O Sentido do Sexo

6 de março de 2010

 

Tenho pensado muito neste que é o tema de uma das palestras do encontro de jovens do Movimento Pax e acredito que precisamos ter mais coragem de falar no assunto de forma direta e positiva, por isso vou tentar, mais uma vez.

“Como são belos os teus amores, ó minha irmã e esposa, melhores, os teus amores, do que o vinho, e o odor dos teus perfumes supera todos os aromas.” Cântico dos Cânticos 4,10

A primeira coisa a colocar em nossa mente e em nosso coração é que sexo é bom e abençoado por Deus. Sexo tem a finalidade de reprodução, mas também de integração, prazer, entrega e intimidade total. Deus jamais iria criar algo em nós que fosse ruim. Deus jamais iria permitir tantas comparações suas como o esposo que recebe sua esposa, a Igreja, se não fosse uma coisa santa.

Sexo é bom, sexo é santo, sexo é muito poderoso em nós. Justamente por isso há um contexto certo para praticá-lo e este contexto é no casamento.

Por que não antes?

Bom, o sexo deve ser o lacre de um relacionamento, algo que colocamos depois que preenchemos todo o resto e temos certeza que o pacote está pronto.

O pacote de decidir por alguém exige esforço, preparação e renúncia. Há muita coisa para se conhecer, discutir, treinar durante um namoro para construir uma base sólida para uma vida a dois. Decidir por alguém é excluir todos os outros.

Como o sexo é muito poderoso em nós, ele serve como um anestésico para as coisas chatas de um relacionamento. Discutir sobre algo que não concordamos com o outro, sobre família, sobre futuro, sobre filhos, sobre dinheiro, sobre religião, etc. é infinitamente mais chato que fazer sexo.

Vejam quantas e quantas famílias acabaram sem mais nem menos. Isto vem aumentando cada vez mais. Não há mais compromisso, não há razão dominando os instintos, não há renúncia, há egoísmo, homens e mulheres se traem igualmente e teimamos em achar “normal”. Não pensamos que o sexo “livre” ajuda em muito para que os relacionamentos sejam superficiais, sem compromisso e os casamentos terrivelmente mal preparados para vida.

Quantas nações, mesmo que por razões econômicas, hoje em dia,  incentivam os casais a terem filhos, pois no seu egoísmo atual, pensam nos filhos como um custo, ou só mais um item no orçamento e por isso dispensável em troca de férias, carros ou outro tipo de divertimento.

Quantos de vocês não sofrem ou sofreram por rompimento da vida de seus pais? E isto é mais do que justificativa para se trabalhar, e muito, o seu relacionamento antes do sexo.

“Mas se há amor, tudo bem!” – alguns dizem.

Besteira! Amor é compromisso, é decisão é responsabilidade.

Os solteiros podem se espantar, mas a castidade tem que ser vivida antes e depois do casamento e talvez seja mais difícil depois do que antes.

Por isso São Paulo nos fala:

“Cumpra o marido o seu dever conjugal para com a esposa, e a esposa, do mesmo modo, para com o marido. Não é a mulher que dispõe de seu corpo, mas o seu marido. Do mesmo modo, não é o marido que dispõe de seu corpo, mas a sua mulher. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo e por algum tempo, para vos entregardes à oração. Voltai depois à convivência normal, para que Satanás não vos tente, por vossa falta de domínio próprio.” I Cor,7,3-5

Durante a vida de casados há inúmeras fases em que não há sexo. E se não estivermos treinados a reger nosso corpo com a razão, por que não dar uma puladinha de cerca para aliviar os instintos?

Mulheres, vocês que agora acham natural ir para um motel com seus namorados, um dia vocês não estarão tão bonitinhas como hoje e haverá quem esteja com a mesma disposição de ir com ele, casado ou não!

(Não fiquem bravas comigo)

Homens, macho é quem conseguem se controlar e se guardar totalmente para quem se ama, mesmo que você ainda não a conheça. Faça uma demonstração de amor a quem você nem sabe quem é e depois você verá o quanto vale à pena.

O sexo é maravilhoso se junto com a entrega de seu corpo existir a renúncia de todas as outras, a disposição de fazer o outro feliz, a disposição de lutar pelo outro, não importa qual dificuldade, a decisão de um sim para sempre.

“Por isso deixará o homem o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.” Gen 2,24.

Não prostituam o corpo de vocês. Não tornem algo que é santo em pecado, não destruam o futuro de suas vidas.

“Mas quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito. Fugi da devassidão. Em geral, todo pecado que uma pessoa venha a cometer é exterior ao seu corpo. Mas quem pratica imoralidade sexual peca contra seu próprio corpo. Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus? Ignorais que não pertenceis a vós mesmos? De fato, fostes comprados, e por preço muito alto! Então, glorificai a Deus no vosso corpo.”  I Cor 6,17-20.

Uma das experiências mais maravilhosas é, antes de um ato sexual, decidir com sua esposa que vocês querem gerar uma vida. Este sim é um ato completo! É maravilhoso aguardar a confirmação; é maravilhoso beijar a barriga de sua esposa e conversar com seu filho; é maravilhoso o primeiro encontro com aquela vida que veio ao mundo por amor!

Decidam pelo amor, a Deus e a quem vocês querem amar para sempre. Tomem uma decisão pela castidade. É possível mudar, pois Deus olha o seu coração e não o seu passado.


Sexo seguro …

16 de dezembro de 2007

Outro dia ,ao parar num farol olhei para o lado e li num adesivo colado no vidro de um carro o seguinte  : 

“Deus criou o sexo seguro : chama-se matrimônio “ 

Achei essa frase simples mas muito eficiente , a ponto de refletir sobre ela. 

Não é novidade para ninguém o posicionamento da Igreja em relação ao uso da camisinha, como também não  é novidade a quantidade enorme de pessoas contrárias à essa posição . O que eu  quero chamar a atenção é com relação ao nosso posicionamento como católicos  e como educamos nossos filhos  diante dessa posição da nossa Igreja. 

Concordamos ou não ?

Defendemos ou não ?

Somos omissos ? 

Temos coragem de transmitir  esses valores para nossos filhos? 

Deus em Seu infinito amor e sabedoria , já deixou claro desde que criou o homem ,o Seu plano para ele  :  “crescei e multiplicai-vos “, ”por isso o homem deixará seu pai e sua mãe , se unirá a sua mulher e formarão uma só carne “. 

Deus criou o sexo, logo o sexo é sagrado, é puro, é santo. Deus criou o sexo para que o casal se fundisse numa só carne, num profundo encontro de corpos e almas. Deus criou o sexo para ser vivido santa e plenamente por um casal dentro de uma relação segura, monogâmica, duradoura chamada MATRIMÔNIO. Não somos animais irracionais, que por mero instinto cumprem o seu dever de procriarem. Nós somos seres humanos, criaturas únicas, feitas à imagem e semelhança de Deus, temos alma. Nós temos controle sobre nossas emoções, instintos e desejos. Não saímos pelas ruas procurando parceiros para termos relações sexuais ( pelo menos eu espero que não ) para puro prazer. 

Ë importante tomar consciência que a Igreja defende a vida. Vida essa que Jesus mesmo disse que queria que a tivéssemos de forma abundante. Vida que deve ser preservada, cuidada com o maior respeito, carinho, pois é o maior dom que possuímos.O sexo está intimamente ligado à vida , pois é a partir dele que uma nova vida surge . É através do sexo que cumprimos a vontade de Deus de nos unirmos e multiplicarmos .O sexo não é sujo , Não é pecado, não é malícia , e desculpe o termo não é sacanagem . 

A sujeira, o pecado, a malícia, a sacanagem estão dentro de quem faz mal uso do sexo. O sexo criado por Deus não é o que está presente nas novelas, nos programas de auditório, nas revistas masculinas e femininas, não é o que está nas cenas dos filmes. Isso tudo é uma deturpação do sexo. 

Quem defende a camisinha, como uma forma de sexo seguro, na verdade defende o sexo fora do casamento, o sexo feito com qualquer parceiro, a qualquer hora e lugar, defende o sexo pelo sexo, o prazer desvinculado de amor, compromisso e responsabilidade. Defende que a vida é curta e que temos que aproveitar ao máximo, e portanto o sexo deve ser praticado e muito, com qualquer pessoa , hora e lugar. Faz parte dos defensores da camisinha muitos pais, que patrocinam não só a camisinha como também o motel  ( uns transformam o quarto dos filhos em motel porque é mais seguro… ) e se resumem a dizer; ‘”cuidado“.

Pais que não assumem a responsabilidade de dialogar , ensinar , informar seus filhos , privando-os de conhecer o certo , a vontade de Deus sobre sexo . Tiram dos ombros o peso de dizer para os filhos que existe uma hora certa para tudo , inclusive para o sexo .Deixam de ajudar seus filhos a se disciplinarem , a  se controlarem , a esperarem  pelo casamento para juntos com o (a) companheiro (a)  desfrutarem o sexo com amor , responsabilidade e abençoados por Deus  , deixam de apoiar seus filhos para que resistam as pressões do mundo , abandonam seus filhos numa área tão importante da vida . Nós pais somos responsáveis pela vida dos nossos filhos, temos obrigação de dar uma base sólida , alicerçada na fé, em princípios morais, éticos , para que possam crescer sadiamente.

Nós temos que dar raízes  para podermos dar asas. Nós temos obrigação de ensinar, educar, informar e formar nossos filhos, levando-os a conhecer a vontade de Deus em tudo, para terem o direito de optarem mais tarde, se querem ou não seguir essa vontade.  Se temos dificuldade para falar sobre sexo com nossos filhos, devemos procurar ajuda de profissionais católicos bem preparados  ( psicólogos, médicos, professores, etc ) de casais que trabalhem com jovens e famílias , de sacerdotes . Procurem ler livros cristãos sobre o tema. 

Ë importante que os pais revejam a forma como eles mesmo encaram o sexo , para que possam responder àquelas perguntas difíceis que as crianças costumam fazer repentinamente , (  como eu fui parar na barriga da mamãe ?  ) Respondam com simplicidade e de acordo com a pergunta feita . É fundamental que os pais conversem com os filhos sobre o assunto , para saber o que eles sabem e pensam a respeito de sexo . 

Não podemos deixar essa geração ser engolida pelo sexo , bebida e drogas sem fazermos nada , São os nossos filhos !!! Lembrem-se que é preferível ver nossa filha chorar porque não deixamos que ficasse sozinha com o namorado hoje, do que vê-la chorar porque engravidou com 13 anos .  Ou ver um ataque do nosso filho porque vocês não querem que ele transe  antes do casamento do que vê-lo morrer de AIDS. Não é exagero, é a realidade. 

A Igreja prega a vida, a felicidade, o amor, o sexo vivido dentro do sacramento do matrimônio. A Igreja zela pelos seus filhos, por isso quer o que é melhor, o que talvez seja mais difícil , e não o que é mais cômodo . A Igreja é mãe, por isso defende seus filhos contra tudo e todos que querem destruí-los. A Igreja  vai continuar  a ser contra o que o mundo quer que acreditemos  ser o certo. A Igreja é nossa aliada para nos ajudar na criação dos nossos filhos, a preservar a vida. A Igreja é porta-voz da vontade DEUS.  Quem é católico tem obrigação de conhecer, estudar, defender e viver o que a Igreja nos ensina.


O corpo e a atitude

16 de dezembro de 2007

            Muito se discute sobre a licitude do prazer sexual no matrimônio cristão, o ser ou não ser certo desejar este prazer e , se certo, como obtê-lo de forma intensa e sem culpa.

Primeiramente é preciso ter claro que Deus nos criou com a finalidade de sermos amados por Ele e de nos amarmos mutuamente. Também nos criou com o impulso sexual e portanto este impulso tem que ser algo bom, pois Deus não faz nada para o mal. E nos orientou nas escrituras e através da Igreja, sobre o contexto certo para obtermos o máximo deste componente importante do relacionamento de casal, o sexo.

             Em várias passagens das escrituras o Senhor compara o Seu amor por nós com um matrimônio como por exemplo:  

“Pois teu esposo é teu Criador, chama-se o Senhor dos exércitos, teu Redentor é o Santo de Israel, chama-se o Deus de toda a terra. Como uma mulher abandonada e aflita Eu te chamo; pode-se repudiar uma mulher desposada na juventude? Diz o Senhor teu Deus.“ Is 54, 5-6            

E em outras tantas passagens fala do relacionamento homem mulher com todos os seus componentes emocionais, físicos e espirituais:

“Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para unir-se à sua mulher; e já não são mais que uma só carne.” Gen. 2,24

“Então Tobias encorajou a jovem com estas palavras: Levanta-te, Sara, e roguemos a Deus, hoje, amanhã e depois de amanhã. Estaremos unidos a Deus durante estas três noites. Depois da terceira noite consumaremos nossa união; porque somos filhos dos santos, e não nos devemos casar como os pagãos que não conhecem a Deus.” Tob 8, 4-5 

“Como são graciosos os teus pés nas tuas sandálias, filha de príncipe! A curva de teus quadris assemelha-se a um colar, obra de mãos de artista; teu umbigo é uma taça redonda, cheia de vinho perfumado, teu corpo é um monte de trigo cercado de lírios; teus dois seios são como filhotes gêmeos de uma gazela; teu pescoço é uma torre de marfim, teus olhos são fontes de Hebron junto à porta de Bat-Rabim. Teu nariz é como a torre do Líbano, que olha para os lados de Damasco; tua cabeça ergue-se sobre ti como o Carmelo, Tua cabeleira é como a púrpura, e um rei se acha preso aos seus cachos.” Can 7,2-6

Vejamos o que a Igreja nos ensina no Catecismo da Igreja Católica no ponto 1643 

Os bens e as exigências do amor conjugal

 “O amor conjugal comporta uma totalidade na qual entram todos os componentes da pessoa – apelo do corpo e do instinto, força do sentimento e da afetividade, aspiração do espírito e da vontade ; o amor conjugal dirige-se a uma unidade profunda­mente pessoal, aquela que, para além da união numa só carne, não conduz senão a um só coração e a uma só alma; ele exige a indissolubilidade e a fidelidade da doação recíproca definitiva e abre-se à fecundidade. Numa palavra, trata-se de características normais do amor conjugal natural, mas com um significado novo que não só as purifica e as consolida, mas eleva-as, a ponto de torná-las a expressão dos valores propriamente cristãos”.

Como vemos não há um só ponto em que se nega a presença do componente físico no amor conjugal, ao contrário sempre o coloca com papel importante ainda que não o mais importante do relacionamento do casal. E por fim há sempre a confusão de que o sexo só existe para a procriação, o que é um erro como veremos a seguir.  

Como dissemos no início do texto, Deus nos criou para sermos amados por Ele. A criação é um impulso amoroso de Deus . É uma característica de Deus que foi transmitida ao homem, pois fomos criados a sua imagem e semelhança. O amor em sua essência e plenitude é Deus  Criador. Portanto o casal que se ama e tem como fonte desse amor o próprio Deus tem que ter este impulso criador, senão seu amor é incompleto seu amor é imperfeito.

E este impulso criador nos leva a querermos os filhos, a estarmos abertos aos filhos, até quando não podemos tê-los por qualquer razão física.  Assim, o amor aberto à procriação, mesmo quando não gera uma nova vida é mais completo e causa mais gozo e plenitude à vida dos cônjuges do que o amor fechado à possibilidade de gerar uma nova vida.  

Entendendo os argumentos acima , certamente entenderemos a doutrina da Igreja quanto ao uso de anticoncepcionais artificiais. Mas aqui não vamos entrar no mérito da questão.  

 Agora já podemos tirar algumas conclusões importantes: 

-          O sexo é bom, pois foi criado por Deus.

-          Sexo no contexto do matrimônio não é pecado, ao contrário é um presente, uma graça.

-          O sexo não é exclusivo para a procriação, mas o amor tem que estar sempre aberto à criação, à geração de uma nova vida. Voltando ao título deste texto “O corpo e a atitude”, vamos nos colocar dentro do contexto do matrimônio onde homem e mulher, buscando sempre o melhor um para o outro passam todos os anos de suas vidas juntos.

As vezes nos surpreendemos com casais demonstrando enorme felicidade por estarem juntos apesar de não entendermos o porque pelos nossos julgamentos exteriores. Por exemplo, quem já não viu um belo rapaz apaixonado por uma moça “feia”? Ou uma moça lindíssima com um marido baixinho e careca? E ainda velhinhos de mãos dadas e com aparência de estarem de lua-de-mel? O que ocorre então? O que existe na vida deles que supera nossas pobres avaliações puramente estéticas?  Neste ponto eu ouso simplificar o relacionamento do casal em duas partes importantes, mas não iguais:

O corpo e a atitude. 

Na maioria dos relacionamentos, desde os primeiros namoricos, o primeiro impacto entre jovens que se enamoram é o visual proporcionado pelo corpo. Não há como negar que a beleza tem um papel importante na natureza, e nós fazemos parte desta natureza. Não vamos discutir aqui as diferenças de gostos e costumes, o que importa é concordarmos que a beleza física, de uma forma ou de outra, influencia um relacionamento. No sexo a beleza se torna atração, a atração em toque, o toque em união, a união em gozo.  E o que vem a ser a atitude?

Atitude como eu quero colocar para o leitor é um enorme conjunto de outros fatores tais como: renúncia, abertura, disponibilidade, perdão, paciência, conhecimento, sinceridade e fidelidade.  O amadurecimento no relacionamento de um casal dá cada vez mais peso à atitude, o tempo tráz consigo o melhor conhecimento um do outro a tal ponto que muita coisa nem é necessário se falar, basta um olhar ou um gesto para que o outro compreenda sua necessidade ou sua intenção; a sinceridade ajuda a superar dificuldades e faz o relacionamento crescer juntamente com o perdão, que certamente é a ferramenta indispensável de quem quer manter a chama dos primeiros tempos acesa, tudo isto crescendo com o tempo e proporcionando aos dois cada vez mais gozo e mais felicidade desde um breve olhar até no ápice de uma relação sexual.  

Ainda sobre atitude vale a pena falar da unidade entre fidelidade e felicidade, se tivermos muita fidelidade e teremos muita felicidade, mais fidelidade e mais ainda felicidade. Daí porque nossas avaliações sobre casais aparentemente tão diferentes geralmente falham. Portanto podemos concluir que enquanto o mundo só valorizar o componente corpo dos relacionamentos entre homem e mulher não haverá felicidade verdadeira em estarem juntos, não havendo esta felicidade haverá cada vez mais separações, cada vez mais filhos que sofrem e mergulham na busca de compensações para esta falta de amor que são as drogas, a bebida e mais sexo sem amor, fechando assim um ciclo vicioso aparentemente sem fim.  

Quem está preparando nossos jovens para a fidelidade?

Quem está preparando nossos jovens para aprenderem a perdoar e pedir perdão?

Quem está dizendo a eles que vale a pena renunciar a si mesmo pelo amor aos outros? 

Quem está a eles mostrando que o sexo é bom e deve ser encarado como algo santo e desejado por Deus para que os casais se realizem e sejam verdadeiramente uma só carne?

Ouvi a pouco tempo de um sacerdote em uma homilia muito enfática que  em tempo nenhum desde a antiguidade a humanidade passou por um período de tanta ignorância do que é o verdadeiro sentido do amor como em nossos dias. Mesmo com toda a tecnologia dos tempos atuais a grande crise da humanidade é de amor. Se procura, não se conhece e não se sabe onde buscar.      

Portanto homens e mulheres amem-se profundamente e vivam intensamente o seu matrimônio , a vocação a que vocês foram chamados por Deus, porque só assim nós transformaremos este mundo. 


Antes ou depois do casamento ?

16 de dezembro de 2007

Hoje em dia é muito comum ouvir-se que o casamento é uma instituição falida , que os tempos mudaram e não se pode mais pensar em uma vida a dois como antigamente. E muitas vezes nós mesmos acabamos por “entrar nessa” sem pensar um pouco nos porquês das coisas mudarem tanto.

 Por agora vamos pensar em um só dos porquês: a preparação. 

Inicialmente vamos fazer uma comparação com o vestibular que é feito para se entrar em uma universidade. Cada vez mais jovens tentam vagas em boas universidades e percentualmente , cada vez menos acabam por obter uma vaga . Só entra realmente quem se prepara , se sacrifica por um , dois ou até três anos estudando até obter a primeira vitória que é a vaga na tão sonhada universidade. Mas a vitória em uma batalha não significa a vitória definitiva , pois ainda haverá os 5 ou 6 anos para se tornar um verdadeiro profissional e depois uma pós-graduação etc. etc. .

Curiosamente não se houve falar por aí que a universidade é uma instituição falida só por que exige uma grande preparação e por que muitos acabam por falhar nesta batalha ! Com o casamento ocorre a mesma coisa , a preparação vem desde o “primeiro grau” da vida a dois , que é o namoro , a fase de pré-seleção , de adaptação a um relacionamento a dois. O “segundo grau” é o noivado onde , apesar da total liberdade de rompimento por parte dos noivos, já há um compromisso e uma intenção forte de se assumir um casamento . E finalmente a vida a dois é o aperfeiçoamento para o resto da vida. Então o que deve ser feito no noivado para que a preparação inicial seja a melhor possível ? 

·         Analisem se vocês já conseguem dialogar sobre assuntos em que haja uma discordância entre vocês ou se estão deixando para depois do casamento . Pode ser que o assunto seja até irrelevante para uma vida feliz após o casamento , mas o diálogo em si é indispensável como ferramenta de continuidade da vida do casal. Se não se consegue dialogar antes de se casar na esperança de que após o casamento as coisas se ajeitarão ,comete-se um grande engano. Procurem aprender a dialogar , briguem se for necessário (veja O que os filhos mais necessitam dos pais ). 

·         Coloquem seus sonhos e esperanças em comum e vejam se estes sonhos e esperanças podem ser dos dois . Mesmo se for a realização profissional de um ou  atividades individuais como esporte , cursos etc. é importante que os dois concordem e lutem juntos por cada objetivo. Muitos casamentos terminam porque os dois vivem uma vida de casados-solteiros , cada um com seus sonhos , suas atividades , seu dinheiro e por acaso compartilhando o mesmo teto ; neste caso não se pode chamar a casa de um lar , mas sim de uma república como as de estudantes universitários que dividem as despesas de moradia.  

·         Compartilhar da mesma fé é um ponto muito importante para se levar em consideração  ao se pensar em uma longa vida a dois. Não que seja impossível a convivência de pessoas professando diferentes religiões ou se uma delas não tiver uma fé declarada , pois São Paulo mesmo diz que o marido sem fé pode ser santificado pela esposa ou a esposa sem fé pode ser santificada pelo marido ( I Cor 7,10-16) . Uma vez conversando com um casal que estava se separando ouvi do marido que era um absurdo eles estarem em viagem à Europa e ela querer entrar nas igrejas para orar ! Com certeza este é um argumento bastante absurdo para haver uma separação mas é bom se prevenir e discutir isto com seu noivo e sua noiva, pois junto com a profissão da mesma fé vem os mesmos valores , as mesmas esperanças , as mesmas disposições por uma vida de fidelidade e amor.  

·         Quantos filhos vocês querem Ter ? Como vocês vão educá-los ? Quem vai educá-los a mãe e o pai ou os berçários e escolinhas ? Se a mulher trabalha , ela vai parar de trabalhar para cuidar do filho pequeno ? Todos estes pontos dão conversa para uns bons meses e portanto é bom começar o quanto antes pois deixar para depois do casamento pode trazer algumas desilusões.  

·         Se forem esperar um tempo para a vinda dos filhos como vocês irão evitá-los? A Igreja nos coloca uma doutrina bastante clara a este respeito , condenando fortemente o aborto , as formas de esterelização mutilantes como a vasectomia e a ligadura de trompas e finalmente recomendando os métodos naturais de anticoncepção , como o método Billings. Nestes casos se houver dúvidas é bastante recomendável procurar a orientação de um sacerdote , pois a Igreja é mãe e seus ensinamentos são sempre voltados para a nossa felicidade e não para a nossa infelicidade.   

·         Amor ou sentimentos ? Esta é uma dúvida que muitos de nós fazemos e por causa dela casamentos tem sido desfeitos. Os sentimentos são reações naturais que temos a estímulos externos ou internos e independem da nossa vontade. Alegria , tristeza , raiva , paixão , mágoa , todos são sentimentos que brotam em todos nós queiramos ou não. Se é aniversário de casamento e o marido se esquece da data a esposa fica magoada. Se o time do marido é roubado pelo juiz , brota uma raiva que mal dá para se agüentar . Portanto os sentimentos são amorais , não são bons nem maus, ou seja , não tem moral ; é mais ou menos como o frio ou calor que sentimos , não se controla. A moral tem que existir na reação aos sentimentos. Se a esposa passar uma semana sem falar com o esposo porque ele esqueceu a data do aniversário de casamento aí sim comete-se um erro; ou se o marido joga garrafa de cerveja  no juiz  quando o time for roubado aí sim existe o erro. E onde entra o amor nisto tudo ? O amor não é um sentimento , o amor deve sempre despertar sentimentos , sentimentos positivos , como alegria , prazer , satisfação etc. ; mas o amor é uma decisão , um ato da vontade livre de cada um.  Por isso que erra-se ao dizer que o amor acabou . O que houve é que acabaram os bons sentimentos e então eu decidi não amar mais você . É interessante lembrar algumas palavras que são repetidas na cerimônia do casamento e que confirmam a diferença entre amor e sentimento: “Eu Fulano prometo te amar e respeitar na alegria e na tristeza , na saúde e na doença etc. etc. “ ; como se pode ver jura-se amar mesmo na tristeza que é um sentimento ruim , ou seja , decide-se amar por toda a vida. 

·         Qual a sua prioridade , ser ou fazer feliz ? Esta é uma pergunta que eu e minha esposa fazemos a noivos que se preparam para o casamento e uma boa parte prioriza o ser feliz colocando em segundo plano o fazer feliz, um princípio bastante perigoso para quem julga amar alguém. Coloque como prioridade em sua vida o fazer seu esposo ou sua esposa feliz e deixe que ele ou ela se preocupe com a sua felicidade. É um risco , o amor exige riscos e confiança, mas é uma garantia que um dá ao outro que em uma dificuldade qualquer o eu não prevalecerá sobre o nós ou mesmo sobre o você . Pode parecer estranho falar em risco , em confiança ou em doação associados ao amor mas é isto que Jesus fez por nós , no seu exemplo máximo de amor. Ele se entregou a morte por mim que estou aqui ,2000 anos depois , confiando que suas palavras poderiam me fazer feliz . Ele se arriscou pois me deu liberdade de seguí-lo ou não . Pense nisto.  

Espero que o tema que colocamos acima sirva para despertar um interesse em vocês noivos , namorados , ou mesmo casados para um início de um longo e frutífero diálogo .


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