Recentemente ao mencionar um sacerdote que conheci a umas pessoas amigas minhas fiquei surpreso com a notícia de que este sacerdote havia abandonado o ministério sacerdotal.
Minha primeira reação foi de tristeza, do tipo que um torcedor tem quando o seu time leva um gol, mas logo depois absorvi o impacto e comecei a pensar nestes momentos que todos nós, que somos a Igreja, temos que passar. Não dá para ganhar sempre.
Mas que crise é esta? Certamente com a divulgação que este fato teve até na imprensa, muitos devem ter dito que a crise é da Igreja, outros devem ter atribuído a crise ao sacerdócio em si, outros no celibato e tantos outros pontos que sempre estão engatilhados nos que gostam de falar, criticar e destruir o reino que Jesus deixou para construirmos . Eu mesmo me perguntei : “Isto é crise do que ?”
Pode pensar: “Mas quem é ele para falar do assunto ? Nem padre é !”
E você tem razão, não sou mas tive a oportunidade de conhecer grandes vocações sacerdotais e ouso dar a minha opinião a respeito.
Família
O que teria a ver uma vocação sacerdotal com família ? Muito, pois qualquer vocação seja sacerdotal como matrimonial precisa de uma base firmada em exemplos de fé e de perseverança comprovadas. Não quero dizer com isso que casais ou sacerdotes que vieram de famílias desajustadas não podem ser felizes, aí eu estaria esquecendo do Poder de Deus, do Espírito Santo, aquele que sopra onde quer. Mas um exemplo de enfrentamento de crises conjugais dos pais, pois todos os pais as têm, certamente dão força para quem vive uma crise vocacional.
Quem pode dizer que não dá valor ao suporte que a experiência de um pai ou uma mãe podem nos dar nos momentos de crise ? Ou o significado da fidelidade de um pai a uma mãe, e vice-versa, durante toda a vida num momento de tentação ?
Então eu deixo uma primeira pergunta no ar:
“Estamos formando boas famílias para termos boas vocações ? “
Educação
Qualquer um concorda comigo que o nosso país só será verdadeiramente transformado, pelo menos no aspecto de igual oportunidade para todos, se houver um grande esforço por educar o povo.
As crianças desde pequenas e também os adultos que não tiveram oportunidade de estudo devem ser preparados para o cenário tecnológico que o mundo apresenta hoje.
Hoje há maus engenheiros, maus médicos, maus advogados muitas vezes não por desleixo dos profissionais, mas porque faltou a formação que deveria para que fossem melhores como profissionais.
Eu sei que não é fácil dizer isso, mas há maus padres por falta de formação. E sei o quanto a Igreja tem trabalhado para corrigir estas falhas, que ocorreram em um certo período e que trouxeram conseqüências para todo este corpo de Cristo, principalmente no Brasil.
Bom, se tudo fosse perfeito nesse mundo para que aspiraríamos o céu ?
Fé
A maioria dos sacerdotes que conheci em crise vocacional tinham claramente uma crise de fé. Alguns estavam mais para um Pedro ao querer resolver as coisas arrancando a orelha do servo do príncipe dos sacerdotes a um golpe de espada na ocasião da prisão de Jesus, do que para um Pedro que respondeu três vezes a Jesus que o amava quando Jesus pedia que apascentasse suas ovelhas.
Outros não entendiam o mistério desta Igreja santa e pecadora, feita de homens e mulheres, esquecendo-se da presença viva do Espírito Santo conduzindo a Igreja pelos séculos até a volta de Jesus.
Outros ainda diante das dificuldades que o ministério muitas vezes impõe esqueciam-se da advertência de Jesus: “No mundo havereis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.”
E aqui eu coloco uma segunda pergunta para todos nós leigos ou sacerdotes:
“Nós ainda sentimos nosso coração bater mais forte quando pensamos em Jesus ?”
Tentação secular
Gostou do título? O que eu quero dizer com isso é que o mundo de hoje nos atrai para um número imenso de tentações, principalmente mascaradas pelos eufemismos tão freqüentes em nossos tempos. Por exemplo:
Homossexualismo é opção, e não desvio, doença ou qualquer coisa que a ciência possa chamar.
Produção independente é querer ter filho fora do casamento, exemplo de grandes astros que mascaram o pecado contra a castidade e a impossibilidade de dar a criança uma estabilidade emocional de um lar com pai e mãe.
Aborto é um direito que a mulher tem sobre o seu corpo, mascarando totalmente a crueldade do assassinato de crianças, vidas criadas por Deus e indefesas no ventre de suas mães.
Viver o agora esquecendo toda e qualquer conseqüência de seus atos, seja pela geração de um filho, pela proliferação de uma doença como a AIDS, ou mesmo por saciar uma paixão momentânea jogando fora toda uma vida matrimonial ou sacerdotal.
Solidão
Por fim eu deixei este ponto delicado da vida de muitos e muitos sacerdotes que não encontram nas famílias de suas comunidades amparo para o homem padre , aquele que tem necessidade de carinho e compreensão, de oportunidade de desabafo a um amigo que não se escandalizará, e pior ainda não espalhará por toda a paróquia suas dificuldades. ( Leia: Vinte pessoas e um padre. ) Assim eu termino este texto, que é breve e certamente não tem a pretensão de esgotar o assunto, pedindo a todos os leitores que não deixem que tais fatos de crises de vocação, seja ela sacerdotal ou matrimonial os afastem da oração por esta nossa Igreja, nem os arrastem para uma crise pessoal de fé.
Escrito por armandoporto
Escrito por armandoporto