Esse amor, essa paixão.

5 de janeiro de 2016

 

Quando um casal se une por amor, é algo maravilhoso. Há o desejo de fazer o outro feliz, paixão, renúncia, vontade incontrolável de estar próximos e tudo é uma constante.

Mas, dizem que com o tempo vai diminuindo a paixão e fica o amor ágape, amor doação, amor que quer o bem do outro sem pedir nada em troca, eu diria: um amor de velho. Eu creio que amor sem paixão é como dia sem cor, música sem acordes ou sonho sem sair da realidade. Para falar a verdade é muito sem graça. Talvez seja a desculpa de quem perdeu a paixão e não sabe mais onde encontrá-la.

Amor não é só paixão, eu sei, mas como amar sem acreditar no impossível? Nós fomos amados assim por Deus!

Ele tem um “sonho impossível” para cada um de nós. Se não fosse assim, Ele não morreria por um bando de gente tonta que erra, que cai e que não reconhece seu amor de forma tão insistente. Ele é um Deus apaixonado, capaz de fazer loucuras por quem ama, coisa que qualquer um diria que Ele estaria perdendo o juízo amando daquela forma inconsequente. E ainda daria um conselho a Jesus, quando estava na terra, de que Ele ainda se machucaria se levasse isso adiante.

Ele se machucou, mas até onde sei não se arrependeu por seu amor apaixonado. (Senão não estaríamos aqui ainda).

Amor ágape é claro que tem que existir, mas como irradiar esse amor sem fogo, sem luz?

Eu falo muito sobre amor na preparação de noivos para o matrimônio e não há momento em que há mais brilho nos olhos de cada casal presente do que quando falo do amor apaixonado de Deus por eles. Um amor quase insano, misericordioso, doce, carinhoso, delicado, paciente, sonhador, um amor sem limites.

Eu quero amar com esse amor e você?

 

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Não é nada fácil

30 de dezembro de 2015

Se tem um tema que me faz pensar constantemente é a liberdade. Mas ando pensando, particularmente, na liberdade que pais tem que dar aos seus filhos para serem eles mesmos e assumirem suas vidas. E isso não é nada fácil e falo por experiência própria.

E qual a nossa responsabilidade como pais? Falar para um recém nascido: “Não, não, não, nada de mamar de graça no peito de sua mãe, se vira!” ou para um filho adulto: “Nem vem que não tem seu tempo passou, amigão!”

Claro que não, liberdade exige autonomia e isso é um processo que vai desde o nascimento até a idade adulta para ser construído.

A certeza de um amor incondicional

Para desenvolver autonomia, é preciso ter referências que serão os pilares dessa construção da liberdade, e a maior delas é saber que se é amado incondicionalmente pelos pais. Amor  cobra, mas não exclui; amor que pede perdão para ensinar a perdoar; amor que não generaliza atos em pessoas, por exemplo, “Suas notas foram muito ruins, você pode ir melhor.”, e não , “Você não vai ser nada na vida sendo burro assim.” Há muita gente adulta que é escrava de uma busca incessante de aceitação, por não ter certeza de ser amado, daí entram coisas como a bebida, as drogas, a necessidade de estar sempre na moda e a vida sexual precoce; neste caso, quantas meninas se sentem usadas quando descobrem que foram só um objeto de prazer para alguém que nem de longe estava pensando em romantismo como elas pensavam quando se entregavam.

A grande benção de um NÃO

Quantos adultos são intolerantes à frustração, fugindo a vida inteira de tudo que os coloca na parede, amizades, relacionamentos, carreiras, etc. , vão pulando de galho em galho achando que sempre o mundo conspira contra eles. Pois eu acredito que a falta de nãos desde pequenos é uma das grandes causas disto. A criança pede e os pais dão, a criança faz manha e os pais cedem, o adolescente apronta na escola e os pais brigam com os professores. Os pais estão sempre satisfazendo todas as vontades e caprichos dos filhos e, queiramos ou não, a vida não faz isso com ninguém e temos que vivê-la mesmo assim. Um não bem colocado é uma grande benção na construção da autonomia de um filho.

Joelho arranhado

As crianças precisam aprender que “ralar os joelhos” faz parte da vida. Se valorizarmos demais cada tropeço de nossos filhos. Protegendo-os de todas as infecções (físicas e psicológicas), não permitindo que eles se firam de vez em quando, será que quando adultos não ficarão esperando que a mamãe apareça com um merthiolate cada vez que a filhinha ou o filhinho se machucar? Isto também é válido nas amizades, nas primeiras paixões não correspondidas e no vestibular. Não podemos criar pessoas que acabem por serem vítimas delas mesmas, pois a vida não pode ser vivida sem seus arranhões.

A última instância

Mesmo quando damos boas referências como pais, vem a hora que eles descobrem que somos falíveis, que não temos uma força insuperável, ou mesmo não conseguimos viver tudo que o pregamos para eles. Também há momentos em que os pais não estarão mais lá, por morte ou abandono, e se fica sem ter a quem recorrer; nessas horas é que uma fé bem transmitida, desde pequenos, sustenta a pessoa e os mantém na construção e na vivência da liberdade.

E fé não se resume a levar os filhos na catequese aos 7 ou 8 anos, muito menos coloca-los em colégio religioso. Fé é dar exemplo de vida, é mostrar que há valores imutáveis, é sentir a alegria de nunca estar sozinho nesse mundo.

 

E por fim, quando eles assumirem suas vidas, estaremos lá nos valores que transmitimos e eles assumiram como seus. Estaremos lá quando um deles usar uma frase sua para ensinar seus filhos, quando estiverem ajoelhados diante de um sacrário, pedindo socorro para o Pai, pois assim viu seus pais fazerem ou na pior das hipóteses, estiverem tentando não repetir os seus erros como pais e como pessoas. Ainda assim eles estarão voando livres.


A new way

1 de dezembro de 2015

I teach catechism for a long time and in my experience I think that we need to change the way we talk about God:

If I say:

-God is love.

-Love generates new lives to love. A man and a woman can have a baby, and it is a natural way to generate a new life, but a priest or anyone else can make a person to reborn from its death (life without God) generating a new life to love.

-Love irradiates itself to others. Every time we see a couple, or a mother looking at his child we can see how love irradiates and reaches us.

The Trinity can be explained as:

The Father, who is love, generates Jesus to love him and this love irradiates to the universe as the Holy Spirit.

But it could not stop there. So God has created the humanity to love us and not the contrary.

Why a father should have a son to be loved by his son? Why God should do that? God doesn’t need us, but He needs to love. So, we are here today because God wants to love us, nothing more.

How can I explain the gratitude of God’s love and forgiveness if I can’t understand why I am here and who has loved me first?

And one can ask me: Where is the first commandment?

If God has loved us first and his love is greater than any other love, my answer to this love is: loving him above all things and with all my strengths.

I think our lives are an opportunity to be in contact with God, an opportunity to accept his love, an opportunity to spread his love to the world.

 


Ninguém gosta de sofrer.

16 de novembro de 2015

Situações de perda, solidão, incertezas, são sempre doloridas e difíceis de encarar.

Mas isso até que é suportável. Acabamos por gerenciar essa dor que nos aflige, criamos certos mecanismos de defesa e, por fim, tocamos em frente.

Quando o sofrimento é em alguém que amamos, especialmente de um filho ou neto, esse é mais difícil de lidar.  Por mais empáticos que sejamos, ou seja, nos coloquemos no lugar do outro, não conseguimos tirar o que o outro sente ou passa.

Mas a vida é assim. Nossa imperfeição consiste exatamente em sermos capazes de causar a dor no outro muito mais facilmente do que curar a dor do outro.  Sob este aspecto entendemos a velha oração do Salve Rainha, quando diz: “…gemendo e chorando neste vale de lágrimas.”

Mas o sofrimento, principalmente quando está pertinho de nós, nos ajuda a compreender a loucura do amor de Deus por nós. Qual pai ou mãe, se pudesse, não assumiria “com prazer” o sofrimento de um filho para vê-lo bem? E foi por isso que Jesus se encarnou e veio até nós para assumir nossos sofrimentos e nos curar em escala global e de uma vez por todas.

Às vezes nos revoltamos com Jesus, pedindo uma folguinha nos nossos sofrimentos e isso é normal. Ele próprio pediu ao Pai que afastasse dele ”aquele cálice”, mas deixou que fosse feita a vontade do Pai em nosso favor. Por isso, temos que ter confiança de que um Deus amoroso e que passou por um sofrimento monstruoso para nos curar do pecado, estará sempre ao nosso lado, ao lado de quem amamos, curando e perdoando os estragos que causamos uns aos outros e a nós mesmos.


Ter um filho

4 de agosto de 2015

Ter um filho é, acima de tudo, um ato de amor,

Ter um filho é, portanto, doar-se a alguém totalmente,

Ter um filho é entrar em um projeto de vida sem fim,

Ter um filho é mudar sua vida para sempre,

Ter um filho é continuar vivendo, mesmo depois de partirmos,

Ter um filho não é uma despesa,

Ter um filho não é preencher nossos vazios,

Ter um filho não é argumento para segurar um casamento,

Ter um filho não é algo que se faz com coisas materiais,

Ter um filho é ser exemplo, mesmo quando cair,

Ter um filho é prepará-lo para ser dele próprio,

Ter um filho é dar o que ele precisa, amor do pai pela mãe, da mãe pelo pai,

Ter um filho é ter paciência no seu tempo,

Ter um filho é uma escola para quem ama,

Ter um filho é um milagre que nos afeta,

Ter um filho é entender a beleza da vida,

Ter um filho é o coroar do amor em nós.


Tão Bom

29 de julho de 2015

É tão bom estar apaixonado,

Faz-nos querer falar com o outro e, quando não der, falar do outro,

É uma das poucas coisas que nos fazem lembrar o que passou,

Sonhar no que virá e curtir o nosso agora ao mesmo tempo.

Temos uma constante vontade de estarmos juntos,

De nos tocarmos,

De dizermos um milhão de coisas em silêncio na presença do outro,

A paixão é como os primeiros estágios de um foguete que tem a enorme força necessária para sairmos da gravidade do nosso eu e entrarmos no infinito
do nós.

É tão bom estar apaixonado,

Que me faz pensar em Deus,

Um Deus apaixonado,

Que me fala pela sua Palavra, através do silêncio e pela sua criação,

Que escuta minha voz, minha oração,

Que conhece o meu coração,

Que me toca na eucaristia,

Que deixou toda a glória de sua divindade para vir a mim como um homem como eu,

Que buscou a forma mais bonita de me alcançar que é pisando o mesmo chão que eu piso,

Lutando as mesmas lutas que eu luto,

Sentindo as mesmas coisas que eu sinto.

E percebendo o tamanho desse amor apaixonado eu me rendo e amo,

Amo e quero falar,

Amo e quero tocar,

Amo e quero estar com Ele,

Amo e tenho, e quero amar você,

como Ele me amou.


Ser profeta

29 de julho de 2015

Ser profeta é falar de Deus,
Sem medo do que vão achar,
Sem escolher quem vai aceitar,
Sem pensar no resultado que pode dar.

Ser profeta é deixar que o amor tome conta da vida,
Do amor que vem de Deus,
Do amor que inquieta o coração,
Do amor não cabe dentro de nós.

Ser profeta é levar o amor onde ele não está,
onde ele não é falado,
onde se acha que não vale a pena,
onde talvez ninguém escute.

Ser profeta é crer que basta semear,
Pois Deus cuida dos corações,
Faz chover onde Ele quiser
E colhe no seu tempo certo.

Ser profeta é ser batizado,
saber o que isso significa,
completar a missão que nos foi dada,
transbordar do que recebemos de graça.

Ser profeta é cair de joelhos e fazer como o tio Tuto,
perguntar a Deus: Senhor, que queres que eu faça?
E esperar,
pois Deus sempre responderá.