santa Teresa D’Ávila , São João Crisóstomo , Santo Agostinho e tantos outros que conhecemos a história.

 “…mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força , e sereis minhas testemunhas em Jerusalém , em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. ”  (At 1,8) 

O Espírito Santo está em nós desde o Batismo e os seus dons são presentes gratuitos de Deus para que possamos viver como Ele quer que vivamos , ou seja buscando a santidade. O Catecismo da Igreja Católica ainda complementa que os dons do Espírito Santo completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis, dóceis para obedecer prontamente às inspirações divinas.

 “Que o teu bom espírito me conduza por uma terra aplanada” (Sl 143,10).

 “Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus… Filhos e portanto herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo” (Rm 8,14.17). 

Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo modela em nós como primícias da glória eterna , ou seja os frutos do Espírito Santo nós fazem ser melhores. A Tradição da Igreja enumera doze: “caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade” (Gl 5,22-23 vulg.). 

Mas o que são as virtudes ? Se os dons do Espírito Santo são presentes que Deus nos dá para que vivamos em busca da santidade as virtudes dependem dos nossos esforços por alcançar a santidade .             “Ocupai-vos com tudo que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo que há  de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor” (Fl 4,8). 

A virtude é uma disposição constante e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si.  A pessoa virtuosa tende ao bem, persegue-o e escolhe-o na prática.         “O objetivo da vida virtuosa é tomar-se semelhante a Deus”. 

As virtudes humanas são atitudes firmes que tomamos , disposições constantes, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam assim facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem. As virtudes morais são adquiridas humanamente, dependem da nossa vontade e inteligência .   

DISTINÇÃO DAS VIRTUDES CARDEAIS 

Quatro virtudes são chamadas “cardeais” ; todas as outras se agrupam em torno delas.  São: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.        

“Ama alguém a justiça ?  As virtudes são seus frutos; ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza” (Sb 8,7).        

Estas virtudes são louvadas em numerosas passagens da Escritura sob outros nomes. 

A prudência é a virtude que nos faz discernir em qualquer circunstância nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados a realizá-lo. Discernir é discriminar , separar , distinguir entre dois caminhos.

“O homem sagaz discerne os seus passos” (Pr 14,15). 

“Levai uma vida de autodomínio e sobriedade, dedicada à oração” (I Pd 4,7).

A prudência é  a “regra certa da ação”, escreve Sto.  Tomás citando Aristóteles.  Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação , ou seja sem ocultar nada .  Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares da vida de cada um e superamos as dúvidas sobre o bem que devemos praticar e o mal que temos que evitar. O imediatismo dos dias de hoje abafam a prudência porque colocam como ridículo quem se detém para pensar antes de tomar uma decisão , ou contrário louva-se a impulsividade impensada . 

A justiça ‚ é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A  justiça para com Deus chama-se “virtude de religião”.  Para com os homens, ela nos faz respeitar os direitos de cada um e a  estabelecer nas relações humanas a harmonia .  O homem justo, muitas vezes mencionado nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo. 

“Não favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso.  Julga o próximo conforme a justiça” (Lv 19,15). 

“Senhores, dai aos vossos servos o justo e equitável, sabendo que vós tendes um Senhor no céu” (CI 4,1). 

A fortaleza é a virtude moral que dá  segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem.  Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral , ou seja , ajuda a vencer às tentações.  A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de suportar a provação e as perseguições. Nos ajuda a aceitar até a renúncia e o sacrifício de nossa vida  para defender uma causa justa. 

 “Minha força e meu canto é o Senhor” (SI 118,14). 

 “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). 

A temperança é a virtude moral que modera , limita , filtra a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens .  Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade.  A pessoa temperante é discreta e ” não se deixa levar a seguir as paixões do coração” (Eclo 5,2). A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento :     

“Não te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos”  (Eclo 18,30). 

No Novo Testamento ‚ chamada “moderação” ou “sobriedade”. Devemos “viver com autodomínio, justiça e piedade neste mundo” (Tt 2,12).  O que nunca devemos esquecer é que os dois componentes , os dons do Espírito Santo e as virtudes , que nos levam a viver como Deus quer que vivamos são a única forma de chegarmos um dia à glória eterna.


Eu nunca vivi assim !

16 de dezembro de 2007

Imagine andar por um mundo 100% não cristão. Onde não houvesse quem vivesse de acordo com os ensinamentos que Jesus pregou para nós. E que ninguém visse que só há um caminho e este caminho é Jesus.

Você desistiria ?

Desanimaria diante da imensidão do desafio de mudar este estado de coisas ?

Pois é, os 12 apóstolos enfrentaram o mundo assim . Jesus acabara de subir ao céu e eles aqui ficaram com a missão, aparentemente impossível, de transformar os corações dos homens por todo o mundo , sem satélite , sem Internet e sem fax .

E como se deu o surgimento dos primeiros cristãos , e se dá o crescimento dos cristãos hoje ?

Pela conversão .

Converter-se é conhecer e aceitar a boa nova de Jesus. Converter-se é identificar na proposta de vida de Jesus algo que queremos, e se ainda não fazemos , iremos fazê-lo daqui por diante. 

Um dos pontos básicos da pregação de Jesus é a misericórdia de Deus e que Ele sempre está disposto a nos perdoar e a nos receber de volta em sua casa quando erramos ou não andamos em seu caminho.  ( Veja “Sacramento da Penitência ou da Reconciliação”) 

Ninguém deve Ter uma imagem negativa de si mesmo pelo que fez ou deixou de fazer ,mas sim uma imagem firmada no que faz e quer fazer após conhecer Jesus , seus ensinamentos e os ensinamentos de sua Igreja.

Portanto se você lê estes textos e fica pensando que tudo é muito utópico porque em sua casa não é assim , você pensa que é certo mas seu esposo ou sua esposa não concorda com tudo , que você já perdeu muito tempo com seus filhos e agora é difícil recuperar este tempo ,não fique desanimado.

Nada é utópico. A mãe Igreja e o próprio Jesus sempre pediram de nós algo que é possível de se praticar na vida real. Faça o melhor que você puder . Aprenda com os seus erros e com o dos outros a sua volta . Se o seu lar não é um mar de rosas , veja o que não está certo e não faça errado da próxima vez. Se você é filho ou filha e vê que seus pais erraram com vocês , tenham o propósito de não cometer os mesmos erros com os seus filhos.

 Por exemplo: Filhos de pais divorciados e que vivem com outros parceiros devem se sentir culpados pelas atitudes dos pais ? Não.

Se você sabe o quanto isto foi ruim para você e quanto poderia ser melhor se seus pais seguissem o que a Igreja diz sobre o Matrimônio, não faça o mesmo quando for a sua vez.

Planeje uma vida de fidelidade e paz onde seus filhos cresçam equilibrados e confiantes, com Deus no coração. 

Adolescentes que já tiveram uma vida sexual ativa antes de casar podem ser felizes? Sim.

O ideal de se Ter os dois virgens para uma entrega total no casamento nem sempre é possível, mas o que Deus quer principalmente é um coração puro e uma vida casta, uma decisão firme de mudança de atitude. 

Os filhos já são grandes e estão quase incontroláveis , e agora? Com certeza uma mudança de atitude faz efeito até em filhos adultos e casados. Uma repreensão com amor , um reconhecimento de erros do passado , um pedido de perdão , um não após infinitos sim podem ser o início de uma virada , mesmo que seja mais difícil , mas uma virada.  

Jesus veio para nos salvar e não para nos condenar. Deus nos corrige com amor , o amor de um Pai que quer sempre ver seus filhos felizes.


REFORMA EM CASA

16 de dezembro de 2007

Estou fazendo uma reforma em casa , pintando as paredes , trocando o piso da cozinha e do banheiro e agora enquanto escrevo este texto sinto o teclado do meu computador cheio de pó e o ar que estou respirando tem um cheiro de tinta quase insuportável.

Para mim esta é uma das experiências mais difíceis de se passar ; não há lugar para ficar em casa , o orçamento inicial sempre estoura e há uma constante sensação de perda de privacidade. Mas apesar de tudo isto , temos que faze-la .

 Assim também é a nossa vida. Todos os dias temos que fazer pequenas arrumações e de tempos em tempos são necessárias verdadeiras reformas interiores. As pequenas arrumações são aqueles pequenos esforços por corrigir ou mesmo evitar os tropeços do dia a dia. O momento de raiva que tem que ser controlado para não xingar o outro motorista no trânsito , a paciência com o filho irrequieto quando queremos ver o jornal na TV , o carinho com a esposa desanimada com a correria dos afazeres da casa.

Também são pequenas arrumações vencer a preguiça de levantar cedo para chegar ao trabalho no horário , executar suas funções profissionais da melhor forma possível independentemente do chefe que temos , não se render aos sofrimentos como se o mundo fosse acabar com cada contrariedade que passamos.  

Seria ótimo se a cada arrumação em nossa casa nós dispuséssemos de um decorador para nos ajudar , mas infelizmente isto é impraticável , mas a Igreja nos disponibiliza este auxílio com os nossos Diretores Espirituais , sacerdotes que podem nos ajudar com a melhor forma de fazermos nossas “arrumações por dentro”. O Diretor Espiritual é o sacerdote que nos conhece e nos acompanha nas  lutas do dia a dia . Ele pode nos orientar sob a luz da fé e de acordo com os ensinamentos da Igreja. Também pode ministrar o Sacramento da Penitência (veja Sacramento da Penitência) que é o remédio que Deus nos dá para nossas falhas e ingratidões .  Só que por descuido nosso, muitas “pequenas arrumações” são deixadas para depois e com o passar do tempo nos acostumamos com aquela baguncinha no canto da alma. O que antes incomodava , começa a fazer parte do cotidiano sem despertar mais nenhum incômodo. Assim que o pecado age em nossa consciência . Se não lutamos contra ele enquanto é uma “pequena desarrumação”, com o tempo vamos nos acostumando com ele e vai se construindo em nós uma base para erros cada vez maiores.

Um adultério não nasce de uma decisão num único momento , mas sim dos pequenos olhares , das gracinhas , dos filmes , da malícia e de uma coleção de pequenas quedas que acabam por nos derrubar de vez. Um desfalque na empresa que trabalhamos começa com os clips e canetas que levamos “emprestado” para casa , pela nota com valor acima do que foi realmente gasto , do relatório de despesas falso. E nestas horas só uma boa reforma pode resolver nosso caso.  

Acredito que haja dois tipos de reforma , aquela que temos que fazer quando a casa está totalmente abandonada e temos praticamente que colocá-la de pé novamente, e a reforma de manutenção preventiva , aquela que evita que as coisas se degenerem e acabem por ser abandonadas.   No primeiro caso é necessário uma verdadeira conversão e a firme decisão de ir até o fim. Não faltarão dificuldades pois a luta será grande, mas a recompensa será eterna .

Não é raro o sofrimento ser o caminho que Deus utiliza para que decidamos por uma reforma radical em nossas vidas ; a perda de alguém querido , a separação do casal ou mesmo o desemprego . Para muitos este é o momento de se voltar para dentro e ir ao encontro de Deus.

No segundo caso a reforma preventiva pode ser um retiro espiritual para dar uma inspecionada mais detalhada no estado da casa , para fazer um bom exame de consciência e reavivar os bons propósitos em sua mente e coração . O Calendário Litúrgico da Igreja  também nos proporciona a Quaresma como tempo propício para esta reforma preventiva e retomada da beleza interior na Páscoa de Jesus.  

Fico muito feliz por ver que hoje se fala de consultorias , fidelização de clientes , marketing pessoa a pessoa , qualidade de serviços e a nossa Igreja já faz isto a 2000 anos , mostrando que o amor de Deus por nós não só garante a verdadeira felicidade , como também nos proporciona a melhor “assistência técnica espiritual “.


SOZINHA

16 de dezembro de 2007

Minha mãe sempre me dizia que uma separação de marido e mulher nunca era resultado do erro de um lado só. Hoje eu até compreendo o que ela queria dizer com isto, mas por muito tempo ficou na minha cabeça a visão de que ele ou ela nunca eram só vilões ou vítimas mas sim um pouco de ambos e minha pequenez me levava a julgá-los como culpados, pelo menos em parte, pela destruição de um lar.

             O que a soberba pode fazer a uma pessoa ! No caso, a mim mesmo julgando os outros.

Como é difícil deixar de lado nossos pré-julgamentos e olharmos os irmãos e irmãs com amor. Como eu tenho que me esforçar para não olhar para quem eu mal conheço e pensar em como é antipático o fulano, metida a fulana, etc. etc.. E pior ainda olhar para quem eu conheço bem e pensar , mesmo sendo ele ou ela assim, eu devo amá-lo ou amá-la como são. Mas convivendo principalmente com mulheres que se separam dos seus maridos, não importa por iniciativa de quem, e que se mantiveram na missão de criar os filhos, com a dignidade de quem honra um sacramento que não se desfez, tenho que admitir que as admiro muito.  

Se ser mãe, e mãe cristã, não está fácil nos dias de hoje, que dirá ser mãe e pai ao mesmo tempo, tendo que enfrentar os problemas sozinha, ainda somados aos causados justamente pela separação, por exemplo a divisão dos filhos uns ficando com a mãe outros com o pai; agressões pela separação etc.. E com certeza as que se mantém no caminho buscaram em Jesus o suporte que não acham mais no marido e na estabilidade do lar. E isto é certamente um caminho de santidade.

Ninguém que um dia sonhou com uma vida inteira de amor e companheirismo escolheria viver só. Mas poucos que entraram por este caminho escolheram enfrentá-lo com santidade, dignidade e fidelidade. Santidade porque no sofrimento da separação entenderam que podem estar mais próximos da cruz de Cristo, demonstração máxima do Seu amor por nós. Dignidade porque ao optarem por permanecer fieis ao sacramento do Matrimônio não se deixaram guiar pelos atalhos do divórcio e do pecado, numa vida sem responsabilidade na onda da tentativa e erro tão comum nos nossos dias. E fidelidade no sofrimento. Fidelidade como a de Cristo que não mudou de idéia de se entregar por nós mesmo quando todos O abandonaram na prisão e na cruz. Fidelidade de que um filho ou uma filha lembrarão e evitarão o mesmo caminho dos pais num momento de tentação que certamente passarão um dia em suas próprias vidas de casal; e fidelidade a si mesmo que é o símbolo da maturidade do homem e da mulher. 

Um outro aspecto importante dessas tantas mulheres que conheço é que nenhuma delas nega que poderiam, de uma forma ou outra, ter sido diferentes. Às vezes menos intransigentes, às vezes mais companheiras, e outros tantos erros que, agora admitidos, só aumentam a admiração que tenho por elas porque não vêem só no outro lado os erros por não ter seu casamento dado certo.

Todos nós podemos ser melhores do que somos. Mesmo nós casados e unidos, sempre temos algo por melhorar, um perdão a mais para dar, uma busca de reconciliação mesmo quando temos certeza que o outro lado está errado, um apoio na dificuldade ou mesmo o silêncio por amor. Não posso deixar de falar nas mulheres que deixaram seus maridos não porque o  relacionamento não deu certo mas por que a morte os separou . As muitas mulheres que sem o vínculo do Matrimônio permaneceram sós se dedicando aos filhos, à Igreja, aos irmãos. E quanto nós podemos receber de suas experiências de vida.

Uma que conhecemos desde que seu marido era vivo, sempre nos fala do quanto ela revive os seus bons tempos quando nos vê juntos com as crianças e quanto nos recomenda que vivamos este tempo intensamente porque a vida passa rápido e não se pode perder um minuto sequer. Ou a outra que descobriu no ajudar os irmãos uma nova razão para estar transbordando alegria todos os dias , com uma vitalidade admirável. 

E para terminar quero reforçar a imagem da alegria de quem pela morte ou pelos desentendimentos na vida se separaram dos seus maridos mas buscaram a verdadeira força e motivo para viver que é Jesus. A alegria tem que ser a carteira de identidade de todos nós cristãos que temos a boa nova no coração. 


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